Gabriel Delanne nasceu em Paris, em 23 de março de
1857, no mesmo ano da publicação de O Livro dos Espíritos, em um lar
profundamente ligado ao Espiritismo. Filho de Alexandre Delanne, colaborador
direto de Allan Kardec, e de Marie-Alexandrine Didelot, médium psicógrafa,
cresceu em ambiente de estudos e sessões espíritas familiares, tendo inclusive
conhecido Kardec ainda criança. Desde cedo, assimilou naturalmente os
princípios da Doutrina Espírita, que se tornariam o eixo central de sua vida.
De origem modesta, Delanne enfrentou dificuldades
financeiras e problemas de saúde desde a infância, o que marcou sua trajetória
pessoal. Apesar de estudos científicos brilhantes e da admissão na Escola
Central das Artes e Manufaturas, não pôde concluir a formação por limitações
econômicas, trabalhando como engenheiro enquanto se dedicava paralelamente ao
Espiritismo. Sua saúde frágil, que comprometeu progressivamente sua visão e
mobilidade, nunca o afastou do ideal espírita.
Mesmo sem constituir família própria, Delanne adotou
uma criança em 1905, a quem dedicou imenso amor e lhe fez muito bem. As
limitações físicas se agravaram ao longo dos anos, culminando em cegueira e
paralisia parcial, especialmente durante e após a Primeira Guerra Mundial.
Ainda assim, perseverou na produção literária, nas pesquisas e nas
conferências, demonstrando notável força moral e dedicação à causa espírita.
Sua contribuição ao Espiritismo foi decisiva para a
consolidação da Doutrina sob bases científicas, em rigorosa fidelidade a Allan
Kardec. Fundou, em 1883, a revista O Espiritismo, participou de
importantes congressos internacionais e publicou obras fundamentais como O
Espiritismo perante a Ciência, O Fenômeno Espírita, A Evolução
Anímica e A Alma é Imortal. Atuou em experiências relevantes,
inclusive fenômenos de materialização, e ocupou cargos de destaque em
instituições espíritas francesas e internacionais.
Nos últimos anos, mesmo profundamente debilitado,
Delanne manteve intensa produção intelectual, culminando na publicação de A
Reencarnação, em 1924. Desencarnou em 15 de fevereiro de 1926, em Paris,
deixando um legado sólido como pesquisador incansável que buscou unir ciência e
espiritualidade. Sua obra marcou a continuidade do pensamento kardequiano e
reafirmou a proposta de conciliação entre razão, fé e compreensão lógica do
universo e dos seus habitantes: os espíritos.
Resumo da biografia encontrada no site da União
Espírita Mineira.

Nenhum comentário:
Postar um comentário