O
mês de julho possui um significado especial para todos os esperantistas. Em 26
de julho de 1887, L. L. Zamenhof publicou o "Unua Libro", lançando
oficialmente ao mundo o Esperanto, uma língua internacional planejada para
aproximar os povos por meio da compreensão mútua e da fraternidade. Mais do que
um projeto linguístico, o Esperanto nasceu como um ideal humanitário, inspirado
pelo desejo de superar preconceitos, rivalidades e barreiras que, por séculos,
dificultaram a convivência pacífica entre as nações. Seus princípios de
neutralidade, igualdade e respeito encontram profunda sintonia com os
ensinamentos do Cristo e com os ideais da Doutrina Espírita.
No
meio espírita, essa afinidade sempre foi reconhecida. Em "O Esperanto como
Revelação", o Espírito Francisco Valdomiro Lorenz afirma que o Esperanto não
surgiu por acaso, mas foi preparado no Plano Espiritual como instrumento de
aproximação entre os povos, sendo confiado ao "gênio da confraternização
humana", L. L. Zamenhof, para sua concretização na Terra. Segundo essa
obra, a unificação moral da humanidade exige também instrumentos capazes de
favorecer o entendimento entre as criaturas, preparando os caminhos para uma
convivência mais fraterna.
Diversos
benfeitores espirituais igualmente manifestaram apoio a esse ideal. Emmanuel
asseverou que "o Esperanto é o mais avançado instrumento da fraternidade
entre os povos", destacando que sua difusão acompanha os esforços do
Evangelho na construção de um mundo melhor. Bezerra de Menezes incentivou
reiteradas vezes os espíritas a estudarem e divulgarem a língua, considerando-a
valioso recurso para a propagação da mensagem espírita além das fronteiras
nacionais. Também o Espírito Abel Gomes enfatizou que o Esperanto constitui
importante elemento de aproximação das consciências, colaborando para a obra da
regeneração da Humanidade.
Não
é coincidência que Espiritismo e Esperanto tenham surgido no século XIX, ambos
propondo a união da família humana. Enquanto Allan Kardec apresentou ao mundo a
Doutrina Espírita, demonstrando a imortalidade da alma e a lei universal da
fraternidade, L. L. Zamenhof ofereceu uma ferramenta prática para facilitar o
diálogo entre pessoas de diferentes culturas. O primeiro une consciências pela
compreensão das Leis Divinas; o segundo aproxima corações pela comunicação sem
privilégios nacionais. Ambos apontam para o mesmo ideal: a construção de uma
Humanidade mais justa, pacífica e solidária.
Neste
mês em que celebramos o aniversário do Esperanto, somos convidados a refletir
sobre nossa participação nesse grandioso projeto. Estudar e divulgar essa
língua não significa apenas aprender um novo idioma, mas colaborar com um ideal
de fraternidade universal que dialoga profundamente com os princípios
espíritas. Que as instituições e os trabalhadores espíritas acolham com
renovado entusiasmo esse legado, fortalecendo grupos de estudo, incentivando
seu aprendizado e utilizando-o como instrumento de divulgação do Evangelho e da
Doutrina Espírita. Afinal, como ensina o Espiritismo, toda iniciativa que
aproxima os seres humanos, derruba barreiras e fortalece a fraternidade
constitui valiosa colaboração na construção do Reino de Deus entre os homens.
DCSE/CEJG

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