sábado, 31 de outubro de 2020
sexta-feira, 30 de outubro de 2020
Estátua em homenagem a Chico Xavier
No dia 29 de outubro, em Uberaba, foi entregue à comunidade
uma estátua em bronze em homenagem ao médium Chico Xavier. Foi criada pela
artista plástica Vânia Braga, nascida em Pedro Leopoldo, que fez a peça em
tamanho natural. A estátua foi colocada na praça Rui Barbosa, retratando Chico
sentado num banco. A intenção, segundo Vânia, é homenagear o “mineiro do
século” sendo considerado o maior brasileiro de todos os tempos. A cidade
recebeu ainda a locomotiva Maria fumaça restaurada, datada de 1910, a mesma que
trouxe o Chico para Uberaba.
Fonte: febnet.org.br
Finados
Os Espíritos acodem
nesse dia [finados] ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos,
como o fazem noutro dia qualquer (LE, 321).
De
acordo com alguns historiadores, o dia consagrado aos mortos originou-se dos
antigos povos da Gália (atual França), os quais, então conhecedores da
indestrutibilidade do ser, honravam os Espíritos e não os cadáveres, como,
infelizmente, se faz na atualidade.
Esse
dia, popularmente chamado de “finados”, é uma tradição mundial, cuja origem se
perde na noite dos tempos, e que revela a intuição do homem sobre a
imortalidade da alma. Finado é o particípio passado do verbo “finar”, que
significa o indivíduo que morreu, findou, faleceu.
Trata-se
de uma cultura adotada por todos os povos e quase todas as religiões. Esteve
inicialmente muito ligada, na Antiguidade, aos cultos agrários ou da
fertilidade. Acreditava-se que os mortos, como as sementes, eram enterrados com
vistas à ressurreição. Em vista disso, o primitivo dia de finados era festejado
com banquetes e orgias perto dos túmulos, costume disseminado em várias
civilizações do passado.
Após
a morte do tirano Mausolo, rei de Cária, antiga região da Ásia Menor (377 a 353
a.C.), sua esposa Artemísia determinou a construção de um enorme edifício,
ricamente enfeitado, para abrigar o corpo do soberano. Esta construção ou
monumento funerário é considerado uma das maravilhas do mundo antigo, dentre as
quais despontam as Pirâmides do Egito, que até hoje constituem morada dos restos
mortais dos antigos faraós.
Daí
surgiu a palavra mausoléu para identificar os sepulcros de grandes proporções.
Entretanto,
somente no final do século X é que foi oficializado pela Igreja de Roma o
“culto aos mortos”, com o nome de “finados”, destinado precisamente aos
Espíritos que estariam no “purgatório”.
Para
o Espiritismo, este é um dia como qualquer outro, uma vez que a ida ao
cemitério é a representação exterior de um fato íntimo. As pessoas que visitam
um túmulo manifestam, por esse costume, que pensam no Espírito ausente, embora
muitas o façam apenas para se desincumbir de mais uma “obrigação social” no
calendário humano.
Para
homenagear o ente querido que partiu antes de nós, não é preciso,
necessariamente, ir a cemitérios, via de regra repleto de túmulos caiados,
tétricos e poídos, porque lá repousa apenas o envoltório do Espírito (corpo
físico).
O
que sensibiliza o Espírito não é propriamente a visita à sepultura, mas a
lembrança fraterna e a prece sincera daquele que ficou na Terra, o que pode ser
feito a qualquer momento e em qualquer lugar. Por isso, o dia de finados não é
mais importante, para os desencarnados, do que outros dias. A diferença entre o
dia de finados e os demais dias é que, naquele, mais pessoas chamam os
Espíritos pelos pensamentos.
O
costume de as famílias sepultarem os restos mortais de seus membros em um mesmo
lugar é útil do ponto de vista material, entretanto, para as Leis Divinas, essa
cultura nenhum valor tem, do ponto de vista moral, a não ser tornar mais concentradas
as recordações dos parentes.
O
Espírito que atingiu um determinado grau de perfeição, despojado que se
encontra das vaidades terrenas, compreende a inutilidade dos funerais pomposos,
que servem mais aos que ficam do que aos que partiram.
Muitas
vezes, o Espírito assiste ao seu próprio velório, não sendo raro as decepções
que experimenta, ao se defrontar com alguns visitantes falando mal do
“extinto”, contando piadas ou em conversas sobre negócios regadas a bebida
alcoólica, sem qualquer respeito pela memória do recém-desencarnado. Mais
decepcionado este fica, ainda, quando assiste às reuniões dos herdeiros,
disputando, em brigas acirradas, a divisão dos bens do espólio.
As
imagens e evocações das palestras dos presentes incidem sobre a mente do recém-desencarnado,
o qual, na maioria das vezes, por ausência de preparo espiritual e
desconhecimento das Leis Naturais, embora morto biologicamente, ainda não se
desligou, mentalmente, dos despojos, o que lhe traz muito sofrimento, inclusive
sensações desagradáveis, perturbações e pesadelos, dificultando ainda mais o
seu desenlace (ver, no it. 7.4.7, a diferença entre desencarnação e morte
biológica). O fato é que a menção do nome do próprio falecido e de outros
mortos transforma-se em verdadeira invocação, atraindo-os ao ambiente em que
nos encontramos (consultar cap. 14, da obra Obreiros da vida eterna, do autor
espiritual
André
Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, um caso prático de evocação
inconsciente ocorrido num velório).
Qual,
então, deve ser a nossa conduta, nessas ocasiões? A mesma postura de respeito
que devemos ter para com qualquer pessoa encarnada. Uma prece sincera, um
pensamento simples, mas bondoso, endereçado aos entes que partiram, valem mais
do que mil coroas de flores e solenidades fúnebres.
Todavia,
não nos esqueçamos de que mais importante não é o comportamento nosso na hora
da desencarnação de um ente querido, ou no momento de nossa própria morte
física, mas sobretudo a conduta que devemos ter durante toda a nossa existência
física, pois que, sendo Espíritos imortais, nossa vida é uma constante
preparação para a morte, razão pela qual é preciso viver bem para morrer bem.
Christiano Torchi - Livro:
Espiritismo passo a passo com Kardec
Contristação
“Agora folgo, não
porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para o
arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus.” Paulo (II Coríntios,
7:9)
Quanta
vez se agitam famílias, agrupamentos ou coletividades para que a tormenta lhes
não alcance o ambiente comum? Quantas vezes a criatura contempla o céu, em
súplica, para que a dor lhe não visite a senda ou para que a adversidade fuja, ao
encalço de outros rumos? Entretanto, a realidade chega sempre, inevitável e inflexível.
No
turbilhão de sombras da contristação, o homem, não raro, se sente vencido e
abandonado.
Todavia,
o que parece infortúnio ou derrota pode representar providências salvadoras do
Todo Compassivo.
Em
muitas ocasiões, quando as criaturas terrestres choram, seus amigos da Esfera
Superior se alegram, à maneira dos pomicultores que descansam, tranquilos, depois
do campo bem podado.
Lágrimas,
nos lares da carne, frequentemente expressam júbilos de lares celestiais. Os
orientadores divinos, porém, não folgam porque os seus tutelados sejam
detentores de padecimentos, mas justamente porque semelhante situação indica
possibilidades renovadoras no trabalho de aperfeiçoamento.
Todo
campo deve conhecer o tempo de ceifa ou de limpeza necessárias.
Quando
estiverdes contristados, à face de faltas que cometestes impensadamente, é
razoável sofrais a passagem das nuvens pesadas e negras que amontoastes sobre o
coração; contudo, quando a prova e a luta vos surpreenderem a casa ou o
espírito, em circunstâncias que independem de vossa vontade, então é chegada a
hora da contristação segundo Deus, a qual vos eleva espiritualmente e que, por
isso mesmo, provoca a alegria dos anjos que velam por vós.
Emmanuel / Chico Xavier – Vinha de Luz – FEB – cap.153
Ante os que partiram
Nenhum
sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça
sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande
silêncio.
Ver
a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos, e
cerrar-Ihes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e
prosseguir vivendo.
Digam
aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em
anjo da agonia; um esposo que se despede, procurando debalde mover os lábios
mudos; uma companheira, cujas mãos consagradas à ternura pendem extintas; um
amigo que tomba desfalecente para não mais se erguer, ou um semblante materno
acostumado a abençoar, e que nada mais consegue exprimir senão a dor da extrema
separação, através da última lágrima.
Falem
aqueles que, um dia, se iniciaram, esmagados de solidão, à frente de um túmulo;
os que se rojaram em prece nas cinzas que recobrem a derradeira recordação dos
entes inesquecíveis; os que caíram, varados de saudade, carregando no seio o
esquife dos próprios sonhos; os que tatearam, gemendo, a lousa imóvel, os que
soluçaram de angústia, no ádito dos próprios pensamentos, perguntando, em vão,
pela presença dos que partiram.
Todavia,
quando semelhante provação te bata à porta, reprime o desespero e dilui a
corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas
ausentes e as gotas de teu pranto lhe fustigam a alma como chuva de fel.
Também
eles pensam e lutam, sentem e choram.
Atravessam
a faixa do sepulcro como quem se desvencilha da noite, mas, na madrugada do
novo dia, inquietam-se pelos que ficaram... Ouvem-lhes os gritos e as súplicas,
na onda mental que rompe a barreira da grande sombra e tremem cada vez que os
laços afetivos da retaguarda se rendem à inconformação ou se voltam para o
suicídio.
Lamentam-se
quanto aos erros praticados e trabalham, com afinco, na regeneração que lhes
diz respeito.
Estimulam-se
à prática do bem, partilhando-te as dores e as alegrias.
Rejubilam-se
com as tuas vitórias no mundo interior e consolam-te nas horas amargas para que
te não percas no frio do desencanto.
Tranquiliza,
desse modo, os companheiros que demandam o Além, suportando corajosamente a
despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres
que te legaram.
Recorda
que, em futuro mais próximo que imaginas, respirarás entre eles,
comungando-lhes as necessidades e os problemas, porquanto terminarás também a
própria viagem no mar das provas redentoras.
E,
vencendo para sempre o terror da morte, não nos será lícito esquecer que Jesus,
o nosso Divino Mestre e Herói do Túmulo Vazio, nasceu em noite escura, viveu
entre os infortúnios da Terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre um
monte empedrado, mas ressuscitou aos cânticos da manhã, no fulgor de um jardim.
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
domingo, 18 de outubro de 2020
Kardec, obrigado!
Kardec,
enquanto recebes as homenagens do mundo, pedimos vênia para associar nosso
preito singelo de amor aos cânticos de reconhecimento que te exalçam a obra
gigantesca nos domínios da libertação espiritual.
Não nos referimos aqui ao professor emérito que foste, mas ao discípulo de Jesus que possibilitou o levantamento das bases do Espiritismo Cristão, cuja estrutura desafia a passagem do tempo.
Falem outros dos títulos de cultura que te exornavam a personalidade, do prestígio que desfrutavas na esfera da inteligência, do brilho de tua presença nos fastos sociais, da glória que te ilustrava o nome, de vez que todas as referências à tua dignidade pessoal nunca dirão integralmente o exato valor de teus créditos humanos.
Reportar-nos-emos ao amigo fiel do Cristo e da Humanidade, em agradecimento pela coragem e abnegação com que te esqueceste para entregar ao mundo a mensagem da Espiritualidade Superior.
E, rememorando o clima de inquietações e dificuldades em que, a fim de reacender a luz do Evangelho, superaste injúria e sarcasmo, perseguição e calúnia, desejamos expressar-te o carinho e a gratidão de quantos edificaste para a fé na imortalidade e na sabedoria da vida.
O Senhor te engrandeça por todos aqueles que emancipaste das trevas e te faça bendito pelos que se renovaram perante o destino à força de teu verbo e de teu exemplo!…
Diante de ti, enfileiram-se, agradecidos e reverentes, os que arrebataste à loucura e ao suicídio com o facho da esperança.
Os que arrancaste ao labirinto da obsessão com o esclarecimento salvador;
Os pais desditosos que se viram atormentados por filhos insensíveis e delinquentes, e os filhos agoniados que se encontraram na vala da frustração e do abandono pela irresponsabilidade dos pais em desequilíbrio e que foram reajustados por teus ensinamentos, em torno da reencarnação;
Os que renasceram em dolorosos conflitos da alma e se reconheceram, por isso, esmagados de angústia nas brenhas da provação, e os quais livraste da demência, apontando-lhes as vidas sucessivas;
Os que se acharam arrasados de pranto, tateando a lousa na procura dos entes queridos que a morte lhes furtou dos braços ansiosos, e aos quais abriste os horizontes da sobrevivência, insuflando-lhes renovação e paz, na contemplação do futuro;
Os que soergueste do chão pantanoso do tédio e do desalento, conferindo-lhes, de novo, o anseio de trabalhar e a alegria de viver;
Os que aprenderam contigo o perdão das ofensas e abençoaram, em prece, aqueles mesmos companheiros da Humanidade que lhes apunhalaram o espírito, a golpes de insulto e de ingratidão;
Os que te ouviram a palavra fraterna e aceitaram com humildade a injúria e a dor por instrumento de redenção;
E os que desencarnaram incompreendidos ou acusados sem crime, abraçando-te as páginas consoladoras que molharam com as próprias lágrimas…
Todos nós, os que levantaste do pó da inutilidade ou do fel do desencanto para as bênçãos da vida, estamos também diante de ti!… E, identificando-nos na condição dos teus mais apagados admiradores e com os últimos dos teus mais pobres amigos, comovidamente, em tua festa, nós te rogamos permissão para dizer: “Kardec, obrigado!… Muito obrigado!…”
Irmão
X
sexta-feira, 16 de outubro de 2020
Cuidados
“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã, cuidará de si mesmo”. Jesus (Mateus, 6:34)
Os
preguiçosos de todos os tempos nunca perderam o ensejo de interpretar falsamente
as afirmativas evangélicas.
A
recomendação de Jesus, referente à inquietude, é daquelas que mais se prestaram
aos argumentos dos discutidores ociosos.
Depois
de reportar-se o Cristo aos lírios do campo, não foram poucos os que reconheceram
a si mesmos na condição de flores, quando não passam, ainda, de plantas
espinhosas.
Decididamente,
o lírio não fia, nem tece, consoante o ensinamento do Senhor, mas cumpre a
vontade de Deus. Não solicita a admiração alheia, floresce no jardim ou na
terra inculta, dá seu perfume ao vento que passa, enfeita a alegria ou conforta
a tristeza, é útil à doença e à saúde, não se revolta quando fenece o brilho que
lhe é próprio ou quando mãos egoístas o separam do berço em que nasceu.
Aceitaria
o homem inerte o padrão do lírio, em relação à existência na comunidade?
Recomendou
Jesus não guarde a alma qualquer ânsia nociva, relativamente à comida, ao
vestuário ou às questões acessórias do campo material; asseverou que o dia,
constituindo a resultante de leis gerais do Universo, atenderia a si próprio.
Para
o discípulo fiel, agasalhar-se e alimentar-se são verbos de fácil conjugação e
o dia representa oportunidade sublime de colaboração na obra do bem.
Mas
basear-se nessas realidades simples para afirmar que o homem deva marchar, sem
cuidado consigo, seria menoscabar o esforço do Cristo, convertendo-lhe a plataforma
salvadora em campanha de irresponsabilidade.
O
homem não pode nutrir a pretensão de retificar o mundo ou os seus semelhantes
de um dia para outro, atormentando-se em aflições descabidas, mas deve ter
cuidado de si, melhorando-se, educando-se e iluminando-se, sempre mais.
Realmente,
a ave canta, feliz, mas edifica a própria casa.
A
flor adorna-se, tranquila; entretanto, obedece aos desígnios do Eterno.
O
homem deve viver confiante, sempre atento, todavia, em engrandecer-se na
sabedoria e no amor para a obra divina da perfeição.
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
Minha missão
Pergunta
(à Verdade)
– Bom Espírito, eu desejara saber o que pensas da missão que alguns Espíritos
me assinaram. Dize-me, peço-te, se é uma prova para o meu amor próprio. Tenho,
como sabes, o maior desejo de contribuir para a propagação da verdade, mas, do
papel de simples trabalhador ao de missionário em chefe, a distância é grande e
não percebo o que possa justificar em mim graça tal, de preferência a tantos
outros que possuem talento e qualidades de que não disponho.
Resposta – Confirmo o que te
foi dito, mas recomendo-te muita discrição, se quiseres sair-te bem. Tomarás
mais tarde conhecimento de coisas que te explicarão o que ora te surpreende.
Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Neste último caso, outro te
substituiria, porquanto os desígnios de Deus não assentam na cabeça de um
homem. Nunca, pois, fales da tua missão; seria a maneira de a fazeres
malograr-se. Ela somente pode justificar-se pela obra realizada e tu ainda nada
fizeste. Se a cumprires, os homens saberão reconhecê-lo, cedo ou tarde, visto
que pelos frutos é que se verifica a qualidade da árvore.
P. – Nenhum desejo tenho certamente de me vangloriar de
uma missão na qual dificilmente creio. Se estou destinado a servir de
instrumento aos desígnios da Providência, que ela disponha de mim. Nesse caso,
reclamo a tua assistência e a dos bons Espíritos, no sentido de me ajudarem e ampararem
na minha tarefa.
R. – A nossa assistência não te faltará, mas será inútil se,
de teu lado, não fizeres o que for necessário. Tens o teu livre-arbítrio, do
qual podes usar como o entenderes. Nenhum homem é constrangido a fazer coisa alguma.
P. – Que causas
poderiam determinar o meu malogro? Seria a insuficiência das minhas capacidades?
R. – Não, mas a
missão dos reformadores é prenhe de escolhos e perigos. Previno-te de que é
rude a tua, porquanto se trata de abalar e transformar o mundo inteiro. Não
suponhas que te baste publicar um livro, dois livros, dez livros, para em seguida
ficares tranquilamente em casa. Tens que expor a tua pessoa. Suscitarás contra
ti ódios terríveis; inimigos encarniçados se conjurarão para tua perda;
ver-te-ás a braços com a malevolência, com a calúnia, com a traição mesma dos que
te parecerão os mais dedicados; as tuas melhores instruções serão desprezadas e
falseadas; por mais de uma vez sucumbirás sob o peso da fadiga; numa palavra:
terás de sustentar uma luta quase contínua, com sacrifício de teu repouso, da
tua tranquilidade, da tua saúde e até da tua vida, pois, sem isso, viverias
muito mais tempo. Ora bem! Não poucos recuam quando, em vez de uma estrada
florida, só veem sob os passos urzes, pedras agudas e serpentes. Para tais
missões, não basta a inteligência. Faz-se mister, primeiramente, para agradar a
Deus, humildade, modéstia e desinteresse, visto que Ele abate os orgulhosos, os
presunçosos e os ambiciosos. Para lutar contra os homens, são indispensáveis coragem,
perseverança e inabalável firmeza. Também são de necessidade prudência e tato,
a fim de conduzir as coisas de modo conveniente e não lhes comprometer o êxito
com palavras ou medidas intempestivas. Exigem-se, por fim, devotamento,
abnegação e disposição a todos os sacrifícios.
Vês,
assim, que a tua missão está subordinada a condições que dependem de ti.
Espírito Verdade
Eu – Espírito Verdade, agradeço os teus sábios conselhos.
Aceito tudo, sem restrição e sem ideia preconcebida.
Senhor!
Pois que te dignaste lançar os olhos sobre mim para cumprimento dos teus
desígnios, faça-se a tua vontade! Está nas tuas mãos a minha vida; dispõe do
teu servo. Reconheço a minha fraqueza diante de tão grande tarefa; a minha boa
vontade não desfalecerá, as forças, porém, talvez me traiam. Supre à minha
deficiência; dá-me as forças físicas e morais que me forem necessárias.
Ampara-me nos momentos difíceis e, com o teu auxílio e dos teus celestes
mensageiros, tudo envidarei para corresponder aos teus desígnios.
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
Allan Kardec, o educador
Perguntas
me inquietam ao tentar compreender o Espiritismo. O que levou o educador Allan
Kardec a desenvolver pesquisas psíquicas e lançar as bases do Espiritismo? Por
que a sua obra diferencia-se de todas as outras obras espíritas?
Hippolyte Leon Denizard Rivail nasceu em Lion, França, em 1804. Dos 10 aos 15 anos estudou em Yverdon, Suíça, no célebre instituto do professor-filantropo Johann H. Pestalozzi. Frases de Pestalozzi sugerem que o ambiente em que Rivail consolidou sua personalidade, valorizava o sentimento e a educação integral através da prática, da observação e da convivência. “O principal do que digo, eu vi. E muito do que aconselho, eu fiz... Tudo o que digo repousa... em minhas experiências reais”, “A manifestação do amor é a salvação do mundo!... É o fio que liga o globo terrestre... que liga Deus e o homem”. “A educação (provém) ... do reconhecimento das imutáveis leis da nossa natureza... o objetivo final da educação não é o de aperfeiçoar as noções escolares, mas sim o de preparar para a vida; não de dar o hábito da obediência cega... mas de preparar para o agir autônomo”.
Convicto do poder da educação e com forte senso de obrigação social, Rivail realizou intensa e precoce atividade literária e pedagógica. Chegou a Paris em 1820, se pôs a lecionar e a traduzir obras inglesas e alemãs. Lançou seu primeiro livro em 1823, com 18 anos. Até 1850 publicou 22 obras de ensino pré-universitário sobre pedagogia, mitologia, física, química, astronomia, fisiologia, aritmética, cálculo e gramática. Em 1825, com 20 anos, começou a dirigir uma “Escola de Primeiro Grau”. Em 1826 fundou o instituto técnico “Instituição Rivail”. Com 24 anos, escreveu em seu Plano para a Melhoria da Educação Pública: “A educação exige um estudo especial... conhecimento profundo do coração humano e da psicologia moral... a educação não se limita apenas à instrução... todas as partes... são... estreitamente ligadas...” “A grande diferença entre um professor (se limita a ensinar) e um educador (encarregado do desenvolvimento inteiro do homem)”. “Educação é o resultado do conjunto de hábitos adquiridos... resultado de todas as impressões que os provocavam”. “A inteligência deve ser desenvolvida desde cedo, como a moral, e não é sobrecarregando a memória... mas enriquecendo a imaginação de ideias justas...” Complementa em 1834: “Tudo é intelectual, tudo é moral”. “Conheça o movimento dos astros e seu espírito penetre no espaço; tudo isso está ao alcance... da adolescência. Então, não será, como um bruto, indiferente a tudo o que maravilha seu olhar; então não mais acreditará em almas do outro mundo, nem em fantasmas; não mais tomará fogos-fátuos por espíritos; não mais acreditará nos ledores de sorte... seu espírito se alargará contemplando o espaço imenso e sem limites”. Em 1857 volta a lançar livros, agora sobre Espiritismo, com o pseudônimo de Allan Kardec. Até seu desencarne, em 1869, publicou, pelo menos, 8 obras espíritas. Dos aproximadamente 188 textos que Kardec insere entre as perguntas de O Livro dos Espíritos, 39 estão diretamente relacionadas à educação. Qual força foi capaz de transformar o jovem Rivail, cético do mundo espiritual, no grande codificador do Espiritismo aos 53 anos?
Com intensa atividade intelectual e confiança na ciência para alcançar a verdade, em 1823, com 19 anos, iniciou seus estudos sobre o magnetismo. Ao longo de sua vida associou-se a 12 Academias científicas. Até meados do século XIX a ciência não era uma atividade profissional, e criavam-se academias para debater e aprimorar estes conhecimentos.
Rivail nos define a educação como um ato moral de argumentação racional. Sua confiança no método científico o fez mudar de paradigma, aceitou a existência dos Espíritos desencarnados, porém manteve-se fiel ao seu sonho, definido aos 30 anos com paixão e racionalidade: “a educação é a obra da minha vida, não faltarei à minha missão... inimigo de todo charlatanismo, não tenho o tolo orgulho de acreditar cumpri-la com perfeição, mas tenho ao menos a convicção de cumpri-la com consciência”. Seu entusiasmo com o Espiritismo provém não da descoberta científica da comunicabilidade da alma, mas da percepção de que este conhecimento transformaria os conceitos humanos, desenvolvendo a moral. Sua obra não se limita na ciência, religião ou filosofia, transcende-as ao tornar-se uma obra educadora, busca convencer racionalmente, baseada em fatos vividos cientificamente, com linguagem simples para ser acessível a todos. Outros filósofos e cientistas espíritas não tiveram a envergadura educadora e o engajamento social de Kardec.
Pergunto-me se poderemos completar a utopia de Kardec e transformar o Espiritismo em uma eficiente ferramenta social de educação moral em nosso tempo. Parece-me que precisamos ser mais apaixonados pela educação, mais comprometidos em agir moralmente e em estimular a autonomia, a racionalidade e a atitude científica do Homem.
Bibliografia:
O Livro dos Espíritos (Allan Kardec)
Pestalozzi: educação e ética (Dora Incontri),
Textos Pedagógicos: Hippolyte Léon Denizard
Rivail (Dora Incontri)
Allan Kardec: o educador e codificador (Zêus
Wantuil e Francisco Thiesen).
terça-feira, 13 de outubro de 2020
Ressuscitará
“Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.” (João, 11:23)
Há
muitos séculos, as escolas religiosas do Cristianismo revestiram o fenômeno da
morte de paisagens deprimentes.
Padres
que assumem atitudes hieráticas, ministros que comentam as flagelações do
inferno, catafalcos negros e panos de luto.
Que
poderia criar tudo isso senão o pavor instintivo e o constrangimento obrigatório?
Ninguém
nega o sofrimento da separação, espírito algum se furtará ao plantio da saudade
no jardim interior. O próprio Cristo emocionou-se junto ao sepulcro de Lázaro.
Entretanto, a comoção do Celeste Amigo edificava-se na esperança, acordando a
fé viva nos companheiros que o ouviam. A promessa d’Ele, ao carinho fraternal
de Marta, é bastante significativa.
“Teu
irmão há de ressuscitar” asseverou o Mestre.
Daí
a instantes, Lázaro era restituído à experiência terrestre, surpreendendo os
observadores do inesperado acontecimento.
Gesto
que se transformou em vigoroso símbolo, sabemos hoje que o Senhor nos reergue,
em toda parte, nas esferas variadas da vida. Há ressurreição vitoriosa e sublime
nas zonas carnais e nos círculos diferentes que se dilatam ao infinito.
O
espírito mais ensombrado no sepulcro do mal e o coração mais duro são arrancados
das trevas psíquicas para a luz da vida eterna.
O
Senhor não se sensibilizou tão somente por Lázaro. Amigo Divino, a sua mão
carinhosa se estende a nós todos.
Reponhamos
a morte em seu lugar de processo renovador e enchei-vos de confiança no futuro,
multiplicando as sementeiras de afeições e serviços santificantes.
Quando
perderdes temporariamente a companhia direta de um ente amado, recordai as
palavras do Cristo; aquela reduzida família de Betânia é a miniatura da imensa
família da Humanidade.
segunda-feira, 12 de outubro de 2020
A minha primeira iniciação no Espiritismo
Foi em 1854 que pela primeira vez ouvi falar das mesas girantes.
Encontrei
um dia o magnetizador, Sr. Fortier, a quem eu conhecia desde muito tempo e que
me disse: “Já sabe da singular propriedade que se acaba de descobrir no
Magnetismo? Parece que já não são somente as pessoas que se podem magnetizar,
mas também as mesas, conseguindo-se que elas girem e caminhem à vontade.” “É,
com efeito, muito singular” — respondi —; “mas, a rigor, isso não me parece
radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de eletricidade,
pode perfeitamente atuar sobre os corpos inertes e fazer que eles se movam.” Os
relatos, que os jornais publicaram, de experiências feitas em Nantes, em
Marselha e em algumas outras cidades, não permitiam dúvidas acerca da realidade
do fenômeno.
Algum
tempo depois, encontrei-me novamente com o Sr. Fortier, que me disse: “Temos uma
coisa muito mais extraordinária; não só se consegue que uma mesa se mova,
magnetizando-a, como também que fale.
Interrogada,
ela responde.” “Isto agora” — repliquei-lhe —, “é outra questão. Só acreditarei
quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos
para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no
caso mais do que um conto para fazer-nos dormir em pé”. (...)
Eu
estava, pois, diante de um fato inexplicado, aparentemente contrário às Leis da
Natureza e que a minha razão repelia. Ainda nada vira, nem observara; as
experiências, realizadas em presença de pessoas honradas e dignas de fé,
confirmavam a minha opinião, quanto à possibilidade do efeito puramente
material; a ideia, porém, de uma mesa falante ainda não me entrara na mente.
No
ano seguinte, estávamos em começo de 1855, encontrei-me com o Sr. Carlotti,
amigo de 25 anos, que me falou daqueles fenômenos durante cerca de uma hora,
com o entusiasmo que consagrava a todas as ideias novas. (...)
Foi
o primeiro que me falou na intervenção dos Espíritos e me contou tantas coisas
surpreendentes que, longe de me convencer, me aumentou as dúvidas. “Um dia, o
senhor será dos nossos”, concluiu. “Não direi que não”, respondi-lhe; “veremos
isso mais tarde.”
Passado algum tempo, pelo mês de maio de 1855, fui à casa da sonâmbula Sra. Roger, em companhia do Sr. Fortier, seu magnetizador. Lá encontrei o Sr. Pâtier e a Sra. Plainemaison, que daqueles fenômenos me falaram no mesmo sentido em que o Sr. Carlotti se pronunciara, mas em tom muito diverso. O Sr. Pâtier era funcionário público, já de certa idade, muito instruído, de caráter grave, frio e calmo; sua linguagem pausada, isenta de todo entusiasmo, produziu em mim viva impressão e, quando me convidou a assistir às experiências que se realizavam em casa da Sra. Plainemaison, à Rua Grange-Batelière, 18, aceitei imediatamente. A reunião foi marcada para terça-feira,18 de maio às oito horas da noite.
Foi
aí que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam,
saltavam e corriam em condições tais que não deixavam lugar para qualquer
dúvida. Assisti então a alguns ensaios, muito imperfeitos, de escrita mediúnica
numa ardósia, com o auxílio de uma cesta. Minhas ideias estavam longe de
precisar-se, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa.
Eu entrevia, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles
fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que
tomei a mim estudar a fundo.
Bem
depressa, ocasião se me ofereceu de observar mais atentamente os fatos, como
ainda o não fizera. Numa das reuniões da Sra. Plainemaison, travei conhecimento
com a família Baudin, que residia então à Rua Rochechouart. (...)
Os médiuns eram as duas senhoritas Baudin, que
escreviam numa ardósia com o auxílio de uma cesta, chamada carrapeta e que se
encontra descrita em O livro dos médiuns. Esse processo, que exige o concurso
de duas pessoas, exclui toda possibilidade de intromissão das ideias do médium.
Aí,
tive ensejo de ver comunicações contínuas e respostas a perguntas formuladas, algumas
vezes, até perguntas mentais, que acusavam, de modo evidente, a intervenção de
uma inteligência estranha. (...)
Foi
nessas reuniões que comecei os meus estudos sérios de Espiritismo, menos,
ainda, por meio de revelações do que de observações. Apliquei a essa nova
ciência, como o fizera até então, o método experimental; nunca elaborei teorias
preconcebidas; observava cuidadosamente, comparava, deduzia consequências; dos
efeitos procurava remontar às causas, por dedução e pelo encadeamento lógico
dos fatos, não admitindo por válida uma explicação, senão quando resolvia todas
as dificuldades da questão.
Foi
assim que procedi sempre em meus trabalhos anteriores, desde a idade de 15 a 16
anos. Compreendi, antes de tudo, a gravidade da exploração que ia empreender;
percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão
controvertido do passado e do futuro da Humanidade, a solução que eu procurara
em toda a minha vida. Era, em suma, toda uma revolução nas ideias e nas
crenças; fazia-se mister, portanto, andar com a maior circunspeção, e não
levianamente; ser positivista, e não idealista, para não me deixar iludir.
Um
dos primeiros resultados que colhi das minhas observações foi que os Espíritos,
nada mais sendo do que as almas dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria,
nem a ciência integral; que o saber de que dispunham se circunscrevia ao grau,
que haviam alcançado, de adiantamento, e que a opinião deles só tinha o valor
de uma opinião pessoal. Reconhecida desde o princípio, esta verdade me
preservou do grave escolho de crer na infalibilidade dos Espíritos e me impediu
de formular teorias prematuras, tendo por base o que fora dito por um ou alguns
deles. (...)
Conduzi-me,
pois, com os Espíritos, como houvera feito com homens. Para mim, eles foram, do
menor ao maior, meios de me informar, e não reveladores
predestinados.
Tais
as disposições com que empreendi meus estudos e neles prossegui sempre.
Observar, comparar e julgar, essa a regra que constantemente segui. (...) Allan
Kardec
quinta-feira, 8 de outubro de 2020
Ante os pequeninos
A criança é uma edificação espiritual dos responsáveis por ela.
Não existe criança ‐ nem uma só ‐ que não
solicite amor e auxílio, educação e entendimento.
Cada pequenino, conquanto seja, via de regra, um espírito adulto, traz o cérebro extremamente sensível pelo fato de estar reiniciando o trabalho da reencarnação, tornando‐se, por isso mesmo, um observador rigorista de tudo o que você fala ou faz.
A mente infantil dar‐nos‐á de volta, no futuro, tudo aquilo que lhe dermos agora.
Toda criança é um mundo espiritual em construção ou reconstrução, solicitando material digno a fim de consolidar‐se.
Ajude os meninos de hoje a pensar com
acerto dialogando com eles, dentro das normas do respeito e sinceridade que
você espera dos outros em relação a você.
A criança é um capítulo especial no livro do seu dia a dia.
Não tente transfigurar seus filhinhos em bibelôs, apaixonadamente guardados, porque são eles espíritos eternos, como acontece a nós, e chegará o dia em que despedaçarão perante você mesmo quaisquer amarras de ilusão.
Se você encontra algum pirralho de maneiras desabridas ou de formação inconveniente, não estabeleça censura, reconhecendo que o serviço de reeducação dele, na essência, pertence aos pais ou aos responsáveis e não a você.
Se veio a sofrer algum prejuízo em casa, por depredações de pequeninos travessos, esqueça isso, refletindo no amor e na consideração que você deve aos adultos que respondem por eles.
Estudo de O Livro dos Médiuns
Estudando O
Livro dos Médiuns será uma série de estudos promovidos por
Jacobson Trovão, coordenador nacional da Área de Mediunidade do CFN/FEB,
com duração até 2022. O estudo será sistemático e contínuo da obra O
Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.
O programa será realizado semanalmente, com transmissão ao vivo pelos canais da
FEB no Facebook e FEBtv no YouTube e Facebook.
Acompanhe toda terça, às 19h30, no horário de Brasília.
Divulgue e compartilhe nas suas redes sociais: https://febtv.live/mediuns
Rivail, o Educador
Allan Kardec é vastamente conhecido como o
codificador da Doutrina Espírita. Contudo, mais da metade de sua vida esteve
ligado ao ensino e à educação da juventude, o que provavelmente também foi influenciado
pelo fato de que em sua vida participaram destacados pedagogos, cujas ações e ideias
puderam servir-lhe de modelo e inspiração. Em seu tempo ele foi considerado um
especialista em assuntos de ensino. Suas obras dirigiram-se a alunos,
professores e outras pessoas que se ocupavam do ensino e da educação (exemplo:
livros didáticos, manuais de métodos, etc.), ou a pessoas que tivessem influência
jurídica e administrativa no sistema educacional francês (projetos de reformas,
propostas de mudanças no sistema educativo em geral e nas instituições em
particular). (...)
A vida do pedagogo Rivail está cercada de esquecimento,
em parte objetivado por ele mesmo, para proteger diversas pessoas, e, de outro lado,
provocado naturalmente pelo sucesso de suas publicações e atividades
posteriores, ligadas a assuntos geralmente não comentados em escolas. Contudo,
para imaginar um perfil completo da pessoa conhecida até dos simpatizantes do
Espiritismo, seria necessário saber mais detalhadamente sobre o período de vida
de Rivail antes da publicação de O Livro dos Espíritos – o período de vida
principalmente dedicado a um amplo trabalho pedagógico – cumprimento de tarefas
de ensino e educação, criação de livros específicos e artigos com profundas
considerações a problemas atinentes. (...)
Resumindo a opinião sobre a educação, é
necessário mencionar as seguintes conclusões de H. D. L. Rivail:
“1) Educação é uma ciência única;
2) Se observamos que muitas pessoas
ensinam de forma inadequada, a causa disso é a falta de estudos especializados
nessa área;
3) Todos os atrasos relativos à educação
são imputáveis ao fato de que poucas pessoas avaliam o seu verdadeiro objetivo,
sem compreender o que seja educação; o que ela pode ser e, em consequência
disso, o que é necessário fazer para que a situação melhore. A educação está
agora, escreveu Rivail, em semelhante situação em que esteve a química há cem
anos. Ela é uma ciência ainda não totalmente constituída e cujas bases ainda
não estão definidas.”
As últimas obras pedagógicas de Rivail
(primeiras edições) surgiram em 1850; todas as que se sucederam se referiam ao espiritismo,
embora também estas certamente estivessem vinculadas aos interesses pedagógicos
do autor.
Em O Livro dos Espíritos, primeira obra
espírita de Allan Kardec, é possível encontrar alguns fragmentos que tratam da
educação. Eles são ou opiniões de Rivail, agora oculto sob o pseudônimo, e que
correspondiam a suas obras anteriores, ou dos Espíritos. Estes últimos talvez
devessem ser tratados como fonte externa, mas para reconhecer o papel de homem (pedagogo)
na compilação do livro, é necessário mencionar ao menos as citações mais
relevantes.
SOBRE
A ESSÊNCIA DA EDUCAÇÃO:
“Não basta dizer ao homem que ele deve
trabalhar, é necessário também que o que vive do seu trabalho encontre
ocupação, e isso nem sempre acontece. Quando a falta de trabalho se generaliza,
toma as proporções de um flagelo, como a escassez. A ciência econômica procura
o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo, mas esse equilíbrio,
supondo-se que seja possível, sofrerá sempre intermitências e durante essas
fases o trabalhador tem necessidade de viver. Há um elemento, que se não se
ponderou bastante, e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria:
a educação. Não a educação intelectual, mas a moral e nem ainda a educação
moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar os caracteres, aquela
que cria hábitos, porque a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. Quando
se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população,
sem princípios, sem freios e entregues aos próprios instintos, deve-se admirar
das consequências desastrosas desse fato? Quando essa arte for conhecida,
compreendida e praticada, o homem seguirá no mundo hábitos de ordem e de previdência
para si mesmo e para os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que
lhe permitirão atravessar de maneira menos penosa os maus dias inevitáveis.
A desordem e a imprevidência são duas
chagas que somente uma educação bem compreendida pode curar. Nisso está o ponto
de partida, o elemento real do bem-estar, a garantia da segurança de todos.”
(item 685a).
SOBRE
O LIVRE-ARBÍTRIO:
“O homem não é fatalmente conduzido ao
mal; os atos que pratica não ‘estavam escritos’; os crimes que comete não são resultado
de um decreto do destino. Ele pode, como prova e como expiação, escolher uma
existência em que se sentirá arrastado para o crime, seja pelo meio em que
estiver situado, seja pelas circunstâncias supervenientes. Mas será sempre
livre de agir como quiser.
Assim, o livre-arbítrio existe no estado
de Espírito, com a escolha da existência e das provas; e no estado corpóreo com
a faculdade de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que voluntariamente estamos
submetidos. Cabe à educação combater as más tendências e ela o fará de maneira
eficiente quando se basear no estudo aprofundado da natureza moral do homem.
Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral, chegar-se-á a
modificá-la, como se modificam a inteligência pela instrução e as condições
físicas pela higiene.” (Item 872)
SOBRE
O PROGRESSO DA HUMANIDADE:
“Louváveis esforços são feitos, sem
dúvida, para ajudar a humanidade a avançar; encorajam-se, estimulam-se,
honram-se os bons sentimentos, hoje mais do que em qualquer outra época, e não obstante
o verme devorador do egoísmo continua a ser a praga social. É um verdadeiro
mal, que se espalha por todo o mundo e do qual cada um é mais ou menos vítima.
É necessário combatê-lo, portanto, como se combate uma epidemia. Para isso,
deve-se proceder à maneira dos médicos: remontar à causa. Que se pesquisem em
toda a estrutura do organismo social, desde a família até os povos, da choupana
ao palácio, todas as causas, as influências patentes ou ocultas que excitam,
entretêm e desenvolvem o sentimento do egoísmo. Uma vez conhecidas as causas, o
remédio se apresentará por si mesmo; só restará então combatê-las, senão a
todas ao mesmo tempo, pelo menos por parte, e pouco a pouco o veneno será
extirpado. A cura poderá ser prolongada, porque as causas são numerosas, mas
não se chegará a esse ponto se não se atacar o mal pela raiz, ou seja, com a
educação. Não essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas a que
tende a fazer homens de bem.
A educação, se for bem compreendida, será
a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres
como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los, da
mesma maneira como se endireitam as plantas novas. Essa arte, porém, exige
muito tato, muita experiência e uma profunda observação. É um grave erro
acreditar que basta ter a ciência para aplicá-la de maneira proveitosa. Quem
quer que observe, desde o instante do seu nascimento, o filho do rico como o do
pobre, notando todas as influências perniciosas que agem sobre ele, em consequência
da fraqueza, da incúria e da ignorância dos que o dirigem e como em geral os
meios empregados para moralizar fracassam, não pode admirar-se de encontrar no
mundo tanta confusão. Que se faça pela moral tanto quanto se faz pela
inteligência e ver-se-á que, se há naturezas refratárias, há também, em maior
número do que se pensa, as que requerem apenas boa cultura para darem bons frutos.”
(Item 917)
Evidentemente todo o conteúdo de O Livro
dos Espíritos, além do sentido filosófico, tem um profundo sentido educativo.
Alguns ensinamentos ou sentenças dos
Espíritos poderiam ser tratados até mesmo como tema de vastos estudos e discussões
pedagógicas, pois eles claramente espelham problemas da sociedade na época de
Rivail e, paradoxalmente, também de agora.
SOBRE
AS LEIS SOCIAIS:
“Uma sociedade depravada tem certamente
necessidade de leis mais severas. Infelizmente essas leis se destinam antes a
punir o mal praticado do que a cortar a raiz do mal. Somente a educação pode reformar
os homens, que assim não terão mais necessidade de leis tão rigorosas.” (Item
797)
SOBRE
O EGOÍSMO:
“À medida que os homens se esclarecem
sobre as coisas espirituais, dão menos valor às coisas materiais; em seguida é
necessário reformar as instituições humanas que o entretêm e excitam. Isso depende
da educação.” (Item 914)
É interessante observar os paralelos e as
estreitas vinculações entre os textos produzidos pela mesma pessoa, embora em
dois períodos distintos da vida, aparentemente diferentes no fundo, mas
visivelmente baseados nos mesmos ideais, educativos e atuais em todas as
circunstâncias.
É recomendável, então, considerar as ideias
e ações do futuro codificador da doutrina espírita, no contexto de sua atividade
posterior. A doutrina em si mesma, de fato, é muito rica em valores educativos.
(...)