sábado, 31 de janeiro de 2026

Carnaval e Vigilância Espiritual: Um Convite à Reflexão

O Carnaval, para muitos, é visto como tempo de alegria e descontração coletiva. Entretanto, à luz da Doutrina Espírita, somos convidados a refletir com mais profundidade sobre os efeitos que certos festejos e ambientes podem produzir no campo emocional, mental e espiritual das criaturas. 

Os excessos materiais, tão comuns nesse período, revelam a busca ansiosa por prazer imediato: abuso de álcool, desperdício, sensualidade sem responsabilidade e comportamentos que colocam o corpo em risco. Ensina-nos o Espiritismo que o corpo é instrumento sagrado de aprendizado e serviço, e que todo abuso cobra seu preço, seja em forma de enfermidades, desequilíbrios ou arrependimentos e expiações posteriores. É como se, em meio às luzes do progresso material, a alma humana permanecesse distraída quanto às responsabilidades maiores da vida. 

Emmanuel, na mensagem "Sobre o carnaval" (Livro Cartas do Alto) lembra que nenhum Espírito equilibrado pode fazer apologia da “loucura generalizada” que adormece as consciências nesse período. Lamenta, ainda, que governos e administrações colaborem para intensificar a série de desvios de Espíritos ainda frágeis, fazendo com que corações indecisos e necessitados do amparo moral de Espíritos mais esclarecidos, pela indisciplina sentimental, se liguem às forças das trevas, operando a revivescência de animalidades que somente os longos aprendizados conseguem fazer desaparecer. 

Em contraponto, é consolador saber que muitos escolhem caminhos de recolhimento e luz, participando de retiros espirituais, encontros fraternos e estudos do Evangelho, que também acontecem nesse período em todo o país. Em nossa região, particularmente, temos a COEZMUC – Confraternização Espírita da Zona do Mucuri, que reúne anualmente as famílias espíritas em torno do Evangelho do Cristo, oferecendo uma alternativa de paz, serviço e renovação interior. Este evento é programado com antecedência, sendo necessário inscrever-se dentro do prazo estabelecido para a participação. Este ano o tema é “Mediunidade com Jesus”. 

Alerta-nos Emmanuel que, enquanto houver um mendigo abandonado junto ao fastígio da sociedade, toda superfluidade será apenas um atestado eloquente de sua miséria moral. Que possamos, então, transformar dias de superficialidade em momentos de luz, serviço e fraternidade, reconstruindo valores e consciências para o bem de todas as almas.


Defesa

 

“Quando pois vos conduzirem para vos entregarem, não estejais solícitos de antemão pelo que haveis de dizer, mas, o que vos for confiado naquela hora, isso falai, porque não sois vós os que falais e sim o Espírito Santo.” — Jesus (Marcos, 13:11)

 

Se tens a consciência tranquila no cumprimento do próprio dever, guardas em ti mesmo cidadela* e refúgio.

Não te percas em conflitos inúteis, nem te emaranhes nas explicações infindáveis.

Acusado de mistificador, responde com o devotamento à verdade.

Acusado de malfeitor, responde fazendo o bem.

Por todas as culpas imaginárias em que te cataloguem o nome, oferece por resposta a prestação de serviço.

O fruto revela a árvore.

A obra fala do homem.

Quem te provoca, através do escárnio, mostra-se mal informado ou doente; e quem te fere, através do insulto, traz consigo pensamentos de ódio e destruição.

Não lhes sanarias o mal à força de palavras somente.

Dá-lhes a conhecer a própria rota no trabalho edificante que realizas e a Luz Divina inspirar-te-á o verbo justo, no instante certo.

Meditando sobre a atitude do Cristo, ao deixar justiçar-se, nos tribunais terrenos, ante a sanha dos cruéis detratores que o içaram à cruz, somos induzidos a pensar que o Mestre — centralizado nas construções da Vontade do Pai — teria agido assim por ter mais que fazer que gastar tempo em defesas desnecessárias.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 65

 


Palestras CEJG - Fevereiro/2026

 


Você conhece a história de Vianna de Carvalho?

 

Manoel Vianna de Carvalho nasceu em Icó, Ceará, em 10 de dezembro de 1874, destacando-se desde cedo por sua inteligência e sensibilidade artística. Estudou no Liceu do Ceará e ingressou na Escola Militar, onde, aos 17 anos, conheceu o Espiritismo e organizou um grupo de estudos doutrinários entre os cadetes.

Além da carreira militar, revelou-se poeta e exímio violinista. Transferido para o Rio de Janeiro e depois para Porto Alegre, tornou-se ativo divulgador espírita, fundando núcleos de estudo e conquistando admiradores por sua eloquência. Ainda jovem, ocupava tribunas com frequência, atraindo grande público interessado em suas conferências.

 Vianna de Carvalho publicou obras literárias como Facetas e Coloridos e Modulações, mas foi principalmente no movimento espírita que deixou marcas profundas. Em Cuiabá, fundou o Centro Espírita Cuiabano, e, como orador oficial da Federação Espírita Brasileira, percorreu diversos estados do país realizando conferências e fortalecendo a divulgação doutrinária.

 Em Fortaleza, fundou em 1910 o Centro Espírita Cearense, promovendo o estudo sistemático de O Livro dos Espíritos. Apesar de perseguições religiosas que motivaram sua transferência, continuou sua intensa peregrinação espírita pelo Brasil, criando instituições, incentivando a evangelização infantil e propondo as Aulas de Moral Cristã.

 Considerado por muitos como o maior orador espírita do Brasil, era admirado por sua cultura ampla, memória extraordinária e capacidade de emocionar e esclarecer públicos diversos. Em 1926, adoecido gravemente por beribéri, desencarnou aos 51 anos, a bordo de um navio próximo a Salvador, deixando um legado inesquecível de dedicação à causa espírita e ao Evangelho de Jesus.  Resumo da biografia encontrada no site da Federação Espírita do Paraná. 


Resumo da biografia encontrada no site da Federação Espírita do Paraná. 



No Santuário da Paz

 


Palminha

Psicografia: Déa Gazzinelli

 

Se guardas um reto pensamento e uma justa ação, guarda contigo a paz. Se procuras na solução de teus próprios problemas entender os alheios com igual carinho, abriga no ninho a alma a alegria da fé.

 Se sabes ouvir o próximo com paciência e amor, sem fazeres julgamentos precipitados, estás a caminho da grande conquista do ser na Terra.

A paz íntima!

Se procuras amar infinitamente, compreender e servir na causa do Mestre, sem atirar farpas e espinhos sobre os que laboram a teu lado, já consegues a verdadeira superioridade espiritual que sabe perdoar e amar levando a afeição em torno de si e do seu próximo.

Estende teu esforço de serviço e entendimento mais além do teu núcleo de trabalho e espalhe luz a outros campos de amor, para que se unam as forças excelsas do bem em potente e caudaloso rio de fraternidade capaz de deixar à margem os escolhos e prosseguir conduzindo a água pura e cristalina por todos os rincões da Terra, fertilizando os solos áridos para o plantio divino das sementes do amor Crístico.

Se conduzes a oportunidade abençoada de servir nos campos excelsos da seara do Mestre Jesus, procure ardentemente cultivar a serenidade intima consultando sua consciência dia a dia e fazendo justiça a si mesmo. Só no burilamento íntimo conquistaremos a alegria de servir e a sublimidade de sentir a paz em nosso coração.



sábado, 24 de janeiro de 2026

Êxito

 

“Se vós estiverdes em mim e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.” — Jesus (João, 15:7)

 

Muitos companheiros perdem recurso, oportunidade, tempo e força na preocupação desmedida em torno do êxito.

Sonhando realizações mirabolantes, acabam frustrados na mania de grandeza.

Dizem-se interessados na lavoura do bem, mas, para cultivá-la, esperam a execução de negócios imaginários, a aquisição de poder, a posse de ouro fácil ou a chegada de prêmios fortuitos… E, complicando a própria estrada, observam-se, de chofre, em presença da morte, quando menos contavam com semelhante visita.

Entretanto, o conquistador do maior êxito de todos os tempos não se ausentou do mundo como quem triunfara…

Não recebeu heranças amoedadas, não governou princípios políticos, não escreveu livros, não se enfileirou entre os maiorais de sua época…

Aprisionado como vulgar malfeitor, foi sentenciado à morte e passou como sendo vítima de pavoroso fracasso.

Contudo, as sementes de amor puro que colocou na alma do povo transformaram o mundo.

Repara Jesus e perceberás que o nosso problema não é de ganhar para fazer, mas de fazer para ganhar.

A colheita não precede a sementeira, tanto quanto o teto não se antepõe à base.

Sirvamos ao bem, simplificando o caminho de vez que a vitória real é a vitória de todos, convictos de que não precisamos gastar as possibilidades da existência em expectativa e tensão, porquanto, se estivermos em Cristo, tudo quanto de que necessitamos será feito em nosso favor, no momento oportuno.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 64


sábado, 17 de janeiro de 2026

No campo da vida

 

“Entesourando para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a verdadeira vida.” — Paulo (I Timóteo, 6:19)

 

Se te encontras interessado no próprio aperfeiçoamento, aproveitar é a palavra de ordem.

Repara o exemplo da Natureza.

O pão que te serve é a essência de muitos envoltórios que tornaram para o quimismo da gleba.

O clima reconfortante do lar é produto da limpeza constante.

Se pretendes avançar ao encontro do melhor, despoja-te do inútil.

Muitos aspiram à tranquilidade apegando-se à inquietação, enquanto outros muitos pretendem a primazia da fé, rendendo preito à negação de si próprios.

Querem a paz, guardando-se irritadiços, e anseiam pela segurança do bem, afirmando-se, eles mesmos, tão endividados com o mal que não lhes sobra leve possibilidade de consagração à virtude.

É natural estejamos nós sob a carga de avelhantados problemas. Herdeiros de passado culposo, é preciso revisar as próprias tendências e ajuizar quanto às nossas necessidades para que não estejamos tateando na sombra. Contudo, se aspiramos a melhorar amanhã, é forçoso sermos melhores ainda hoje.

Para isso não vale simplesmente partilhar o trabalho geral, mas selecionar a experiência comum, assimilando-lhe o ensinamento.

Não sintonizarás a antena do coração com as mensagens de toda a parte.

Recolherás aquelas que te enobreçam.

Não comprarás aflições.

Preocupar-te-ás com o que for justo.

Não te esqueças, pois, de que viver é atributo de todos, mas viver bem é o caminho de quantos se dirigem, leais ao Bem, para a divina luz da Vida Real.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 63

 


sábado, 10 de janeiro de 2026

No campo do verbo

 

“Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina.” — Paulo (Tito, 2:1)

 

Na atividade verbalista, emprega o homem grande parte da vida. E, com a palavra, habitualmente se articulam os bens e os males que lhe marcam a rota.

É de se lamentar, entretanto, o desperdício de força nesse sentido.

Quase sempre, computada a conversação de toda uma existência, o balanço acusa diminuta parcela de proveito, com largo coeficiente de prejuízo e inutilidade.

Muitas vezes, ninguém denota agradecimento pela riqueza de um dia claro; todavia basta a passagem de uma nuvem com leve garoa a cair, para que muita gente destile exclamações vinagrosas, em longas tiradas inconsequentes. De maneira geral, não existem olhos para a contemplação de grandes serviços públicos; no entanto, vaga incerteza do trabalho administrativo gera longos debates da opinião.

Há criaturas que guardam barômetros em casa para criticarem o tempo, tanto quanto há pessoas que adquirem pontualmente o jornal para a censura ao governo.

Muitos dormem tranquilos quando se trate de ouvir ensinamentos edificantes, declarando-se enfermos da memória, mas revelam admirável controle de si mesmos, quando o rádio anuncia calamidades, gastando vastas horas de comentário eloquente.

Esmaece a atenção quando é preciso aprender o bem, contudo, o olhar flameja interesse quando o mal surge à vista.

O mundo em si é sempre um parlatório de proporções gigantescas onde as almas se encontram para falar combinando fazer…

Raras, no entanto, conversam para ajudar…

Desborda-se a maioria no espinheiral da reprovação, no tormento da inveja, na fogueira da crítica ou no labirinto da queixa.

Para nós outros, no entanto, o Evangelho é seguro na advertência.

“Tu, porém, — diz-nos o apóstolo, — fala o que convém à sã doutrina.”

Não olvides, assim, que de sentimento a sentimento chegamos à ideia. De ideia em ideia, alcançamos a palavra. De frase a frase, atingimos a ação. E de ato em ato, acendemos a luz ou estendemos a treva dentro de nós.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 62

 


sábado, 3 de janeiro de 2026

Perdão, remédio santo

 

“Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem…” — Jesus (Lucas, 23:34)

 

Toda vez que a moléstia te ameaça, recorres necessariamente aos remédios que te liberem da apreensão.

Agentes calmantes para a dor…

Sedativos para a ansiedade…

Em suma, à face de qualquer embaraço físico, procuras reabilitar as funções do órgão lesado.

Lembra-te de semelhante impositivo e recorda que há pensamentos enfermiços de queixa e mágoa, de prevenção e antipatia, a te solicitarem adequada medicação para que se te restaure o equilíbrio.

E se nas doenças vulgares reclamas despreocupação, em favor da cura, é natural que nos achaques do espírito necessites de esquecimento para que se te refaçam as forças.

O perdão é, pois, remédio santo para a euforia da mente na luta cotidiana.

Tanto quanto não deves conservar detritos e infecções no vaso orgânico, não mantenhas aversão e rancor na própria alma.

Perdoa a quantos te aborreçam, perdoa a quantos te firam.

Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente.

Recorda que todas as criaturas trazem consigo as imperfeições e fraquezas que lhes são peculiares, tanto quanto, ainda desajustados, trazemos também as nossas.

É por isso que Jesus; o Emissário Divino, crucificado pela perseguição gratuita, rogou a Deus, ante os próprios algozes:

— “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem…”

E, deixando os ofensores nas inibições próprias a cada um, sustentou em si a luz do amor que dissolve toda sombra, induzindo-nos à conquista da luz eterna.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 61


Você conhece a história de Gabriel Delanne?

 

Gabriel Delanne nasceu em Paris, em 23 de março de 1857, no mesmo ano da publicação de O Livro dos Espíritos, em um lar profundamente ligado ao Espiritismo. Filho de Alexandre Delanne, colaborador direto de Allan Kardec, e de Marie-Alexandrine Didelot, médium psicógrafa, cresceu em ambiente de estudos e sessões espíritas familiares, tendo inclusive conhecido Kardec ainda criança. Desde cedo, assimilou naturalmente os princípios da Doutrina Espírita, que se tornariam o eixo central de sua vida.

De origem modesta, Delanne enfrentou dificuldades financeiras e problemas de saúde desde a infância, o que marcou sua trajetória pessoal. Apesar de estudos científicos brilhantes e da admissão na Escola Central das Artes e Manufaturas, não pôde concluir a formação por limitações econômicas, trabalhando como engenheiro enquanto se dedicava paralelamente ao Espiritismo. Sua saúde frágil, que comprometeu progressivamente sua visão e mobilidade, nunca o afastou do ideal espírita.

Mesmo sem constituir família própria, Delanne adotou uma criança em 1905, a quem dedicou imenso amor e lhe fez muito bem. As limitações físicas se agravaram ao longo dos anos, culminando em cegueira e paralisia parcial, especialmente durante e após a Primeira Guerra Mundial. Ainda assim, perseverou na produção literária, nas pesquisas e nas conferências, demonstrando notável força moral e dedicação à causa espírita.

Sua contribuição ao Espiritismo foi decisiva para a consolidação da Doutrina sob bases científicas, em rigorosa fidelidade a Allan Kardec. Fundou, em 1883, a revista O Espiritismo, participou de importantes congressos internacionais e publicou obras fundamentais como O Espiritismo perante a Ciência, O Fenômeno Espírita, A Evolução Anímica e A Alma é Imortal. Atuou em experiências relevantes, inclusive fenômenos de materialização, e ocupou cargos de destaque em instituições espíritas francesas e internacionais.

Nos últimos anos, mesmo profundamente debilitado, Delanne manteve intensa produção intelectual, culminando na publicação de A Reencarnação, em 1924. Desencarnou em 15 de fevereiro de 1926, em Paris, deixando um legado sólido como pesquisador incansável que buscou unir ciência e espiritualidade. Sua obra marcou a continuidade do pensamento kardequiano e reafirmou a proposta de conciliação entre razão, fé e compreensão lógica do universo e dos seus habitantes: os espíritos.

 

Resumo da biografia encontrada no site da União Espírita Mineira.