quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Estou aqui. Vamos procurar ajuda juntos!

 


Falar sobre suicídio é falar, antes de tudo, sobre uma dor que, muitas vezes, tornou-se maior do que a capacidade de quem a sofre, de enxergar alternativas. O ‘Setembro Amarelo’ nos convida a romper o silêncio, acolher sem julgamentos e compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas um importante gesto de preservação da vida. A Doutrina Espírita amplia essa reflexão ao nos lembrar que somos Espíritos imortais e que a existência corporal possui finalidade e valor, mesmo quando atravessamos períodos de profunda aflição. Os Espíritos nos esclarecem que as consequências do suicídio são diversas e relacionadas às circunstâncias que o motivaram, mas apontam uma consequência comum: o desapontamento (O Livro dos Espíritos, questão 957).


Esse ensinamento, porém, não deve ser utilizado para condenar ou amedrontar quem sofre. Pelo contrário: precisa despertar em nós compaixão e responsabilidade. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo V, encontramos a reflexão de que a Terra é um mundo de provas e expiações e que todos enfrentamos dificuldades, sofrimentos e decepções. A visão espírita convida-nos, portanto, a compreender a dor como experiência transitória e a não tomar decisões definitivas diante de situações que podem se modificar. A vida continua, os problemas podem encontrar novos caminhos e, sobretudo, nenhuma criatura está abandonada pela Providência Divina.


Em Memórias de um Suicida, ditado pelo Espírito Camilo Cândido Botelho e psicografado por Yvonne A. Pereira, encontramos uma narrativa dolorosa das consequências do suicídio, mas também uma trajetória de assistência, tratamento, aprendizado e preparação para uma nova existência. A própria descrição da obra ressalta a grandeza da Misericórdia Divina e a possibilidade de reconstrução daqueles que se arrependem. André Luiz, em Nosso Lar, igualmente nos permite entrever os resultados do suicídio, ainda que indireto, bem como a realidade do amparo espiritual, que jamais está ausente. Ele próprio recebe atendimento e esclarecimentos após seu despertar para a necessidade da prece e da busca por socorro.


A mensagem que permanece não é a do desespero, mas a da esperança: nenhuma dor é eterna, nenhum erro é irreparável e, sob o amparo de Deus, sempre existem caminhos de aprendizado, reparação e novos recomeços. Essa visão nos chama também à responsabilidade enquanto encarnados: podemos ser instrumentos desse amparo. Uma palavra amiga, uma escuta paciente, a disposição para permanecer ao lado de alguém em sofrimento e o encaminhamento para ajuda especializada podem representar uma verdadeira ponte entre a dor e a esperança. O Centro Espírita pode oferecer acolhimento fraterno, prece, estudo e orientação espiritual, embora não se deva substituir o acompanhamento médico ou psicológico quando este se fizer necessário.


Neste ‘Setembro Amarelo’, que nossa homenagem à vida ultrapasse as campanhas e se transforme em atitude cotidiana. Se alguém estiver sofrendo, procuremos essa pessoa; se nós mesmos estivermos cansados de lutar, tenhamos coragem de pedir ajuda. O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento procurem familiares ou pessoas de confiança e serviços como CAPS e Unidades Básicas de Saúde; em situações de emergência, estão disponíveis UPA, pronto-socorro e SAMU 192. O CVV, pelo telefone 188, oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e 24 horas por dia. E, ao lado desses recursos, podemos buscar também o abraço fraterno em um Centro Espírita sério e acolhedor. Que ninguém atravesse sozinho uma noite de dor. Às vezes, a esperança começa simplesmente quando alguém decide ficar, escutar e dizer: “Estou aqui. Vamos procurar ajuda juntos!”

 

DCSE/CEJG


Nenhum comentário:

Postar um comentário