O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma." Neio Lúcio - Jesus no Lar

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Ajudar sempre

 


O título deste artigo é breve, mas contém um padrão de conduta exemplar, magnífico.

Com efeito, o ensino máximo de Jesus Cristo está resumido na célebre sentença Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. (...)

De cor e salteado, sabemos que quem ama ao próximo como a si mesmo, exatamente por este motivo, estará amando a Deus sobre todas as coisas.

E o que é amar ao próximo como a si mesmo? É fazer a ele somente o que gostaríamos que ele nos fizesse. Simples assim.

Disso resulta que Ajudar sempre vem ao encontro do ensinamento maior de Jesus, o Cristo, dirigente do Planeta Terra, nosso Irmão, Mestre e querido Amigo de todas as horas.

Cremos firmemente que esta orientação [de ajudar sempre e, como decorrência, nunca prejudicar a quem quer que seja] seja excelente para transmitir aos nossos filhos, que, se observada, fará com que eles sejam respeitosos e respeitados, pessoas de Bem, voltadas para o Bem e para a sua prática, contribuindo assim para o avanço moral da sociedade.

Além disso, e como muito bem o sabemos, a semeadura é livre, mas a colheita obrigatória, de modo que aquele que sempre procura ajudar, auxiliando em tudo o que esteja ao seu alcance, e nunca, jamais, em hipótese alguma prejudicar a outrem, seja qual for a circunstância ou a situação, sem sombra de dúvida será o primeiro beneficiário desse admirável comportamento que, de forma natural, também se estenderá, e favorecerá, a outras pessoas direta ou indiretamente.

Registra Carlos Torres Pastorino: Lembre-se de que colheremos, infalivelmente, aquilo que houvermos semeado.

Se estamos sofrendo, é porque estamos colhendo os frutos amargos das sementeiras errôneas do passado.

Fique alerta quanto ao momento presente!

Plante apenas sementes de otimismo e de amor, para colher amanhã os frutos doces da alegria e da felicidade.

Cada um colhe, exatamente, aquilo que plantou. (Minutos de Sabedoria, 41ª ed.,Vozes, mensagem n. 3)

Há várias e incontáveis maneiras de ajudar, de auxiliar, a toda evidência. Muitas vezes, o silêncio é uma delas. Não por acaso, costuma-se dizer que o silêncio é uma prece. Quando os ânimos estão acirrados, nada melhor que silenciar para favorecer a busca do entendimento.

Excelente modo de ajudar é procurar ouvir. E saber ouvir nada mais é que dispensar integral atenção ao interlocutor, tendo e demonstrando interesse pela conversação, por seu conteúdo, a fim de que se encontre um caminho, uma alternativa, um novo rumo e, preferencialmente, uma solução para a questão apresentada. Pode parecer pouco, mas, para quem está aflito ou desorientado e, tantas vezes, desesperado, é suficiente.

Toda ajuda é bem-vinda. E não estamos aqui tratando apenas de auxílio pecuniário, financeiro. Quando for o caso, um conselho, um apoio, uma sugestão, uma orientação, uma palavra de esperança, podem ter grande significado para quem deles necessita. Não é sem razão, portanto, que as Casas Espíritas brasileiras, de um modo geral, têm entre as suas atividades o chamado atendimento fraterno que tantos e tão bons serviços tem prestado àqueles que o buscam.

Mesmo fora das Casas Espíritas, individualmente, estamos em condições de prestar auxílio [independentemente de situação financeira, de nível social ou intelectual, de raça, de cor, de crença], uma vez que tantas e tantas vezes basta que fiquemos em silêncio ou que nos manifestemos, de conformidade com o quadro apresentado, imbuídos da melhor das intenções, de boa-fé, com a vontade de ser úteis, com o desejo de bem servir, sempre com qualidade e com amor.

Aconselha o Espírito Joanes, através da psicografia do eminente médium Raul Teixeira: Na sua atividade profissional diária, quando você se põe a servir à vida com os recursos de que dispõe, a fim de que tudo se desenvolva ao seu derredor, procure cientificar-se das suas obrigações.

Pense no trabalho, desde o mais simples ao mais complexo, desde os esforços braçais mais inexpressivos aos olhos comuns até as realizações mais grandiosas no campo intelectual, e faça tudo da melhor forma, faça tudo com boa vontade.

Todo trabalho é bênção de Deus para quem o realiza. Todo serviço é nobre desde que operado em homenagem ao excelso bem. (Para uso diário, 6. ed., Fráter, cap. 11)

E por trabalho não se devem entender somente as ocupações materiais, porquanto o Espírito trabalha, assim como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho. (O Livro dos Espíritos, 33. ed. FEB, questão 675)

Vale muito a pena repetir para enfatizar e consolidar: toda ocupação útil é trabalho e todo trabalho é bênção de Deus para quem o realiza.

Procuremos avançar, pois, ajudando sempre!

 Antônio Moris Cury/Revista Mundo Espírita-fevereiro/2016 – Fonte: www.mundoespirita.com.br

Amanhã

 

“Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã.” (Tiago, 4:14.)

Diz o preguiçoso: “amanhã farei”.

Exclama o fraco: “amanhã, terei forças”.

Assevera o delinquente: “amanhã, regenero-me”.

É imperioso reconhecer, porém, que a criatura, adiando o esforço pessoal, não alcançou, ainda, em verdade, a noção real do tempo.

Quem não aproveita a bênção do dia, vive distante da glória do século.

Alma sem coragem de avançar cem passos, não caminhará vinte mil.

O lavrador que perde a hora de semear, não consegue prever as consequências da procrastinação do serviço a que se devota, porque, entre uma hora e outra, podem surgir impedimentos e lutas de indefinível duração.

Muita gente aguarda a morte para entrar numa boa vida, contudo, a lei é clara quanto à destinação de cada um de nós.

Alcançaremos sempre os resultados a que nos propomos.

Se todas as aves possuem asas, nem todas se ajustam à mesma tarefa, nem planam no mesmo nível.

A andorinha voa na direção do clima primaveril, mas o corvo, de modo geral, se consagra, em qualquer tempo, aos detritos do chão.

Aquilo que o homem procura agora, surpreenderá amanhã, à frente dos olhos e em torno do coração.

Cuida, pois, de fazer, sem delonga, quanto deve ser feito a benefício de tua própria felicidade, porque o Amanhã será muito agradável e benéfico somente para aquele que trabalha no bem, que cresce no ideal superior e que aperfeiçoa, valorosamente, nas abençoadas horas de Hoje.

 Emmanuel / Chico Xavier – Vinha de Luz – FEB – cap. 170

Oração III

Senhor Jesus!

 Agradecendo-Te o amparo de todos os dias, eis-nos aqui, de espírito ainda em súplica, no campo em que nos situaste.

Ensina-nos a procurar na vida eterna a beleza e o ensinamento da temporária vida humana.

Apesar de amadurecidos para o conhecimento, muitas vezes somos crianças pelo coração. Ágeis no raciocínio, somos tardios no sentimento.

Em muitas ocasiões, dirigimo-nos à Tua infinita Bondade, sem saber o que desejamos. Não nos deixes, assim, em nossas próprias fraquezas!

Nos dias de sombra, sê nosso apoio e segurança!

Mestre Divino! Guia-nos o passo na senda reta.

Dá-nos consciência da responsabilidade com que nos enriqueces o destino!

Auxilia-nos para que o suor do trabalho nos alimente o lume da fé.

Não admitas que o verme do desalento nos corroa o ideal e ajuda-nos para que a ventania da perturbação não nos inutilize a sementeira.

Educa-nos para que possamos converter os detritos do temporal em adubo que nos favoreça a tarefa.

Ao redor da leira que nos confiaste, rondam aves de rapina, tentando instilar-nos desânimo e discórdia...

Não longe de nós, flores envenenadas deitam capitoso aroma, convidando-nos ao repouso inútil, e aves canoras da fantasia, através de melodias fascinantes, concitam-nos a ruinosa distração...

Fortalece-nos a vigilância para que não venhamos a cair.

Dá-nos coragem para vencer a hesitação e o erro, a sombra e a tentação que nascem de nós.

Faze-nos compreender os tesouros do tempo, a fim de que possamos multiplicar os créditos de conhecimento e de amor que nos emprestaste.

Divino Amigo! Sustenta-nos as mãos no arado de nossos compromissos, na verdade e no bem, e não permitas, em Tua misericórdia que os nossos olhos se voltem para trás.

Que a Tua vontade, Senhor, seja a nossa vontade, agora e para sempre.

Assim seja!


Emmanuel / Chico Xavier – Livro: À Luz da oração

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

O culto cristão no lar

 


Povoara-se o firmamento de estrelas, dentro da noite prateada de luar, quando o Senhor, instalado provisoriamente em casa de Pedro, tomou os Sagrados Escritos e, como se quisesse imprimir novo rumo à conversação que se fizera improdutiva e menos edificante, falou com bondade:

 — Simão, que faz o pescador quando se dirige para o mercado com os frutos de cada dia?

  O apóstolo pensou alguns momentos e respondeu, hesitante:

 — Mestre, naturalmente, escolhemos os peixes melhores. Ninguém compra os resíduos da pesca.

  Jesus sorriu e perguntou, de novo:

 —  E o oleiro? Que faz para atender à tarefa a que se propõe?

 — Certamente, Senhor — redarguiu o pescador, intrigado —, modela o barro, imprimindo-lhe a forma que deseja.

  O Amigo Celeste, de olhar compassivo e fulgurante, insistiu:

 — E como procede o carpinteiro para alcançar o trabalho que pretende?

  O interlocutor, muito simples, informou sem vacilar:

 — Lavrará a madeira, usará a enxó e o serrote, o martelo e o formão. De outro modo, não aperfeiçoará a peça bruta.

  Calou-se Jesus, por alguns instantes, e aduziu:

 — Assim, também, é o lar diante do mundo. O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum.  Se o negociante seleciona a mercadoria, se o marceneiro não consegue fazer um barco sem afeiçoar a madeira aos seus propósitos, como esperar uma comunidade segura e tranquila sem que o lar se aperfeiçoe?  A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações?   Se nos não habituamos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o Eterno Pai que nos parece distante?

 Jesus relanceou o olhar pela sala modesta, fez pequeno intervalo e continuou:

 — Pedro, acendamos aqui, em torno de quantos nos procuram a assistência fraterna, uma claridade nova. A mesa de tua casa é o lar de teu pão. Nela, recebes do Senhor o alimento para cada dia. Por que não instalar, ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento?  O Pai, que nos dá o trigo para o celeiro, através do solo, envia-nos a luz através do Céu. Se a claridade é a expansão dos raios que a constituem, a fartura começa no grão. Em razão disso, o Evangelho não foi iniciado sobre a multidão, mas, sim, no singelo domicílio dos pastores e dos animais.

 Simão Pedro fitou no Mestre os olhos humildes e lúcidos e, como não encontrasse palavras adequadas para explicar-se, murmurou, tímido:

 — Mestre, seja feito como desejas.

Então Jesus, convidando os familiares do Apóstolo à palestra edificante e à meditação elevada, desenrolou os escritos da sabedoria e abriu, na Terra, o primeiro culto cristão do lar.

Neio Lúcio/Chico Xavier – Livro: Jesus no lar

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Enquanto é hoje

 

“Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações.”

Paulo (Hebreus, 3:15)

Encarecer a oportunidade de regeneração espiritual na vida física nunca será argumento fastidioso nos círculos de educação religiosa.

O corpo denso, de alguma forma, representa o molde utilizado pela compaixão divina, em nosso favor, em grande número de reencarnações, para reajustar nossos hábitos e aprimorá-los.

A carne, sob muitos aspectos, é barro vivo de sublime cerâmica, onde o Oleiro Celeste nos conduz muitas vezes, à mesma forma, ao calor da luta, a fim de aperfeiçoar-nos o veículo sutil de manifestação do espírito eterno; entretanto, quase sempre, estragamos a oportunidade, encaminhando-nos para a inutilidade ou para a ruína.

Dentro do assunto, porém, a palavra de Paulo é valiosa e oportuna.

Enquanto puderes escutar ou perceber a palavra Hoje, com a audição ou com a reflexão, no campo fisiológico, vale-te do tempo para registrar as sugestões divinas e concretizá-las em tua marcha.

Para o homem brutalizado a morte não traz grandes diferenças.

A ignorância passa o dia na impulsividade e a noite na inconsciência, até que o tempo e o esforço individual operem o desgaste das sombras, clareando-lhe o caminho.

Aqui, todavia, nos referimos à criatura medianamente esclarecida.

Todos os pequenos maus hábitos, aparentemente inexpressivos, devem ser muito bem extirpados pelos seus portadores que, desde a Terra, já disponham de algum conhecimento da vida espiritual, porque um dos maiores tormentos para a alma desencarnada, de algum modo instruída sobre os caminhos que se desdobram além da morte, é sentir, nos círculos de matéria sublimada, flores e trevas, luz e lama dentro de si mesma.

Emmanuel / Chico Xavier – Vinha de Luz – FEB – cap. 169

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Oração pelos entes queridos

 


Senhor Jesus!

 Concedeste-nos os entes queridos por tesouros que nos empresta.

Ensinai-nos a considerá-los e aceitá-los em sua verdadeira condição de filhos de Deus, tanto quanto nós, com necessidades e esperanças semelhantes às nossas. Faze-nos, porém, observar que aspiram a gêneros de felicidade diferente da nossa e ajuda-nos a não lhes violentar o sentimento em nome do amor, no propósito inconsciente de escravizá-los aos nossos pontos de vista.

Quando tristes, transforma-nos em bênçãos capazes de apoiá-los na restauração da própria segurança e, quando alegres e triunfantes nos ideais que abraçam, não nos deixe na sombra do egoísmo ou da inveja, mas sim ilumina-nos o entendimento para que lhes saibamos acrescentar a paz e a esperança.

Conserva-nos no respeito que lhes devemos, sem exigir-lhes testemunhos de afeto ou de apreço, em desacordo com os recursos de que disponham.

Auxilia-nos a ser gratos pelo bem que nos fazem, sem reclamar-lhes benefícios ou vantagens, homenagens ou gratificações que não nos possam proporcionar.

Esclarece-nos para que lhe vejamos unicamente as qualidades, ajudando-nos a nos determos nisso, entendendo que os prováveis defeitos de que se mostram ainda portadores desaparecerão no amparo de tua benção.

E, se um dia, viermos a surpreender alguns deles em experiências menos felizes, dá-nos a força de compreender que não será reprovando ou condenando que lhes conquistaremos os corações, e sim entregando-os a Ti, através da oração, porque apenas Tu, Senhor, pode sondar o íntimo de nossas almas e guiar-nos o passo para o reequilíbrio nas Leis de Deus.

Emmanuel / Chico Xavier – Livro: Mãos unidas

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Evangelização Joseph Gleber: Inscreva seu filho


 

Olá  queridos pais!  Muita energia boa e ótima presença no retorno à Evangelização na semana passada.  Mas sentimos ainda a falta de alguns "coraçõezinhos". 

Se ainda não o fez, faça a inscrição aqui. ACESSE:   https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdGgFwJPlQgqoSv7oFfaW5LS3nsc8p3lVb7GwFFlfzaW-xJhw/viewform?usp=sf_link  

Aguardando-lhes!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

O que está acontecendo com o mundo?

 


Não será novidade a sensação de estranheza que acomete boa parcela da Humanidade terrestre nesse período de ocaso expiatório-provacional e de alvorecer de uma Nova Era de regeneração.

Nesses momentos, parece-nos faltar superfície para colocarmos os pés e caminharmos seguramente. O horizonte anuvia-se diante das montanhas de calamidades públicas e privadas pelas quais atravessam os errantes na trajetória ascensional. A noite sombria assola os incipientes raios solares do amanhecer, assenhoreando-se dos andarilhos da hora última, titubeantes em indecisões e vãos questionamentos, orquestrados no pragmatismo materialista do incrédulo, ou assentados na hesitação do crente iludido e desesperançado.

Tudo parece acenar um futuro não muito distante de caos e perdição irremissíveis…

*

O Apóstolo Paulo escreveu várias cartas, conhecidas como epístolas, sob a inspiração direta do Espírito Estêvão, que incentivou o convertido de Damasco a redigir as missivas, tendo em vista demanda de ampliar a divulgação da Mensagem de Jesus, uma vez que Paulo não poderia estar fisicamente em vários lugares ao mesmo tempo. As epístolas foram sublime inspiração para marcar presença com a palavra orientadora a pessoas e povos carentes de assegurar sua caminhada nas trilhas da fé após a crucificação do Messias de Nazaré, recordando os ensinos do Mestre para que não caíssem no esquecimento.

Num desses indeléveis registros aos Coríntios, Paulo expressa: Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.

Para bem entendermos a essência do conteúdo paulino, é necessário que busquemos a compreensão do significado das palavras. Ser atribulado é enfrentar aflições, adversidades, agruras, mortificações, sofrimentos morais e acontecimentos desagradáveis ou penosos. Angustiado é sinônimo de aflito, agoniado, ansioso, atormentado, inquieto.

Ser perplexo é ser tomado de espanto, ficar atônito, indeciso, irresoluto, é hesitar. Desanimado é o mesmo que sem ânimo, desencorajado, desestimulado, desalentado, esmorecido, sem vontade de agir.

A constatação de ontem e de hoje que o registro epistolar evidencia é de que somos em tudo o que acontece ao nosso redor e em nossa intimidade atribulados e perplexos. Porém, a recomendação do mesmo enunciado é para não sermos angustiados nem desanimados, nunca e em nada, assim deduzimos.

Os vocábulos parecem próximos no significado, entretanto indicam capitais diferenças conceituais. Ficamos espantados, atônitos diante de tantas ações infensas à moral, observadas cada vez mais frequentemente na atualidade ou que teimam em se perpetuar ao longo do tempo, desde eras imemoriais quando o homem ainda estagiava em seus primeiros passos no primitivismo da evolução.

Esse estado de perplexidade, todavia, não deve denotar desânimo, falta de ânimo, de vida e de vontade para pensar, falar e fazer o imprescindível a uma reação ativa, operosa e construtiva perante uma realidade temporariamente avassaladora do mal e de suas múltiplas manifestações e incautas intermediações. Jesus asseverou que veio para nos trazer vida e vida em abundância.

Tudo o que não for real, passará. Apenas os valores constitutivos da verdadeira propriedade, a espiritual, resistirão, posto que permanentes. Espantamo-nos perante atrocidades, crueldades, irresponsabilidades decorrentes da imaturidade espiritual ou da maldade temporária que domina, iludindo boa parcela da Humanidade terrestre. Todavia, não nos cabe o desalento, pois há muito que fazer, notadamente no período de transição em que todos somos convidados e convocados a doar o melhor de nós, realizando o que estiver ao nosso alcance, como a nossa quota de colaboração para as mudanças inadiáveis.

As aflições comuns em um mundo de expiações e de prova onde ainda há o império do mal, chegarão de fora, em ranger de dentes do tempestuoso inverno a assolar incautos, desprevenidos e imprevidentes quanto ao futuro espiritual. Virão também da intimidade dos seres que não se permitirão sentir acomodados em zona de conforto, quando o Evangelho Redivivo nos convoca ao testemunho pessoal e intransferível do autoenfrentamento para as diligências renovadoras impostergáveis, considerando que os tempos já chegaram, e que não nos cabe procrastinar mais nem um segundo a resolução no rumo do bem e do amor divinos.

Entrementes, não nos permitiremos agoniar, cedendo a aparentes forças irresistíveis de influências malévolas a nos desviar do caminho a ser seguido em direção à conquista paulatina da felicidade, por esforço próprio e proporcional a nossa capacidade, sem exageros ou exigências descabidas, mas compreendendo que o minuto precioso de cada dia não deve ser desperdiçado por invigilância e ociosidade.

E foi Emmanuel, que tanta admiração vertia ao doutor da lei, renovado em Jesus, com sua elegante e assertiva redação, convertendo-se, em nossa opinião, no maior explicador dos evangelhos de todos os tempos, quem acentuou:

E, ainda hoje, enquanto oram confiantes, exemplificando o amor evangélico, [os leais seguidores de Jesus] reparam o progresso dos ímpios e sofrem a dominação dos vaidosos de todos os matizes. Enquanto triunfam os maus e os indiferentes, nas facilidades terrestres, são eles relegados a dificuldades e tropeços, à frente das situações mais simples.

Apesar da evolução inegável do direito no mundo, ainda são chamados a contas pelo bem que fazem e vigiados, com rudeza, devido à verdade consoladora que ensinam.

É o que temos sentido, embora ainda não nos reconheçamos como leais seguidores do Cristo. Estamos iniciando os esforços para corrigir mazelas espirituais e conquistarmos virtudes que nos propiciem integração na equipe de trabalho do Divino Amigo.

Dá a impressão de que os maus prosperam, de que a irresponsabilidade cresce, de que a imoralidade domina, de que o instituto da família desmorona, de que a educação resta abatida, de que o materialismo vence, de que uma crise sem precedentes na História prenuncia um caos jamais visto no mundo inteiro, com todos os seus ais…

*

Nunca, como nos tempos atuais, houve tanta necessidade do Evangelho Redivivo ao Espírito sedento de consolo e de esclarecimento, que possa oferecer-lhe paz e serenidade, bom senso e discernimento, para não perder a direção do bem, deixando-se envolver pelas ilusões passageiras do mal.

Deus, em Sua Infinita Misericórdia, utiliza-se do mal decorrente dos erros humanos, alçando-o veementemente para que se manifeste com toda pujança, como instrumento para erradicação em definitivo do próprio mal, que sobra apenas como ausência do bem maior originado da Providência Divina.

Vivemos os momentos decisivos da renovação em espírito e verdade, da transformação moral, da renovação íntima, da escolha dos valores espirituais, quando Jesus nos chama para o serviço da redenção de nós mesmos pelo auxílio aos irmãos em maiores necessidades que as nossas.

Atravessamos o período de despedida gradativa do orbe de expiações e provas, em que somos convocados a atuar como trabalhadores da última hora e, simultaneamente, vislumbramos o limiar do mundo de regeneração, para o qual somos convidados como candidatos a servidores da primeira hora.

Estagiamos no tempo de fazermos a leitura da realidade, termos olhos de ver a Verdade e compreendermos que a Terra, a mãe Gaia, é a escola de iluminação, o hospital de reabilitação e a morada de trabalho e de libertação de nossos Espíritos rumo a Deus, nosso Pai de Infinita Bondade.

 

Geraldo Campetti Sobrinho – Vice-presidente da Federação Espírita Brasileira

Fonte: Jornal Mundo Espírita – www.mundoespirita.com.br

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Seminário online - Culto do Evangelho no lar


 

Parecem, mas não são

 

“Mas quem não possui o espírito do Cristo, esse tal não é dele.” Paulo (Romanos, 8:9)

 

O governante recorrerá ao Testamento Divino para conciliar os interesses do povo.

O legislador lançará pensamentos do Evangelho nas leis que estabelece.

O juiz valer-se-á das sugestões do Mestre para iluminar com elas as sentenças que redige.

O administrador combinará versículos sagrados para alicerçar pareceres em processos de serviço.

O escritor senhoreará sublimes imagens da Revelação para acordar o entusiasmo e a esperança em milhares de leitores.

O poeta usará passagens do Senhor para colorir os versos de sua inspiração.

O pintor reportar-se-á aos quadros apostólicos e realizará primores imperecíveis ajustando a tela, a tinta e o pincel.

O escultor fixará no mármore a lembrança das lições eternas do Divino Mensageiro.

O revolucionário repetirá expressões do Orientador Celeste para justificar reivindicações de todos os feitios.

O próprio mendigo se pronunciará em nome do Salvador, rogando esmolas.

Ninguém se iluda, porém, com as aparências exteriores.

Se o governante, o legislador, o juiz, o administrador, o escritor, o poeta, o pintor, o escultor, o revolucionário e o mendigo não revelam na individualidade traços marcantes e vivos do Mestre, demonstrando possuir-lhe o espírito, em verdade, ainda não são d’Ele.

Parecem, mas não são.

Emmanuel / Chico Xavier – Vinha de Luz – FEB – cap. 168

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Além da tela: Dicas de filmes

 


Viva – A Vida é uma Festa, animação da Disney Pixar, traz uma história sensível com aprendizados para todas as idades, envolvendo temáticas como a desencarnação e reencarnação, Lei de ação e reação, reencontro e saudade, além do sentimento de amor em família.

Com direção de Lee Unkrich e roteiro de Matthew Aldrich, o longa nos traz Miguel, um garoto que precisa lutar pelo seu direito de cantar diante da família que desaprova. Tudo porque seu tataravô abandonou todos para perseguir seu sonho e nunca mais voltou. No caminho de sua jornada Miguel aprende valiosas lições sobre perdão, amor e legado.

Junte a família e aproveite a nossa dica do mês!

Se já está curioso sobre o filme, confira também este episódio do programa Além da Tela, produzido pela FEBtv, que traz a relação de “Viva – A vida é uma Festa”, com alguns princípios da Doutrina Espírita:  https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=0Xzd_UzhVTw

Fonte: Febnet


Oração nossa

 


Senhor,

Ensina-nos a orar sem esquecer o trabalho,

a dar sem olhar a quem,                                                                                  

a servir sem perguntar até quando,

a sofrer sem magoar seja a quem for,

a progredir sem perder a simplicidade,

a semear o bem sem pensar nos resultados,

a desculpar sem condições,

a marchar para a frente sem contar os obstáculos,

a ver sem malícia,

a escutar sem corromper os assuntos,

a falar sem ferir,

a compreender o próximo sem exigir entendimento,

a respeitar os semelhantes sem reclamar consideração,

a dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever

sem cobrar taxas de reconhecimento.

 

Senhor,

Fortalece em nós a paciência para com as dificuldades

dos outros, assim como precisamos da paciência dos outros

para com as nossas próprias dificuldades.

Ajuda-nos para que a ninguém façamos aquilo

que não desejamos para nós.

Auxilia-nos sobretudo a reconhecer que a nossa

felicidade mais alta será invariavelmente

aquela de cumprir os desígnios, onde e

como queiras, hoje, agora e sempre.

 

Emmanuel / Chico Xavier – Livro: À luz da oração

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Experimentação

 


Sabendo que a força mental é energia atuante e que os pensamentos são recursos objetivos, é imperioso reconhecer que a experimentação nos domínios do psiquismo exige noção de responsabilidade, perante a vida, para que o êxito seja a resposta justa às indagações sinceras.

Um lavrador bem avisado investiga o solo, plantando com devoção e confiança. Não se ri do pedregulho. Afasta-o, atencioso. Não ironiza o espinheiro. Remove-o, a benefício da lavoura que lhe é própria. Não goza com o duelo entre os grelos tenros e os vermes destruidores. Combate os insetos devoradores com vigilância e serenidade, e defendendo o futuro do bom grão.

Não acontece assim, na Terra, com a maioria dos pesquisadores da espiritualidade.

A pretexto de se garantirem contra a mistificação, espalham duros obstáculos sobre a gleba moral onde operam com a charrua da observação e, por isso, muitas vezes inutilizam seus próprios instrumentos de trabalho, antes de qualquer resultado.

Transformam companheiros em cobaias, exigem dos outros qualidades que eles mesmos não possuem, tratam com deliberado desprezo o pequenino embrião da realidade e acabam, habitualmente, na negação, incapazes de penetrar o templo do espírito.

Importa reconhecer que o fruto é sempre a vitória do esforço de equipe. Sem a árvore que o mantém, sem a terra que sustenta a árvore, sem as águas que alimentam o solo e sem as chuvas que regeneram a fonte, jamais ele apareceria.

Sem trilhos, não corre a locomotiva.

O avião não prestaria serviço ao homem, sem campo de aterrissagem.

As revelações do Céu reclamam base para se fixarem na Terra.

Geralmente, quem procura notícias da vida invisível integra-se num círculo de pessoas, com as quais se devota ao cometimento. Quase sempre, no entanto, espera a colaboração alheia, sistematicamente, sem oferecer de si mesmo senão reiteradas reclamações.

A natureza, todavia, revela a necessidade de colaboração em suas humildes atividades.

Um simples bolo pede ingredientes sadios para materializar-se com proveito. Se diminuta porção de veneno aparece ligada à farinha, o conjunto intoxica ao invés de nutrir.

Quem deseja inundar-se de claridade espiritual traga consigo o combustível apropriado.

Não adquirimos a confiança, usando o sarcasmo, nem compramos a simpatia, distribuindo marteladas, indiscriminadamente.

O grande rio é a reunião de córregos pequeninos.

A cidade não se levanta de improviso.

Todas as realizações pedem começo com segurança.

Um erro quase imperceptível de cálculo pode comprometer a estabilidade de um edifício.

A experimentação psíquica, realmente, não caminha com firmeza, sem os alicerces morais da consciência enobrecida.

Cada espírito humano - microcosmo do Universo - irradia e absorve. Emitir a leviandade e a cobiça, o ciúme e o egoísmo, a vaidade e a ferocidade, através da atitude menos digna ou da crítica destruidora, é amontoar trevas em torno dos próprios olhos.

Ninguém fará luz dentro da noite, estragando a lâmpada, embora o centro de força continue existindo.

Ninguém recolherá água pura num poço terrestre, trazendo à tona o lodo que descansa no fundo.

Não se colhe a verdade, na vida, como quem engaiola uma ave na floresta.

A verdade é luz. Somente o coração alimentado de amor e o cérebro enriquecido de sabedoria podem refletir-lhe a grandeza.

Emmanuel / Chico Xavier – Livro: Roteiro

Nossos irmãos

 

“E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão.” João (I João, 4:21)

Em verdade, amamos a Deus, em todos os motivos de júbilo dentro da nossa marcha evolutiva. O Evangelho, entretanto, é farto de recomendações, no sentido de amarmos também os nossos irmãos, entre as pedras e sombras da escabrosa subida. 

Certo, a palavra da Boa Nova não se reporta aos companheiros amados e felizes que já solucionaram conosco as questões de harmonia mental, e sim aos que respiram em nossa atmosfera, exigindo auxílio fraterno e seguro.

São eles:

· os nossos irmãos doentes que reclamam remédio;

· os infortunados que pedem consolo;

· os fracos que esperam defesa;

· os ignorantes que anseiam por esclarecimento;

· os desajustados que necessitam de compreensão;

· os criminosos distanciados do socorro e da luz;

· os insubmissos que nos desafiam a tolerância;

· os desequilibrados que nos induzem a vigiar para o bem;

· os demolidores que nos oferecem o ensejo de reconstruir;

· os revolucionários que nos auxiliam a reconhecer os benefícios da ordem;

· os que nos ferem, ajudando-nos a desbastar as próprias imperfeições;

· os que nos perseguem e caluniam, proporcionando-nos a oportunidade de suportar com o Cristo, na prática do Evangelho.

O irmão iluminado e bondoso, em si, já representa uma obra viva do Pai, através da qual O conhecemos e admiramos; o irmão ignorante ou infeliz, porém, é uma obra que o Céu nos convida a amparar e embelezar, no rumo da perfeição, em nome do Todo Misericordioso.

Se amas a Deus no irmão que te entende e ajuda, não te esqueças de honrá-lo e querê-lo no irmão que ainda te não pode amar.

Emmanuel / Chico Xavier – Vinha de Luz – FEB – cap. 167

Oração da serva cristã

 


Pai de infinita Bondade, sustenta-nos o coração no caminho que nos assinalastes!

Infunde-nos o desejo de ajudar àqueles que nos cercam, dando-lhes das migalhas que possuímos para que a felicidade se multiplique entre nós.

Dá-nos a força de lutar pela nossa própria regeneração, nos círculos de trabalho em que fomos situados, por teus sábios desígnios.

Auxilia-nos a conter nossas próprias fraquezas, para que não venhamos a cair nas trevas, vitimados pela violência.

Pai, não deixes que a alegria nos enfraqueça e nem permitas que a dor nos sufoque.

Ensina-nos a reconhecer tua bondade em todos os acontecimentos e em todas as coisas.

Nos dias de aflição, faze-nos contemplar tua luz, através de nossas lágrimas. E nas horas de reconforto, auxilia-nos a estender tuas bênçãos com os nossos semelhantes.

Dá-nos conformação no sofrimento, paciência no trabalho e socorro nas tarefas difíceis.

Concede-nos, sobretudo, a graça de compreender a tua vontade seja como for, onde estivermos, a fim de que saibamos servir, em teu nome, e para que sejamos filhos dignos de teu infinito amor.

 Assim seja!

Agar / Chico Xavier – Livro: Relicário de luz