quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Estou aqui. Vamos procurar ajuda juntos!

 


Falar sobre suicídio é falar, antes de tudo, sobre uma dor que, muitas vezes, tornou-se maior do que a capacidade de quem a sofre, de enxergar alternativas. O ‘Setembro Amarelo’ nos convida a romper o silêncio, acolher sem julgamentos e compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas um importante gesto de preservação da vida. A Doutrina Espírita amplia essa reflexão ao nos lembrar que somos Espíritos imortais e que a existência corporal possui finalidade e valor, mesmo quando atravessamos períodos de profunda aflição. Os Espíritos nos esclarecem que as consequências do suicídio são diversas e relacionadas às circunstâncias que o motivaram, mas apontam uma consequência comum: o desapontamento (O Livro dos Espíritos, questão 957).


Esse ensinamento, porém, não deve ser utilizado para condenar ou amedrontar quem sofre. Pelo contrário: precisa despertar em nós compaixão e responsabilidade. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo V, encontramos a reflexão de que a Terra é um mundo de provas e expiações e que todos enfrentamos dificuldades, sofrimentos e decepções. A visão espírita convida-nos, portanto, a compreender a dor como experiência transitória e a não tomar decisões definitivas diante de situações que podem se modificar. A vida continua, os problemas podem encontrar novos caminhos e, sobretudo, nenhuma criatura está abandonada pela Providência Divina.


Em Memórias de um Suicida, ditado pelo Espírito Camilo Cândido Botelho e psicografado por Yvonne A. Pereira, encontramos uma narrativa dolorosa das consequências do suicídio, mas também uma trajetória de assistência, tratamento, aprendizado e preparação para uma nova existência. A própria descrição da obra ressalta a grandeza da Misericórdia Divina e a possibilidade de reconstrução daqueles que se arrependem. André Luiz, em Nosso Lar, igualmente nos permite entrever os resultados do suicídio, ainda que indireto, bem como a realidade do amparo espiritual, que jamais está ausente. Ele próprio recebe atendimento e esclarecimentos após seu despertar para a necessidade da prece e da busca por socorro.


A mensagem que permanece não é a do desespero, mas a da esperança: nenhuma dor é eterna, nenhum erro é irreparável e, sob o amparo de Deus, sempre existem caminhos de aprendizado, reparação e novos recomeços. Essa visão nos chama também à responsabilidade enquanto encarnados: podemos ser instrumentos desse amparo. Uma palavra amiga, uma escuta paciente, a disposição para permanecer ao lado de alguém em sofrimento e o encaminhamento para ajuda especializada podem representar uma verdadeira ponte entre a dor e a esperança. O Centro Espírita pode oferecer acolhimento fraterno, prece, estudo e orientação espiritual, embora não se deva substituir o acompanhamento médico ou psicológico quando este se fizer necessário.


Neste ‘Setembro Amarelo’, que nossa homenagem à vida ultrapasse as campanhas e se transforme em atitude cotidiana. Se alguém estiver sofrendo, procuremos essa pessoa; se nós mesmos estivermos cansados de lutar, tenhamos coragem de pedir ajuda. O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento procurem familiares ou pessoas de confiança e serviços como CAPS e Unidades Básicas de Saúde; em situações de emergência, estão disponíveis UPA, pronto-socorro e SAMU 192. O CVV, pelo telefone 188, oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e 24 horas por dia. E, ao lado desses recursos, podemos buscar também o abraço fraterno em um Centro Espírita sério e acolhedor. Que ninguém atravesse sozinho uma noite de dor. Às vezes, a esperança começa simplesmente quando alguém decide ficar, escutar e dizer: “Estou aqui. Vamos procurar ajuda juntos!”

 

DCSE/CEJG


sábado, 5 de setembro de 2026

Nas palavras

 

“Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados…” — (Tiago, 5:9)

 

Mergulhar o divino dom da palavra no vaso lodoso da queixa é o mesmo que inflamar preciosa lâmpada no conteúdo da lata de lixo.

Não transformes a própria frase em lama sobre chagas abertas.

Podes mobilizar a maravilha do verbo, para reajustar o bem, sem necessidade de estender o mal.

Ergue a esperança, ao pé dos que desfaleceram na luta. Exalta a excelência do amor, perante aqueles que o ódio intoxica. Louva as perspectivas da fé, ao lado dos que choram no desencanto. Aponta as qualidades nobres do amigo que caiu em desvalimento. Destaca as possibilidades de auxiliar onde os outros somente encontram motivos para censura. Desdobra o trabalho restaurador onde o pessimismo condena. Procura o lado melhor das situações para que o melhor seja feito. E, quando os obstáculos morais se agigantem, como se a maldade estivesse a ponto de triunfar em definitivo, se não podes algo dizer em louvor da bondade, cala-te e ora.

Pensa no bem, quando não puderes falar nele.

A semente muda, renova a terra.

A gota silenciosa de sedativo, asserena o corpo martirizado.

Nunca te queixes dos outros, mesmo porque, em nos queixando de alguém, é preciso consultar o próprio íntimo para saber se em lugar desse alguém não estaríamos fazendo isso ou aquilo de maneira pior.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 96


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Você conhece a história de Auta de Souza?

 


Auta de Souza nasceu em Macaíba, Rio Grande do Norte, em 12 de setembro de 1876. Perdeu a mãe antes de completar três anos e o pai aos quatro, sendo criada, juntamente com os irmãos, pela avó materna, Dona Silvina Maria da Conceição de Paula Rodrigues, conhecida como Dindinha. Aos dez anos, sofreu outro grande golpe com a morte trágica do irmão Irineu. Apesar das dificuldades, recebeu excelente educação no Colégio São Vicente de Paulo, em Recife, onde estudou Literatura, Inglês, Música, Desenho e Francês, tendo contato com grandes autores da literatura francesa.

Desde muito jovem, Auta revelou profunda religiosidade e extraordinário talento poético. Lia frequentemente o Evangelho e cultivava uma fé sincera e intensa, mas sem abandonar a alegria, a convivência social e os sonhos próprios de uma jovem de sua época. Aos dezesseis anos, viveu uma experiência amorosa que terminou com a renúncia ao relacionamento, em razão do avanço da tuberculose, enfermidade que também vitimara seus pais. As experiências de orfandade, a morte do irmão, a doença e a frustração amorosa marcaram profundamente sua sensibilidade, fortalecendo nela a compaixão pelos pobres, pelos humildes e pelos sofredores.

A dor encontrou expressão em sua poesia, dando origem a uma obra marcada simultaneamente pelo sofrimento, pela esperança e pela fé cristã. Seu único livro, Horto, publicado em 20 de junho de 1900, reúne poemas de grande sensibilidade, nos quais se refletem suas experiências, sua confiança em Jesus e sua busca de consolo diante das provações. Mesmo gravemente enferma, Auta manteve uma vida social ativa e dedicou atenção aos mais necessitados, revelando uma personalidade marcada pela bondade, pela pureza de sentimentos e pela solidariedade. Faleceu em Natal, em 7 de fevereiro de 1901, aos 24 anos.

Livre do corpo, totalmente desgastado pela enfermidade, Auta de Souza, irradiando luz própria, lúcida e gloriosa alçou voo em direção à Espiritualidade Maior. Mas a compaixão que sempre sentira pelos sofredores fez com que a poetisa em companhia de outros Espíritos caridosos, visitasse, constantemente a crosta da terra. Foi através de Chico Xavier, que ela, pela primeira vez revelou sua identidade, transmitindo suas poesias enfeixadas em 1932, na primeira edição do "Parnaso de Além Túmulo", lançado pela Federação Espírita Brasileira.

Auta de Souza permanece, assim, como uma figura que une literatura, sofrimento, fé e espiritualidade. Em sua existência terrena, transformou as experiências dolorosas em poesia e buscou no Cristo a esperança e o consolo para os aflitos. Na perspectiva espírita, sua atuação após a morte representa a continuidade desse mesmo ideal de amor ao próximo, agora voltado ao amparo dos que sofrem. Sua mensagem pode ser sintetizada como um convite à fé, à caridade e à esperança, mostrando que a dor, quando vivenciada com confiança em Deus e disposição para o bem, pode transformar-se em instrumento de crescimento espiritual e de auxílio ao próximo.

 

Resumo elaborado com base no texto da página da Federação Espírita do Paraná(FEP).

 

 


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Aprendendo

 

“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” — (Tiago, 1:22)

 

Cada vez que as circunstâncias te induzam a ouvir as verdades do Evangelho, não admitas que o acaso esteja presidindo a semelhantes eventos. Forças ocultas estarão acionando a oportunidade, a fim de que te informes quanto ao teu próprio caminho.

Não te faças, pois, desatento, porquanto, a breve espaço, serás naturalmente chamado pela vida para testemunhar.

Observa a escola e as disciplinas com que se formam determinados profissionais.

Acadêmicos de Medicina ouvem lições para curar os doentes ou auxiliá-los; estudantes de Engenharia escutam ensinamentos para que os apliquem à técnica das construções no Plano terrestre; contabilistas gastam tempo, de modo a garantirem a sustentação do comércio, na arte de fazer contas; tecelões assimilam princípios, em torno de certas máquinas, para atenderem, oportunamente, à indústria do fio…

Qualquer estudo nobre é aquisição inapreciável, mas se mora estanque, na alma de quem aprende, assemelha-se a pão escondido aos que choram de fome.

Ouvir, sim, os preceitos da Espiritualidade Superior, mas agir, segundo nos orientam, porque, se sabemos e não fazemos o que o bem nos ensina, melhor fora não saber, para não sermos tributados, com taxas de maior sofrimento, nas grades da culpa.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 95


sábado, 22 de agosto de 2026

Beneficência e paciência

 

“A caridade é paciente e benigna…” — Paulo (I Coríntios, 13:4)

 

Beneficência, sim, para com todos:

Prato dividido.

Veste aos nus.

Remédio aos doentes.

Asilo aos que vagueiam sem teto.

Proteção à criança desamparada.

Auxílio ao ancião em desvalimento.

Socorro às viúvas.

Refúgio aos indigentes.

Consolo aos tristes.

Esperança aos que choram.

Entretanto, é preciso estender a bondade igualmente noutros setores:

Compreensão em família.

Trabalho sem queixa.

Cooperação sem atrito.

Pagamento sem choro.

Atenção a quem fale, ainda mesmo sem qualquer propósito edificante.

Respeito aos problemas dos outros.

Serenidade nas horas difíceis.

Silêncio às provocações.

Tolerância para com as ideias alheias.

Gentileza na rua.

A beneficência pode efetuar prodígios, levantando a generosidade e conquistando a gratidão; contudo, em nome da caridade, toda beneficência, para completar-se, não pode viver sem a paciência.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 94


sábado, 15 de agosto de 2026

Serviço e inveja

 

“… A caridade não é invejosa…” — Paulo (I Coríntios, 13:4)

 

Muitos companheiros asseveram a disposição de ajudar, em nome da caridade; entretanto, para isso, exigem os recursos que pertencem aos outros.

Querem amparar os necessitados…

Mas dizem aguardar vencimento igual ao do colega que lhes tomou a frente na organização de trabalho.

Declaram-se inclinados ao socorro de meninos desprotegidos…

Alegam, todavia, que apenas assumirão a iniciativa quando possuírem casa semelhante à do amigo mais próspero.

Afirmam-se desejosos de colaborar na construção da fé, amando e esclarecendo a quem sofre…

Interpõem, no entanto, a condição de desfrutarem a autoridade dos irmãos que se encarregam dessa ou daquela instituição, antes deles.

Expõem a intenção de escrever, na difusão da luz espiritual…

Contudo, somente entrarão em atividade quando dispuserem da competência de quantos já despenderam larga parte da vida, na estruturação da palavra escrita.

Se aspiras a servir ao bem, não te detenhas na cobiça expectante, a pedir que a possibilidade dos outros te passe às mãos.

A caridade não é invejosa.

Façamos a nossa parte.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 93


sábado, 8 de agosto de 2026

Paternidade: uma tarefa de amor.

 


O Dia dos Pais é mais do que uma data para homenagens: é um convite à reflexão sobre a sublime missão confiada por Deus àqueles que recebem a responsabilidade de conduzir Espíritos em sua jornada terrena. À luz da Doutrina Espírita, a paternidade transcende os laços biológicos e assume um profundo significado espiritual. Os filhos não pertencem aos pais; são Espíritos imortais, temporariamente confiados ao seu cuidado para que encontrem no lar as primeiras lições de amor, respeito e virtude. Em O Livro dos Espíritos (questão 582), os Espíritos Superiores ensinam que "a paternidade é uma missão" e, ao mesmo tempo, "um dever muito grande", do qual o homem deverá prestar contas.

No capítulo XIV de O Evangelho segundo o Espiritismo, Santo Agostinho afirma que Deus perguntará aos pais: "Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?". Essa indagação revela que educar não significa apenas garantir o sustento material ou proporcionar oportunidades intelectuais, mas, sobretudo, favorecer o desenvolvimento moral. O verdadeiro pai compreende que sua maior herança não será um patrimônio, mas o exemplo. É no cotidiano, por meio da coerência entre palavras e ações, que se formam consciências equilibradas e cidadãos comprometidos com o bem. A transformação da sociedade começa, silenciosamente, dentro de cada lar.

Emmanuel, em diversas obras psicografadas por Chico Xavier, recorda que os filhos são empréstimos de Deus e que o lar é uma escola de almas, constituindo a família precioso campo de aprendizado e redenção. Essa imagem expressa a confiança divina depositada nos pais, chamados não a moldar os filhos segundo seus próprios interesses, mas a ajudá-los a desenvolver as potencialidades do Espírito imortal. Em Vida e Sexo, Emmanuel ensina que a missão paterna e materna não se resume ao vínculo consanguíneo, mas constitui oportunidade de reajuste, aprendizado e crescimento para todos os envolvidos, muitas vezes reunindo, no mesmo lar, antigos companheiros de outras existências em busca de reconciliação e progresso.

Também Joanna de Ângelis ressalta que educar é, antes de tudo, evangelizar o coração. Em suas reflexões, destaca que os pais são os primeiros educadores da alma infantil, influenciando profundamente a formação do caráter por meio do afeto, do diálogo e da vivência dos valores éticos. A autoridade equilibrada, exercida com firmeza e ternura, prepara os filhos para a liberdade responsável, enquanto a omissão ou o autoritarismo tendem a gerar desequilíbrios que repercutem não apenas na família, mas em toda a sociedade. Assim, cada lar torna-se um verdadeiro núcleo de construção do futuro coletivo.

Neste Dia dos Pais, que as homenagens não se restrinjam tão só às palavras de gratidão e manifestações de carinho, mas inspirem uma renovação do compromisso de transformar a paternidade em um permanente exercício de amor, renúncia, educação e exemplo cristão. Aos pais, biológicos ou de coração, fica o convite para que vejam em cada filho um Espírito em crescimento, digno de respeito e orientação segura. Aos filhos, a oportunidade de agradecer pelos esforços e renúncias daqueles que lhes serviram de amparo na caminhada. E a todos nós, a certeza de que, quando um pai educa com amor, ilumina não apenas o destino de uma família, mas contribui para a edificação de uma humanidade mais fraterna, mais justa e mais próxima dos ensinamentos de Jesus.

DCSE/CEJG


Solidariedade

 

“Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.” — Paulo (Romanos, 12:15)

 

Realmente, na Terra, é mais fácil chorar com os que choram.

Em muitas circunstâncias, mágoas alheias servem de consolação para nossas mágoas.

Quem carrega fardos enormes como que nos estimula a suportar os estorvos leves.

Num desastre qualquer, que nos teria colhido, inclinamo-nos, comovidamente, para as vítimas, guardando, muita vez, a ilusão de que fomos agraciados por Deus, como se a responsabilidade de moratórias e empréstimos, que nos são concedidos pela Misericórdia Divina, dentro da Lei, fosse para nós regime de favoritismo e exceção.

Ajudar aos que se encontram em provações maiores que as nossas é caridade sublime; no entanto, é forçoso reconhecer que aconselhar paciência aos que choram, na posição de superiores tranquilos, é o mesmo que falar à margem de um problema, sem estar dentro dele.

Com isso, não queremos diminuir o valor da beneficência. Sem ela, nossas mãos se fariam garras de usura e o egoísmo transformaria a Terra num manicômio.

Desejamos simplesmente afirmar que é mais fácil chorar com os que choram, que alegrar-se alguém com os que se alegram; porquanto, ajudar com o pão ou com a alegria que nos sobram é ato que podemos realizar sem dificuldade, ao passo que, para regozijar-nos com o regozijo dos outros, sem qualquer ponta de inveja ou despeito, é preciso trazermos suficiente amor puro no coração.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 92


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Reuniões públicas/CEJG - Agosto/2026

 


Apreço

 

“Dando sempre graças a Deus por tudo em Nosso Senhor Jesus Cristo.” — Paulo (Efésios, 5:20)

 

O Universo é uma corrente de amor, em movimento incessante. Não lhe interrompas a fluência das vibrações.

Nesse sentido, recorda que ninguém é tão sacrificado pelo dever que não possa, de quando em quando, levantar os olhos ou dizer uma frase, em sinal de agradecimento.

Considera sagradas as tuas horas de obrigação, mas não te esqueças do minuto de apreço aos outros.

Os pais não te discutem o carinho, entretanto, multiplicarão as próprias forças com o teu gesto de entendimento; os filhos anotam-te a bondade, no entanto, experimentarão novo alento com o teu sorriso encorajador; os colegas de ação conhecem-te a solidariedade, mas serão bafejados por renovadora energia, perante a reafirmação de teu concurso espontâneo, e os companheiros reconhecem-te a amizade, contudo, entesouram estímulos santos, em te ouvindo a mensagem fraterna.

Ninguém pode avaliar a importância das pequeninas doações.

Uma prece, uma saudação afetuosa, uma flor ou um bilhete amistoso conseguem apagar longo fogaréu da discórdia ou dissipar rochedos de sombra.

Não nos reportamos aqui ao elogio que estraga ou à lisonja que envenena. Referimo-nos à amizade e à gratidão que valorizam o trabalho e alimentam o bem.

Por mais dura seja a estrada, aprende a sorrir e a abençoar, para que a alegria siga adiante, incentivando os corações e as mãos que operam a expansão da Bondade Infinita.

O próprio Deus nunca se encontra tão excessivamente ocupado que não se lembre de sustentar o Sol, para que o Sol aqueça, em seu nome, o último verme, na última reentrância abismal.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 91


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Você conhece a história de William Crookes?

 

William Crookes nasceu em 17 de junho de 1832, em Londres, Inglaterra, e destacou-se como um dos maiores cientistas de sua época. Químico e físico de renome, realizou importantes descobertas, como o isolamento do tálio, a construção do radiômetro e a identificação do chamado estado radiante da matéria. Seu prestígio levou-o a ocupar cargos de destaque em diversas sociedades científicas e a receber da rainha Vitória o título de "Sir".

 

Movido pelo rigor científico e pelo desejo de verificar a autenticidade dos chamados fenômenos mediúnicos, Crookes iniciou pesquisas sobre a mediunidade sem aceitar previamente sua veracidade. Seu objetivo era investigar os fatos com imparcialidade e, se possível, comprovar a existência de fraudes. A partir de 1869, passou a realizar experimentos com diversos médiuns, aplicando métodos de observação e controle compatíveis com o conhecimento científico da época.

 

Suas pesquisas mais conhecidas ocorreram com a jovem médium Florence Cook, por meio da qual estudou as materializações do Espírito conhecido como Katie King. Durante anos, submeteu os fenômenos a rigorosas investigações, acompanhando inúmeras sessões e realizando diversos testes. As experiências causaram grande repercussão no meio científico, por apresentarem evidências que, segundo suas conclusões, não poderiam ser explicadas por fraude ou ilusionismo.

 

Após longa investigação, William Crookes declarou-se convencido da realidade dos fenômenos espíritas. Diferentemente de muitos cientistas contemporâneos, que preferiram silenciar diante das evidências por receio das críticas, Crookes publicou os resultados de suas pesquisas na obra Fatos Espíritas, afirmando sua célebre conclusão: "Não digo que isto é possível; digo: isto é real!". Sua postura representou importante contribuição para o estudo científico dos fenômenos relacionados à mediunidade e fortaleceu o diálogo entre ciência e Espiritismo.

 

William Crookes desencarnou em 4 de abril de 1919, em Londres, deixando um legado reconhecido tanto pela ciência quanto pelo movimento espírita. Suas investigações demonstraram que os fenômenos mediúnicos poderiam ser estudados com seriedade, método e imparcialidade, tornando-o uma das personalidades mais importantes na história das pesquisas científicas sobre a mediunidade e um dos mais respeitados colaboradores da divulgação do Espiritismo.

 

Fonte: Federação Espírita Brasileira (FEB).


sábado, 25 de julho de 2026

Esperanto: Um Ideal de Fraternidade a Serviço do Evangelho

 


O mês de julho possui um significado especial para todos os esperantistas. Em 26 de julho de 1887, L. L. Zamenhof publicou o "Unua Libro", lançando oficialmente ao mundo o Esperanto, uma língua internacional planejada para aproximar os povos por meio da compreensão mútua e da fraternidade. Mais do que um projeto linguístico, o Esperanto nasceu como um ideal humanitário, inspirado pelo desejo de superar preconceitos, rivalidades e barreiras que, por séculos, dificultaram a convivência pacífica entre as nações. Seus princípios de neutralidade, igualdade e respeito encontram profunda sintonia com os ensinamentos do Cristo e com os ideais da Doutrina Espírita.

No meio espírita, essa afinidade sempre foi reconhecida. Em "O Esperanto como Revelação", o Espírito Francisco Valdomiro Lorenz afirma que o Esperanto não surgiu por acaso, mas foi preparado no Plano Espiritual como instrumento de aproximação entre os povos, sendo confiado ao "gênio da confraternização humana", L. L. Zamenhof, para sua concretização na Terra. Segundo essa obra, a unificação moral da humanidade exige também instrumentos capazes de favorecer o entendimento entre as criaturas, preparando os caminhos para uma convivência mais fraterna.

Diversos benfeitores espirituais igualmente manifestaram apoio a esse ideal. Emmanuel asseverou que "o Esperanto é o mais avançado instrumento da fraternidade entre os povos", destacando que sua difusão acompanha os esforços do Evangelho na construção de um mundo melhor. Bezerra de Menezes incentivou reiteradas vezes os espíritas a estudarem e divulgarem a língua, considerando-a valioso recurso para a propagação da mensagem espírita além das fronteiras nacionais. Também o Espírito Abel Gomes enfatizou que o Esperanto constitui importante elemento de aproximação das consciências, colaborando para a obra da regeneração da Humanidade.

Não é coincidência que Espiritismo e Esperanto tenham surgido no século XIX, ambos propondo a união da família humana. Enquanto Allan Kardec apresentou ao mundo a Doutrina Espírita, demonstrando a imortalidade da alma e a lei universal da fraternidade, L. L. Zamenhof ofereceu uma ferramenta prática para facilitar o diálogo entre pessoas de diferentes culturas. O primeiro une consciências pela compreensão das Leis Divinas; o segundo aproxima corações pela comunicação sem privilégios nacionais. Ambos apontam para o mesmo ideal: a construção de uma Humanidade mais justa, pacífica e solidária.

Neste mês em que celebramos o aniversário do Esperanto, somos convidados a refletir sobre nossa participação nesse grandioso projeto. Estudar e divulgar essa língua não significa apenas aprender um novo idioma, mas colaborar com um ideal de fraternidade universal que dialoga profundamente com os princípios espíritas. Que as instituições e os trabalhadores espíritas acolham com renovado entusiasmo esse legado, fortalecendo grupos de estudo, incentivando seu aprendizado e utilizando-o como instrumento de divulgação do Evangelho e da Doutrina Espírita. Afinal, como ensina o Espiritismo, toda iniciativa que aproxima os seres humanos, derruba barreiras e fortalece a fraternidade constitui valiosa colaboração na construção do Reino de Deus entre os homens.

DCSE/CEJG


Em constante renovação

 

“Renovai-vos no espírito…” — Paulo (Efésios, 4:23)

 

Aperfeiçoar para o bem é impositivo da Lei.

Em muitas ocasiões, afirmas-te cansado, sem qualquer recurso para empreender a tua transformação.

Acreditas-te doente, incapaz…

Dizes-te inabilitado, semimorto…

No entanto, agora, como há séculos de séculos, a Natureza em tudo é sublime renascimento.

Renovam-se os dias.

Renovam-se as estações.

Velhas árvores decepadas deitam vergônteas novas.

Pedras multimilenárias dão forma diferente aos serviços da evolução.

Na própria química do corpo em que temporariamente resides, a renovação há de ser incessante.

Renova-se o ar que respiras.

Renova-se o alimento de que te nutres.

Renova-se a organização celular em que te apoias.

Renova-se a limpeza que te acalenta a saúde. Deixa, assim, que a tua emoção e a tua ideia se transfigurem para fazer o melhor.

Estuda, raciocina, observa e medita…

Mais tarde, é certo que a reencarnação te conduzirá para novas lutas e novos ensinamentos; entretanto, permanece convicto de que toda lição nobre, aprendida hoje, por mais obscura e mais simples, será sempre facilidade a sorrir-te amanhã.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 90


sábado, 18 de julho de 2026

Inesquecível advertência

 

“… Que te importa a ti? Segue-me tu.” — Jesus (João, 21:22)

 

Viste, sim, as desilusões com que não contávamos.

Muitos daqueles mesmos amigos que nos exortavam à estrada certa, enovelaram-se nos cipoais da perturbação, como que petrificados na indiferença.

Companheiros que supúnhamos estandartes vivos nas trilhas da verdade; renderam-se a deslavadas mentiras.

Irmãos que nos prometeram fidelidade inquebrantável deixaram-nos a sós, na primeira dificuldade.

Parentes que nos deviam proteção e respeito bandearam-se para campos de sombra e vício, hostilizando-nos o ideal.

E multiplicam-se tropeços para que a nossa caminhada se obstrua.

Converteram-se estímulos em sarcasmos.

Quem nos dava esperança, fornece negação.

Quem ontem nos ajudava, hoje nos desajuda.

Mãos que nos atiravam flores de aplauso fazem agora chover sobre nós as farpas da incompreensão.

Sozinhos, sim… Muita vez, encontrar-nos-emos, desse modo, entre a expectativa e a solidão.

Nosso primeiro impulso é o de reclamar naquilo que supomos nosso direito; contudo, buscando a palavra do Evangelho, surpreendemos a inesquecível advertência do Senhor:
— … “Que te importa a ti? Segue-me tu.”

  

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 89


sábado, 11 de julho de 2026

Vasos de barro

 

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a sublimidade seja da virtude de Deus e não de nós.” — Paulo (II Coríntios, 4:7)

 

Não te furtes a transmitir os dons do Evangelho.

Se caíste, levanta-te e estende as mãos, construindo o melhor.

Se estiveste em erro até ontem, reconsidera o gesto impensado e ajuda aos semelhantes.

Se doente, permanece na confiança, encorajando e esclarecendo a quem te ouve a palavra.

Se cansado, recompõe as próprias forças na fé, e prossegue amparando sempre.

Caluniado, perdoa e esquece o golpe, procurando servir.

Menosprezado, não firas ninguém e esforça-te por ser útil.

Perseguido, esquece o mal e faze o bem que possas.

Insultado, olvida toda ofensa e auxilia sem mágoa.

Em meio de todas as fraquezas e vicissitudes que nos rodeiam a alma, estejamos convictos com o apóstolo Paulo de que possuímos o conhecimento da verdade e a flama do amor, como quem transporta um tesouro em vasos de barro, para que a excelência da virtude resplandeça por luz de Deus e não nossa.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 88


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Diante de outras nações

 

Conservarás a dignidade do lar e honrarás, amando infatigavelmente, os pais que te proporcionaram berço e vida.

Nunca sonegarás teu auxílio aos que te peçam amparo e compreensão no aconchego doméstico.

Exaltarás, servindo, a terra que te acolhe por mãe generosa, retribuindo, em cuidado e respeito, o pão que ela te dá.

Saberás agradecer o espaço em que movimentas, assegurando-lhe a limpeza e ofertando-lhe, sempre que possível, o perfume de alguma flor que dependa de teu carinho.

Situarás, enfim, o coração na pátria que te reúne aos irmãos do mesmo ideal e da mesma língua, mas não olvidarás que o mesmo céu estrelado, de vigia sobre as nossas aspirações, agasalha as esperanças de outros povos que recebem como nós a Bênção de Deus.

Quando procures o trabalho, cada manhã, recorda que outros homens fazem o mesmo, quando o Sol lhes anuncia um dia novo, e, quando envolvas teus filhos nas preces da noite, pensa nas mães que, em países distantes, velam igualmente, suplicando ao Todo Misericordioso lhes proteja e conduza os entes queridos.

Não julgues que a riqueza amoedada de alguns e a carência econômica de outros sejam motivo a diferenças. As dores que nos aprimoram a alma e as alegrias que nos impulsionam para a frente vibram em milhares e milhares de corações no outro hemisfério.

Quando algo ouças, em torno de grupos dessa ou daquela nação que estejam empreendendo a guerra de conquista, ora por eles; são irmãos que desconhecem as reações dolorosas que lhes reajustarão o espírito mais tarde.

E quando escutes algum noticiário, acerca de grupos outros que estejam em provação, ora igualmente por eles, para que não lhes escasseiem o dom do trabalho e a força da paciência. A todos considera como sendo nossos companheiros, criaturas do mesmo Criador e filhos do mesmo Pai. De futuro, nos reinos do Espírito, vê-los-ás na condição da Humanidade — nossa verdadeira família.

Aprende, pois, desde hoje, a banir do teu dicionário a palavra “estrangeiro” e, em se referindo a alguém que haja nascido em clima diverso, deixa que a fraternidade te suba da alma aos lábios e dize sinceramente “nosso irmão”. 


Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Entre irmãos de outras terras

sábado, 4 de julho de 2026

Alimento verbal

 

“Mas a sabedoria que vem do Alto é primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos…” — (Tiago, 3:17)

 

Encontrarás a frase brilhante, repontando de toda a parte.

Empregam-na cientistas eméritos, articulando as interpretações que lhes vêm à cabeça, tomam-na filósofos variados para a exaltação dos princípios que esposam, usam-na os sofistas de todas as procedências para expressarem as ideias que lhes são próprias, apossam-se dela artistas diversos, colorindo as criações que lhes fluem da alma; entretanto, é preciso recebê-la na pauta do discernimento justo.

Há frases seguras e primorosas, ocultando imagens repelentes, assim como tecidos de ouro e pérolas, escondendo o monturo.

Examina o campo que te fornece alimento verbal.

Seja na escrita de mãos hábeis ou na fala de pessoas distintas, assinala o que recolhes.

A inspiração do Alto nasce na fonte dos sentimentos puros, busca a edificação da paz, através do equilíbrio e da afabilidade para com todos, manifesta-se no veículo da compreensão fraternal, exprimindo misericórdia, e produz bons frutos onde esteja.

Não te enganes com discursos preciosos, muita vez desprovidos de qualquer sinal construtivo.

É possível não consigas identificar, de pronto, as intenções de quem fala; entretanto, podes observar os resultados positivos da ação de cada conversador. E pelos frutos que pendem na árvore da vida de cada um, sabes perfeitamente a escolha que te convém.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 87


sexta-feira, 3 de julho de 2026

Você conhece a história de Zamenhof?

 

Ludwik Lejzer Zamenhof nasceu em 15 de dezembro de 1859, na cidade de Białystok, então pertencente ao Império Russo. Desde a infância, viveu em uma sociedade marcada por profundas divisões étnicas, religiosas e linguísticas. Poloneses, russos, judeus, alemães e bielorrussos conviviam na mesma cidade, mas frequentemente em clima de desconfiança e hostilidade, agravado pelas dificuldades de comunicação entre povos que falavam idiomas diferentes. Esse ambiente de conflitos despertou nele, desde muito cedo, o desejo de encontrar um caminho para promover a compreensão e a fraternidade entre as pessoas. 

Filho de um professor de línguas, Zamenhof teve acesso ao estudo de diversos idiomas e percebeu que as barreiras linguísticas alimentavam preconceitos e dificultavam o diálogo. Convencido de que uma língua neutra, simples e pertencente a toda a humanidade poderia aproximar povos de diferentes culturas, começou ainda adolescente a desenvolver um novo idioma internacional. Seu objetivo não era substituir as línguas nacionais, mas oferecer um meio de comunicação imparcial que favorecesse o respeito mútuo e a cooperação entre as nações. 

Após anos de estudo e aperfeiçoamento, publicou, em 1887, o Unua Libro ("Primeiro Livro"), utilizando o pseudônimo "Doktoro Esperanto" ("Doutor Esperançoso"). O nome do autor acabou tornando-se o próprio nome da língua: Esperanto. Graças à sua gramática regular, vocabulário acessível e facilidade de aprendizado, o idioma rapidamente despertou interesse em diversos países, formando uma comunidade internacional unida pelos ideais de igualdade, amizade e entendimento entre os povos. 

Além de criar a língua, Zamenhof dedicou sua vida à divulgação de um ideal humanitário baseado no respeito às diferenças e na convivência pacífica. Traduziu importantes obras literárias para o Esperanto, incentivou encontros internacionais e procurou mostrar que uma comunicação neutra poderia reduzir rivalidades e fortalecer a fraternidade universal. Para ele, a língua era apenas um instrumento a serviço de valores mais elevados, como a paz, a justiça e a solidariedade. 

Zamenhof desencarnou em 14 de abril de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, justamente quando o mundo vivia um dos períodos mais violentos de sua história. Embora não tenha visto plenamente realizado seu sonho de união entre os povos, deixou um legado que permanece vivo em todos os continentes. O Esperanto continua sendo utilizado por pessoas de diferentes nacionalidades como símbolo de diálogo, compreensão e fraternidade, refletindo o ideal de seu criador de aproximar a humanidade por meio de uma língua neutra e acessível a todos.


Palestras CEJG - Julho/2026