Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações. (Allan Kardec - E.S.E, XVII, 4)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Entrevista: Emerson Oliveira Pedersoli

“A instrução informa, a educação transforma, mas a evangelização forma caráter em nossos filhos”.

   O orador espírita traz-nos importantes esclarecimentos sobre a educação dos filhos, convivência familiar e o papel preponderante da evangelização na formação de um homem de bem.

Emerson Pedersoli (foto), psicólogo e orador espírita, reside na capital mineira, onde atua no Lar Fraternidade Maria de Nazaré, colaborando principalmente na assistência a crianças e adolescentes carentes, com doença motora de origem cerebral, conhecida como paralisia cerebral..
Contribui efetivamente na divulgação da Doutrina Espírita, levando seu conhecimento para todo o Brasil. Casado e pai de três filhas, soma suas experiências de psicólogo à luz do Espiritismo.

Qual a importância da evangelização na educação dos filhos?
Não tem como dispensar a evangelização na educação de nossos filhos. Ela é que vai alicerçar moralmente esta relação. A instrução informa, a educação transforma, mas a evangelização forma caráter em nossos filhos. Falo de evangelização em diversos níveis. Pode ser a evangelização nas diversas religiões, mas se conseguirmos levá-los para a evangelização espírita, lhes ofereceremos uma fé raciocinada. Eles não iriam simplesmente acreditar em Adão e Eva, eles irão entender o que significa Adão e Eva, vão entender o que é o processo evolutivo. Eles não vão acreditar em Deus porque nós falamos que Deus existe, vão acreditar em Deus porque além d’Ele existir, Ele é o criador e que tem um propósito a Sua criação. É a fé raciocinada, esse o diferencial da evangelização espírita. Se nós conseguirmos trazê-los dessa forma o processo fica mais tranquilo.

Como lidar com os filhos que se mostram resistentes à evangelização?
 Quando se trata de crianças resistentes à evangelização, teremos que analisar se os pais são resistentes dentro do movimento espírita. Às vezes os próprios pais não assumem uma postura de fidedignidade dentro deste movimento, não assumem uma tarefa, não têm uma frequência. Se for este o perfil destes pais, não têm como questionar a dúvida dos filhos. Precisamos fazer com que os filhos venham para a evangelização, principalmente quando falamos de criança. Costumo colocar da seguinte forma, com relação à nossa postura: com a criança nós conversamos; se ela não aceitar nós insistimos; se ela ainda resistir nós impomos. Com o jovem nós conversamos, escutamos o que ele tem a dizer, esclarecemos e em algumas situações temos que aguardar. Mas a criança não tem escolha, ela precisa vir. O Raul nos ilustra esta situação dizendo: “Eu estou indo, sua mãe está indo... vamos, levante-se e vamos embora”. A criança ainda não tem discernimento para fazer escolhas neste nível.

Quais os principais desafios da família no terceiro milênio?
 É mais difícil falar agora dos principais, mas no meu modo de ver, o principal é a questão da disciplina, do limite. Quando nós não conseguimos achar o limite na educação, no diálogo, nas relações saudáveis, começamos a gerar problemas, dificultamos as nossas famílias em se solidarizar mais adiante. Sabemos que a família é a célula da sociedade, e se ela torna-se uma célula desequilibrada, consequentemente teremos uma sociedade também desequilibrada, desajustada. Pensemos: como querer um país melhor se não buscamos ser melhores dentro do nosso lar? Costumamos ser perversos, agressivos, usamos palavras de baixo cunho moral, não dialogamos... Não conquistaremos o nosso tão sonhado mundo regenerado, cultivando a doença moral dentro do nosso lar. Este ponto, a disciplina e o limite são a principal questão do nosso tempo hoje. Devemos buscar o limite no falar, no ouvir, no que se deve ou não fazer; devemos nos sentar à mesa e usar também este tempo para dialogar, conversar fraternalmente. Não temos sabido do limite do nosso potencial e não temos sabido como usar este potencial.

A doutrina espírita tem sido uma ferramenta importante no exercício da sua profissão?
[risos] Sou psicólogo e algumas pessoas fazem esta referência da seguinte forma: “Ah, o Emerson, psicólogo espírita? Pensamos que devemos evitar este tipo de referência, pois não saímos a indicar profissionais como médicos, contadores, taxistas e outros mais, por serem adeptos do espiritismo. A doutrina ajuda a mim em todos os aspectos da minha vida, não somente na área da psicologia, com a qual trabalho, e ajuda em qualquer outra profissão. André Luiz tem uma colocação no livro Sol nas Almas que diz o seguinte: ”A doutrina espírita não é uma religião como outra qualquer, é um método de viver”, ou seja, independente das escolhas que fizermos, se tivermos a doutrina espírita como bandeira, elas estarão sempre bem alicerçadas.

Como lidar com os filhos dependentes químicos?
Aí temos duas avaliações a fazer. O Raul Teixeira conversa com o espírito Camilo a esse respeito no livro Desafios da Educação, obra que sempre citamos como referência, e ele propõe a primeira: os pais não beneficiaram estes filhos com os excessos? Muitas vezes eles não acompanham os excessos dos filhos e quando percebem, eles já são usuários, seja de álcool, seja de drogas. Abriram mão do acompanhamento pessoal e terceirizaram esta obrigação de oferecer o afeto. Precisamos ficar atentos com esta terceirização do afeto, costumamos substitui-lo com coisas, presentes, deixamos de dialogar, de ouvir, de abraçar, de ter o contato e a droga ou a bebida vem tomar este espaço mais tarde, tornando-se um mecanismo de fuga. Depois desta autoavaliação como pais, passamos a avaliar o que podemos fazer por eles agora. A droga e a bebida devem ser inaceitáveis dentro do nosso lar. Costumamos dizer assim: a mãe encontra uma porção de droga no guarda-roupa do filho e faz uma pergunta idiota “Meu filho, você está usando droga?” E recebe uma resposta imbecil “- Não mamãe, isto é do meu colega”. Em um caso assim devemos partir para a conclusão de que ele está envolvido com a droga, não precisamos fazer este tipo de pergunta. O tratamento deve ser buscado de todas as formas disponíveis e possíveis para eliminarmos o problema: psicólogos, psiquiatras, medicamentos, controle das companhias, amizades, festas, etc. Mais uma vez repito, não deve ser considerada nenhuma exceção com relação à presença da droga em um lar estável, espiritualizado, com a prática do culto cristão no lar. Este controle deve ser feito até determinada idade, pois se ele insistir com o uso dos entorpecentes após atingir a independência dos pais, passa a responder pelos seus atos e a colher as consequências das suas atitudes.

Qual a leitura que se faz do pegar, do ficar e do rolo para o jovem espírita?
Nós estamos sempre pedindo aos jovens que assumam responsabilidades e eles estão com esta dificuldade porque o meio social onde eles convivem os convida aos excessos. Assim: na mocidade estão aprendendo sobre a disciplina, a responsabilidade, que não deve sair beijando todo mundo, agarrando todo mundo. Mas o colega na rua ou na escola diz: “Que é isso cara, você vai perder esta? Olha lá a menina está te dando bola...”. Pinta sempre a dúvida do que deve seguir naquele momento. Ai entra a questão da importância do autoconhecimento, onde deverá valorizar-se mais do que a opinião dos colegas que ainda não têm o arcabouço de conhecimento que ele já possui. Se valorizarem mais a opinião dos colegas, com este hábito, começam a “perder” sua individualidade, começam a fazer parte da massa que cultiva determinados costumes: vai ouvir a um, a outro e a outros para ser aceito e não excluído do grupo, passando às práticas abusivas nas suas relações inclusive adotando visitas a locais menos dignos para suas aventuras sociais e emocionais. A adoção deste comportamento trará grandes prejuízos para ele, no futuro. O espírito Camilo diz que se começa a atender a estes excessos, a criatura abre fossos de enfermidades profundas na alma que só serão identificadas com o passar dos anos. Então o jovem espírita deve aprender e adotar o respeito a si próprio e ao próximo, conforme o conhecimento superior da moral que já tenha adquirido, podendo assim mostrar este padrão de comportamento para seus colegas nos seus grupos sociais. O conhecimento da moral evangélica é primordial para a melhoria em todos os aspectos das relações humanas.

Qual orientação deve ser dada aos casais que costumam frequentar motéis sob o pretexto de sair da rotina com vistas a “temperar” suas relações íntimas?

Trazendo as informações colocadas pela espiritualidade, lembrando aqui mais uma vez da obra Desafios da Educação, o Camilo responde através da psicografia do Raul Teixeira na questão de número 38, onde foi formulada esta mesma pergunta, que o ambiente psíquico criado no motel é extremamente perturbador, que naquele local não existe a proteção que se consegue dentro do lar. Não adianta pensar que por ser espiritualizado o casal, que por serem trabalhadores na casa espírita estejam imunizados para frequentarem os motéis. Neste caso está sendo feita uma escolha de se exporem às perturbações. Devem-se criar alternativas sadias para condimentar a relação. Quando se busca os excessos no motel, este “a mais” que se sente naquele ambiente, é que a relação já está doente e desgastada. Antes que isto aconteça é que devem ser cultivados outros incrementos como o diálogo (primordial), o lazer a dois, uma viagem a dois, buscando manter uma desejada estabilidade. Certa feita estava participando de um grupo onde me perguntaram: “E se nós fizermos preces, um culto no quarto do motel, não haverá esta proteção?” Respondi que provavelmente os espíritos adoecidos que ali estiverem poderão até esperar o culto terminar, mas depois será a mesma prática a que estão acostumados e necessitados, a vampirização das energias geradas em descontrole durante as práticas que se seguirão entre os envolvidos encarnados. Portanto, ali se tornou o ambiente deles e quando decidimos frequentá-lo é conosco e eles. Os benfeitores não usarão de constrangimento da liberdade dos mesmos por lá. Como exemplo, podemos citar a realização de uma reunião de estudos ou ordinária do nosso grupo espírita na casa espírita. Gozaremos da proteção da espiritualidade superior no nosso ambiente quando se trata de reuniões sérias, o que provavelmente não ocorrerá se decidirmos fazer esta reunião no boteco da esquina, sem nenhuma razão pertinente. Ali encontraremos aqueles que gostam da ingestão dos alcoólicos e estaremos sujeitos às interferências comuns quando estamos no meio dos alcoólatras. Questão de afinidade: “Cada qual com seu igual”. Um detalhe colocado por Camilo, que é comum os casais questionarem a respeito do envolvimento do parceiro, que demonstra muitas vezes insatisfação após a relação, devendo-se isto à citada vampirização que sofreram, sem o saberem, que mesmo alcançando o prazer no orgasmo sexual, físico, não se satisfazem emocionalmente porque houve um déficit das energias no campo psíquico.

Entrevista concedida ao Departamento de Comunicação Social Espírita do Centro Espírita Joseph Gleber/Teófilo Otoni-MG

2 comentários:

  1. Respostas instrutivas do nosso querido Emerson.

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  2. Infelizmente hoje tive o desprazer de estar presente em uma palestra na casa espírita onde o Sr. Emrson Perdesoli estava palestra do e o mesmo interrompeu a palestra alegando que minha filha de apenas 1 ano e seis meses estava incomodando pedindo para meu esposo dar uma volta para ela não lhe roubar a cena. No final ao tentar conversar com referido senhor o mesmo me disse que tem esse comportamento em todas as casas que ele vai e pior que vai continuar fazendo. Agora me vem a pergunta será este o ensinamento da doutrina que este senhor diz levar para as pessoas? Marina Couto mãe da criança

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