Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações. (Allan Kardec - E.S.E, XVII, 4)

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

A imortalidade


Como pode um homem, e um homem inteligente, não crer na imortalidade da alma e, consequentemente, numa vida futura, que não é outra senão a do Espiritismo? Em que se tornariam esse amor imenso que a mãe devota ao filho, esses cuidados com que o cerca na infância, essa atitude esclarecida que o pai dedica à educação desse ser bem-amado? Tudo isso seria, então, aniquilado no momento da morte ou da separação?
Seríamos, assim, semelhantes aos animais, cujo instinto é admirável, sem dúvida, mas que não cuidam de sua progênie com ternura senão até o momento em que ela cessa de ter necessidade dos cuidados maternos?
Chegado esse momento, os pais abandonam os filhos e tudo está acabado: o corpo está criado, a alma não existe.
Mas o homem não teria uma alma, e uma alma imortal! E o gênio sublime, que só se pode comparar a Deus, tanto d’Ele emana, esse gênio que gera prodígios, que cria obras primas, seria aniquilado pela morte do homem!
Profanação! Não se pode aniquilar assim as coisas que vêm de Deus. Um Rafael, um Newton, um Miguel Ângelo e tantos outros gênios sublimes abarcam ainda o Universo em seu Espírito, embora seus corpos não mais existam.
Não vos enganeis; eles vivem e viverão eternamente. Quanto a se comunicarem convosco, é menos fácil de admitir pela generalidade dos homens.
 Somente pelo estudo e pela observação eles podem adquirir a certeza de que isso é possível.

Fénelon – Revista Espírita - abril/1860

Perante a multidão


“E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.” (Atos, 2:13)

A lição colhida pelos discípulos de Jesus, no Pentecostes, ainda é um símbolo vivo para todos os aprendizes do Evangelho, diante da multidão.
A revelação da vida eterna continua em todas as direções.
Aquele “som como de um vento veemente e impetuoso” e aquelas “línguas de fogo” a que se refere a descrição apostólica, descem até hoje sobre os continuadores do Cristo, entre os filhos de todas as nações.
As expressões do Pentecostes dilatam-se, em todos os países, embora as vibrações antagônicas das trevas.
Todavia, para milhares de ouvintes e observadores apenas funcionam alguns raros apóstolos, encarregados de preservarem a divina luz.
Realmente, são inumeráveis aqueles que, consciente ou inconscientemente, recebem os benefícios da celeste revelação; entretanto, não são poucos os zombadores de todos os tempos, dispostos à irreverência e à ironia, diante da verdade.
Para esses, os leais seguidores do Mestre estão embriagados e loucos. Não compreendem a humildade que se consagra ao bem, a fraternidade que dá sem exigências descabidas e a fé que confia sempre, não obstante as tempestades.
É indispensável não estranhar o assédio desses pobres inconscientes, se te dispões, efetivamente, a servir ao Senhor da Vida.
Cercar-te-ão o trabalho, acusando-te de bêbado; criticar-te-ão as atitudes, chamando-te covarde; escutar-te-ão as palavras de amor, conservando a ironia na boca. Para eles, a tua abnegação será envilecimento, a tua renúncia significará incapacidade, a tua fé será interpretada à conta de loucura.
Não hesites, porém, no espírito de serviço. Permaneces, como os primeiros apóstolos, nas grandes praças, onde se acotovelam homens e mulheres, ignorantes e sábios, velhos e crianças...
Aperfeiçoa tuas qualidades de recepção, onde estiveres, porque o Senhor te chamou para intérprete de Sua Voz, ainda que os maus zombem de ti.
 Livro Vinha de Luz – Emmanuel por Chico Xavier – Lição 103

O céu e o inferno


A genialidade de Allan Kardec possibilitou a materialização da Doutrina Espírita na Terra. Originário da sabedoria dos Espíritos Superiores, o Espiritismo foi codificado pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail. Para assinar as obras básicas que revelariam a mensagem de renovação social da Humanidade, preferiu humildemente adotar o pseudônimo Allan Kardec. Este nome se deve a uma encarnação sua como druida na época de Jesus.
A nova doutrina atesta o caráter de revelação espiritual pelo registro em cinco livros. Como ocorreu com a primeira revelação da Justiça personificada em Moisés (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) e a segunda revelação do Amor personificada em Jesus (Evangelho segundo Mateus, Marcos, Lucas, João e Atos dos Apóstolos), assim também se deu com a terceira revelação da Verdade, de origem espiritual coletiva (O livro dos espíritos, O livro dos médiuns, O evangelho segundo o espiritismo, O céu e o inferno e A gênese). Todas registradas para a história em cinco livros principais, conhecidas como Torá, Pentateuco ou Obras Básicas.
A didática estruturação kardequiana da principal e primeira obra espírita, O livro dos espíritos (1. ed. 1857 e edição definitiva, a 2. ed., em 1860) deu origem aos outros quatro livros do Pentateuco kardequiano. Da segunda parte do LE surgiu O livro dos médiuns (1. ed. 1861 e edição definitiva, a 2. ed., em 1861). Da terceira parte, O evangelho segundo o espiritismo (1. ed. 1864 e edição definitiva, a 3. ed., em 1866). Da quarta, O céu e o inferno (1. ed. 1865 e edição definitiva, a 4. ed., em 1869). E a primeira parte deu origem ao livro A gênese (1. ed. 1868 e edição definitiva, a 5. ed., em 1872).
Todas as cinco obras são importantes. Entretanto, para destacar especificamente O céu e o inferno, podemos resumir assim:
É uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. Seu principal escopo é explicar a Justiça de Deus à luz da Doutrina Espírita. Objetiva demonstrar a imortalidade do Espírito e a condição que ele usufruirá no Mundo Espiritual, como consequência de seus próprios atos. Divide-se em duas partes: A primeira estabelece um exame comparado das doutrinas religiosas sobre a vida após a morte. Mostra fatos como a morte de crianças, acidentes coletivos e uma gama de problemas que só a imortalidade da alma e a reencarnação explicam satisfatoriamente. Kardec procura elucidar temas como: anjos, céu, demônios, inferno, penas eternas, purgatório, temor da morte, a proibição mosaica sobre a evocação dos mortos, dentre outros. Apresenta, também, a explicação espírita contrária à doutrina das penas eternas. A segunda parte, resultante de um trabalho prático, reúne exemplos acerca da situação da alma durante e após a desencarnação. São depoimentos de criminosos arrependidos, de Espíritos endurecidos, de Espíritos felizes, medianos, sofredores, suicidas e em expiação terrestre.
Da primeira parte, destacamos o capítulo 7, que apresenta o Código Penal da Vida Futura, em 33 artigos. Ali, aprendemos que o sofrimento do Espírito é inerente a sua imperfeição. O uso inadequado do livre-arbítrio nos faz sofrer, mas o seu correto uso conduz-nos à felicidade como resultante de nossas escolhas acertadas. Kardec conclui o citado código com a assertiva de Jesus: “a cada um segundo as suas obras”, como prerrogativa da Justiça de Deus.
Com a palavra o Codificador no 33º artigo:
Em que pese à diversidade de gêneros e graus de sofrimentos dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios: 1. O sofrimento é inerente à imperfeição. 2. Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas consequências naturais e inevitáveis: assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo. 3. Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade. A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra - tal é a lei da Justiça Divina.
A abertura da segunda parte traz um tratado sobre o passamento. Allan Kardec inicia com sua peculiar arguição, sensata e provocativa:
A certeza da vida futura não exclui as apreensões quanto à passagem desta para a outra vida. Há muita gente que teme não a morte, em si, mas o momento da transição. Sofremos ou não nessa passagem? Por isso se inquietam, e com razão, visto que ninguém foge à lei fatal dessa transição. Podemos dispensar-nos de uma viagem neste mundo, menos essa. Ricos e pobres, devem todos fazê-la, e, por dolorosa que seja a franquia, nem posição nem fortuna poderiam suavizá-la.
O estudo das obras de Allan Kardec nos dão segurança para o conhecimento da Doutrina Espírita em seus fundamentos. A leitura de O céu e o inferno possibilita-nos conhecer qual será a nossa situação no Mundo Espiritual após a desencarnação, e como nos preparar para a transição do fenômeno natural e inevitável da morte, que é o passaporte para a verdadeira Vida.

             Geraldo Campetti Sobrinho - vice-presidente da Federação Espírita Brasileira
Fonte: www.febnet.org.br




sábado, 9 de novembro de 2019

“Mecanismos da Mediunidade” - Entrevista com Ruth Salgado







A coordenadora da Área
de Orientação Mediúnica (AOM) da União Espírita Mineira, Ruth Salgado
Magalhães, fala sobre o livro “Mecanismos da Mediunidade”, de autoria de
André Luiz e psicografias de Chico Xavier e Waldo Vieira.
A obra completa 59 anos
de lançamento em 2019 e é a décima primeira abordada pela Microcampanha “A
Vida no Mundo Espiritual” - realizada pela União Espírita Mineira e Conselho
Federativo Espírita de Minas Gerais (COFEMG).


Desculpismo


E todos a uma vez começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: comprei um campo e importa ir vê-lo; rogo-te que haja escusado.” Jesus – ( LUCAS, 14:18)

Desculpismo sempre foi a porta de escape dos que abandonam as próprias obrigações.
Irmãos nossos que tiveram a infelicidade de escorregar na delinquência costumam justificar-se com vigoroso poder de persuasão, mas isso não lhes exonera a consciência do resgate preciso.
Companheiros que arruínam o corpo em hábitos viciosos arquitetam largo sistema de escusas, tentando legitimar as atitudes infelizes que adotam, comovendo a quem os ouve, entretanto, acabam suportando em si mesmos as consequências das responsabilidades a que se afeiçoam.
E, ainda agora, quando a Doutrina Espírita revive o Evangelho, concitando os homens à construção do bem na Terra, surgem às pencas desculpas disfarçando deserções:
- Estou muito jovem ainda...
- Sou velho demais...
- Assumi compromissos de monta e não posso atender...
- Minhas atribulações são enormes...
- Obrigações de família estão crescendo...
- Os negócios não me permitem qualquer atividade espiritual...
- Empenhei-me a débitos que me afligem...
- Os filhos tomam tempo...
- Problemas são muitos...
Tantas são as evasivas e tão veementes aparecem que os ouvintes mais argutos terminam convencidos de que se encontram à frente de grandes sofredores ou de criaturas francamente incapazes, passando até mesmo a sustentá-los na fuga.
Os convidados para a lavoura de luz, no entanto, engodados por si próprios, acordam para a verdade no momento oportuno e, atados às ruinosas consequências da própria leviandade, não encontram outra providência restauradora senão a de esperarem por outras reencarnações.

Emmanuel / Chico Xavier – Livro: Palavras de vida eterna

Atribulados e perplexos

“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.” Paulo (II Coríntios, 4:8)

Desde os primeiros tempos do Evangelho, os leais seguidores de Jesus conhecem tribulações e perplexidades, por permanecerem na fé.
Quando se reuniam em Jerusalém, recordando o Mestre nos serviços do Reino Divino, conheceram a lapidação, a tortura, o exílio e o confisco dos bens; quando instituíram os trabalhos apostólicos de Roma, ensinando a verdade e o amor fraterno, foram confiados aos leões do circo, aos espetáculos sangrentos e aos postes de martírio.
Desde então, experimentam dolorosas surpresas em todas as partes do mundo.
A idade medieval, envolvida em sombras, tentou desconhecer a missão do Cristo e acendeu-lhes fogueiras, conduzindo-os, além disso, a tormentos inesperados e desconhecidos, através dos tribunais políticos e religiosos da Inquisição.
E, ainda hoje, enquanto oram confiantes, exemplificando o amor evangélico, reparam o progresso dos ímpios e sofrem a dominação dos vaidosos de todos os matizes. Enquanto triunfam os maus e os indiferentes, nas facilidades terrestres, são eles relegados a dificuldades e tropeços, à frente das situações mais simples.
Apesar da evolução inegável do direito no mundo, ainda são chamados a contas pelo bem que fazem e vigiados, com rudeza, devido à verdade consoladora que ensinam.
Mas todos os discípulos fiéis sabem, com Paulo de Tarso, que “em tudo serão atribulados e perplexos”, todavia, jamais se entregarão à angústia e ao desânimo. Sabem que o Mestre Divino foi o Grande Atribulado e aprenderam com Ele que da perplexidade, da aflição, do martírio e da morte, transfere-se a alma para a Ressurreição Eterna.

Livro Vinha de Luz – Emmanuel por Chico Xavier – Lição 102

A regeneração


“Naquele tempo não haverá mais gritos, nem luto, nem trabalho, porque o que era antes terá passado.”

Esta predição do Apocalipse foi ditada há dezoito séculos, e ainda se espera que tais palavras se realizem, porque sempre se encaram os acontecimentos quando se passaram, e não quando se desdobram aos nossos olhos.
Todavia, esta época predita chegou. Não há mais dores para aquele que soube colocar-se à margem da estrada, a fim de deixar passar as mesquinharias da vida, sem as deter para delas fazer uma arma ofensiva contra a sociedade.
Estais em meio a estes tempos como a espiga dourada está na colheita; vivei sob o olhar de Deus e sua irradiação vos ilumina! Por que vos inquietais com a marcha dos acontecimentos, que foram previstos por Deus, quando não passáveis de crianças da geração de que falava Jesus, quando dizia: “Antes que esta geração passe acontecerá grandes coisas?”
O que sois, Deus o sabia; o que sereis Deus o vê! Cabe a vós bem vos compenetrardes do caminho que vos é traçado, porque vossa tarefa é de vos submeterdes a tudo o que Deus decidiu. Vossa resignação, e sobretudo a vossa amenidade, não são senão testemunhos de vossa inteligência e de vossa fé na eternidade.
Acima de vós, neste Universo onde se move o vosso mundo, planam os Espíritos mensageiros, que receberam a missão de vos guiar. Eles sabem quando se realizarão os acontecimentos preditos. Eis por que vos dizem: “Não haverá mais gritos, nem luto, nem trabalho.”
Sem dúvida não pode mais haver grito para aquele que se submete às vontades de Deus, e que aceita as suas provas. Não há mais luto, visto que sabeis que os Espíritos que vos precederam não estão perdidos para vós, mas estão em viagem. Ora, não se veste luto quando um amigo se ausenta.
O próprio trabalho se torna um favor, pois se sabe que é um concurso à obra harmônica que Deus dirige; então, executa-se a sua parte de trabalho com a solicitude do escultor que se põe a polir a sua estátua. É uma recompensa infinita que Deus vos concede.
Entretanto, ainda encontrareis entraves em vossas tentativas para chegar ao melhoramento social. É que jamais se chega ao resultado sem que a luta venha firmar os seus esforços. O artista é obrigado a vencer os obstáculos que se opõem à irradiação de seu pensamento; não se torna vitorioso senão quando soube elevar-se acima das privações e dos vapores brumosos que envolvem seu gênio, ao nascer.
A ideia que surge foi semeada pelos Espíritos quando Deus lhes disse: “Ide e instruí as nações; ide e espalhai a luz.” Essa ideia, que cresceu com a rapidez de uma inundação, naturalmente deve ter encontrado contraditores, opositores e incrédulos. Ela não seria a fonte da vida, se tivesse sucumbido sob as zombarias que a acolheram em seu começo. Mas o próprio Deus guiava este pensamento através da imensidade; ele a fecundava na terra e ninguém a destruirá! Seria inútil que procurassem extirpar suas raízes; trabalhariam em vão para aniquilá-la nos corações; as crianças trazem-na ao nascer, e dir-se-ia que um sopro de Deus a incrusta em seu berço, como outrora a Estrela do Oriente iluminava os que vinham perante Jesus, trazendo ele mesmo a ideia regeneradora do Cristianismo.
Bem vedes, pois, que esta geração não passará sem que aconteçam grandes coisas, pois que com a ideia, a fé se eleva e a esperança irradia... Coragem! O que foi predito pelo Cristo deve realizar-se. Nestes tempos de aspiração à verdade, a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo brilha de novo sobre vós.
Perseverai na luta, sede firmes e desconfiai das armadilhas que vos estendem; permanecei ligados a essa bandeira em que inscrevestes: Fora da caridade não há salvação, e depois esperai, porque aquele que recebeu a missão de vos regenerar volta, e ele disse: Bem-aventurados os que conhecerem meu nome de novo!

Um Espírito – Revista Espírita – março/1868

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Provas irreveladas



Do ponto de vista moral, há bastante infortúnio escondido em toda a parte.
Nos ambientes mais diversos, nos momentos em que menos se espera, com as pessoas fisionomicamente mais seguras de si, a aflição desponta inesperada e o pranto pode estar surgindo às ocultas.
Desilusão, moléstia, revolta e desalento em muitos casos não afluem à face das circunstâncias exteriores.
Familiar decepcionado com o noticiário desairoso que vem a saber com respeito ao parente querido.
Jovem agoniada na frustração de projetos matrimoniais.
Pai fustigado pela doença incurável de um filho.
Mãe ansiosa pela reconciliação impraticável com o pai de sua prole.
Cavaleiro bem-posto, mas absolutamente inconformado com a deficiência física de que se sabe portador, sem que os outros percebam.
Viúva atormentada pela falta de garantias no lar.
Cônjuge que não mais confia na companheira de vinte anos.
Homem ferido pela consciência na fase de transição entre um passado recente de erros e um futuro de maiores acertos.
Chefe enfermo de família numerosa, repentinamente desempregado.
Criatura robusta e aparentemente normal, envolvida em tramas de obsessão.
Aprendamos com a Doutrina Espírita que o pretérito se reflete no presente e que a lei de causa e efeito funciona em qualquer paisagem social, em qualquer pessoa, em todos os bastidores profissionais e todos os dias.
Ponderemos nisso, a fim de não faltarmos com o apoio devido à harmonia que nos cabe manter nos domínios da vida.
Se alguém lhe respondeu asperamente, se um amigo aparece incompreensivo, se aquele companheiro passou de súbito a dedicar-lhe antipatia gratuita, se aquele outro lhe abalroa as edificações espirituais, e se muitos não lhe correspondem, de leve, às esperanças, suponha semelhantes irmãos presos mentalmente a problemas irrevelados de angústia e coloque-se na posição deles, com as provas e desvantagens que experimentam, e decerto você se compadecerá de cada um, dispondo-se a auxiliá-los.
Nem sempre a voz corrente fala tudo o que vai nas almas.
Repitamos para nós que a verdadeira caridade se resume na compreensão para além das aparências dos espíritos com os quais se convive, perdoando e ajudando silenciosas e desinteressadamente, de nossa parte, onde estejamos, como se faça necessário e tanto quanto seja possível.

André Luiz / Chico Xavier - Livro: Estude e Viva

Ouvistes?

“Tenho-vos dito estas coisas, para que vos não escandalizeis.” Jesus (João, 16:1)

Antes de retornar às Esferas Resplandecentes, o Mestre Divino não nos deixou ao desamparo, quanto às advertências no trabalho a fazer.
Quando o espírito amadurecido na compreensão da obra redentora se entrega ao campo de serviço evangélico, não prescinde das informações prévias do Senhor.
É indispensável ouvi-las para que se não escandalize no quadro das obrigações comuns.
Esclareceu-nos a palavra do Mestre que, enquanto perdurasse a dominação da ignorância no mundo, os legítimos cultivadores dos princípios da renovação espiritual, por Ele trazidos, não seriam observados com simpatia. Seriam perseguidos sem tréguas pelas forças da sombra. Compareceriam a tribunais condenatórios para se inteirarem das falsas acusações dos que se encontram ainda incapacitados de maior entendimento. Suportariam remoques de familiares, estranhos à iluminação interior. Sofreriam a expulsão dos templos organizados pela pragmática das seitas literalistas. Escutariam libelos gratuitos das inteligências votadas ao escárnio das verdades divinas. Viveriam ao modo de ovelhas pacíficas entre lobos famulentos. Sustentariam guerra incessante contra o mal.
Cairiam em ciladas torpes. Contemplariam o crescimento do joio ao lado do trigo. Identificariam o progresso efêmero dos ímpios.
Carregariam consigo as marcas da cruz. Experimentariam a incompreensão de muitos. Sentiriam solidão nas horas graves. Veriam, de perto, a calúnia, a pedrada, a ingratidão...
O Mestre Divino, pois, não deixou os companheiros e continuadores desavisados.
Não oferecia a nenhum aprendiz, na Terra, a coroa de rosas sem espinhos.
Prometeu-lhes luta edificante, trabalho educativo, situações retificadoras, ensejos de iluminação, através da grandeza do sacrifício que produz elevação e do espírito de serviço que estabelece luz e paz.
É importante, desse modo, para quantos amadureceram os raciocínios na luta terrestre, a viva recordação das advertências do Cristo, no setor da edificação evangélica, para que se não escandalizem nos testemunhos difíceis do plano individual.

Livro Vinha de Luz – Emmanuel por Chico Xavier – Lição 101

Imortalidade


Durante o trânsito carnal é possível que não te dês conta da fragilidade na qual assentas as tuas aspirações e trabalhas os teus planos.
Não poucas vezes tens a impressão que o carro orgânico prosseguirá deslizando pelas estradas atapetadas da juventude, do prazer, das programações agradáveis. Enfermidade, sofrimento, desar, envelhecimento e morte, supões, são ocorrências que atingem apenas as outras pessoas, nunca a ti.
Pensavas que o anjo da morte somente descesse as suas asas sobre os outros, a fim de arrebatá-los, não imaginando que isso pudesse ocorrer também contigo...
Lentamente, porém, despertas para a realidade corporal.
A forma física apolínea ou venusina, a mocidade risonha e o encantamento feliz cedem lugar às modificações naturais quão inevitáveis da estrutura física, ao envelhecimento, à decrepitude, aos dissabores, quando a morte não os precede, inesperada, implacavelmente.
Os acidentes de veículos arrebatam vidas humanas com volúpia crescente, e os esportes, violentos quanto perigosos, carregam homens e mulheres juvenis, demostrando que não há prazo estabelecido para o encerramento da jornada, nem preferência exclusiva pelos enfermos, pelos desditosos e pelos envelhecidos...
É necessário que acordes para os impositivos da imortalidade, conscientizando-te dos elevados objetivos da existência corporal.
Estás mergulhado no oceano da imortalidade, queiras ou não.
O corpo, de que o Espírito se utiliza, é qual escafandro adequado para a experiência da evolução mediante o processo reencarnatório.
É útil, e resguarda o mergulhador, mas tem utilidade limitada, efêmera, que cessa, logo esteja concluído o objetivo para o qual é utilizado.
A vida não sucumbe no momento da morte.
Se tal ocorresse, ela mesma seria paradoxal, destituída de sentido real.
Tudo no mundo experimenta contínuas transformações, incessantes alterações, por que o ser humano deve sucumbir?
Faze uma análise mais profunda e perceberás que o milagre da imortalidade se apresenta em todo o processo da evolução.
Há um incessante progresso natural e um inestancável desenvolvimento, que se apresentam a cada momento, sempre mais enriquecedores, intérminos.
A vida, como consequência, não cessa, pois, prosseguindo, abençoada e alvissareira após o túmulo, dando curso a esse movimento de sublimação.
Reflexiona a respeito da transitoriedade carnal, e elabora programas de qualidade superior, a que possas dar prosseguimento quando encerrares o ciclo orgânico.
Viverás, e serás caracterizado pelos teus pensamentos, palavras e ações da atualidade, que ressumarão do inconsciente, tomando-te por inteiro e vitalizando-te.
Pensa, fala e age, portanto corretamente, a fim de que despertes feliz após a tumba.
O mesmo ocorrerá com todos a quem amas ou não – eles viverão.
Aqueles que te anteciparam na viagem de retorno, esperam-te.
Não os pranteies em desespero, nem duvides da sua existência.
Recorda-os com carinho, e envia-lhes pensamentos bons, saudáveis, rememorando-os nos momentos felizes que tiveram, quando estavam na Terra.
Essa evocação alcançá-los-á com ternura e os despertará se estiverem adormecidos, assim como os felicitará, caso se encontrem lúcidos.
Mantém com eles os vínculos de amor que te sustentarão nos fios da esperança em favor do breve reencontro feliz.
Jesus retornou da sepultura em exuberante imortalidade, a fim de nos oferecer para sempre a certeza de que a existência corporal passa com brevidade, mas a vida infinita e grandiosa jamais se interromperá.

Joanna de Ângelis - Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, em 8-9-1997, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador – BA