sábado, 11 de setembro de 2021

Mais Luz - Edição 543 - 12/09/2021

 Leia conosco: Boletim Eletrônico Semanal "Mais Luz"!

Esta semana com enfoque na campanha de valorização da vida e prevenção ao suicídio.

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Suicídio sem dor

 


Lutar por vencer as vicissitudes é inevitável, desde que a própria injunção biológica é uma constante faina, em que nascimento, morte, transformação e ressurgimento se dão por automatismos na maquinaria fisiológica, ensinando à consciência a técnica do esforço para a preservação da Vida.

O pretenso suicida, que consumou a trágica fuga da responsabilidade, jamais se libera, como é natural, dos resultados nefários do seu gesto, sempre tresloucado, por ferir, na agressão furiosa, o mecanismo do instinto de conservação da Vida, que governa a existência animal e o possui como fator para sua preservação.

Orgulhoso ou pusilânime, irresponsável ou vão, o suicida não se evade de si mesmo, da sua consciência; torna-se, aliás, o seu próprio algoz cujas penas o gesto lhe impõe e que resgatará em injunções mil vezes mais afligentes do que na forma em que ora se apresentam.

A burla que se permite, por supostos meios indolores para sofrer a desencarnação, hiberna-o por algum tempo, em espírito, até o momento em que desperta mais vilipendiado e agônico, vivo, estuante de vitalidade, padecendo as camarteladas que a superlativa imprudência provocou.

É óbvio que ninguém ludibria a Consciência cósmica, que se expressa na harmonia do Universo e vige, pulsante, na consciência humana individual.

Necessário que o homem assuma as responsabilidades da Vida e instrua-se nas leis que lhe regem a existência, aprimorando-se e reunindo valores de que possa dispor nos momentos-desafio, a fim de superá-los e reorganizar-se para os futuros cometimentos até o instante em que se lhe encerre o ciclo biológico.

Estará, então, liberado da matéria, mas mantido na Vida...

Nas aparentes mortes sem dor, provocadas pelos que desejam fugir ou esquecer, o sofrimento moral tem início quando se elabora o programa da evasão e jamais se pode prever quando terminará.

A consciência humana é indestrutível, portanto, o suicídio de qualquer espécie é arrematada loucura, um salto no desconhecido abismo da imprevisível desesperação”.

 

Manoel Philomeno de Miranda / Divaldo Franco – Livro: Temas da vida e da Morte

 

Precisa de ajuda?

Falar é a melhor solução!


"Suicídio é ilusão. Procure ajuda."


 

Cristo e nós

 

“E disse-lhe o Senhor em visão: — Ananias! E ele respondeu: — Eis-me aqui, Senhor!”  (Atos dos Apóstolos, 9:10)

Os homens esperam por Jesus e Jesus espera igualmente pelos homens.

Ninguém acredite que o mundo se redima sem almas redimidas.

O Mestre, para estender a sublimidade do seu programa salvador, pede braços humanos que o realizem e intensifiquem. Começou o apostolado, buscando o concurso de Pedro e André, formando, em seguida; uma assembleia de doze companheiros para atacar o serviço da regeneração planetária.

E, desde o primeiro dia da Boa Nova, convida, insiste e apela junto das almas, para que se convertam em instrumentos de sua Divina Vontade, dando-nos a perceber que a redenção procede do Alto, mas não se concretizará entre as criaturas sem a colaboração ativa dos corações de boa vontade.

Ainda mesmo quando surge, pessoalmente, buscando alguém para a sua lavoura de luz, qual aconteceu na conversão de Paulo, o Mestre não dispensa a cooperação dos servidores encarnados. Depois de visitar o doutor de Tarso, diretamente, procura Ananias, enviando-o a socorrer o novo discípulo.

Por que razão Jesus se preocupou em acompanhar o recém convertido, assistindo-o em pessoa? É que, se a Humanidade não pode iluminar-se e progredir sem o Cristo, o Cristo não dispensa os homens na obra de soerguimento e sublimação do mundo.

"Ide e pregai".

"Eis que vos mando".

"Resplandeça a vossa luz diante dos homens".

"A Seara é realmente grande, mas poucos são os ceifeiros".

Semelhantes afirmativas do Senhor provam a importância por ele atribuída à contribuição humana.

Amemos e trabalhemos, purificando e servindo sempre.

Onde estiver um seguidor do Evangelho aí se encontra um mensageiro do Amigo Celestial para a obra incessante do bem.

Cristianismo significa Cristo e nós.

Emmanuel / Chico Xavier – Fonte Viva – FEB – cap. 017

Prece por um suicida

 


Sabemos, ó meu Deus, qual a sorte que espera os que violam a tua lei, abreviando voluntariamente seus dias; mas também sabemos que infinita é a tua misericórdia. Digna-te, pois, de estendê-la sobre a alma de N... Possam as nossas preces e a tua comiseração abrandar a acerbidade dos sofrimentos que ele está experimentando, por não haver tido a coragem de aguardar o fim de suas provas.

Bons Espíritos, que tendes por missão assistir os desgraçados, tomai-o sob a vossa proteção; inspirai-lhe o pesar da falta que cometeu.

Que a vossa assistência lhe dê forças para suportar com mais resignação as novas provas por que haja de passar, a fim de repará-la. Afastai dele os maus Espíritos, capazes de o impelirem novamente para o mal e prolongar-lhe os sofrimentos, fazendo-o perder o fruto de suas futuras provas.

A ti, cuja desgraça motiva as nossas preces, nos dirigimos também, para te exprimir o desejo de que a nossa comiseração te diminua o amargor e te faça nascer no íntimo a esperança de melhor porvir! Nas tuas mãos está ele; confia na bondade de Deus, cujo seio se abre a todos os arrependimentos e só se conserva fechado aos corações endurecidos.

Allan Kardec – Livro: O Evangelho segundo o Espiritismo

sábado, 4 de setembro de 2021

Mais Luz - Edição 542

Kardec e o trabalho em equipe

Aprender a trabalhar em equipe é um requisito fundamental para a nossa socialização. Saiba mais no Boletim Eletrônico Semanal do CEJG:

https://mailchi.mp/0254a50cd36c/boletim-mais-luz

Parabéns CEJG!

 


Cada vida importa!

 


Kardec e o trabalho em equipe

 


Se um grupo quiser estar em condições de ordem, de tranquilidade, de estabilidade, é preciso que nele reine um sentimento fraterno. Todo grupo ou sociedade que se formar sem ter por base a caridade efetiva não terá vitalidade; enquanto que os que se formarem segundo o verdadeiro espírito da doutrina olhar-se-ão como membros de uma mesma família que, não podendo viver todos sob o mesmo teto, moram em lugares diversos.

Allan Kardec Revista Espírita de 1862

 

Aprender a trabalhar em equipe é um requisito fundamental para a nossa socialização, pois na vida de relação, de modo geral, somos chamados a conviver com pessoas diferentes, das quais dependemos e com as quais precisamos colaborar.

É um grande erro acreditar que podemos fazer tudo sozinho, sem o auxílio dos demais. É também um equívoco acreditar que o trabalho só sairá bom se formos nós os executores. A autossuficiência é uma das grandes ilusões contra a qual precisamos lutar. Nenhum de nós sabe e pode tudo. Nosso saber e poder são relativos. Todos estamos na condição de aprendizes, em regime de interdependência, destinados a aprender uns com os outros o que ignoramos.

Em torno desta questão, Allan Kardec faz uma advertência que poderíamos considerar como uma constatação de sua parte, tendo em vista que não deixamos de ser imperfeitos pelo simples fato de abraçarmos os princípios espíritas:

Um equívoco muito frequente entre os novos adeptos é o de se julgarem mestres após alguns meses de estudo. Essa pretensão de não mais necessitar de conselhos, e de se julgar acima de todos, é uma prova de insuficiência, pois foge a um dos primeiros preceitos da doutrina: a modéstia e a humildade.

Apenas ousaríamos acrescentar que não são apenas os novos adeptos, muitas vezes, os mais antigos, infelizmente, também pensam assim. Quando não se isolam, fazendo um “Espiritismo a sua maneira” e agregando pessoas em torno do seu carisma, permanecem no movimento fiscalizando os outros e discordando sistematicamente de ideias que não sejam as suas. Creditam-se a condição de “crivos” das iniciativas que se dão no meio espírita.

Diferentemente dessa postura, quando procuramos atuar em equipe, muitas vezes somos chamados a colaborar de maneira anônima, aceitando a liderança de companheiros que estão investidos dessa responsabilidade. Em outras ocasiões, também somos chamados a assumir o comando dos esforços e de uma forma ou de outra, sempre deveremos acatar as decisões que decorram do consenso. Mesmo porque, nenhum de nós é indispensável, embora todos sejamos chamados a colaborar nesse ou naquele setor. Nem mesmo Allan Kardec era indispensável, do contrário o Espírito de Verdade não teria lhe dito:

Não te esqueças de que podes triunfar, como podes falir; neste último caso, um outro te substituirá, pois, os desígnios de Deus não se repousam sobre a cabeça de um homem.

Apesar desta possibilidade, era ele quem reunia as melhores condições para empreender a tarefa de codificar o Espiritismo, embora se encontrassem também reencarnados espíritos prontos a levar adiante os desígnios de Jesus. Essas mesmas almas, como Léon Denis, Gabriel Delanne e outros se encarregaram de desenvolver e difundir as ideias espíritas. Não estavam interessados no comando de nada, queriam antes somar esforços e fazer o melhor que pudessem.

Allan Kardec não apenas valorizava o trabalho em equipe, como também fazia parte de uma, a equipe do Espírito de Verdade, que atuava em conjunto, desdobrando-se na esfera espiritual e material.

O próprio Jesus, quando encarnado entre nós, enfatizou a importância do trabalho em equipe, convocando doze discípulos para o trabalho de evangelização das criaturas.

As obras de André Luiz, em particular, narram a organização, a disciplina, os princípios que regem Nosso Lar e algumas outras colônias espirituais, demonstrando que ninguém, em lugar algum, opera sozinho na obra do bem ou do mal. Mesmo os espíritos inclinados ao mal atuam em conjunto, com tarefas previamente planejadas e posteriormente avaliadas.

Na obra Paulo e Estêvão, os relatos do Espírito Emmanuel informam que na constituição da Casa do Caminho e nos primeiros núcleos do Cristianismo primitivo, havia sempre mais de um companheiro se revezando com outro na execução das tarefas. O sentido da ação em equipe, proclamado de forma silenciosa por Jesus, tomou-se uma importante diretriz na organização e sobrevivência destes primeiros núcleos.

Hoje em dia, para que os centros espíritas possam continuar fieis a Jesus e a Kardec, faz-se necessário que as equipes estejam abertas para se renovarem. Renovarem-se com novas ideias e novos companheiros, sem que ninguém retenha, indefinidamente, o comando de nada. Mas que essa renovação se processe com critérios e não estouvadamente. Que ocorra sem apegos e melindres.

Sabemos que a principal renovação de que temos necessidade é a do nosso mundo interior, pois sem essa, todas as outras ficarão comprometidas. Mas podemos atualizar as técnicas, estudar e implantar novos modelos de gestão, rever a metodologia dos estudos, convidar expositores de outras casas, promover encontros, criarmos grupos para estudar determinada obra, participarmos de encontros de preparação, realizados pelos órgãos de unificação ou aqueles que se dão em determinados centros, analisarmos outras experiências, a fim de que a nossa equipe cresça e o trabalho prossiga com qualidade.

As diretrizes gerais, para esse empreendimento, estão sinalizadas e ao mesmo tempo justificadas na codificação, particularmente em Obras Póstumas; de Allan Kardec:

(...) a direção, de individual que precisou ser no início, deve tornar-se coletiva; primeiro, porque chega um momento em que seu peso excede as forças de um homem, e, em segundo lugar, porque há mais garantia de estabilidade numa reunião de indivíduos, na qual cada um representa sua própria voz, e que nada podem sem o concurso uns dos outros, do que um único, que pode abusar de sua autoridade e querer fazer que predominem suas ideias pessoais.

Para o público dos adeptos, a aprovação ou a desaprovação, o consentimento ou a recusa, as decisões, numa palavra, de um corpo constituído, representando uma opinião coletiva, terão, forçosamente, uma autoridade que jamais teriam, se emanassem de um único indivíduo, que apenas representa uma opinião pessoal. Com frequência rejeita-se a opinião de uma única pessoa, acredita-se que se humilharia por ter que se submeter, enquanto que a de vários é aceita sem dificuldade. (Constituição do Espiritismo: ‘Comissão Central’.)

(...) a ninguém é dado possuir a luz universal, nem nada fazer com perfeição; como pode um homem iludir-se acerca de suas próprias ideias; enquanto outros podem ver o que ele não pode; (Constituição do Espiritismo: ‘Os Estatutos Constitutivos*.)

Há, igualmente, num ser coletivo, uma garantia de estabilidade que não existe quando tudo repousa sobre uma única cabeça: se o indivíduo for impedido por uma causa qualquer, tudo pode ficar entravado. Um ser coletivo, ao contrário, perpetua-se incessantemente; se perder um ou vários de seus membros, nada periclita. (Constituição do Espiritismo: ‘Comissão Central’).

Essas colocações valem para a direção de um órgão de unificação, de um centro espírita, de um departamento existente no centro ou mesmo para uma equipe transitória, que se constitua apenas para a realização de um evento.

Precisamos deixar de reclamar da ausência de colaboradores e começar a nos perguntar:

1. Como a nossa equipe atua?

2. Nela predomina a sinceridade e todos aprendem uns com os outros?

3. Como lidamos com as ideias que são contrárias às nossas?

4. Procuramos conhecer a maneira como as outras instituições espíritas se organizam?

5. Temos nos capacitado para melhor execução da tarefa que abraçamos?

6. Nossa equipe tem se renovado ao longo dos anos com novos irmãos?

7. Nossa equipe planeja, avalia e se avalia?

Mais do que apenas fazer a nossa parte, precisamos analisar se colaboramos para que os outros façam a parte que lhes compete. Não com intromissões que comprometam a autonomia dos companheiros e impeçam que os erros lhes ensinem o que precisam saber, mas com estímulos, sugestões, colocando-nos à disposição para auxiliá-los, tanto quanto esperamos o concurso alheio em nosso próprio auxílio.

Uma equipe formada por espíritas deve ser mais que uma equipe, deve ser uma verdadeira família, onde o fracasso de um atinge a todos e onde o êxito de alguém é o sucesso de todos.

Cezar Braga Said – Livro: Centro Espírita – Uma visão construtiva

Não te perturbes

 

“E o mandamento que era para a vida, achei eu que me era para a morte”. Paulo (Romanos, 7:10)


Se perguntássemos ao grão de trigo que opinião alimenta acerca do moinho, naturalmente responderia que dentro dele encontra a casa de tortura em que se aflige e sofre; no entanto, é de lá que ele se ausenta aprimorado para a glória do pão na subsistência do mundo.

Se indagássemos da madeira, com respeito ao serrote, informaria que nele identifica o algoz de todos os momentos, a dilacerar-lhe as entranhas; todavia, sob o patrocínio do suposto verdugo, faz-se delicada e útil para servir em atividades sempre mais nobres.

Se consultarmos a pedra, com alusão ao buril, certo esclarecerá que descobriu nele o detestável, perseguidor de sua tranquilidade, a feri-Ia, desapiedado, dia e noite; entretanto, é dos golpes dele que se eleva aos tesouros terrestres, aperfeiçoada e brilhante.

Assim, a alma. Assim, a luta.

Peçamos o parecer do homem, quanto à carne, e pronunciará talvez impropriedades mil. Ouçamo-lo sobre a dor e registraremos velhos disparates verbais. Solicitemos-lhe que se externe com referência à dificuldade, e derramará fel e pranto.

Contudo, é imperioso reconhecer que do corpo disciplinado, do sofrimento purificador e do obstáculo asfixiante, o espírito ressurge sempre mais aformoseado, mais robusto e mais esclarecido para a imortalidade.

Não te perturbes, pois, diante da luta, e observa.

O que te parece derrota, muita vez é vitória. E o que se te afigura em favor de tua morte, é contribuição para o teu engrandecimento na vida eterna.

 

Emmanuel / Chico Xavier - Fonte Viva – FEB – cap. 016

Oração do dinheiro

 


Senhor!

No concerto das forças que te desejam honrar, eu também sou teu servo.

Por me atribuíres o dever de premiar o suor e sustentar o bem, como recurso neutro de aquisição, ando, entre as criaturas, frequentemente, em regime de cativeiro.

Muitas delas me escravizam para que eu lhes compre ilusões e mentiras, prazeres e consciências.

Noto com mais nitidez minha própria tarefa, cada vez que escuto alguém chorar no caminho, entretanto, quase sempre, estou preso...

Que fiz eu Senhor, para viver encarcerado no sombrio recinto do cofre, como se eu fora um cadáver importante no esquife trancado da inércia?

Ensina aos que me guardam sem proveito que sou o sangue do trabalho e do progresso, da caridade e da cultura e ajuda-os para que me liberte.

Quase todos eles procuram estar comigo, através da oração, nos templos que abraçam.

Dize-lhes na prece que sou a esperança do lar sem lume.

Fala-lhes que posso ser o conforto das mães esquecidas, o arrimo dos companheiros caídos em provação, o leite devido aos pequeninos de estômago atormentado, o remédio ao enfermo e o lençol generoso e limpo dos que avizinham do túmulo.

Um dia, alguém te apresentou moeda humilde, empenhada ao imposto público para que algo dissesses e recomendastes fosse dado a César o que é de César.

Muitos, porém, não perceberam que te reportavas ao tributo e não a mim e, julgando que a tua palavra me condenasse, lançaram-me ao desprezo...

Não ignoras, contudo, que nasci para fazer o melhor e esteja eu vestido de ouro ou de simples papel, sabes, Senhor, que eu também sou de Deus.

 

Meimei / Chico Xavier – Livro: À luz da oração


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Uma carroça de alimento...

 


Bezerra de Menezes não fora, como alguns de seus admiradores supõem, um despreocupado com o Dia de Amanhã, com a assistência à família, com o seu e o Futuro dos seus queridos entes familiares.

Não.

Sabia, como poucos, ater-se à disciplina do necessário, a desprezar o supérfluo, a não se apegar às coisas materiais com prejuízo de seu evolvimento espiritual e da vitória de sua Missão.

Aceitava o pagamento dos clientes que lhe podiam pagar e dava aos pobres e estropiados o que podia dar, inclusive algo de si mesmo.

Sua digna família jamais passou necessidade.

Todos os componentes de seu familistério lhe tiveram a assistência permanente e o alimento espiritual de seus bons exemplos.

Preocupava-se, isto sim, com o Futuro de seu Espírito e dos Espíritos daqueles que o Pai lhe confiou.

Dia a dia, examinava-se, revia-se interiormente, para se certificar se era mais de Jesus e Jesus mais dele, se a distância psíquica entre ele e o Mestre era menor, se cumpria, como prometera, sua Tarefa testemunhal.

E tudo lhe corria bem.

As dívidas eram pagas pontualmente.

Nenhum compromisso deixava de ser cumprido.

Os Filhos eram educados cristãmente.

Jesus morava no seu Lar e dentro de seu Coração e dos Corações de seus queridos entes familiares, norteando-lhes a existência e fazendo-a vitoriosa.

Numa manhã, no entanto, houve no lar uma apreensão.

O celeiro estava vazio, sem víveres para o jantar...

Na véspera, Bezerra havia restituído a importância das consultas aos seus clientes pobres, porque, por intuição, compreendera que apenas, possuíam o necessário para a compra dos medicamentos. Agradecera a boa intenção do Farmacêutico, mas achava que não podia guardar aquelas importâncias...

Junto com a esposa, ciente e consciente da situação, ficara a pensar.

Vestira e saíra, consolando a querida companheira e dizendo-lhe:

— Não se preocupe, nada nos faltará, confiemos em Deus!

Ao regressar, à tardinha, encontra a esposa surpresa e um pouco agastada, que lhe diz:

— Por que tamanho gasto! Não precisava preocupar-se tanto, comprando alimentos demais e que podem estragar-se...

— Mas, que acontecera?!

— Logo assim que você saiu, explica-lhe a esposa, recebemos uma carroça de alimentos...

E, levando-o à despensa, mostrou-lhe os sacos, os embrulhos, os amarrados de víveres, que recebera...

Bezerra olhou para tudo aquilo e emocionou-se! Nada comprara e quem, então, lhe teria enviado tão grande dádiva se não Deus, através de seus bondosos Filhos!...

E, abraçado à querida consorte, refugiou-se a um canto da Casa para a Prece de agradecimento ao Pai de Amor, que lhe vitoriava a Missão, confirmando-lhe o Ideal Cristão e como a lhe dizer:

— Por preocupar-se tanto com o próximo, com todos meus Filhos, eu preocupo-me com você e todos os seus, também meus Filhos!

Traduzia e opulentava para o vero Servidor a Lição de Jesus, quando nos apontou os lírios dos campos, as aves que não ajuntam em celeiros e se vestem e se alimentam e jamais passam fome...

 

Ramiro Gama – Livro: Lindos casos de Bezerra de Menezes


Fraternidade

 

 “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”. Jesus (João, 13:35)

Desde a vitória de Constantino, que descerrou ao mundo cristão as portas da hegemonia política, temos ensaiado diversas experiências para demonstrar na Terra a nossa condição de discípulos de Jesus.

Organizamos concílios célebres, formulando atrevidas conclusões acerca da natureza de Deus e da Alma, do Universo e da Vida.

Incentivamos guerras arrasadoras que implantaram a miséria e o terror naqueles que não podiam crer pelo diapasão da nossa fé.

Disputamos o sepulcro do Divino Mestre, brandindo a espada mortífera e ateando o fogo devorador.

Criamos comendas e cargos religiosos, distribuindo o veneno e manejando o punhal.

Acendemos fogueiras e erigimos cadafalsos, inventamos suplícios e construímos prisões para quantos discordassem dos nossos pontos de vista.

Estimulamos insurreições que operaram o embate de irmãos contra irmãos, em nome do Senhor que testemunhou na cruz o devotamento à Humanidade inteira.

Edificamos palácios e basílicas, famosos pela suntuosidade e beleza, pretendendo reverenciar-lhe a memória, esquecidos de que ele, em verdade, não possuía uma pedra onde repousar a cabeça.

E, ainda hoje, alimentamos a separação e a discórdia, erguendo trincheiras de incompreensão e animosidade, uns contra os outros, nos variados setores da interpretação.

Entretanto, a palavra do Cristo é insofismável.

Não nos faremos titulares da Boa Nova simplesmente através das atitudes exteriores.

Precisamos, sim, da cultura que aprimora a inteligência, da justiça que sustenta a ordem, do progresso material que enriquece o trabalho e de assembleias que favoreçam o estudo; no entanto, toda a movimentação humana, sem a luz do amor, pode perder-se nas sombras.

Seremos admitidos ao aprendizado do Evangelho, cultivando o Reino de Deus que começa na vida íntima.

Estendamos, assim, a fraternidade pura e simples, amparando-nos mutuamente... Fraternidade que trabalha e ajuda, compreende e perdoa, entre a humildade e o serviço que asseguram a vitória do bem. Atendamo-la, onde estivermos, recordando a palavra do Senhor que afirmou com clareza e segurança:

— "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros."

Emmanuel / Chico Xavier – Fonte Viva – FEB – cap. 015

Prece a Dr. Bezerra de Menezes

 


Nós Te rogamos, Pai de infinita bondade e justiça, as bênçãos de Jesus Cristo, através do Espírito Bezerra de Menezes e sua legião de companheiros. Que eles nos assistam, Senhor, consolando os aflitos, curando os que se tornem merecedores, confortando aqueles que têm provas e expiações por passar, esclarecendo aos que desejam obter conhecimento espiritual e assistindo a todos os que apelem para o Teu infinito amor. Jesus, divino portador da graça e da verdade, estende tuas mãos dadivosas em socorro daqueles que te reconhecem como despenseiro fiel e prudente. Seja o nosso divino modelo, através de tuas legiões consoladoras, de teus santos espíritos, a fim de que a fé se eleve, a esperança aumente, a bondade se expanda e o amor triunfe sobre todas as coisas.

Bezerra de Menezes, apóstolo do bem e da paz, amigo dos humildes e dos enfermos, movimenta as tuas falanges amigas em benefício daqueles que sofrem males físicos ou espirituais.

Bons espíritos, dignos obreiros do Senhor, derramai as virtudes e as curas sobre a humanidade sofredora, a fim de que as criaturas se tornem amigas da paz e do discernimento, da harmonia e do perdão, semeando pelo mundo os divinos exemplos de Jesus Cristo.                                                                                                

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Fonte: www.sbebm.org.br

sábado, 21 de agosto de 2021

Mais Luz - Edição 540

Leia conosco mais essa edição do nosso Boletim Eletrônico Semanal:

Mais luz - Edição 540

https://mailchi.mp/dd3c5b8b7386/boletim-eletrnico

REUNIÕES PÚBLICAS - Retorno presencial

 


Comunicamos que os testes realizados às quartas-feiras, para o retorno às reuniões públicas presenciais, foram um sucesso.

Assim, estendemos este retorno também às reuniões públicas das sextas-feiras.

E no último dia 20 deste mês de agosto, realizamos a palestra “Instituto de tratamento”, proferida pela expositora Nelma Matos, marcando o retorno do público também às sextas-feiras, além da transmissão no nosso canal YouTube: CEJOSEPHGLEBER.

Lembrando que mantivemos o controle do número limite de participantes que se candidataram à presença no salão da nossa Casa, via inscrição prévia, bem como do atendimento ao protocolo sanitário em vigor para a COVID-19.

Agradecemos a todos os colaboradores, que tornaram possível o retorno da atividade com boa vontade, serenidade e harmonia.

A nossa eterna gratidão aos Amigos Espirituais da Casa de Joseph Gleber, pelo costumeiro amparo.


C. E. JOSEPH GLEBER

DCSE – Gilson/Nilton

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Para pedir a corrigenda de um defeito



Deste-me, ó meu Deus, a inteligência necessária a distinguir o que é bem do que é mal. Ora, do momento em que reconheço que uma coisa é do mal, torno-me culpado, se não me esforçar por lhe resistir.

Preserva-me do orgulho que me poderia impedir de perceber os meus defeitos e dos maus Espíritos que me possam incitar a perseverar neles.

Entre as minhas imperfeições, reconheço que sou particularmente propenso a...; e, se não resisto a esse pendor, é porque contraí o hábito de a ele ceder.

Não me criaste culpado, pois que és justo, mas com igual aptidão para o bem e para o mal; se tomei o mau caminho, foi por efeito do meu livre-arbítrio. Todavia, pela mesma razão que tive a liberdade de fazer o mal, tenho a de fazer o bem e, conseguintemente, a de mudar de caminho.

Meus atuais defeitos são restos das imperfeições que conservei das minhas precedentes existências; são o meu pecado original, de que me posso libertar pela ação da minha vontade e com a ajuda dos Espíritos bons.

Bons Espíritos que me protegeis, e sobretudo tu, meu anjo da guarda, dai-me forças para resistir às más sugestões e para sair vitorioso da luta.

Os defeitos são barreiras que nos separam de Deus e cada um que eu suprima será um passo dado na senda do progresso que dele me há de aproximar.

O Senhor, em sua infinita misericórdia, houve por bem conceder-me a existência atual, para que servisse ao meu adiantamento. Bons Espíritos, ajudai-me a aproveitá-la, para que me não fique perdida e para que, quando ao Senhor aprouver ma retirar, eu dela saia melhor do que entrei. (Cap. V, item 5; cap. XVII, item 3) – Allan Kardec                                                                                                                     

Livro: Evangelho segundo o Espiritismo 

Indagação oportuna

 

 “Disse-lhes: — Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes?" 

(Atos dos Apóstolos, 19:2)

 

A pergunta apostólica vibra ainda em todas as direções, com a maior oportunidade, nos círculos do Cristianismo.

Em toda parte, há pessoas que começam a crer e que já creem, nas mais variadas situações.

Aqui, alguém aceita aparentemente o Evangelho para ser agradável às relações sociais.

Ali, um indagador procura o campo da fé, tentando acertar problemas intelectuais que considera importantes.

Além, um enfermo recebe o socorro da caridade e se declara seguidor da Boa Nova, guiando-se pelas impressões de alívio físico.

Amanhã, todavia, ressurgem tão insatisfeitos e tão desesperados quanto antes.

Nos arraiais do Espiritismo, tais fenômenos são frequentes.

Encontramos grande número de companheiros que se afirmam pessoas de fé, por haverem identificado a sobrevivência de algum parente desencarnado, porque se livraram de alguma dor de cabeça ou porque obtiveram solução para certos problemas da luta material; contudo, amanhã prosseguem duvidando de amigos espirituais e de médiuns respeitáveis, acolhem novas enfermidades ou se perdem através de novos labirintos do aprendizado humano.

A interrogação de Paulo continua cheia de atualidade.

Que espécie de espírito recebemos no ato de crer na orientação de Jesus? O da fascinação? O da indolência? O da pesquisa inútil? O da reprovação sistemática às experiências dos outros?

Se não abrigamos o espírito de santificação que nos melhore e nos renove para o Cristo, a nossa fé representa frágil candeia, suscetível de apagar-se ao primeiro golpe de vento.

Chico Xavier / Emmanuel – Fonte Viva – FEB – cap. 014

Comportamento do espírita ante os desafios dos tempos atuais

 


Vivemos uma época assinalada por duas significativas realidades: o desenvolvimento científico e tecnológico e o vazio existencial. As conquistas científicas e tecnológicas propiciam melhor qualidade de vida com os avanços no campo da saúde, alimentação, energia, comunicação, acesso ao conhecimento, entre outros. Em contraposição, o vazio existencial aparece no cenário das relações interpessoais, expressando-se como uma sensação de perda do sentido existencial que, em maior grau conduz a crises depressivas e, não raro, ao suicídio. Tais constatações merecem do venerável Bezerra de Menezes as seguintes ponderações dirigidas aos espiritas: “[…]. Naturalmente, essa manifestação de fuga da realidade interfere no comportamento geral dos seareiros da Verdade que, nada obstante, considerando serem servidores da última hora, permitem-se os desvios que lhes diminuem a carga aflitiva.”

Os tempos atuais são marcados por conflitos e entrechoques nas relações humanas, mais ou menos acentuados em diferentes partes do Planeta: atos de heroísmo e solidariedade e crimes hediondos;  indiferentismo, com fuga da realidade, diante de doenças que têm conduzido milhares de pessoas à morte, e ações beneméritas, de onde menos se espera, destinadas a amenizar o sofrimento existente;  manifestações ideológicas exacerbadas de pessoas e grupos, político-partidárias ou não, mescladas por vozes contrárias, que promovem paz e a concórdia;   manifestações religiosas imprudentes, voltadas para a prática do igrejismo  e registros responsáveis que apontam  para as consequências espirituais das escolhas humanas, sobretudo as que valorizam o amor a Deus e ao próximo. Neste sentido, o benfeitor Emmanuel, aconselha-nos adotarmos um comportamento mais proativo, e, como medida de harmonia espiritual, propõe lançarmos um olhar mais além, de contemplar mais longe:

Transfere a observação para o teu campo de experiência diária e não olvides que as situações externas serão retratadas em teu plano interior, segundo o material de reflexão que acolhes na consciência. Se perseverares na cólera, todas as forças em torno te parecerão iradas. Se preferes a tristeza, anotarás o desalento, em cada trecho do caminho. Se duvidas de ti próprio, ninguém confia em teu esforço. Se te habituaste às perturbações e aos atritos, dificilmente saberás viver em paz contigo mesmo.

Respirarás na zona superior ou inferior, torturada ou tranquila, em que colocas a própria mente. […].

Não resta dúvida que o denominado mundo atual é complexo, volátil, pleno de desafios como assinala o psicanalista brasileiro, Marcio de F. Giovannetti, presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo:

Se há algo que permanece hoje em nosso mundo é a ideia de pós. Tudo o mais parece extremamente provisório. A palavra atual parece significar hoje e apenas hoje. Aqui e agora. Ou melhor, apenas agora, pois a própria ideia de “aqui” é absolutamente questionável diante da internet ou de um aparelho de televisão.

[…]

Em uma palavra, poderíamos dizer que o que há de mais característico no mundo de hoje é o desaparecimento da permanência. Tudo se volatiliza. Tudo é descartável. Mas, paradoxalmente, há um aumento da expectativa do tempo da vida humana. Quanto mais tempo vive o homem, menor o tempo de cada uma de suas coisas, sejam elas artefatos, produções culturais ou conceitos científicos. Ser estranho esse, o homem…

Compreender a diversidade existente no mundo, conhecer e respeitar opiniões diferentes — ainda que contrários ao próprio entendimento — são desafios da vida em sociedade, sobretudo quando acontecem no ambiente familiar ou profissional. Assim, no processo de autoiluminação, faz-se necessário buscar o autodomínio, esforçando-se em manter relacionamentos saudáveis e verdadeiros com as pessoas que fazem parte do nosso convívio social, aprendendo a lidar com as divergências de forma respeitosa, sem emissão de juízos de valor. Joanna de Ângelis oferece-nos oportunas orientações a respeito:

Em teu esforço de autoiluminação, tem em vista que a paciência, é fator primordial para o êxito.

[…]

No exercício da paciência, faz-se imprescindível o autocontrole que demonstra a eficácia da ciência da paz.

[…]

Persevera naquilo que crês, pois sabes que o amor é a única solução para todas as dificuldades humanas. O que não conseguires hoje, lograrás amanhã, se souberes permanecer firme e sem desalento. 

Ante os conflitos do mundo atual, afirma Bezerra de Menezes, “[…] é natural que surjam divergências, opiniões variadas, procurando melhor metodologia para o serviço da Luz. O direito de discordar, de discrepar, é inerente a toda a consciência livre. Mas, tenhamos cuidado para não dissentir, para não dividir, para não gerar fossos profundos ou abismos aparentemente intransponíveis”.  E conclui com bondade:

Que o Espírito de união, de fraternidade, leve-nos todos, desencarnados e encarnados, à pacificação […].

O amor é o instrumento hábil para todas as decisões. Desarmados os corações, formaremos o grupo dos seres amados do ideal da Nova Era.

[…].

Nunca olvidemos, em nossas preocupações, que a Barca terrestre tem um Nauta que a conduz com segurança ao porto da paz.

 Marta Antunes de Moura / Vice-presidente da Federação Espírita Brasileira – Fonte: febnet.org.br