sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Felicidade: Uma Conquista do Espírito

 


No dia 20 de março, o mundo celebra o Dia Internacional da Felicidade, instituído pela Assembleia Geral da ONU em 28/06/2012 (Resolução 66/281), reconhecendo-a como meta universal da humanidade. Assim, a propósito desta data tão significativa, vamos refletir à luz da Doutrina Espírita sobre esse estado interior de paz, consciência tranquila e fé no futuro (Livro dos Espíritos, q. 922), bem como as condições para sua construção dentro de nós.

Primeiramente, precisamos considerar o disposto na questão 920, onde os Espíritos ensinam que não podemos gozar de felicidade completa aqui, pois este é um mundo de provas e expiações, mas podemos suavizar os males e ser tão felizes quanto possível. Isso nos revela que a felicidade é relativa e depende, sobretudo, da maneira como encaramos as experiências da vida.

No Evangelho segundo o Espiritismo, especialmente no capítulo V — “Bem-aventurados os aflitos” — somos convidados a compreender que as dores e dificuldades possuem causas justas e educativas. E assim sendo, quando logramos entender o sofrimento como instrumento de crescimento, nasce em nós a resignação ativa — não a passividade, mas a confiança em Deus. Essa postura íntima gera paz interior, fundamento essencial da felicidade verdadeira.

Já Emmanuel ensina, em diversas mensagens psicografadas por Chico Xavier, que a felicidade real não procede das facilidades exteriores, mas da harmonia interior e do dever bem cumprido, do serviço ao próximo, da consciência reta e da fidelidade a Deus. Assim, cada gesto de amor e cada esforço de renovação moral ampliam nossa capacidade de experimentar contentamento profundo.

André Luiz, por sua vez, demonstra que, no plano espiritual, a felicidade está diretamente ligada ao trabalho útil e à cooperação. Espíritos que se dedicam ao bem sentem alegria e plenitude, enquanto os que permanecem presos ao egoísmo experimentam perturbação. A felicidade, portanto, é consequência natural da sintonia com as leis divinas.

Diante disso, ao iniciarmos o mês de março, refletimos: onde estamos buscando nossa felicidade? O Espiritismo nos orienta a procurá-la na transformação interior, na prática da caridade e na confiança em Deus. Que cada leitor aproveite este marco estabelecido em todo o mundo para renovar propósitos, fortalecer a vivência do Evangelho no lar, participar de atividades edificantes no meio espírita, exercitando, no cotidiano, pequenos gestos de amor e serviço. Mais do que um sentimento passageiro, a felicidade é conquista gradual do Espírito imortal — e começa agora, na decisão sincera de viver segundo os ensinamentos do Cristo. 

DCSE/CEJG


Palestras CEJG - Março/26

 


Na luz da compaixão

 

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” — Jesus (Mateus, 5:7)

 

Deixa que a luz da compaixão te clareie a rota, para que a sombra te não envolva.

Sofres a presença dos que te pisam as esperanças?

Compaixão para eles.

Ouves a palavra dos que te ironizam?

Compaixão para eles.

Padeces o assalto moral dos que te perturbam?

Compaixão para eles.

Recebes a farpa dos que te perseguem?

Compaixão para eles.

A crueldade e o sarcasmo, a demência e a vileza são chagas que o tempo cura.

Rende graças a Deus, por lhes suportares o assédio sem que partam de ti.

No fundo são males que surgem da ignorância, como a cegueira nasce das trevas.

Não sanarás o desequilíbrio do louco, zurzindo-lhe a cabeça, nem expulsarás a criminalidade do malfeitor, cortando-lhe os braços.

Diante de todos os desajustamentos alheios, compadece-te e ampara sempre.

Perante todos os disparates do próximo, compadece-te e faze o melhor que possas.

Todos somos alunos do educandário da vida e todos somos suscetíveis de queda moral no erro.

Usa, pois, a misericórdia com os outros e acharás nos outros a misericórdia para contigo.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 69

 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Você conhece a história de Zilda Gama?

Zilda Gama nasceu em 11 de março de 1878, em Três Ilhas, Juiz de Fora (MG), sendo a segunda de onze filhos. Filha de um escrivão de paz e de uma professora estadual, recebeu a educação inicial da própria mãe e formou-se professora primária pela Escola Normal de São João Del Rei. Com apenas 24 anos, ficou órfã e assumiu a responsabilidade pela família, cuidando de cinco irmãos menores e, mais tarde, de cinco sobrinhos órfãos, demonstrando desde cedo grande senso de dever e liderança.

Atuou como professora e diretora escolar, destacando-se em concursos promovidos pela Secretaria de Educação de Minas Gerais. Em 1931, participou ativamente do movimento em prol dos direitos femininos no Brasil, sendo autora de uma tese oficialmente aprovada no Congresso Nacional sobre o voto feminino. Também colaborou com contos e poesias em importantes periódicos da antiga capital federal, como o Jornal do Brasil, a Gazeta de Notícias e a Revista da Semana.

Ainda jovem, passou a perceber a presença de Espíritos e recebeu mensagens do pai e da irmã desencarnados, que a confortavam em momentos difíceis. Em 1912, recebeu comunicação assinada por Allan Kardec, cujos ensinamentos foram posteriormente reunidos na obra "Diário dos Invisíveis" (1929). A partir dessas experiências, consolidou sua atuação mediúnica no movimento espírita.

Em 1916, foi informada por benfeitores espirituais de que psicografaria uma novela, o que se concretizou sob a orientação do Espírito Victor Hugo. Dessa parceria mediúnica surgiram obras como "Na Sombra e na Luz", "Do Calvário ao Infinito", "Redenção", "Dor Suprema e Almas Crucificadas", publicadas pela Federação Espírita Brasileira. Tornou-se então pioneira no país ao receber vasta produção literária do plano espiritual, publicando ainda diversos outros títulos e organizando obras voltadas à educação.

Em 1959, após sofrer um derrame cerebral, passou a viver em cadeira de rodas, assistida por um sobrinho, e desencarnou em 10 de janeiro de 1969, no Rio de Janeiro. Zilda Gama foi uma antecessora de Francisco Cândido Xavier, e sua mediunidade contribuiu para aproximar muitos encarnados e desencarnados da Doutrina Espírita, deixando um legado de esclarecimento e consolação. Atendeu prontamente ao chamado de Jesus e à proteção espiritual de Allan Kardec.

 

Resumo da biografia encontrada no site da União Espírita Mineira. 


sábado, 21 de fevereiro de 2026

Aguardemos

 

“E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa.” — Paulo (Hebreus, 6:15)

 

Em qualquer circunstância, espera com paciência.

Se alguém te ofendeu, espera.

Não tomes desforço a quem já carrega a infelicidade em si mesmo.

Se alguém te prejudicou, espera.

Não precisas vingar-te de quem já se encontra assinalado pela justiça.

Se sofres, espera.

A dor é sempre aviso santificante.

Se o obstáculo te visita, espera.

O embaraço de hoje, muita vez, é benefício amanhã.

A fonte, ajudando onde passa, espera pelo rio e atinge o oceano vasto.

A árvore, prestando incessante auxílio, espera pela flor e ganha a bênção do fruto.

Todavia, a enxada que espera, imóvel, adquire a ferrugem que a desgasta.

O poço que espera, guardando águas paradas, converte a si próprio em vaso de podridão.

Sejam, pois, quais forem as tuas dificuldades, espera, fazendo em favor dos outros o melhor que puderes, a fim de que a tua esperança se erga sublime, em luminosa realização.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 68


sábado, 14 de fevereiro de 2026

A melhor medida

 

“Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.” — (Tiago, 1:4)

 

Mais que as doenças vulgares do corpo, sofres os problemas da alma, agravando-te a tensão, cada dia.

Mais que os micróbios patogênicos a te assaltarem os tecidos do instrumento físico, padeces a intromissão de agentes mentais inquietantes, atormentando-te as fibras da alma.

Levantas-te, cada manhã, muita vez, com as lutas da véspera e, antes que se te rearmonizem as forças, cambaleias mentalmente ao impacto da irritação de familiares incompreensivos…

Prestas longas explicações, a benefício da tranquilidade ambiente; contudo, mal terminas o arrazoado afetuoso, há quem te malsine a palavra, complicando as questões em torno…

Movimentas correção e sinceridade, honrando os próprios deveres; todavia, quando te julgas a cavaleiro de toda crítica, aparece alguém arrastando-te o coração ao mercado da injúria…

Empenhas carinho e abnegação no cultivo do amor ao lado de alguém; contudo, quando te crês em segurança no caminho do entendimento, observas que a ingratidão te envenena os melhores gestos…

Entretanto, à frente de toda dificuldade não te lastimes, nem desfaleças…

Para toda perturbação, a paciência é a melhor medida.

Não profiras qualquer palavra de que te possas arrepender.

Silencia e abençoa sempre, porque, amanhã, quantos hoje se precipitam na sombra voltarão novamente à luz.

Esquecido, usa a paciência e ajuda sem exigir.

Insultado, recorre à paciência e esquece o mal.

Em todas as dores, arrima-te à paciência.

Em todo embaraço, espera com paciência.

Todo progresso humano surge da Paciência Divina. Conserva-te, pois, na força da paciência e, onde estejas, farás sempre o melhor.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Palavras de Vida Eterna – Lição 67

 


sábado, 7 de fevereiro de 2026

O primeiro passo

 

“Portanto, tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o assim também vós a eles, porque esta é a Lei e os Profetas.” — Jesus (Mateus, 7:12)

 

A regra áurea recebe citações em todos os países.

Em torno dela gravitam livros, poemas, apelos e sermões preciosos.

Entretanto, raros se lembram do primeiro passo para que se desvele toda a sua grandeza.

Não podemos reclamar a ajuda dos outros.
Antes, é justo prestar auxílio.

Não será lícito exigir a desculpa de alguém.
Antes, é imperioso saibamos desculpar.

Convidados a compreender, muitos dizem “não posso”, e instados a auxiliar, respondem muitos “ainda não…”

Esquecem-se, porém, de que amanhã serão talvez os necessitados e os réus, carecentes de perdão e socorro. E, muitas vezes, ainda quando não precisem de semelhantes bênçãos para si mesmos, por elas suspirarão em favor dos que mais amem, à face das sombras que lhes devastam a vida.

Se um exemplo pode ser invocado, como bússola, recordemos Jesus.

O Mestre dos mestres faz o bem, despreocupado de considerações, alivia sem paga, acende a esperança sem que os homens lha peçam e perdoa espontaneamente aos que o injuriam e apedrejam, sem aguardar-lhes retratação.

Veneremos, assim, a regra áurea e estendamos o espírito de amor de que se toca, divina; contudo, estejamos certos de que ela somente valerá para nós se lhe dermos a aplicação necessária.

O texto do ensinamento é vivo e franco:
— “Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o assim também vós a eles.”

Querer o bem é impulso de todos, mas, na prática do estatuto sublime, é forçoso sejamos nós quem se adiante a fazê-lo.

 

Emmanuel/Chico Xavier

Palavras de Vida Eterna – Lição 66

 

 


sábado, 31 de janeiro de 2026

Carnaval e Vigilância Espiritual: Um Convite à Reflexão

O Carnaval, para muitos, é visto como tempo de alegria e descontração coletiva. Entretanto, à luz da Doutrina Espírita, somos convidados a refletir com mais profundidade sobre os efeitos que certos festejos e ambientes podem produzir no campo emocional, mental e espiritual das criaturas. 

Os excessos materiais, tão comuns nesse período, revelam a busca ansiosa por prazer imediato: abuso de álcool, desperdício, sensualidade sem responsabilidade e comportamentos que colocam o corpo em risco. Ensina-nos o Espiritismo que o corpo é instrumento sagrado de aprendizado e serviço, e que todo abuso cobra seu preço, seja em forma de enfermidades, desequilíbrios ou arrependimentos e expiações posteriores. É como se, em meio às luzes do progresso material, a alma humana permanecesse distraída quanto às responsabilidades maiores da vida. 

Emmanuel, na mensagem "Sobre o carnaval" (Livro Cartas do Alto) lembra que nenhum Espírito equilibrado pode fazer apologia da “loucura generalizada” que adormece as consciências nesse período. Lamenta, ainda, que governos e administrações colaborem para intensificar a série de desvios de Espíritos ainda frágeis, fazendo com que corações indecisos e necessitados do amparo moral de Espíritos mais esclarecidos, pela indisciplina sentimental, se liguem às forças das trevas, operando a revivescência de animalidades que somente os longos aprendizados conseguem fazer desaparecer. 

Em contraponto, é consolador saber que muitos escolhem caminhos de recolhimento e luz, participando de retiros espirituais, encontros fraternos e estudos do Evangelho, que também acontecem nesse período em todo o país. Em nossa região, particularmente, temos a COEZMUC – Confraternização Espírita da Zona do Mucuri, que reúne anualmente as famílias espíritas em torno do Evangelho do Cristo, oferecendo uma alternativa de paz, serviço e renovação interior. Este evento é programado com antecedência, sendo necessário inscrever-se dentro do prazo estabelecido para a participação. Este ano o tema é “Mediunidade com Jesus”. 

Alerta-nos Emmanuel que, enquanto houver um mendigo abandonado junto ao fastígio da sociedade, toda superfluidade será apenas um atestado eloquente de sua miséria moral. Que possamos, então, transformar dias de superficialidade em momentos de luz, serviço e fraternidade, reconstruindo valores e consciências para o bem de todas as almas.


Defesa

 

“Quando pois vos conduzirem para vos entregarem, não estejais solícitos de antemão pelo que haveis de dizer, mas, o que vos for confiado naquela hora, isso falai, porque não sois vós os que falais e sim o Espírito Santo.” — Jesus (Marcos, 13:11)

 

Se tens a consciência tranquila no cumprimento do próprio dever, guardas em ti mesmo cidadela* e refúgio.

Não te percas em conflitos inúteis, nem te emaranhes nas explicações infindáveis.

Acusado de mistificador, responde com o devotamento à verdade.

Acusado de malfeitor, responde fazendo o bem.

Por todas as culpas imaginárias em que te cataloguem o nome, oferece por resposta a prestação de serviço.

O fruto revela a árvore.

A obra fala do homem.

Quem te provoca, através do escárnio, mostra-se mal informado ou doente; e quem te fere, através do insulto, traz consigo pensamentos de ódio e destruição.

Não lhes sanarias o mal à força de palavras somente.

Dá-lhes a conhecer a própria rota no trabalho edificante que realizas e a Luz Divina inspirar-te-á o verbo justo, no instante certo.

Meditando sobre a atitude do Cristo, ao deixar justiçar-se, nos tribunais terrenos, ante a sanha dos cruéis detratores que o içaram à cruz, somos induzidos a pensar que o Mestre — centralizado nas construções da Vontade do Pai — teria agido assim por ter mais que fazer que gastar tempo em defesas desnecessárias.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 65

 


Palestras CEJG - Fevereiro/2026