Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações. (Allan Kardec - E.S.E, XVII, 4)

sexta-feira, 19 de abril de 2019

A paixão de Jesus


O Espiritismo não nos abre o caminho da deserção do mundo.
Se é justo evitar os abusos do século, não podemos chegar ao exagero de querer viver fora dele. Usufruamos a vida que Deus nos dá, respirando o ar das demais criaturas, nossas irmãs.
Para seguir a própria consciência, podemos dispensar a virtude intocável que forja a santidade ilusória.
Não sejamos sombras vivas, nem transformemos nossos lares em túmulos enfeitados por filigranas de adoração.
Nossa fé não é campo fechado à espontaneidade.
Encarnados e desencarnados precisamos ser prudentes, mas isso não significa devamos reprimir expansões sadias e não nos abracemos uns aos outros. A abstinência do mal não impõe restrições ao bem.
Assim como a virtude jactanciosa é defeito quanto qualquer outro, a austeridade afetada é ilusão semelhante às demais.
Não façamos da vida particular uma torre de marfim para encastelar os princípios superiores, ou estrado de exibição para entronizar o ponto de vista.
A convicção espírita não é insensível ou impertinente.
A inflexibilidade, no dever, não exige frieza de coração. Fujamos ao proselitismo fanatizante, mas nem por isso cultivemos nos outros a aversão por nossa fé.
Se o papel de vítima é sempre o melhor e o mais confortável, nem por isso, a título de representá-lo, podemos forçar a nossa existência, transformando em verdugos, à força, as criaturas que nos rodeiam.
Não sejamos policiais do Evangelho, mas candidatemo-nos a servidores cristãos.
Nem caridade vaidosa que agrave a aspereza do próximo, nem secura de coração que estiole a alegria de viver.
Quem transpira gelo, dentro em breve caminhará em atmosfera glacial.
A crença aferrolhada no orgulho desencadeia desastres tão grandes quanto aqueles criados pelo materialismo.
Não sejamos companhias entediantes.
Um sorriso de bondade não compromete a ninguém.
A fé espírita reside no justo meio termo do bem e da virtude.
Nem o silêncio perpétuo da meia morte, que destrói a naturalidade, nem a fala medrosa da inibição a beirar o ridículo.
Nem olhos baixos de santidade artificiosa, nem anseio inexperiente de se impor a todo preço.
Nem cumplicidade no erro, na forma de vício, nem conivência com o mal, na forma de aparente elevação.
Fé espírita é libertação espiritual. Não ensina a reserva calculada que anula a comunicabilidade, constrangendo os outros, nem recomenda a rigidez de hábitos que esteriliza a vida simples. Nem tristeza sistemática, nem entusiasmo pueril.
Abstenhamo-nos da falsa ideia religiosa, suscetível de repetir os desvios de existências anteriores, nas quais vivemos em misticismo acabrunhante.
Desfaçamos os tabus da superioridade mentirosa, na certeza de que existe igualmente o orgulho de parecer humilde.
O Espiritismo nos oferece a verdadeira confiança, raciocinada e renovadora; eis por que o espírita não está condenado a atividade inexpressiva ou vegetante. Caridade é dinamismo do amor. Evangelho é alegria. Não é sistema de restringir as ideias ou tolher as manifestações, é vacinação contra o convencionalismo absorvente.
Busquemos o povo – a verdadeira paixão de Jesus –, convivendo com ele, sentindo-lhe as dores, e servindo-o sem intenções secundárias, conforme o “amai-vos uns aos outros” – a senda maior de nossa emancipação.

Ewerton Quadros/Chico Xavier e Waldo Vieira– Livro: O Espírito da Verdade

sábado, 13 de abril de 2019

Mensagem da Semana

Não as palavras

“Mas em breve irei ter convosco, se o Senhor quiser, e então conhecerei, não as palavras dos que andam inchados, mas a virtude.” Paulo (I Coríntios, 4:19)

Cristo e os seus cooperadores não virão ao encontro dos aprendizes para conhecerem as palavras dos que vivem na falsa concepção do destino, mas sim dos que se identificaram com o espírito imperecível da construção evangélica.
É indubitável que o Senhor se interessará pelas obras; contudo, toda vez que nos reportamos a obras, geralmente os ouvintes somente se lembram das instituições materiais, visíveis no mundo, ricas ou singelas, simples ou suntuosas.
Muita vez, as criaturas menos favorecidas de faculdades orgânicas, qual o cego ou o aleijado, acreditam-se aniquiladas ou inúteis, ante conceituação dessa natureza.
É que, comumente, se esquece o homem das obras de santificação que lhe compete efetuar no próprio espírito.
Raros entendem que é necessário manobrar pesados instrumentos da vontade a fim de conquistar terreno ao egoísmo; usar enxada de esforço pessoal para o estabelecimento definitivo da harmonia no coração. Poucos se recordam de que possuem ideias frágeis e pequeninas acerca do bem e que é imprescindível manter recursos íntimos de proteção a esses germens para que frutifiquem mais tarde.
É lógico que as palavras dos que não vivem inchados de personalismo serão objeto das atenções do Mestre, em todos os tempos, mesmo porque o verbo é também força sagrada que esclarece e edifica. Urge, todavia, fugir aos abusos do palavrório improdutivo que menospreza o tempo na “vaidade das vaidades”.
Não olvides, pois, que, antes das obras externas de qualquer natureza, sempre fáceis e transitórias, tens por fazer a construção íntima da sabedoria e do amor, muito difícil de ser realizada, na verdade, mas, por isto mesmo, sublimada e eterna.

Livro Vinha de Luz – Emmanuel por Chico Xavier – Lição 72

"Obreiros da Vida Eterna": Andrezinho e a existência no Mundo Espiritual

O Livro dos Espíritos e a Educação - continuação

Continuação da postagem anterior...
        
Os novos dados
O ensino de O Livro dos Espíritos se constitui da transmissão para os educandos dos novos dados sobre o homem, a vida, a Natureza e o Universo que a Ciência Espírita conseguiu obter através da pesquisa, da observação e da revelação. O problema da revelação, que levanta suspeitas e objeções na área científica propriamente dita, é explicado de maneira didática. Até Kardec a Revelação era divina e só divina, e se escrevia assim como fizemos, com inicial maiúscula. Dela se originava a Teologia, a Ciência de Deus... feita pelos homens. A partir de Kardec a situação é outra.
Descartes, inspirado pelo Espírito da Verdade já havia demonstrado no século XVII que à Ciência Divina proveniente da Revelação se opunham as ciências humanas provenientes da razão. Kardec foi além e demonstrou a existência de dois tipos de revelação: a divina e a humana. A Ciência Espírita se apresentava como produto da conjugação dessas duas formas. De um lado tínhamos a revelação divina feita pelos Espíritos, de outro a revelação humana feita pelos homens. Todo cientista capaz de descobrir novas leis naturais é um revelador, pois na verdade revela uma realidade oculta. A Ciência Espírita fundia a revelação divina com a revelação humana. Os Espíritos revelavam no geral, os homens no particular.
Vamos a um exemplo concreto. Os Espíritos revelaram a Kardec que muitos Espíritos não sabiam que haviam morrido. Kardec estranhou e pôs em dúvida esse dado da revelação. Mas para esclarecer o problema entregou-se à pesquisa e esta lhe mostrou que os Espíritos tinham razão. Kardec poderia ter-se apoiado em pressupostos da tradição espiritualista, inclusive da tradição judaica a respeito, mas não procedeu assim porque o seu critério científico exigia a comprovação objetiva dos fatos. Quem quiser consultar a coleção da Revista Espírita sobre esse assunto verá como Kardec conseguiu objetivar esse problema subjetivo com a questão do desprendimento do espírito durante o sono, com o problema da obsessão e também com o problema da existência do corpo espiritual (períspirito), e assim por diante.
A própria existência de Deus e a questão de sua imanência e transcendência, inacessíveis à Ciência, segundo a tese kantiana, Kardec submeteu à observação e à lógica. Depois dele o Prof. Ernesto Bozzano sugeriu a hipótese do Deus-Éter, mas Kardec não se prendera ao campo das leis físicas, recorrendo ao princípio de causa e efeito e firmando o princípio espírita de que: todo efeito inteligente tem uma causa inteligente.
A ideia de evolução se infiltrara na Ciência e na Filosofia desde o século XVIII. Kardec a recebeu dos Espíritos, mas também a submeteu à observação. No caso da evolução do homem submeteu-a ainda à pesquisa através da mediunidade e conseguiu demonstrar a sua realidade de maneira positiva.
Assim os dados da nova ciência, que Kardec chamou de ciência do espírito ofereciam uma nova concepção do homem e do mundo que tinha de ser ensinada à Humanidade. A transmissão desses dados coube à didática de Kardec em O Livro dos Espíritos.

O novo homem
Esse volume de informações novas que abriam novas perspectivas para o futuro humano, Kardec, o pedagogo e professor, submeteu naturalmente ao controle pedagógico da formação do novo homem. Surge aí, precisamente nesse ponto do processo espírita, a conexão necessária (entendendo-se a necessidade no mais rigoroso sentido lógico) do Espiritismo com o Cristianismo. Jesus também havia procedido assim. Oferecera aos homens novos dados sobre a sua natureza e sobre a natureza do Universo, provando através de demonstrações práticas a realidade do seu ensino: os fatos espíritas que constam dos Evangelhos, os fenômenos físicos por ele produzidos, os fenômenos de transfiguração e materializações ou aparições tangíveis (como no Monte Tabor e os ocorridos com ele mesmo após a morte).
Por outro lado, apoiando-se nesses dados, Jesus afirmara a necessidade de transformação do homem velho em homem novo e aplicará a sua pedagogia nesse sentido. Kardec dava continuação a esse trabalho de Jesus e verificava que a moral evangélica preenchia todos os requisitos da nova formação do homem a partir do século XIX.
O Livro dos Espíritos não é apenas um repositório de informações a serviço da Didática Espírita. É também um manual de aperfeiçoamento humano que culmina na sua última parte, dedicada às leis morais. Nesse sentido a estrutura da obra é clara: parte da questão da existência de Deus, examina o problema da Criação, situa o homem no contexto universal, demonstra a sua natureza espiritual e não sujeita à destruição da morte, investiga o mundo de após morte, revela a lei de reencarnação progressiva e teológica, estuda as relações dos espíritos com os homens, descobre a lei de adoração e explica o seu desenvolvimento, trata das penas e recompensas futuras e aponta Jesus como modelo da perfeição humana, dando à Humanidade a educação integral de que ela necessita.
O Livro dos Espíritos é, pois, um manual de Educação Integral oferecido à Humanidade para a sua formação moral e espiritual na Escola da Terra.

                                                                                             José Herculano Pires / Livro: Pedagogia Espírita





18/04/2019 – 162 ANOS DA 1ª EDIÇÃO DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS

sexta-feira, 12 de abril de 2019

O Livro dos Espíritos e a Educação



A primeira característica de O Livro dos Espíritos, nem sempre percebida, é a sua forma didática. Não fosse Kardec um pedagogo, habituado à disciplina pestalozziana, e os Espíritos do Senhor não teriam conseguido na Terra um tão puro reflexo dos seus pensamentos. Mas a didática de Kardec nessa obra não se limita à técnica de ensinar. É uma didática transcendente insuflada pelo espírito, que mais se aproxima da Didática Magna de Comenius do que dos manuais técnicos dos nossos dias.
A Educação Espírita brota desse livro como água da fonte: espontânea e necessária. Logo na Introdução temos um exemplo disso. Não se trata apenas de introdução à obra, mas à Doutrina Espírita. Ao invés de uma justificativa e uma explicação do livro, temos uma abertura para a compreensão de todo o seu conteúdo e até mesmo da posição do Espiritismo no vasto panorama da cultura terrena, abrangendo as áreas até então conflitivas do Conhecimento e estabelecendo entre elas as ligações indispensáveis. Sim, indispensáveis porque o conflito entre as áreas culturais era o maior obstáculo à compreensão global do homem que o Espiritismo trazia.
Ainda agora, em nossos dias, o Prof. Rhine assinalou a existência de várias concepções antropológicas conflitivas: a religiosa ou teológica, a científica ou materialista, a filosófica materialista ou espiritualista e assim por diante. (Ver O Novo Mundo da Mente, de Rhine.) O que a Parapsicologia se propõe a fazer, mais de cem anos depois, Kardec já realizara com O Livro dos Espíritos. Se os cientistas não perceberam isso, os espíritas por todo o mundo se beneficiaram com a nova concepção gestáltica e se incumbiram de propagá-la.
Bastaria isso para mostrar e provar que a didática de Kardec nessa obra transcendeu os limites puramente didáticos para atingir dimensões pedagógicas. Não poderíamos dizer que O Livro dos Espíritos é um tratado de Pedagogia, pois o seu objetivo específico não é a Pedagogia. Mas é evidente que se trata de um verdadeiro manual de Educação, no mais amplo e elevado sentido do termo. Seu objetivo explícito é ensinar e educar. O ensino ressalta desde as primeiras linhas e se desenvolve até as últimas, sem solução de continuidade. Mas esse ensino não se limita à transmissão de dados técnicos de informações culturais objetivas. Pelo contrário, projeta-se além desses dados e leva o estudante ao campo pedagógico da formação moral e espiritual. Ao terminar a sua leitura o estudante atento e perspicaz adquiriu novos conhecimentos, mas conquistou principalmente uma nova concepção do homem, da vida e do Universo. E mais do que isso, realizou o desígnio da sua própria existência, que é a sintonia do seu ser com o Ser Supremo: Deus.
O Sr. Sanson, materialista, lendo esse livro volta ao espiritualismo e se reencontra com Deus. Os caminhos da fé lhe eram vedados pela barreira do ilogismo religioso, mas O Livro dos Espíritos lhe demonstrou que entre os caminhos para Deus o da razão era o mais seguro. Este exemplo concreto e histórico, referido pelo próprio Kardec, mostra-nos a ligação das áreas culturais. Sanson ilustra essa ligação, como tantos outros o fariam mais tarde, ao atingir a fé pela razão.
Podemos dizer que, na Educação, segundo a conhecida proposição de Kerchensteiner, a Didática é o campo da cultura objetiva e a Pedagogia, que abrange naturalmente aquela, é o campo da cultura subjetiva. Mais de cem anos antes de Kerchensteiner fazer essa proposição Kardec já a havia utilizado com êxito na elaboração de O Livro dos Espíritos. Pode-se alegar que essa não foi uma realização de Kardec, e sim dos Espíritos. Convém lembrar que a organização do livro, e até mesmo a sua fatura na produção do texto, através das perguntas que provocaram as respostas espirituais, estiveram a cargo de Kardec. Nessa prodigiosa elaboração os Espíritos contribuíram com a matéria-prima, mas Kardec foi o artesão paciente e lúcido, esclarecido e capaz.
A preocupação de Kardec com as palavras, por exemplo, revela o cuidado do professor terreno que tem de aplicar os termos com exatidão para se fazer compreender. Os Espíritos não se importavam com isso, como muitas vezes disseram ao mestre, pois o que lhes interessava era o pensamento e seu significado intrínseco, sua substância. Mas Kardec estava encarnado — era o homem no mundo — e por isso mesmo atento aos problemas do mundo. Vemos na Introdução como ele, logo de início, procura e consegue definir com clareza os termos para que "a ambiguidade das palavras" não leve o leitor a confusões perigosas ou os possíveis exegetas a interpretações deturpadoras.
O Resumo da Doutrina dos Espíritos, que encontramos na Introdução, é outra prova do trabalho pessoal de Kardec e da maneira por que ele sabia colocar a Didática em função da Educação, entrosando-a na Pedagogia não só como instrumento de ensino, mas, sobretudo como função pedagógica. A leitura atenta e meditada desse resumo seria suficiente para esclarecer um leitor realmente interessado no assunto e predispô-lo à renovação interior. Nesse sentido, podemos dizer que Kardec realizou o sonho de Pestalozzi: deu ao mundo uma forma viva de ensino que ao mesmo tempo informa e forma, instrui e moraliza. A dinâmica pedagógica de O Livro dos Espíritos teria impedido o desvirtuamento da Educação através do pragmatismo educacional, se porventura os pedagogos do século XX o tivessem encarado com isenção de ânimo e os cientistas, na sua maioria, não se tivessem deixado embriagar pelas teorias materialistas.


                                                                                             José Herculano Pires / Livro: Pedagogia Espírita

Continua na próxima postagem...

sábado, 6 de abril de 2019

23ª Semana Espírita de Itambacuri/MG


ABORTO NÃO!





“Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem? - O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.”
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - Questão 880)
A temática do aborto e os debates sobre a sua descriminalização no Brasil têm gerado muitas discussões e embates nos meios político e religioso – e sobretudo, social, através da internet. No que tange à Doutrina Espírita, a posição contra o aborto é bem clara.
Porém, até mesmo no Movimento Espírita, é necessário trazer o assunto ao diálogo e à reflexão com materiais embasados doutrinariamente.
Por isso, a Federação Espírita Brasileira (FEB) lançou a cartilha “Em Defesa da Vida: Aborto, diga não”, que apresenta fundamentos obtidos das principais fontes espíritas, além de diversos argumentos e embasamentos jurídicos sobre a proteção da vida humana e o respeito aos direitos naturais do homem, como o de viver.
O material é gratuito e acessível a todos que desejam compartilhá-lo.
A FEB, juntamente às Federativas Estaduais, Conselhos Regionais, Alianças Municipais e Casas Espíritas de todo o país, pretende ampliar ao máximo esse esclarecimento, além de demonstrar que as Leis Humanas devem se aproximar da Lei Natural (ou Divina), sendo certo que a proteção da vida humana deve ocorrer desde a concepção.

DEFESA DA VIDA
A Cartilha integra a Campanha Permanente “Em Defesa da Vida”, criada e divulgada pela Federação Espírita Brasileira há mais de 20 anos, que traz materiais com orientações dos Espíritos sobre muitos temas importantes em nosso contexto social, entre eles: aborto, suicídio, eutanásia, violência, e vida familiar.

Fonte: www.uemmg.org.br