sábado, 24 de janeiro de 2026

Êxito

 

“Se vós estiverdes em mim e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.” — Jesus (João, 15:7)

 

Muitos companheiros perdem recurso, oportunidade, tempo e força na preocupação desmedida em torno do êxito.

Sonhando realizações mirabolantes, acabam frustrados na mania de grandeza.

Dizem-se interessados na lavoura do bem, mas, para cultivá-la, esperam a execução de negócios imaginários, a aquisição de poder, a posse de ouro fácil ou a chegada de prêmios fortuitos… E, complicando a própria estrada, observam-se, de chofre, em presença da morte, quando menos contavam com semelhante visita.

Entretanto, o conquistador do maior êxito de todos os tempos não se ausentou do mundo como quem triunfara…

Não recebeu heranças amoedadas, não governou princípios políticos, não escreveu livros, não se enfileirou entre os maiorais de sua época…

Aprisionado como vulgar malfeitor, foi sentenciado à morte e passou como sendo vítima de pavoroso fracasso.

Contudo, as sementes de amor puro que colocou na alma do povo transformaram o mundo.

Repara Jesus e perceberás que o nosso problema não é de ganhar para fazer, mas de fazer para ganhar.

A colheita não precede a sementeira, tanto quanto o teto não se antepõe à base.

Sirvamos ao bem, simplificando o caminho de vez que a vitória real é a vitória de todos, convictos de que não precisamos gastar as possibilidades da existência em expectativa e tensão, porquanto, se estivermos em Cristo, tudo quanto de que necessitamos será feito em nosso favor, no momento oportuno.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 64


sábado, 17 de janeiro de 2026

No campo da vida

 

“Entesourando para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a verdadeira vida.” — Paulo (I Timóteo, 6:19)

 

Se te encontras interessado no próprio aperfeiçoamento, aproveitar é a palavra de ordem.

Repara o exemplo da Natureza.

O pão que te serve é a essência de muitos envoltórios que tornaram para o quimismo da gleba.

O clima reconfortante do lar é produto da limpeza constante.

Se pretendes avançar ao encontro do melhor, despoja-te do inútil.

Muitos aspiram à tranquilidade apegando-se à inquietação, enquanto outros muitos pretendem a primazia da fé, rendendo preito à negação de si próprios.

Querem a paz, guardando-se irritadiços, e anseiam pela segurança do bem, afirmando-se, eles mesmos, tão endividados com o mal que não lhes sobra leve possibilidade de consagração à virtude.

É natural estejamos nós sob a carga de avelhantados problemas. Herdeiros de passado culposo, é preciso revisar as próprias tendências e ajuizar quanto às nossas necessidades para que não estejamos tateando na sombra. Contudo, se aspiramos a melhorar amanhã, é forçoso sermos melhores ainda hoje.

Para isso não vale simplesmente partilhar o trabalho geral, mas selecionar a experiência comum, assimilando-lhe o ensinamento.

Não sintonizarás a antena do coração com as mensagens de toda a parte.

Recolherás aquelas que te enobreçam.

Não comprarás aflições.

Preocupar-te-ás com o que for justo.

Não te esqueças, pois, de que viver é atributo de todos, mas viver bem é o caminho de quantos se dirigem, leais ao Bem, para a divina luz da Vida Real.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 63

 


sábado, 10 de janeiro de 2026

No campo do verbo

 

“Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina.” — Paulo (Tito, 2:1)

 

Na atividade verbalista, emprega o homem grande parte da vida. E, com a palavra, habitualmente se articulam os bens e os males que lhe marcam a rota.

É de se lamentar, entretanto, o desperdício de força nesse sentido.

Quase sempre, computada a conversação de toda uma existência, o balanço acusa diminuta parcela de proveito, com largo coeficiente de prejuízo e inutilidade.

Muitas vezes, ninguém denota agradecimento pela riqueza de um dia claro; todavia basta a passagem de uma nuvem com leve garoa a cair, para que muita gente destile exclamações vinagrosas, em longas tiradas inconsequentes. De maneira geral, não existem olhos para a contemplação de grandes serviços públicos; no entanto, vaga incerteza do trabalho administrativo gera longos debates da opinião.

Há criaturas que guardam barômetros em casa para criticarem o tempo, tanto quanto há pessoas que adquirem pontualmente o jornal para a censura ao governo.

Muitos dormem tranquilos quando se trate de ouvir ensinamentos edificantes, declarando-se enfermos da memória, mas revelam admirável controle de si mesmos, quando o rádio anuncia calamidades, gastando vastas horas de comentário eloquente.

Esmaece a atenção quando é preciso aprender o bem, contudo, o olhar flameja interesse quando o mal surge à vista.

O mundo em si é sempre um parlatório de proporções gigantescas onde as almas se encontram para falar combinando fazer…

Raras, no entanto, conversam para ajudar…

Desborda-se a maioria no espinheiral da reprovação, no tormento da inveja, na fogueira da crítica ou no labirinto da queixa.

Para nós outros, no entanto, o Evangelho é seguro na advertência.

“Tu, porém, — diz-nos o apóstolo, — fala o que convém à sã doutrina.”

Não olvides, assim, que de sentimento a sentimento chegamos à ideia. De ideia em ideia, alcançamos a palavra. De frase a frase, atingimos a ação. E de ato em ato, acendemos a luz ou estendemos a treva dentro de nós.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 62

 


sábado, 3 de janeiro de 2026

Perdão, remédio santo

 

“Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem…” — Jesus (Lucas, 23:34)

 

Toda vez que a moléstia te ameaça, recorres necessariamente aos remédios que te liberem da apreensão.

Agentes calmantes para a dor…

Sedativos para a ansiedade…

Em suma, à face de qualquer embaraço físico, procuras reabilitar as funções do órgão lesado.

Lembra-te de semelhante impositivo e recorda que há pensamentos enfermiços de queixa e mágoa, de prevenção e antipatia, a te solicitarem adequada medicação para que se te restaure o equilíbrio.

E se nas doenças vulgares reclamas despreocupação, em favor da cura, é natural que nos achaques do espírito necessites de esquecimento para que se te refaçam as forças.

O perdão é, pois, remédio santo para a euforia da mente na luta cotidiana.

Tanto quanto não deves conservar detritos e infecções no vaso orgânico, não mantenhas aversão e rancor na própria alma.

Perdoa a quantos te aborreçam, perdoa a quantos te firam.

Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente.

Recorda que todas as criaturas trazem consigo as imperfeições e fraquezas que lhes são peculiares, tanto quanto, ainda desajustados, trazemos também as nossas.

É por isso que Jesus; o Emissário Divino, crucificado pela perseguição gratuita, rogou a Deus, ante os próprios algozes:

— “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem…”

E, deixando os ofensores nas inibições próprias a cada um, sustentou em si a luz do amor que dissolve toda sombra, induzindo-nos à conquista da luz eterna.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 61


Você conhece a história de Gabriel Delanne?

 

Gabriel Delanne nasceu em Paris, em 23 de março de 1857, no mesmo ano da publicação de O Livro dos Espíritos, em um lar profundamente ligado ao Espiritismo. Filho de Alexandre Delanne, colaborador direto de Allan Kardec, e de Marie-Alexandrine Didelot, médium psicógrafa, cresceu em ambiente de estudos e sessões espíritas familiares, tendo inclusive conhecido Kardec ainda criança. Desde cedo, assimilou naturalmente os princípios da Doutrina Espírita, que se tornariam o eixo central de sua vida.

De origem modesta, Delanne enfrentou dificuldades financeiras e problemas de saúde desde a infância, o que marcou sua trajetória pessoal. Apesar de estudos científicos brilhantes e da admissão na Escola Central das Artes e Manufaturas, não pôde concluir a formação por limitações econômicas, trabalhando como engenheiro enquanto se dedicava paralelamente ao Espiritismo. Sua saúde frágil, que comprometeu progressivamente sua visão e mobilidade, nunca o afastou do ideal espírita.

Mesmo sem constituir família própria, Delanne adotou uma criança em 1905, a quem dedicou imenso amor e lhe fez muito bem. As limitações físicas se agravaram ao longo dos anos, culminando em cegueira e paralisia parcial, especialmente durante e após a Primeira Guerra Mundial. Ainda assim, perseverou na produção literária, nas pesquisas e nas conferências, demonstrando notável força moral e dedicação à causa espírita.

Sua contribuição ao Espiritismo foi decisiva para a consolidação da Doutrina sob bases científicas, em rigorosa fidelidade a Allan Kardec. Fundou, em 1883, a revista O Espiritismo, participou de importantes congressos internacionais e publicou obras fundamentais como O Espiritismo perante a Ciência, O Fenômeno Espírita, A Evolução Anímica e A Alma é Imortal. Atuou em experiências relevantes, inclusive fenômenos de materialização, e ocupou cargos de destaque em instituições espíritas francesas e internacionais.

Nos últimos anos, mesmo profundamente debilitado, Delanne manteve intensa produção intelectual, culminando na publicação de A Reencarnação, em 1924. Desencarnou em 15 de fevereiro de 1926, em Paris, deixando um legado sólido como pesquisador incansável que buscou unir ciência e espiritualidade. Sua obra marcou a continuidade do pensamento kardequiano e reafirmou a proposta de conciliação entre razão, fé e compreensão lógica do universo e dos seus habitantes: os espíritos.

 

Resumo da biografia encontrada no site da União Espírita Mineira.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O Mestre é Contigo

 


"Asserena-te e deixe que a suave luz do Senhor banhe teu espírito.

Ouça o doce chamamento de Jesus, para que entregues a ele os vossos fardos e viva intensamente as luzes da realidade divina.

Jesus é contigo.

Deves permanecer com ele.

Ama, serve, perdoa, compreende e ajuda sempre.

O bom discípulo, guarda no coração a fé serena e mantém as mãos no arado divino.

As sementes do bem e do amor que ora semeais e te parecem cair em terreno estéril, um dia, uma das sementinhas eclodirá se transformando em árvore frondosa e amiga de sabedoria e amor.

Ama a todos os seres da Terra, por mais rudes que te pareçam, são teus irmãos, mais jovens na escalada evolutiva e a ti compete o dever de estender as mãos amigas para auxiliar, perdoar, amar.

Lembra-te que Jesus é contigo, nunca estarás sozinho.

Trabalha sereno e tranquilo para que construas hoje os alicerces de tua paz e alegria porvindouras.

Sede paciente, persevera na obra do teu Senhor, e as bênçãos do pai serão contigo, como conquista realizada por teu próprio espírito através de duras e laboriosas provas, mas conseguidas enfim por teu próprio merecimento.

Compromissos do passado reúnem as criaturas no presente, e é necessário que a luz do discernimento se faça no âmago de nossos corações para que a benção da compreensão nos ilumine o espírito.

Munidos, pois deste entendimento divino, estamos prontos para vencermos as batalhas da vida, de cabeça erguida e serenos, pois sentimos que a divina presença do Senhor nos banha a alma de extraordinária força que nos conduz fortalecidos para as mais sublimes realizações, envoltas embora na renúncia silenciosa, mas plena de luz, daquele que aprendeu a amar e confiar no Pai Celeste."

Bezerra de Menezes (psicografia de Déa Gazzinelli)



quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Ano Novo! Renovam-se as oportunidades...

 

O início de um novo ano sempre nos convida à reflexão. Diante das experiências vividas, somos chamados a avaliar nossos passos, rever escolhas e renovar propósitos. Diz-nos Emmanuel, na mensagem “Carta de Ano Novo” (livro: Vida e caminho), que o tempo se renova como um amigo paternal, oferecendo-nos mais uma oportunidade de aprender, trabalhar e servir. Não se trata apenas da mudança no calendário, mas de um novo dia espiritual que nos chama à execução de velhas promessas ainda adiadas, convidando-nos à coragem moral de transformar intenções em atitudes.

Entre os grandes desafios do tempo presente está o cuidado com nossa saúde mental, emocional e espiritual. As inquietações, o excesso de estímulos e as pressões da vida moderna podem gerar ansiedade, cansaço, tristeza e desalento, mas a Doutrina Espírita nos ensina que o equilíbrio nasce da vigilância interior, da prece sincera, da confiança na justiça divina e do dever bem cumprido. Se a tristeza nos requisita, recorda Emmanuel, é preciso esquecê-la no serviço ao bem, buscando a alegria serena que brota da consciência tranquila.

O Evangelho de Jesus permanece como guia seguro para essa caminhada. Ele nos convida à reconciliação, ao perdão e à fraternidade, lembrando-nos de que há mais ignorância do que maldade nas dificuldades que enfrentamos com os outros. Ao sorrirmos para quem nos feriu e buscarmos harmonia com aqueles que ainda não nos compreendem, iluminamos nosso próprio caminho e colaboramos para um mundo mais pacificado.

Cuidar de si mesmo também significa sair de si. A prática da caridade — material, moral e espiritual — é caminho de libertação, de cura e poderoso instrumento de renovação interior. Ao auxiliar alguém a acender uma luz na escuridão da própria dor, fortalecemos nossas forças íntimas e aprendemos que ajudar aos outros é, igualmente, amparar a nós mesmos.

Assim, neste novo ano que se inicia, fica o convite fraterno ao trabalho perseverante no bem, ao estudo do Evangelho e à vivência da Doutrina Espírita. E para isso, a Casa de Joseph Gleber segue de portas abertas para acolher, orientar e oferecer oportunidades de serviço, lembrando-nos, com Jesus, que Ele jamais se desespera conosco e nos repete, a cada dia: ama, auxilia sempre e mantém aberta a porta do coração para a luz que deseja entrar.

A Equipe CEJG deseja a todos um ano de muita paz!


Palestras CEJG - Janeiro/2026

 


domingo, 28 de dezembro de 2025

Terra, bênção divina

 

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” — Jesus (João, 3:16)

 

Não amaldiçoes o mundo que te acolhe.

Nele encontras a Bênção Divina, envolvente e incessante, nas bênçãos que te rodeiam.

O regaço materno…

O refúgio do corpo…

O calor do berço…

O conforto do lar…

O privilégio da oração…

O apoio do alfabeto…

A luz do conhecimento…

A alegria do trabalho…

A riqueza da experiência…

O amparo das afeições…

Do mundo recebes o pão que te alimenta e o fio que te veste.

No mundo respiraram os heróis de teu ideal, os santos de tua fé, os apóstolos de tua inspiração e as inteligências que te traçaram roteiro.

O Criador não no-lo ofertou por exílio ou prisão, mas por escola regenerativa e abrigo santo, qual divino jardim a pleno céu, esmaltado de sol, durante o dia, e envolvido de estrelas, durante a noite.

Se algo nele existe que o tisna de lágrimas e empesta de inquietação, é a dor de nossos erros…

Não te faças, assim, causa do mal no mundo, que, em todas as expressões essenciais, consubstancia o Bem Maior em si mesmo.

Lembra-te de que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 60


sábado, 20 de dezembro de 2025

Em louvor do equilíbrio

 

“Toda a amargura, cólera, ira, gritaria e blasfêmia sejam retiradas dentre vós, bem como toda a malícia.” — Paulo (Efésios, 4:31)

 

Na própria senda comum, surpreendemos a lição do equilíbrio que exclui todo assalto da violência e qualquer devoção à imundície.

Nas cidades litorâneas, diques reprimem o mar furioso prevenindo calamidades e arrasamentos.

Nos grandes edifícios modernos, para-raios seguros coíbem o impacto fulminatório das faíscas elétricas.

Desde tempos longevos, esgotos sólidos extraem detritos do pouso humano.

Cada templo doméstico possui sistemas habituais de limpeza.

Entretanto, no campo do espírito, o homem desavisado acalenta nas fibras do próprio ser o lodo da maledicência e o lixo da mágoa, libertando os raios da blasfêmia e a onda letal da ira, ferindo os outros e atormentando a si mesmo…

Quantas enfermidades nascem dos pântanos da amargura e quantos crimes se configuram no extravasamento da cólera! Impossível enumerá-los…

Se a mensagem do Evangelho te anuncia as Boas Novas da Redenção, foge, assim, ao domínio da viciação e da crueldade.

À frente da irritação e do desalento, da agressividade e da injúria, oferece o dom inefável de tua paz, falando para o bem ou silenciando na grande compreensão, porque em ti, que guardas o nome do Cristo empenhado na própria vida, o Reino do Amor deve começar.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 59

 


domingo, 14 de dezembro de 2025

Em honra da liberdade

 

“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo, e não segundo o Cristo.” — Paulo (Colossenses, 2:8)

 

Se alcançaste um raio de luz do Evangelho, avança na direção do Cristo, o Divino Libertador.

Não julgues seja fácil semelhante viagem do espírito.

Encontrarás, em caminho, variados apelos à indisciplina e à estagnação.

Serás surpreendido a cada passo pelos sofistas* da Religião, pelos falsários da Filosofia, pelos paranoicos da Ciência e pelos dilapidadores da História, empavesados* nas engenhosas criações mentais em que encarceram a própria vida, buscando atrelar-te o pensamento ao carro da argumentação filauciosa* a que se acolchetam, famintos de louvor e de vassalagem.

Mutilando a revelação divina, desfigurando preceitos da verdade, abusando da inteligência ou fantasiando episódios furtados ao registro fiel do tempo, armam ciladas ou levantam castelos teóricos, em que a sugestão menos digna te inclina a existência à rebelião e ao pessimismo, à viciação e à inutilidade.

Atendendo, quase sempre, a interesses escusos, lisonjeiam-te a insipiência, incensando-te o nome, quando não se desmandam na vaidade, aliciando-te a decisão para que lhes engrosses o séquito de loucura.

Acompanhando-os, porém, não te farás senão presa deles, fâmulo* desditoso das ideias desequilibradas que emitem, no temerário propósito de se anteporem ao próprio Deus.

Querem escravos para os sistemas falaciosos que mentalizam, quando Jesus deseja te faças livre para a conquista da própria felicidade.

Acautela-te no trato com todos os que tudo te pedem, no campo da independência espiritual, limitando-te a capacidade de sentir e pensar, empreender e construir, porquanto, em nos fazendo tributários da falsa glória em que se encasulam, relegam-nos a existência a planos de subnível, quando o Cristo de Deus, tudo nos dando em amor e sabedoria, nos ampliou a emoção e o conhecimento, a iniciativa e o trabalho, convertendo-nos em filhos emancipados da Criação, para que tenhamos não apenas a vida, mas Vida Santificada e Abundante.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 58

 

*sofistas: Pessoa que raciocina focando em persuadir e vencer debates políticos e sociais, não necessariamente na verdade absoluta.

* empavesados: cheio de vaidade; orgulhoso, soberbo (figurado).

* filauciosa: que demonstra amor desmedido de si próprio.

*fâmulo: pessoa que presta serviços domésticos; criado, empregado.

 (Definições de Oxford Languages - Google)



sábado, 6 de dezembro de 2025

Jesus e paz

 

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá…” — Jesus (João, 14:27)

 

A paz do mundo costuma ser preguiça rançosa.

A paz do espírito é serviço renovador.

A primeira é inutilidade.

A segunda é proveito constante.

Vejamos o exemplo disso em nosso Divino Mestre.

Lares humanos negaram-lhe o berço.

Mas o Senhor revelou-se em paz na estrebaria.

Herodes perseguiu-lhe, desapiedado, a infância tenra.

Jesus, porém, transferindo-se de residência, em favor do apostolado que trazia, sofreu, tranquilo, a imposição das circunstâncias.

Negado pela fortuna de Jerusalém, refugiou-se, feliz, em barcas pobres da Galileia.

Amando e servindo os necessitados e doentes recebia, a cada passo, os golpes da astúcia de letrados e casuístas de seu tempo; contudo, jamais deixou, por isso, de exercer, imperturbável, o ministério do amor.

Abandonado pelos próprios amigos, entregou-se serenamente à prisão injusta.

Sob o cuspo injurioso da multidão foi açoitado em praça pública e conduzido à crucificação, mas voltou da morte, aureolado de paz sublime, para fortalecer os companheiros acovardados e ajudar os próprios verdugos.

Recorda, assim, o exemplo do Benfeitor Excelso e não procures segurança íntima fora do dever corretamente cumprido, ainda mesmo que isso te custe o sacrifício supremo.

A paz do mundo, quase sempre, é aquela que culmina com o descanso dos cadáveres a se dissociarem na inércia, mas a paz do Cristo é o serviço do bem eterno, em permanente ascensão.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 57

 


Você conhece a história de José Herculano Pires?

 

José Herculano Pires nasceu em Avaré, São Paulo, em 1914, e desde cedo revelou forte vocação literária. Ainda criança, escreveu seu primeiro soneto e, na adolescência, publicou seus primeiros livros, colaborando ativamente em jornais e revistas. Participou de movimentos culturais do interior paulista, ajudou a fundar a União Artística do Interior e transformou o jornal de seu pai em um semanário literário. Em 1938, casou-se com Maria Virgínia, evangelizadora infantil do centro onde ele realizou sua primeira conferência espírita, e após mudanças entre cidades do interior, adquiriu e dirigiu o Diário Paulista em Marília, onde fomentou um expressivo movimento literário.

Mudou-se para a capital paulista em 1946 e lançou seu primeiro romance, recebendo críticas elogiosas. Ao longo de sua carreira profissional, atuou como repórter, redator, cronista parlamentar e crítico literário nos Diários Associados. Autor prolífico, escreveu 81 obras abordando Filosofia, Psicologia, Parapsicologia, Ficção Científica e Espiritismo, alegando sofrer de “grafomania”. Graduou-se em Filosofia pela USP, lecionou em diversas instituições e participou ativamente de entidades culturais e acadêmicas, além de atuar no Sindicato dos Jornalistas.

Herculano Pires também se destacou na área da Parapsicologia, presidindo o Instituto Paulista de Parapsicologia, ministrando cursos em universidades e instituições médicas, e fundando o Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo. Esteve envolvido em variados movimentos culturais, literários e jornalísticos, ocupando cargos relevantes, como no governo Jânio Quadros e na União Brasileira de Escritores.

Espírita desde os 22 anos, dedicou grande parte de sua vida à divulgação da Doutrina Espírita. Manteve por 20 anos uma coluna diária sob o pseudônimo “Irmão Saulo” e, durante quatro anos, outra em parceria com Chico Xavier, sob o título “Chico Xavier pede Licença”. Juntos, publicaram livros e promoveram intenso trabalho doutrinário. Herculano também escreveu importantes obras espíritas, e fundou a Revista Educação Espírita. Além disso, apresentou e comandou o programa semanal de rádio “No Limiar do Amanhã”, cuja proposta era tratar do Espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta dos ouvintes, sempre defendendo uma pedagogia fundamentada nos princípios cristãos e espíritas.

Traduziu cuidadosamente as obras da Codificação Kardequiana, enriquecendo-as com notas explicativas nos rodapés e distribuindo-as a diversas editoras espíritas no Brasil e no exterior.

Faleceu em 9 de março de 1979, em São Paulo, deixando vasto legado intelectual e doutrinário, incluindo traduções inéditas da Revista Espírita que continuam a ser publicadas.

 

Resumo da biografia encontrada no sítio da UEM.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Buscando Jesus

 


José Grosso

Psicografia: Déa Gazzinelli - 1975

 

Busquei-te Senhor, no mundo, nos caminhos da ilusão,

Nas lutas e desventuras, buscava o seu coração!

Na taça triste vazia, pensava te encontrar...

Surgindo no dia a dia, desilusão e penar!

 

É que Senhor, não sabia aonde te encontrar...

Nas ilusões me perdia, sem conseguir despertar!

Porém na vida vazia, pude o tédio conquistar,

Em rude caminho agreste, meu viver era um pesar!

 

Hoje, Senhor, que alegria!

Já sei a arte de orar.

Encontrei-te com harmonia,

Na luz de um doce olhar!

 

Aprendi que a caridade,

Nos ensina o verbo amar.

Percorri longos caminhos,

Procurando trabalhar...

 

Em um sorriso de alegria,

Em doce frase de amor,

Ajudei meu irmãozinho,

Também a te encontrar!

 

Ofertei luz e carinho...

Egoísmo, esqueci...

O teu amor é carinho

Que transforma corações!

 

Como é bom, Jesus amado,

Sentir-te em meu coração!

A vida é felicidade,

Na luz de uma oração!

 


sábado, 29 de novembro de 2025

Jesus e dificuldade

 

“… Não se vos turbe o coração…” — Jesus (João, 14:27)

 

Jesus nunca prometeu aos discípulos qualquer isenção de dificuldades, mas com frequência reclamava-lhes o coração para a confiança.

No cenáculo, descerrando, afetuoso, o coração para os aprendizes, dentre muitas palavras de esperança e de amor, asseverou com firmeza: — “Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” — Pacificava o ânimo dos companheiros timoratos, entre quatro paredes, sabendo que, em derredor, se agigantava a trama das sombras.

Lá fora, Judas era atraído aos conchavos da deserção; sacerdotes confabulavam com escribas e fariseus sobre o melhor processo de enganarem o povo, para que o povo pedisse a morte d’Ele; agentes do Sinédrio penetravam pequenos agrupamentos de rua açulando contra Ele as forças da opinião; perseguidores desencarnados excitavam o cérebro dos guardas que o deteriam no cárcere, e, quantos Lhe seguiam a atividade, regurgitando ódio gratuito, prelibavam-Lhe o suplício…

Jesus, percuciente, não desconhecia a conspiração das trevas…

Entretanto, lúcido e calmo, findo o entendimento com os irmãos de apostolado, dirige-se à oração no jardim, para, além da oração, confiar-se aos testemunhos supremos…

Não procures, assim fugir à luta que te afere o valor.

Aceita os desafios da senda, como quem se reconhece chamado a batalhar pela vitória do bem, com a obrigação permanente de extinguir o mal em nós mesmos.

E não apeles para o Senhor como advogado da fuga calculada ao dever.

Lembra-te de que o Mestre a ninguém prometeu avenidas de sonho e horizontes azuis na Terra, mas, sim, convicto de que a tempestade das contradições humanas não pouparia a Ele próprio, advertiu-nos, sensatamente:

— “Não se vos turbe o coração.”

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 56

 


sábado, 22 de novembro de 2025

Suportemos

 

“Tenha a paciência a sua obra perfeita.” — (Tiago, 1:4)

 

Detém-te um minuto no torvelinho das preocupações costumeiras e repara que deves o próprio equilíbrio à Paciência Divina, a sustentar-nos em cada instante da vida, através de mil modos.

Muita gente, talvez, em te fitando na ternura do recém-nato, duvidasse da tua capacidade de sobreviver para a existência terrestre, mas Deus teve paciência contigo e conferiu-te o devotamento materno que te ajudou a ativar as energias do próprio corpo.

Entendidos de psicologia, em te anotando a intempestividade infantil, provavelmente desconfiaram da tua possibilidade de alfabetização, mas Deus teve paciência contigo e concedeu-te a heroica ternura de professores abnegados que te abriram novos horizontes no campo da educação.

E a paciência do Senhor, cada dia, permite, generosa, que tales* plantas inermes, que te assenhoreis do suor e do sangue dos animais, que te apropries das forças da Natureza e que te valhas, indiscriminadamente, do concurso dos semelhantes para que te alimentes e mediques, restaures e instruas.

Lembra-te dessa Paciência Perfeita que te beneficia, e cultiva paciência para com os outros.

O companheiro cuja aspereza te ofende e o aprendiz cuja insipiência* te irrita, são irmãos que te rogam cooperação e entendimento, e quantos te caluniem ou apedrejem são doentes que te pedem simpatia e consolo…

Mas para que colabores e compreendas, harmonizes e reconfortes é necessário que a tolerância construtiva te alente os passos.

À frente dos óbices de todo gênero, guarda a paciência que ajuda, e, diante dos ataques de toda ordem, cultiva a paciência que esquece.

Escuda-te, pois, na paciência para com todos, sem jamais te esqueceres de que a alegria dos homens é a Paciência de Deus.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 55

 

*Tales: Forma do verbo “talar” que significa causar grave estrago em (algo); devastar, arrasar.

*Insipiência: Falta de ciência ou de sabedoria; ignorância. Não se confunde com incipiência, que é a qualidade ou estado do que está no início.