Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações. (Allan Kardec - E.S.E, XVII, 4)

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Obsessores


Obsessor, em sinonímia correta, quer dizer “aquele que importuna”.
E “aquele que importuna” é, quase sempre, alguém que nos participou a convivência profunda, no caminho do erro, a voltar-se contra nós, quando estejamos procurando a retificação necessária.
No procedimento de semelhante criatura, a antipatia com que nos segue é semelhante ao vinho do aplauso convertido no vinagre da crítica.
Daí a necessidade de paciência constante para que se lhe regenerem as atitudes.
Considerando, desse modo, que o presente continua o pretérito, encontramos obsessores reencarnados, na experiência mais íntima.
Muitas vezes, estão rotulados com belos nomes.
Vestem roupa carnal e chamam-se pai ou mãe, esposo ou esposa, filhos ou companheiros familiares na lareira doméstica.
Em algumas ocasiões, surgem para os outros na apresentação de santos, sendo para nós benemerentes verdugos.
Sorriem e ajudam na presença de estranhos e, a sós conosco, dilaceram e pisam, atendendo, sem perceberem, ao nosso burilamento.
E, na mesma pauta, surpreendemos desafetos desencarnados que nos partilham a faixa mental, induzindo-nos à criminalidade em que ainda persistem.
Espreitam-nos a estrada, à feição de cúmplices do mal, inconformados com o nosso anseio de reajuste, recompondo, de mil modos diferentes, as ciladas de sombra em que venhamos a cair, para reabsorver-lhes a ilusão ou a loucura.
Recebe, pois, os irmãos do desalinho moral de ontem com espírito de paz e de entendimento.
Acusá-los seria o mesmo que alargar-lhes a ulceração com novos golpes.
Crivá-los de reprimendas expressaria indução lamentável a que se desmereçam ainda mais.
Revidar-lhes a crueldade significaria comprometer-nos em culpas maiores.
Condená-los é o mesmo que amaldiçoar a nós mesmos, de vez que nos acompanham os passos, atraídos pelas nossas imperfeições.
Aceita-lhes injúria e remoque, violência e desprezo, de ânimo sereno, silenciando e servindo.
Nem brasa de censura, nem fel de reprovação.
Obsessores visíveis e invisíveis são nossas próprias obras, espinheiros plantados por nossas mãos.
Endereça-lhes, assim, a boa palavra ou o bom pensamento, sempre que preciso, mas não lhes negues paciência e trabalho, amor e sacrifício, porque só a força do exemplo nobre levanta e reedifica, ante o Sol do futuro.

 Emmanuel/Chico Xavier – Livro: Seara dos Médiuns

Escritura individual

“Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escrituras dos profetas. Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram.” (Mateus, 26:56)

O desígnio a cumprir-se não constitui característica exclusiva para a missão de Jesus.
Cada homem tem o mapa da ordem divina em sua existência, a ser executado com a colaboração do livre arbítrio, no grande plano da vida eterna.
Acima de tudo, nesse sentido, toda criatura pensante não ignora que será compelida a restituir o corpo de carne à terra.
Os companheiros menos educados sabem, intuitivamente, que comparecerão a exame de contas, que se lhes defrontarão paisagens novas, além do sepulcro, e que colherão, sem mais nem menos, o fruto das ações que houverem semeado no seio da coletividade terrestre.
Em geral, porém, ao homem comum esse contrato, entre o servo encarnado e o Senhor Supremo, parece extremamente impreciso, e prossegue, experiência afora, de rebeldia em rebeldia.
Nem por isso, todavia, a escritura, principalmente nos parágrafos da morte, deixará de cumprir-se.
O momento, nesse particular, surge sempre, com múltiplos pretextos, para que as determinações divinas se realizem. No minuto exato, familiares e amigos excursionam em diferentes mundos de ideias, através das esferas da perplexidade, do temor, da tristeza, da dúvida, da interrogação dolorosa e, apesar da presença tangível dos afeiçoados, no quadro de testemunhos que lhe dizem respeito, o homem atende, sozinho, no capítulo da morte, aos itens da escritura grafada por ele próprio, diante das Leis do Eterno Pai, com seus atos, palavras e pensamentos de cada dia.

Livro Vinha de Luz – Emmanuel por Chico Xavier – Lição 94

Vampirismo

CAUSAS EFETIVAS = {Desregramentos emocionais, glutonaria, excessos alcoólicos, cólera, tristeza, ódio, etc., etc.
(...) -  Como evitaremos a vampirização?
E a resposta será, lógica e simplesmente: Pela conduta reta e pelo cultivo, incessante, de hábitos opostos aos acima caracterizados.
Só e só.
(...) Pelos excessos, na alimentação ou noutras manifestações mais caracteristicamente espirituais, de ordem inferior, criaremos tais larvas, com o que atrairemos, para o nosso campo mental e fisiológico, entidades ociosas.
O estômago, o fígado, o aparelho digestivo, etc., passarão a constituir delicioso pasto (e repasto, também...) para tais Espíritos, ainda não felicitados pela luz da renovação interior.
Com o mesmo automatismo com que, ao meio-dia, buscamos, num restaurante ou em nossa própria casa, o alimento indispensável ao corpo, tais entidades buscarão e encontrarão sempre, em nós, aquilo de que necessitam, aquilo de que se nutrem, as larvas criadas pelos nossos pensamentos e ações.
Isto porque «as ações produzem efeitos, os sentimentos geram criações, os pensamentos dão origem a formas e consequências de infinitas expressões».
Os excessos físicos ou mentais são a fonte geradora dessa fauna estranha.
«A cólera, a desesperação, o ódio e o vício oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma.”
As criaturas que se entregam à embriaguez e aos desvarios do sexo, são grandes produtoras dessas larvas que se localizam, naturalmente, na parte do corpo onde mais diretamente se refletem os desajustes.
Aqueles que julgam que a vida se resume, apenas, em comer e beber, dormir e procriar, não fogem ao imperativo da lei.
Os amigos espirituais observam, penalizados, que «aos infelizes que caíram em semelhante condição de parasitismo as larvas servem de alimento habitual», referindo-se aos desencarnados que se não despojaram dos hábitos cultivados enquanto no mundo.
Assim sendo, de conformidade com a natureza de nossa vida mental, fornecemos alimento para as entidades não esclarecidas.
Somos os seus sustentadores, os que lhes asseguram a economia organopsíquica.
(...) Não nos compenetrando, real e definitivamente, de que devemos ser comedidos na alimentação, estaremos à mercê das entidades vampirizantes, que, aos milhões, nos observam.
Enquanto não reconhecermos que «a prudência, em matéria de sexo, é equilíbrio da vida», o campo do mediunismo, particularmente, oferecerá sérios perigos aos que, invigilantes, lhe penetrem os domínios...
Os amigos espirituais têm-nos trazido, bondosa e insistentemente, tais advertências.
Não nos deixam ignorantes de tais notícias, do mundo espiritual.
São pacientes e generosos, compreensivos e fraternos, suportando-nos, longos anos, a rebeldia e a desobediência aos princípios de temperança e moderação que nos compete exercitar.
Não desanimam no esforço de nos ajudar, à maneira do Senhor Jesus que, desde a Manjedoura, espera por nós.
Confiam que, mais adiante, evangelicamente esclarecidos, possamos servir, operosa e cristãmente, com efetivos e reais benefícios para os outros e, também, para nós mesmos.
Aguardam que nos capacitemos, em definitivo, de que o corpo físico, embora transitório na configuração que lhe é peculiar, é o maravilhoso Templo do Espírito, segundo São Paulo.
Em face de tamanha tolerância, compete-nos o esforço para equilibrarmos a própria vida.
A nossa experiência, como encarnados, não se resume, exclusivamente, em comer e dormir, em beber e procriar.
Com o mais sincero respeito aos nossos irmãos irracionais, lembremo-nos de que os animais comem e dormem, bebem e procriam...
A vida é a mais bela sinfonia de Amor e Luz que o Divino Poder organizou.
A prece e o estudo, a boa vontade e o trabalho, o cultivo dos pensamentos enobrecedores e a bondade desinteressada, farão de nossas almas harmoniosa nota de celestial beleza, enriquecendo a sublime orquestração que exalta as glórias do Ilimitado...
Reconhecendo, embora, que a nossa mente desequilibrada gera, ainda, criações e formas inferiores, dificultando-nos o acesso aos planos elevados, não nos podemos mais acomodar a semelhante clima, uma vez que já estamos informados de que a perseverança no Bem dar-nos-á, indubitavelmente, poderosos recursos para a realização, à luz do Evangelho, do sublime ideal de cristianização de nossas almas, com o que se concretizará, em definitivo, a promessa do Senhor Jesus:
«Aquele que perseverar até ao fim será salvo».

Martins Peralva – Livro: Estudando a mediunidade