domingo, 28 de dezembro de 2025

Terra, bênção divina

 

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” — Jesus (João, 3:16)

 

Não amaldiçoes o mundo que te acolhe.

Nele encontras a Bênção Divina, envolvente e incessante, nas bênçãos que te rodeiam.

O regaço materno…

O refúgio do corpo…

O calor do berço…

O conforto do lar…

O privilégio da oração…

O apoio do alfabeto…

A luz do conhecimento…

A alegria do trabalho…

A riqueza da experiência…

O amparo das afeições…

Do mundo recebes o pão que te alimenta e o fio que te veste.

No mundo respiraram os heróis de teu ideal, os santos de tua fé, os apóstolos de tua inspiração e as inteligências que te traçaram roteiro.

O Criador não no-lo ofertou por exílio ou prisão, mas por escola regenerativa e abrigo santo, qual divino jardim a pleno céu, esmaltado de sol, durante o dia, e envolvido de estrelas, durante a noite.

Se algo nele existe que o tisna de lágrimas e empesta de inquietação, é a dor de nossos erros…

Não te faças, assim, causa do mal no mundo, que, em todas as expressões essenciais, consubstancia o Bem Maior em si mesmo.

Lembra-te de que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 60


sábado, 20 de dezembro de 2025

Em louvor do equilíbrio

 

“Toda a amargura, cólera, ira, gritaria e blasfêmia sejam retiradas dentre vós, bem como toda a malícia.” — Paulo (Efésios, 4:31)

 

Na própria senda comum, surpreendemos a lição do equilíbrio que exclui todo assalto da violência e qualquer devoção à imundície.

Nas cidades litorâneas, diques reprimem o mar furioso prevenindo calamidades e arrasamentos.

Nos grandes edifícios modernos, para-raios seguros coíbem o impacto fulminatório das faíscas elétricas.

Desde tempos longevos, esgotos sólidos extraem detritos do pouso humano.

Cada templo doméstico possui sistemas habituais de limpeza.

Entretanto, no campo do espírito, o homem desavisado acalenta nas fibras do próprio ser o lodo da maledicência e o lixo da mágoa, libertando os raios da blasfêmia e a onda letal da ira, ferindo os outros e atormentando a si mesmo…

Quantas enfermidades nascem dos pântanos da amargura e quantos crimes se configuram no extravasamento da cólera! Impossível enumerá-los…

Se a mensagem do Evangelho te anuncia as Boas Novas da Redenção, foge, assim, ao domínio da viciação e da crueldade.

À frente da irritação e do desalento, da agressividade e da injúria, oferece o dom inefável de tua paz, falando para o bem ou silenciando na grande compreensão, porque em ti, que guardas o nome do Cristo empenhado na própria vida, o Reino do Amor deve começar.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 59

 


domingo, 14 de dezembro de 2025

Em honra da liberdade

 

“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo, e não segundo o Cristo.” — Paulo (Colossenses, 2:8)

 

Se alcançaste um raio de luz do Evangelho, avança na direção do Cristo, o Divino Libertador.

Não julgues seja fácil semelhante viagem do espírito.

Encontrarás, em caminho, variados apelos à indisciplina e à estagnação.

Serás surpreendido a cada passo pelos sofistas* da Religião, pelos falsários da Filosofia, pelos paranoicos da Ciência e pelos dilapidadores da História, empavesados* nas engenhosas criações mentais em que encarceram a própria vida, buscando atrelar-te o pensamento ao carro da argumentação filauciosa* a que se acolchetam, famintos de louvor e de vassalagem.

Mutilando a revelação divina, desfigurando preceitos da verdade, abusando da inteligência ou fantasiando episódios furtados ao registro fiel do tempo, armam ciladas ou levantam castelos teóricos, em que a sugestão menos digna te inclina a existência à rebelião e ao pessimismo, à viciação e à inutilidade.

Atendendo, quase sempre, a interesses escusos, lisonjeiam-te a insipiência, incensando-te o nome, quando não se desmandam na vaidade, aliciando-te a decisão para que lhes engrosses o séquito de loucura.

Acompanhando-os, porém, não te farás senão presa deles, fâmulo* desditoso das ideias desequilibradas que emitem, no temerário propósito de se anteporem ao próprio Deus.

Querem escravos para os sistemas falaciosos que mentalizam, quando Jesus deseja te faças livre para a conquista da própria felicidade.

Acautela-te no trato com todos os que tudo te pedem, no campo da independência espiritual, limitando-te a capacidade de sentir e pensar, empreender e construir, porquanto, em nos fazendo tributários da falsa glória em que se encasulam, relegam-nos a existência a planos de subnível, quando o Cristo de Deus, tudo nos dando em amor e sabedoria, nos ampliou a emoção e o conhecimento, a iniciativa e o trabalho, convertendo-nos em filhos emancipados da Criação, para que tenhamos não apenas a vida, mas Vida Santificada e Abundante.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 58

 

*sofistas: Pessoa que raciocina focando em persuadir e vencer debates políticos e sociais, não necessariamente na verdade absoluta.

* empavesados: cheio de vaidade; orgulhoso, soberbo (figurado).

* filauciosa: que demonstra amor desmedido de si próprio.

*fâmulo: pessoa que presta serviços domésticos; criado, empregado.

 (Definições de Oxford Languages - Google)



sábado, 6 de dezembro de 2025

Jesus e paz

 

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá…” — Jesus (João, 14:27)

 

A paz do mundo costuma ser preguiça rançosa.

A paz do espírito é serviço renovador.

A primeira é inutilidade.

A segunda é proveito constante.

Vejamos o exemplo disso em nosso Divino Mestre.

Lares humanos negaram-lhe o berço.

Mas o Senhor revelou-se em paz na estrebaria.

Herodes perseguiu-lhe, desapiedado, a infância tenra.

Jesus, porém, transferindo-se de residência, em favor do apostolado que trazia, sofreu, tranquilo, a imposição das circunstâncias.

Negado pela fortuna de Jerusalém, refugiou-se, feliz, em barcas pobres da Galileia.

Amando e servindo os necessitados e doentes recebia, a cada passo, os golpes da astúcia de letrados e casuístas de seu tempo; contudo, jamais deixou, por isso, de exercer, imperturbável, o ministério do amor.

Abandonado pelos próprios amigos, entregou-se serenamente à prisão injusta.

Sob o cuspo injurioso da multidão foi açoitado em praça pública e conduzido à crucificação, mas voltou da morte, aureolado de paz sublime, para fortalecer os companheiros acovardados e ajudar os próprios verdugos.

Recorda, assim, o exemplo do Benfeitor Excelso e não procures segurança íntima fora do dever corretamente cumprido, ainda mesmo que isso te custe o sacrifício supremo.

A paz do mundo, quase sempre, é aquela que culmina com o descanso dos cadáveres a se dissociarem na inércia, mas a paz do Cristo é o serviço do bem eterno, em permanente ascensão.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 57

 


Você conhece a história de José Herculano Pires?

 

José Herculano Pires nasceu em Avaré, São Paulo, em 1914, e desde cedo revelou forte vocação literária. Ainda criança, escreveu seu primeiro soneto e, na adolescência, publicou seus primeiros livros, colaborando ativamente em jornais e revistas. Participou de movimentos culturais do interior paulista, ajudou a fundar a União Artística do Interior e transformou o jornal de seu pai em um semanário literário. Em 1938, casou-se com Maria Virgínia, evangelizadora infantil do centro onde ele realizou sua primeira conferência espírita, e após mudanças entre cidades do interior, adquiriu e dirigiu o Diário Paulista em Marília, onde fomentou um expressivo movimento literário.

Mudou-se para a capital paulista em 1946 e lançou seu primeiro romance, recebendo críticas elogiosas. Ao longo de sua carreira profissional, atuou como repórter, redator, cronista parlamentar e crítico literário nos Diários Associados. Autor prolífico, escreveu 81 obras abordando Filosofia, Psicologia, Parapsicologia, Ficção Científica e Espiritismo, alegando sofrer de “grafomania”. Graduou-se em Filosofia pela USP, lecionou em diversas instituições e participou ativamente de entidades culturais e acadêmicas, além de atuar no Sindicato dos Jornalistas.

Herculano Pires também se destacou na área da Parapsicologia, presidindo o Instituto Paulista de Parapsicologia, ministrando cursos em universidades e instituições médicas, e fundando o Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo. Esteve envolvido em variados movimentos culturais, literários e jornalísticos, ocupando cargos relevantes, como no governo Jânio Quadros e na União Brasileira de Escritores.

Espírita desde os 22 anos, dedicou grande parte de sua vida à divulgação da Doutrina Espírita. Manteve por 20 anos uma coluna diária sob o pseudônimo “Irmão Saulo” e, durante quatro anos, outra em parceria com Chico Xavier, sob o título “Chico Xavier pede Licença”. Juntos, publicaram livros e promoveram intenso trabalho doutrinário. Herculano também escreveu importantes obras espíritas, e fundou a Revista Educação Espírita. Além disso, apresentou e comandou o programa semanal de rádio “No Limiar do Amanhã”, cuja proposta era tratar do Espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta dos ouvintes, sempre defendendo uma pedagogia fundamentada nos princípios cristãos e espíritas.

Traduziu cuidadosamente as obras da Codificação Kardequiana, enriquecendo-as com notas explicativas nos rodapés e distribuindo-as a diversas editoras espíritas no Brasil e no exterior.

Faleceu em 9 de março de 1979, em São Paulo, deixando vasto legado intelectual e doutrinário, incluindo traduções inéditas da Revista Espírita que continuam a ser publicadas.

 

Resumo da biografia encontrada no sítio da UEM.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Buscando Jesus

 


José Grosso

Psicografia: Déa Gazzinelli - 1975

 

Busquei-te Senhor, no mundo, nos caminhos da ilusão,

Nas lutas e desventuras, buscava o seu coração!

Na taça triste vazia, pensava te encontrar...

Surgindo no dia a dia, desilusão e penar!

 

É que Senhor, não sabia aonde te encontrar...

Nas ilusões me perdia, sem conseguir despertar!

Porém na vida vazia, pude o tédio conquistar,

Em rude caminho agreste, meu viver era um pesar!

 

Hoje, Senhor, que alegria!

Já sei a arte de orar.

Encontrei-te com harmonia,

Na luz de um doce olhar!

 

Aprendi que a caridade,

Nos ensina o verbo amar.

Percorri longos caminhos,

Procurando trabalhar...

 

Em um sorriso de alegria,

Em doce frase de amor,

Ajudei meu irmãozinho,

Também a te encontrar!

 

Ofertei luz e carinho...

Egoísmo, esqueci...

O teu amor é carinho

Que transforma corações!

 

Como é bom, Jesus amado,

Sentir-te em meu coração!

A vida é felicidade,

Na luz de uma oração!

 


sábado, 29 de novembro de 2025

Jesus e dificuldade

 

“… Não se vos turbe o coração…” — Jesus (João, 14:27)

 

Jesus nunca prometeu aos discípulos qualquer isenção de dificuldades, mas com frequência reclamava-lhes o coração para a confiança.

No cenáculo, descerrando, afetuoso, o coração para os aprendizes, dentre muitas palavras de esperança e de amor, asseverou com firmeza: — “Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” — Pacificava o ânimo dos companheiros timoratos, entre quatro paredes, sabendo que, em derredor, se agigantava a trama das sombras.

Lá fora, Judas era atraído aos conchavos da deserção; sacerdotes confabulavam com escribas e fariseus sobre o melhor processo de enganarem o povo, para que o povo pedisse a morte d’Ele; agentes do Sinédrio penetravam pequenos agrupamentos de rua açulando contra Ele as forças da opinião; perseguidores desencarnados excitavam o cérebro dos guardas que o deteriam no cárcere, e, quantos Lhe seguiam a atividade, regurgitando ódio gratuito, prelibavam-Lhe o suplício…

Jesus, percuciente, não desconhecia a conspiração das trevas…

Entretanto, lúcido e calmo, findo o entendimento com os irmãos de apostolado, dirige-se à oração no jardim, para, além da oração, confiar-se aos testemunhos supremos…

Não procures, assim fugir à luta que te afere o valor.

Aceita os desafios da senda, como quem se reconhece chamado a batalhar pela vitória do bem, com a obrigação permanente de extinguir o mal em nós mesmos.

E não apeles para o Senhor como advogado da fuga calculada ao dever.

Lembra-te de que o Mestre a ninguém prometeu avenidas de sonho e horizontes azuis na Terra, mas, sim, convicto de que a tempestade das contradições humanas não pouparia a Ele próprio, advertiu-nos, sensatamente:

— “Não se vos turbe o coração.”

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 56

 


sábado, 22 de novembro de 2025

Suportemos

 

“Tenha a paciência a sua obra perfeita.” — (Tiago, 1:4)

 

Detém-te um minuto no torvelinho das preocupações costumeiras e repara que deves o próprio equilíbrio à Paciência Divina, a sustentar-nos em cada instante da vida, através de mil modos.

Muita gente, talvez, em te fitando na ternura do recém-nato, duvidasse da tua capacidade de sobreviver para a existência terrestre, mas Deus teve paciência contigo e conferiu-te o devotamento materno que te ajudou a ativar as energias do próprio corpo.

Entendidos de psicologia, em te anotando a intempestividade infantil, provavelmente desconfiaram da tua possibilidade de alfabetização, mas Deus teve paciência contigo e concedeu-te a heroica ternura de professores abnegados que te abriram novos horizontes no campo da educação.

E a paciência do Senhor, cada dia, permite, generosa, que tales* plantas inermes, que te assenhoreis do suor e do sangue dos animais, que te apropries das forças da Natureza e que te valhas, indiscriminadamente, do concurso dos semelhantes para que te alimentes e mediques, restaures e instruas.

Lembra-te dessa Paciência Perfeita que te beneficia, e cultiva paciência para com os outros.

O companheiro cuja aspereza te ofende e o aprendiz cuja insipiência* te irrita, são irmãos que te rogam cooperação e entendimento, e quantos te caluniem ou apedrejem são doentes que te pedem simpatia e consolo…

Mas para que colabores e compreendas, harmonizes e reconfortes é necessário que a tolerância construtiva te alente os passos.

À frente dos óbices de todo gênero, guarda a paciência que ajuda, e, diante dos ataques de toda ordem, cultiva a paciência que esquece.

Escuda-te, pois, na paciência para com todos, sem jamais te esqueceres de que a alegria dos homens é a Paciência de Deus.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 55

 

*Tales: Forma do verbo “talar” que significa causar grave estrago em (algo); devastar, arrasar.

*Insipiência: Falta de ciência ou de sabedoria; ignorância. Não se confunde com incipiência, que é a qualidade ou estado do que está no início.

 


sábado, 15 de novembro de 2025

Aprimoremos

 

“Não extingais o espírito.” — Paulo (1 Tessalonicenses, 5:19)

 

Saibamos estender os valores do espírito.

Observa a estrada nobre que te oferece passagem com segurança e lembra-te de que ainda ontem era trato de terra inculta.

Serpentes insidiosas aí acalentavam a peçonha que se lhes acumulava no seio, enquanto vermes famintos se amontoavam no mato agreste.

Mas chegaram braços amigos e abnegados, atentos à disciplina…

Maquinaria enorme trabalhou a cabeleira verde da gleba, harmonizando-lhe as linhas; picaretas extraíram-lhe os pedrouços semelhantes a flegmões* cristalizados; o cimento pavimentou a trilha aberta, e a organização lhe imprimiu determinada ordem aos movimentos.

Quantos semblantes suarentos para que a obra surgisse, quantos dedos quebrados, quantos lidadores rendidos aos acidentes inevitáveis e quantas inquietações por eles vencidas, não podes realmente saber, mas podes reconhecer que foi o trabalho inteligente — luz divina do espírito humano — a força, que te facultou a vitória sobre a distância.

Cada vez que a viagem te suprime ansiedades e poupa aflições, ainda mesmo que, por agora, não saibas agradecer, a estrada te partilha a tranquilidade e o contentamento, envolvendo os operários anônimos que a construíram em sublime coro de bênção.

Analisa semelhante lição, encontradiça* em cada canto de rua, e não olvides que a ignorância é também aflitiva selva no mundo. Abracemos o serviço da educação e da bondade, com alicerces na disciplina do Cristo, que é para nós outros, o Engenheiro Celeste, e tracemos novos caminhos de evolução e de entendimento, em que as almas se aproximem na exaltação da alegria e na ascensão do progresso.

Não importa sejamos hoje artífices sem nome. Vale o serviço feito.

Humilde réstia* de luz que acendermos envolver-nos-á em seu clarão e a pequenina semente de fraternidade que venhamos a lançar no solo da vida abençoar-nos-á com os seus frutos.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 54

 

*Flegmão: Inflamação dos tecidos que pode acarretar a formação de abscesso ou ulceração (do grego e do latim: tumor inflamado).

*Encontradiça: facilmente encontrada.

*Réstia: Feixe de luz que passa através de um orifício ou abertura estreita.