Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações. (Allan Kardec - E.S.E, XVII, 4)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Atmosfera psíquica




O ato de pensar – o principal atributo qualificador da inteligência –, apesar de ser uma capacidade inerente a todos os Espíritos, confere a cada qual uma espécie de identidade particular.
Isto ocorre porque todos, não obstante viverem em uma mesma dimensão, possuem características psíquicas próprias e, portanto, pensam de forma distinta.
Essas peculiaridades no ato de pensar têm sua origem nas variadas experiências vividas pelo indivíduo, considerando suas sequentes encarnações. Por esse motivo, diz-se que cada um possui sua atmosfera psíquica, à qual alguns espíritos e autores deram o nome de hálito psíquico ou halo psíquico, psicosfera, ambiente psíquico, dentre outras denominações.
Em razão da diversidade das experiências vivenciadas e da forma como o ser humano lida com as mesmas, é que a atmosfera psíquica se organiza de forma distinta entre nós. Essa diferenciação na organização psíquica se dá de tal forma que seria impossível encontrar uma atmosfera que fosse perfeitamente idêntica a qualquer outra, tal como ocorre com as impressões digitais e com as singularidades da íris do olho humano.
Devido a tais condições não encontramos pessoas, por mais que tenham compartilhado as mesmas experiências, que pensem de forma absolutamente idêntica sobre qualquer assunto.
Apesar, porém, de tais características estarem tão bem delineadas em cada ser, é fundamental considerar que estamos todos “mergulhados” no mesmo campo de ação, e, por esta razão, interagimos continuamente uns com outros.
Essa interação pode ser facilmente observada quando ocorre no campo físico, pois afeta nossos sentidos carnais. Todavia, os Espíritos nos esclarecem que a influência mútua acontece com muito mais ênfase quando se dá no campo psíquico, onde as relações ocorrem com mais intensidade, seja entre encarnados, entre estes e os desencarnados, e nestes entre si.
Em função dessa influência mútua passamos a desfrutar da companhia uns dos outros, aproximando-nos. Esta proximidade ocorre quando há similaridade de pensamentos, semelhança de pendores, afinidade de ideias, de propósitos, enfim, sintonia. É aí que as atmosferas psíquicas interagem.
Algumas dessas interações são desejadas e aspiradas, resultando em crescimento e progresso moral; isto ocorre quando desfrutamos de companhias de melhor condição espiritual que a nossa, sejam encarnadas ou não, que nos assistem, sempre respeitando nosso livre-arbítrio.

Entretanto, é interessante considerar que a natureza dos relacionamentos mais comuns, que se dão na esfera psíquica, é aquela em que uma das individualidades, ao identificar a sutileza das imperfeições alheias, influencia-a, a fim de que prevaleça a sua vontade sobre a outra. A respeito dessa questão é oportuno lembrar a advertência contida na resposta à pergunta 459, de O Livro dos Espíritos, edição FEB, sobre se nossos pensamentos poderiam sofrer influências de outros Espíritos: “Muito mais do que imaginais, pois frequentemente são eles que vos dirigem”.
Diante desse quadro, e considerando a aspiração daqueles que pretendam alcançar a elevação espiritual, é conveniente relembrar a orientação de Jesus, para que nos dediquemos continuamente à oração e à vigilância.

Licurgo Soares de Lacerda Filho – Revista Reformador / Fevereiro / 2011

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