domingo, 7 de abril de 2024

Mais Luz - Edição 677 - 07/04/2024 - BEM

 


“(...) o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação”.

Emmanuel / Chico Xavier – Livro: Socorro Oportuno.

O BES – Boletim Eletrônico Semanal – editado pela equipe de divulgação do DCSE (Departamento de Comunicação Social Espírita) da nossa Casa, agora é BEM – Boletim Eletrônico Mensal.

Chamado Mais Luz, a primeira edição do Boletim veio a lume em 24/04/2011 sob a coordenação da companheira Beth Grateki, atendendo aos anseios da idealizadora, nossa irmã Helaine Laender, que lançou as sementes deste informativo que nos proporcionou o contato semanal com as mensagens edificantes da Doutrina Espírita.

Ao longo dos anos, ele foi recebendo nova formatação, novas páginas, novos conteúdos, sempre na busca de proporcionar ao leitor uma experiência agradável, acompanhada de vibrações de muita paz e luz, a chegar em nossos lares impreterivelmente aos domingos.

Foram 676 edições até aqui.

676 semanas levando conhecimento doutrinário e mensagens consoladoras aos leitores, com muita alegria e dedicação, num trabalho de cooperação mútua entre devotados trabalhadores dos planos material e espiritual.

Agora, nosso boletim terá um formato diferente, trazendo além das mensagens edificantes, notícias de nossa Casa e do Movimento Espírita. Será mais dinâmico e contará com a colaboração dos demais trabalhadores dos Departamentos, bem como de você, leitor, que poderá nos enviar sugestões através do e-mail dcse.divulg@gmail.com.

 Agradecendo a Deus, a Jesus e aos benfeitores da Casa de Joseph Gleber, bem como a você leitor amigo, pela parceria de tantos anos, pedimos as bênçãos para esta nova etapa do trabalho.

Paz e Luz!

Equipe DCSE

 

Confira a edição 677 – Primeiro BEM:

https://mailchi.mp/c7ceb89bbdcc/mais-luz-edio-677



sábado, 6 de abril de 2024

Maledicência

 

“Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, fala mal da lei e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz.” — (Tiago, 4:11)

 

Nem todas as horas são adequadas ao rumo da ternura na esfera das conversações leais.

A palestra de esclarecimento reclama, por vezes, a energia serena em afirmativas sem indecisão; entretanto, é indispensável grande cuidado no que concerne aos comentários posteriores.

A maledicência espera a sinceridade para turvar-lhe as águas e inutilizar-lhe esforços justos.

O mal não merece a coroa das observações sérias. Atribuir-lhe grande importância nas atividades verbais é dilatar-lhe a esfera de ação. Por isso mesmo, o conselho de Tiago reveste-se de santificada sabedoria.

Quando surja o problema de solução difícil, entre um e outro aprendiz, é razoável procurem a companhia do Mestre, solucionando-o à claridade da sua luz, mas que nunca se instalem na sombra, a distância um do outro, para comentários maliciosos da situação, agravando a dor das feridas abertas.

“Falar mal”, na legítima significação, será render homenagem aos instintos inferiores e renunciar ao título de cooperador de Deus para ser crítico de suas obras.

Como observamos, a maledicência é um tóxico sutil que pode conduzir o discípulo a imensos disparates.

Quem sorva semelhante veneno é, acima de tudo, servo da tolice, mas sabemos, igualmente, que muitos desses tolos estão a um passo de grandes desventuras íntimas.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Fonte Viva – Lição 151




sexta-feira, 29 de março de 2024

Os Simbolismos da Páscoa e o Espiritismo

 


A palavra Páscoa tem origem em dois vocábulos hebraicos: um, derivado do verbo pasah, quer dizer “passar por cima” (Êxodo, 23: 14-17), outro, traz raiz etimológica de pessach (ou pasha, do grego) indica apenas “passagem”. Trata-se de uma festa religiosa tradicionalmente celebrada por judeus e por católicos das igrejas romana e ortodoxa, cujo significado é distinto entre esses dois grupos religiosos.

No judaísmo, a Páscoa comemora dois gloriosos eventos históricos, ambos executados sob a firme liderança de Moisés: no primeiro, os judeus são libertados da escravidão egípcia, assinalada a partir da travessia no Mar Vermelho (Êxodo, 12, 13 e 14). O segundo evento caracteriza a vida em liberdade do povo judeu, a formação da nação judaica e a sua organização religiosa, culminada com o recebimento do Decálogo ou Os Dez Mandamentos da Lei de Deus (Êxodo 20: 1 a 21). As festividades da Páscoa judaica duram sete dias, sendo proibida a ingestão de alimentos e bebidas fermentadas durante o período. Os pães asmos (hag hammassôt), fabricados sem fermento, e a carne de cordeiro são os alimentos básicos.

A Páscoa católica, festejada pelas igrejas romana e ortodoxa, refere-se à ressurreição de Jesus, após a sua morte na cruz (Mateus, 28: 1-20; Marcos, 16: 1-20; Lucas, 24: 1-53; João, 20: 1-31 e 21: 1-25). A data da comemoração da Páscoa cristã, instituída a partir do século II da Era atual, foi motivo de muitos debates no passado. Assim, no primeiro concílio eclesiástico católico, o Concílio Nicéia, realizado em 325 d.C, foi estabelecido que a Páscoa católica não poderia coincidir com a judaica. A partir daí, a Igreja de Roma segue o calendário Juliano (instituído por Júlio César), para evitar a coincidência da Páscoa com o Pessach. Entretanto, as igrejas da Ásia Menor, permaneceram seguindo o calendário gregoriano, de forma que a comemoração da Páscoa dos católicos ortodoxos coincide, vez ou outra, com a judaica.[1]

Os cristãos adeptos da igreja reformada, em especial a luterana, não seguem os ritos dos católicos romanos e ortodoxos, pois não fazem vinculações da Páscoa com a ressurreição do Cristo. Adotam a orientação mais ampla de que há, com efeito, apenas uma ceia pascoal, uma reunião familiar, instituída pelo próprio Jesus (Mateus 26:17-19; Marcos 14:12-16; Lucas 22:7-13) no dia da Páscoa judaica.[2] Assim, entendem que não há porque celebrar a Páscoa no dia da ressurreição do Cristo.  Por outro, fundamentados em certas orientações do apóstolo Paulo (1 Coríntios,5:7), defendem a ideia de ser o Cristo, ele mesmo, a própria Páscoa, associando a este pensamento importante interpretação de outro ensinamento de Paulo de Tarso (1Corintios, 5:8): o “cristão deve lançar fora o velho fermento, da maldade e da malícia, e colocar no lugar dele os asmos da sinceridade e da verdade.” [3]

Algumas festividades politeístas relacionadas à chegada da primavera e à fertilidade passaram à posteridade e foram incorporados à simbologia da Páscoa. Por exemplo, havia (e ainda há) entre países da Europa e Ásia Menor o hábito de pintar ovos cozidos com cores diferentes e decorá-los com figuras abstratas, substituídos, hoje, por ovos de chocolate. A figura do coelho da páscoa, tão comum no Ocidente, tem origem no culto à deusa nórdica da fertilidade Gefjun, representada por uma lebre (não coelho). As sacerdotisas de Gefjun eram capazes de prever o futuro, observando as vísceras do animal sacrificado.[1]

É interessante observar que nos países de língua germânica, no passado, havia uma palavra que denotava a festa do equinócio do inverno. Subsequentemente, com a chegada do cristianismo, essa mesma palavra passou a ser empregada para denotar o aniversário da ressurreição de Cristo. Essa palavra, em inglês, “Easter”, parece ser reminiscência de “Astarte”, a deusa-mãe da fertilidade, cujo culto era generalizado por todo o mundo antigo oriental e ocidental, e que na Bíblia é chamada de Astarote. (…) Já no grego e nas línguas neolatinas, “Páscoa” é nome que se deriva do termo grego pascha.[2]

 

A Doutrina Espírita não comemora a Páscoa, ainda que acate os preceitos do Evangelho de Jesus, o guia e modelo que Deus nos concedeu: “(…) Jesus representa o tipo da perfeição moral que a Humanidade pode aspirar na Terra.”[3] Contudo, é importante destacar: o Espiritismo respeita a Páscoa comemorada pelos judeus e cristãos, e compartilha o valor do simbolismo  representado, ainda que apresente outras interpretações. A liberdade conquistada pelo povo judeu, ou a de qualquer outro povo no Planeta, merece ser lembrada e celebrada. Os Dez Mandamentos, o clímax da missão de Moisés, é um código ”(…) de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, caráter divino. (…).”[4] A ressurreição do Cristo representa  a vitória sobre a morte do corpo físico, e anuncia, sem sombra de dúvidas, a imortalidade e a sobrevivência do Espírito em outra dimensão da vida.

Os discípulos do Senhor conheciam a importância da certeza na sobrevivência para o triunfo da vida moral. Eles mesmos se viram radicalmente transformados, após a ressurreição do Amigo Celeste, ao reconhecerem que o amor e a justiça regem o ser além do túmulo. Por isso mesmo, atraiam companheiros novos, transmitindo-lhes a convicção de que o Mestre prosseguia vivo e operoso, para lá do sepulcro.[5]

Os espíritas, procuramos comemorar a Páscoa todos os dias da existência, a se traduzir no esforço perene de vivenciar a mensagem de Jesus, estando cientes que, um dia, poderemos também testemunhar esta certeza do inesquecível apóstolo dos gentios: “Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu quem vivo, mas é Cristo vive em mim.  Minha vida presente na carne, vivo-a no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim”. (Gálatas 2.20) [6] 

 

 

[1] //pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1scoa Acesso: 27/03/2013.

[2] J.D. Douglas. O Novo Dicionário da Bíblia. Pág. 1002.

[3] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Q. 625, pág.

[4] Idem. O Evangelho segundo o Espiritismo. Cap. I, it. 2, pág. 56.

[5] Francisco Cândido Xavier. Pão Nosso. Pelo Espírito Emmanuel. Cap. 176, pág. 365.

[6] Bíblia de Jerusalém. Pág. 2033.

 

Marta Antunes de Moura (febnet.org.br)



quinta-feira, 28 de março de 2024

Apelo


Jesus! Mestre e Senhor Nosso!

Abençoa-nos o anseio de servir-te!

Mestre, compreendemos as dificuldades com que somos defrontados no caminho a percorrer!

Auxilia-nos a reconhecer que os obstáculos nascem habitualmente de nós mesmos. E abraçando os deveres do autoaperfeiçoamento, diante de teus ensinos, ampara-nos o propósito de educar-nos para que te possamos corresponder à bondade e à misericórdia infinitas.

Induze-nos a encontrar nos irmãos de experiência do dia a dia a oportunidade de trabalhar em teu nome.

Dá que sejamos a compreensão à frente da discórdia; a esperança diante da amargura; a alegria perante a dor e a fé no campo incendiado do desespero.

Senhor! Reúne-nos, de novo, em teu Evangelho de Amor e Luz, para que nos sintamos efetivamente mais irmãos uns dos outros.

Não permitas que a desunião nos destrua a edificação da bênção em que nos encontramos, e apoia-nos para que o presente se nos converta em posição de serviço para o levantamento da Vida Melhor.

Clareia-nos a palavra para que a nossa palavra abençoe e alivie, eduque e eleve!… E recebe, por misericórdia, as nossas mãos para que as nossas mãos não se afastem da lavoura que nos deste a cultivar para a colheita do Bem Eterno!

Senhor! Acolhe-nos a todos, cada qual de nós na tarefa a que fomos chamados, na Tua infinita misericórdia; e que a Tua vontade se faça em nós e por nós, junto de nós e em favor de todos nós, onde estivermos, hoje e sempre.

 

Bezerra de Menezes / Chico Xavier

Livro: Bezerra, Chico e você



quarta-feira, 27 de março de 2024

O réu da cruz

 

Em meio às perseguições

Da noite fria e sem luz,

Meus amigos do Evangelho,

Lembrai-vos do Réu da Cruz.

 

Sem que alguém lhe concedesse

O canto amigo de um lar,

Nasceu numa estrebaria

Por servir e por amar.

 

Desde a infância humilde e pobre

Na casa de Nazaré,

Trabalhava todo o dia

Entre os formões de José.

 

Ele, o Príncipe da Luz,

Caminho, Vida e Verdade,

Fez-se escravo pequenino

No serviço à humanidade.

 

Foi Messias generoso

Da bondade e do perdão,

Trazendo ao mundo oprimido

A grande renovação.

 

Serviu aos ricos e aos pobres,

Ao infeliz, ao sofredor,

Devotou-se a toda gente

Em sua missão de amor.

 

Revelou a paz do Reino

Da verdade e da Bonança,

Fez brilhar na Terra escura

Novo lume de esperança.

 

À cegueira dos caminhos

Trouxe a luz pura e imortal,

Pelo Evangelho da Vida

Curou a lepra do mal.

 

Expulsou a treva espessa,

Viveu a bondade imensa,

Trouxe a bênção da fé viva,

Trabalhou sem recompensa.

 

Mas, em troca dos tesouros

De sua abnegação,

Recebeu pedras e espinhos

De dor e incompreensão.

 

Foi traído e processado,

Encarcerado e ferido,

Ele, o Mestre da Verdade,

Foi o grande escarnecido.

 

Se também sois humilhados,

Lembrai-vos d’Aquele Réu,

Que foi à cruz pelo crime

De abrir a visão do Céu.

 

Casimiro Cunha / Chico Xavier

Livro: Coletânea do Além



terça-feira, 26 de março de 2024

A oração do justo

 

“A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” — (Tiago, 5:16)

 

Considerando as ondas do desejo, em sua força vital, todo impulso e todo anseio constituem também orações que partem da Natureza.

O verme que se arrasta com dificuldade, no fundo está rogando recursos de locomoção mais fácil.

A loba, cariciando o filhotinho, no imo do ser permanece implorando lições de amor que lhe modifiquem a expressão selvagem.

O homem primitivo, adorando o trovão, nos recessos d’alma pede explicações da Divindade, de maneira a educar os impulsos de fé.

Todas as necessidades do mundo, traduzidas no esforço dos seres viventes, valem por súplicas das criaturas ao Criador e Pai.

Por isso mesmo, se o desejo do homem bom é uma prece, o propósito do homem mau ou desequilibrado é também uma rogativa.

Ainda aqui, porém, temos a lei da densidade específica.

Atira uma pedra ao vizinho e o projétil será imediatamente atraído para baixo.

Deixa cair algumas gotas de perfume sobre a fronte de teu irmão e o aroma se espalhará na atmosfera.

Liberta uma serpente e ela procurará uma toca.

Solta uma andorinha e ela buscará a altura.

Minerais, vegetais, animais e almas humanas estão pedindo habitualmente, e a Providência Divina, através da Natureza, vive sempre respondendo.

Há processos de solução demorada e respostas que levam séculos para descerem dos Céus à Terra.

Mas de todas as orações que se elevam para o Alto, o apóstolo destaca a do homem justo como sendo revestida de intenso poder.

É que a consciência reta, no ajustamento à Lei, já conquistou amizades e intercessões numerosas.

Quem ajunta amigos, amontoa amor. Quem amontoa amor, acumula poder.

Aprende, assim, a agir com justiça e bondade e teus rogos subirão sem entraves, amparados pelos veículos da simpatia e da gratidão, porque o justo, em verdade, onde estiver, é sempre um cooperador de Deus.

 

Emmanuel / Chico Xavier – Livro: Fonte Viva – Cap. 150



sábado, 23 de março de 2024

Mais Luz - Edição 675 - 24/03/2024

 


Confira nesta edição:

https://mailchi.mp/861719a81b01/a-prece

 

A prece – Léon Denis

Ante o Evangelho: Ação da prece. Transmissão do pensamento

Mensagem da Semana: No culto à prece – Fonte Viva, 149

Poema: Cenáculo divino – Auta de Souza

Oração de Jerônimo de Praga – Livro Depois da Morte




sexta-feira, 22 de março de 2024

A prece

 


(...) Logo que uma pedra fende as águas, vê­-se-­lhes a superfície vibrar em ondulações concêntricas. Assim também o fluido universal vibra pelas nossas preces e pelos nossos pensamentos, com a diferença de que as vibrações das águas são limitadas, enquanto as do fluido universal se sucedem ao infinito.

Todos os seres, todos os mundos estão banhados nesse elemento, assim como nós o estamos na atmosfera terrestre. Daí resulta que o nosso pensamento, quando é atuado por grande força de impulsão, por uma vontade perseverante, vai impressionar as almas a distâncias incalculáveis. Uma corrente fluídica se estabelece entre umas e outras e permite que os Espíritos elevados nos influenciem e respondam aos nossos chamados, mesmo que estejam nas profundezas do espaço.

Também sucede o mesmo com todas as almas sofredoras. A prece opera nelas qual magnetização a distância. Penetra através dos fluidos espessos e sombrios que envolvem os Espíritos infelizes; atenua suas mágoas e tristezas.

É a flecha luminosa, a flecha de ouro rasgando as trevas. É a vibração harmônica que dilata e faz rejubilar-se a alma oprimida. Quanta consolação para esses Espíritos ao sentirem que não estão abandonados, quando veem seres humanos interessando-­se ainda por sua sorte!  Sons, alternativamente poderosos e ternos, elevam­-se como um cântico na extensão e repercutem com tanto maior intensidade quanto mais amorosa for a alma donde emanam.

Chegam até eles, comovem­-nos e penetram profundamente. Essa voz longínqua e amiga dá-­lhes a paz, a esperança e a coragem. Se pudéssemos avaliar o efeito produzido por uma prece ardente, por uma vontade generosa e enérgica sobre os desgraçados, os nossos votos seriam muitas vezes a favor dos deserdados, dos abandonados do espaço, desses em quem ninguém pensa e que estão mergulhados em sombrio desânimo.

(...) “Reuni­-vos para orar”, disse o apóstolo. A prece feita em comum é um feixe de vontades, de pensamentos, raios, harmonias e perfumes que se dirige mais poderosamente ao seu alvo. Pode adquirir uma força irresistível, uma força capaz de agitar, de abalar as massas fluídicas. Que alavanca poderosa para a alma entusiasta, que dá ao seu impulso tudo quanto há de grandioso, de puro e de elevado em si! Nesse estado, seus pensamentos irrompem como corrente impetuosa, de abundantes e potentes eflúvios. Tem­-se visto, algumas vezes, a alma em prece desprender-­se do corpo e, inebriada pelo êxtase, seguir o pensamento fervoroso que se projetou como seu precursor através do infinito. O homem traz em si um motor incomparável, de que apenas sabe tirar medíocre proveito. Entretanto, para fazê­-lo agir bastam duas coisas: a fé e a vontade.

Considerada sob tais aspectos, a prece perde todo o caráter místico. O seu alvo não é mais a obtenção de uma graça, de um favor, mas, sim, a elevação da alma e o relacionamento desta com as potências superiores, fluídicas e morais. A prece é o pensamento inclinado para o bem, é o fio luminoso que liga os mundos obscuros aos mundos divinos, os Espíritos encarnados às almas livres e radiantes. Desdenhá-­la seria desprezar a única força que nos arranca ao conflito das paixões e dos interesses, que nos transporta acima das coisas transitórias e nos une ao que é fixo, permanente e imutável no Universo. (...)

Unamos nossas vozes às do infinito. Tudo ora, tudo celebra a alegria de viver, desde o átomo que se agita na Lua até o astro Imenso que flutua no éter.

A adoração dos seres forma um concerto prodigioso que se expande no espaço e sobe a Deus. É a saudação dos filhos ao Pai, é a homenagem prestada pelas criaturas ao Criador. Interrogai a Natureza no esplendor dos dias de sol, na calma das noites estreladas. Escutai as grandes vozes dos oceanos, os murmúrios que se elevam do seio dos desertos e da profundeza dos bosques, os acentos misteriosos que se desprendem da folhagem, repercutem nos desfiladeiros solitários, sobem as planícies, os vales, franqueiam as alturas e espalham-­se pelo Universo. Por toda parte, em todos os lugares, concentrando­-vos, ouvireis o cântico admirável que a Terra dirige à Grande Alma. Mais solene ainda é a prece dos mundos, o canto suave e profundo que faz vibrar a Imensidade e cuja significação sublime somente os Espíritos elevados podem compreender.

 

Léon Denis
Livro: Depois da Morte – Capítulo 51 (trechos)



quinta-feira, 21 de março de 2024

Cenáculo divino

 

Na subida cristã, procura o asilo

Que o coração cansado te oferece,

Lá dentro a fé sublime refloresce

Aureolada de júbilo tranquilo.

 

Para atender ao Mestre, para ouvi-Lo,

Acende, fervoroso, a luz da prece…

E que teu sonho, em lágrimas, se expresse

No mais santo e mais íntimo sigilo.

 

Verte a agonia amarga do teu peito

Nas dadivosas mãos do amigo Eleito

E alça o dorido olhar de peregrino!

 

E eis que Jesus, na bênção que te acalma,

Surgirá redivivo na tua alma

Convertida em cenáculo divino.

 

Auta de Souza / Chico Xavier

Livro: Cartas do Coração



quarta-feira, 20 de março de 2024

Oração de Jerônimo de Praga

 


“Meu Deus, vós que sois grande, que sois tudo, deixai cair sobre mim, humilde, sobre mim, eu que não existo senão pela vossa vontade, um raio de divina luz. Fazei que, penetrado do vosso amor, me seja fácil fazer o bem e que eu tenha aversão ao mal; que, animado pelo desejo de vos agradar, meu espírito vença os obstáculos que se opõem à vitória da verdade sobre o erro, da fraternidade sobre o egoísmo; fazei que, em cada companheiro de provações, eu veja um irmão, assim como vedes um filho em cada um dos seres que de vós emanam e para vós devem voltar. Dai-­me o amor do trabalho, que é o dever de todos sobre a Terra, e, com o auxílio do archote que colocaste ao meu alcance, esclarecei­-me sobre as imperfeições que retardam meu adiantamento nesta vida e na vindoura.”

 

*Prece inédita, ditada, com o auxílio de uma mesa, pelo Espírito Jerônimo de Praga, a um grupo de operários.

Livro: Depois da Morte (Léon Denis)



terça-feira, 19 de março de 2024

No culto à prece

 

“E, tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos e todos ficaram cheios do Espírito Santo.” — (Atos, 4:31)

 

Todos lançamos, em torno de nós, forças criativas ou destrutivas, agradáveis ou desagradáveis ao círculo pessoal em que nos movimentamos.

A árvore alcança-nos com a matéria sutil das próprias emanações.

A aranha respira no centro das próprias teias.

A abelha pode viajar intensivamente, mas não descansa a não ser nos compartimentos da própria colmeia.

Assim também o homem vive no seio das criações mentais a que dá origem.

Nossos pensamentos são paredes em que nos enclausuramos ou asas com que progredimos na ascese.

Como pensas, viverás.

Nossa vida íntima — nosso lugar.

A fim de que não perturbemos as leis do Universo, a Natureza somente nos concede as bênçãos da vida, de conformidade com as nossas concepções.

Recolhe-te e enxergarás o limite de tudo o que te cerca.

Expande-te e encontrarás o infinito de tudo o que existe.

Para que nos elevemos, com todos os elementos de nossa órbita, não conhecemos outro recurso além da oração, que pede luz, amor e verdade.

A prece, traduzindo aspiração ardente de subida espiritual, através do conhecimento e da virtude, é a força que ilumina o ideal e santifica o trabalho.

Narram os Atos que, havendo os apóstolos orado, tremeu o lugar em que se encontravam e ficaram cheios do Espírito Santo: Iluminou-se-lhes o anseio de fraternidade, engrandeceram-se-lhes as mentes congregadas em propósitos superiores e a energia santificadora felicitou-lhes o Espírito.

Não olvides, pois, que o culto à prece é marcha decisiva. A oração renovar-te-á para a obra do Senhor, dia a dia, sem que tu mesmo possas perceber.

 

Emmanuel / Chico Xavier – Livro: Fonte Viva – Cap. 149



sábado, 16 de março de 2024

Mais Luz - Edição 674 - 17/03/2024

 


Confira nesta edição:

https://mailchi.mp/7fac839f5efc/ao-encontro-do-mestre

 

Ao encontro do Mestre – Agostinho

Ante o Evangelho: Os últimos serão os primeiros

Mensagem da Semana: O herdeiro do Pai – Fonte Viva, 148

Poema: Servir sempre – Casimiro Cunha

Oração: Petição do servo – Des Touches



sexta-feira, 15 de março de 2024

Ao encontro do Mestre

 

Meu caro Átila,

A senda do discípulo do Senhor está aberta.

Na retaguarda, é o pretérito de sombras.

À esquerda, surge o território incendiado das paixões.

À direita, aparece o gelado desfiladeiro da indiferença.

Nossa única porta de ação construtiva é a da frente.

Através dela é preciso marchar, amealhando amor e sabedoria ao preço de renunciação e serviço constantes.

Não te atemorizem, pois, os golpes da sombra.

Refletir a luz do Cristo, em nós, na antiga arena da luta humana, é o nosso objetivo essencial.

Dilatemos, acima de tudo, a nossa capacidade receptiva, assimilando as forças superconscientes que fluem de cima para a regeneração do conteúdo de nossa individualidade.

Comunhão integral com Jesus é a nossa meta.

Para alcançá-la, tudo o que não seja Amor, em suas manifestações, deve ser esquecido.

Não te detenhas.

Avança, por dentro do próprio coração, entendendo a excelsitude do sacrifício.

Na estrada que trilhamos, milhares de companheiros amontoam recursos de ouro e pedra para a aquisição de dor e arrependimento. Outros continuam povoando os celeiros do tempo, com os monstros da insensatez.

Que a voz do Mestre vibre total na acústica de nossa alma, a fim de que os desvarios da ilusão não nos aniquilem a sagrada oportunidade de escalar o monte redentor. Ofereçamos a claridade da prece a todos os que desçam provisoriamente no escuro castelo das horas perdidas.

E adiantemo-nos, não no carro da evidência pessoal, mas no laborioso esforço da purificação, convictos de que em nosso reajustamento com Jesus permanece o soerguimento do mundo.

Quando a alma abriga, enfim, o Divino Hóspede, profunda transformação se opera no sistema espiritual de cada um.

Os olhos jazem incapacitados para a descoberta do mal.

Os ouvidos permanecem atentos às mensagens de sabedoria.

Os pensamentos se concentram invariavelmente no bem.

A palavra tece harmonia e felicidade em todos os recantos.

As mãos agem, incessantemente, sob a inspiração de ordem superior.

O coração, sobretudo, irradia bênçãos de compreensão e fraternidade, onde quer que se encontre, por estrela consciente a resplandecer nas teias da carne, e o império do Amor se estabelece no destino, consolidando a obra de sublimação eterna.

Sigamos, pois, pelo calvário da ressurreição sem desfalecer.

Na ordem material da Terra, vemos constantemente o homem a esperar pelo mundo, quando em verdade, o mundo vive esperando pelo homem, observando ainda que a alma aguarda Jesus, ao passo que o Senhor, de braços compassivos, aguarda a nossa alma, cheio de magnanimidade e esperança.

Movimentemo-nos, pois, à procura do Mestre e o Mestre virá, tolerante e sublime, ao nosso encontro.

Agostinho / Chico Xavier
Livro: Sentinelas da luz