sábado, 28 de março de 2026

Excesso

 

“Pois que aproveitaria ao homem ganhar o mundo todo e perder a sua alma?” — Jesus (Marcos, 8:36)

 

Enquanto a criatura permanece no corpo terrestre, é natural se preocupe com o problema da própria manutenção.

Vigilância não exclui previdência.

Mas não podemos olvidar que o apego ao supérfluo será sempre introdução à loucura.

Tudo aquilo que o homem ajunta abusivamente, no campo exterior, é motivo para aflição ou inutilidade.

Patrimônios físicos sem proveito, isca de sombra atraindo inveja e discórdia.

Alimentos guardados, valores a caminho da podridão.

Roupa em desuso, asilo de traças.

Demasiados recursos amoedados, tentações para os descendentes.

Todo excesso é parede mental isolando, aqueles que o criam, em cárceres de orgulho e egoísmo, vaidade e mentira.

Observa, assim, o material que amontoas.

Tudo o que está fora de ti representa caminho em que transitas.

Agarrar-se, pois, ao efêmero é prender-se à ilusão.

Mas todos os bens espirituais que ajuntares em ti mesmo, como sejam virtude e educação, constituem valores inalienáveis a brilharem contigo, aqui ou alhures, em sublimação para a vida eterna.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 73


sábado, 21 de março de 2026

Ouvidos

 

“Quem tem ouvidos de ouvir, ouça.” — Jesus (Mateus, 11:15)

 

Ouvidos… Toda gente os possui.

Achamos, no entanto, ouvidos superficiais em toda a parte.

Ouvidos que apenas registram sons.

Ouvidos que se prendem a noticiários escandalosos.

Ouvidos que se dedicam a boatos perturbadores.

Ouvidos de propostas inferiores.

Ouvidos simplesmente consagrados à convenção.

Ouvidos de festa.

Ouvidos de mexericos.

Ouvidos de pessimismo.

Ouvidos de colar às paredes.

Ouvidos de complicar.

 

Se desejas, porém, sublimar as possibilidades de acústica da própria alma, estuda e reflete, pondera e auxilia, fraternalmente, e terás contigo os “ouvidos de ouvir”, a que se reportava Jesus, criando em ti mesmo o entendimento para a assimilação da Eterna Sabedoria.

 

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 72


sexta-feira, 20 de março de 2026

Você conhece a história de José Martins Peralva?

 

José Martins Peralva nasceu em 1º de abril de 1918, na cidade de Buquim, em Sergipe. Filho de Basílio Martins Peralva e Etelvina da Fonseca Peralva, teve forte influência do pai, que foi um dos pioneiros do Espiritismo na região. Desde os seis anos de idade acompanhava as atividades mediúnicas e doutrinárias realizadas em casa, onde presenciou curas e estudos da doutrina baseados nos ensinamentos de Allan Kardec, recebendo assim sólida formação espírita ainda na infância.

A adolescência de Martins Peralva foi marcada por grandes dificuldades após a morte do pai, quando ele tinha apenas 13 anos. A família enfrentou sérios problemas financeiros, e, mesmo sendo o mais jovem dos irmãos, assumiu responsabilidades para ajudar no sustento do lar. Trabalhou em diversos empregos desde muito cedo, demonstrando esforço, disciplina e perseverança, características que mais tarde também marcariam sua atuação no movimento espírita.

Apesar das lutas materiais, manteve-se ativo na divulgação do Espiritismo em Sergipe. Participou de instituições espíritas, escreveu artigos doutrinários em jornais e chegou a presidir a União Espírita Sergipana ainda jovem. Paralelamente, atuou como jornalista e colaborador de periódicos, abordando temas espíritas, culturais e sociais, contribuindo para ampliar o conhecimento da doutrina.

Em 1949, durante viagem ao sudeste do Brasil, teve um encontro marcante com Chico Xavier no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo. A experiência espiritual vivida nessa ocasião motivou sua mudança definitiva para Belo Horizonte, onde passou a atuar intensamente no movimento espírita mineiro, especialmente na União Espírita Mineira e no Centro Espírita Célia Xavier, dedicando-se ao estudo, à divulgação e à formação de jovens espíritas.

Ao longo de sua vida, destacou-se como escritor e expositor espírita, produzindo obras doutrinárias de grande repercussão, como Estudando a Mediunidade, Estudando o Evangelho, O Pensamento de Emmanuel, Mediunidade e Evolução e Mensageiros do Bem. Também colaborou com jornais e instituições espíritas, tornando-se uma das figuras mais respeitadas do Espiritismo em Minas Gerais. Desencarnou em 3 de setembro de 2007, em Belo Horizonte, deixando importante legado de estudo, divulgação e fidelidade aos princípios da Doutrina Espírita.

 

Resumo extraído da biografia encontrada no site da União Espírita Mineira – UEM


sábado, 14 de março de 2026

Olhos

 

“… Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz…” — Jesus (Mateus, 6:22)

 

Olhos… Patrimônio de todos.

Encontramos, porém, olhos diferentes em todos os lugares.

Olhos de malícia…

Olhos de crueldade…

Olhos de ciúme…

Olhos de ferir…

Olhos de desespero…

Olhos de desconfiança…

Olhos de atrair a viciação…

Olhos de perturbar…

Olhos de registrar males alheios…

Olhos de desencorajar as boas obras…

Olhos de frieza…

Olhos de irritação…

Se aspiras, no entanto, a enobrecer os recursos da visão, ama e ajuda, aprende e perdoa sempre, e guardarás contigo os “olhos bons”, a que se referia o Cristo de Deus, instalando no próprio espírito a grande compreensão suscetível de impulsionar-te à glória da Eterna Luz.

 

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 71


sábado, 7 de março de 2026

Pacifica sempre

 

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” — Jesus (Mateus, 5:9)

 

Por muitas sejam as dores que te aflijam a alma, asserena-te na oração e pacifica os quadros da própria luta.

Se alguém te fere, pacifica desculpando.

Se alguém te calunia, pacifica servindo.

Se alguém te menospreza, pacifica entendendo.

Se alguém te irrita, pacifica silenciando.

O perdão e o trabalho, a compreensão e a humildade são as vozes inarticuladas de tua própria defesa.

Golpes e golpes são feridas e mais feridas.

Violência com violência somam loucura.

Não ergas o braço para bater, nem abras o verbo para humilhar.

Diante de toda perturbação, cala e espera, ajudando sempre.

O tempo sazona o fruto verde, altera a feição do charco, amolece o rochedo e cobre o ramo fanado* de novas flores.

Censura é clima de fel.

Azedume é princípio de maldição.

Onde estiveres, pacifica.

Seja qual for a ofensa, pacifica.

E perceberás, por fim, que a paz do mundo é dom de Deus, começando de ti.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 70

 

*fanado: que sofreu mutilação.

 (Definições de Oxford Languages - Google)