Falar
sobre suicídio é falar, antes de tudo, sobre uma dor que, muitas vezes,
tornou-se maior do que a capacidade de quem a sofre, de enxergar alternativas.
O ‘Setembro Amarelo’ nos convida a romper o silêncio, acolher sem julgamentos e
compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas um importante gesto de
preservação da vida. A Doutrina Espírita amplia essa reflexão ao nos lembrar
que somos Espíritos imortais e que a existência corporal possui finalidade e
valor, mesmo quando atravessamos períodos de profunda aflição. Os Espíritos nos
esclarecem que as consequências do suicídio são diversas e relacionadas às
circunstâncias que o motivaram, mas apontam uma consequência comum: o
desapontamento (O Livro dos Espíritos, questão 957).
Esse
ensinamento, porém, não deve ser utilizado para condenar ou amedrontar quem
sofre. Pelo contrário: precisa despertar em nós compaixão e responsabilidade.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo V, encontramos a reflexão de
que a Terra é um mundo de provas e expiações e que todos enfrentamos
dificuldades, sofrimentos e decepções. A visão espírita convida-nos, portanto,
a compreender a dor como experiência transitória e a não tomar decisões
definitivas diante de situações que podem se modificar. A vida continua, os
problemas podem encontrar novos caminhos e, sobretudo, nenhuma criatura está
abandonada pela Providência Divina.
Em
Memórias de um Suicida, ditado pelo Espírito Camilo Cândido Botelho e
psicografado por Yvonne A. Pereira, encontramos uma narrativa dolorosa das
consequências do suicídio, mas também uma trajetória de assistência,
tratamento, aprendizado e preparação para uma nova existência. A própria
descrição da obra ressalta a grandeza da Misericórdia Divina e a possibilidade
de reconstrução daqueles que se arrependem. André Luiz, em Nosso Lar,
igualmente nos permite entrever os resultados do suicídio, ainda que indireto,
bem como a realidade do amparo espiritual, que jamais está ausente. Ele próprio
recebe atendimento e esclarecimentos após seu despertar para a necessidade da
prece e da busca por socorro.
A
mensagem que permanece não é a do desespero, mas a da esperança: nenhuma dor é
eterna, nenhum erro é irreparável e, sob o amparo de Deus, sempre existem
caminhos de aprendizado, reparação e novos recomeços. Essa visão nos chama
também à responsabilidade enquanto encarnados: podemos ser instrumentos desse
amparo. Uma palavra amiga, uma escuta paciente, a disposição para permanecer ao
lado de alguém em sofrimento e o encaminhamento para ajuda especializada podem
representar uma verdadeira ponte entre a dor e a esperança. O Centro Espírita
pode oferecer acolhimento fraterno, prece, estudo e orientação espiritual, embora
não se deva substituir o acompanhamento médico ou psicológico quando este se
fizer necessário.
Neste
‘Setembro Amarelo’, que nossa homenagem à vida ultrapasse as campanhas e se
transforme em atitude cotidiana. Se alguém estiver sofrendo, procuremos essa
pessoa; se nós mesmos estivermos cansados de lutar, tenhamos coragem de pedir
ajuda. O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento procurem
familiares ou pessoas de confiança e serviços como CAPS e Unidades Básicas de
Saúde; em situações de emergência, estão disponíveis UPA, pronto-socorro e SAMU
192. O CVV, pelo telefone 188, oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e 24
horas por dia. E, ao lado desses recursos, podemos buscar também o abraço
fraterno em um Centro Espírita sério e acolhedor. Que ninguém atravesse sozinho
uma noite de dor. Às vezes, a esperança começa simplesmente quando alguém
decide ficar, escutar e dizer: “Estou aqui. Vamos procurar ajuda juntos!”
DCSE/CEJG

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