quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
domingo, 28 de dezembro de 2025
Terra, bênção divina
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu
Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida
eterna.” — Jesus (João, 3:16)
Não amaldiçoes o mundo que te acolhe.
Nele encontras a Bênção Divina, envolvente e
incessante, nas bênçãos que te rodeiam.
O regaço materno…
O refúgio do corpo…
O calor do berço…
O conforto do lar…
O privilégio da oração…
O apoio do alfabeto…
A luz do conhecimento…
A alegria do trabalho…
A riqueza da experiência…
O amparo das afeições…
Do mundo recebes o pão que te alimenta e o fio que te
veste.
No mundo respiraram os heróis de teu ideal, os santos
de tua fé, os apóstolos de tua inspiração e as inteligências que te traçaram
roteiro.
O Criador não no-lo ofertou por exílio ou prisão, mas
por escola regenerativa e abrigo santo, qual divino jardim a pleno céu,
esmaltado de sol, durante o dia, e envolvido de estrelas, durante a noite.
Se algo nele existe que o tisna de lágrimas e empesta
de inquietação, é a dor de nossos erros…
Não te faças, assim, causa do mal no mundo, que, em
todas as expressões essenciais, consubstancia o Bem Maior em si mesmo.
Lembra-te de que “Deus amou o mundo de tal maneira que
deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas
tenha a vida eterna.”
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 60
sábado, 20 de dezembro de 2025
Em louvor do equilíbrio
“Toda a amargura, cólera, ira, gritaria e blasfêmia
sejam retiradas dentre vós, bem como toda a malícia.” — Paulo (Efésios, 4:31)
Na própria senda comum, surpreendemos a lição do
equilíbrio que exclui todo assalto da violência e qualquer devoção à imundície.
Nas cidades litorâneas, diques reprimem o mar furioso
prevenindo calamidades e arrasamentos.
Nos grandes edifícios modernos, para-raios seguros
coíbem o impacto fulminatório das faíscas elétricas.
Desde tempos longevos, esgotos sólidos extraem
detritos do pouso humano.
Cada templo doméstico possui sistemas habituais de
limpeza.
Entretanto, no campo do espírito, o homem desavisado
acalenta nas fibras do próprio ser o lodo da maledicência e o lixo da mágoa,
libertando os raios da blasfêmia e a onda letal da ira, ferindo os outros e
atormentando a si mesmo…
Quantas enfermidades nascem dos pântanos da amargura e
quantos crimes se configuram no extravasamento da cólera! Impossível
enumerá-los…
Se a mensagem do Evangelho te anuncia as Boas Novas da
Redenção, foge, assim, ao domínio da viciação e da crueldade.
À frente da irritação e do desalento, da agressividade
e da injúria, oferece o dom inefável de tua paz, falando para o bem ou
silenciando na grande compreensão, porque em ti, que guardas o nome do Cristo
empenhado na própria vida, o Reino do Amor deve começar.
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 59
domingo, 14 de dezembro de 2025
Em honra da liberdade
“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua,
por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, conforme
os rudimentos do mundo, e não segundo o Cristo.” — Paulo (Colossenses, 2:8)
Se alcançaste um raio de luz do Evangelho, avança na
direção do Cristo, o Divino Libertador.
Não julgues seja fácil semelhante viagem do espírito.
Encontrarás, em caminho, variados apelos à
indisciplina e à estagnação.
Serás surpreendido a cada passo pelos sofistas* da
Religião, pelos falsários da Filosofia, pelos paranoicos da Ciência e pelos
dilapidadores da História, empavesados* nas engenhosas criações mentais em que
encarceram a própria vida, buscando atrelar-te o pensamento ao carro da
argumentação filauciosa* a que se acolchetam, famintos de louvor e de
vassalagem.
Mutilando a revelação divina, desfigurando preceitos
da verdade, abusando da inteligência ou fantasiando episódios furtados ao
registro fiel do tempo, armam ciladas ou levantam castelos teóricos, em que a
sugestão menos digna te inclina a existência à rebelião e ao pessimismo, à
viciação e à inutilidade.
Atendendo, quase sempre, a interesses escusos,
lisonjeiam-te a insipiência, incensando-te o nome, quando não se desmandam na
vaidade, aliciando-te a decisão para que lhes engrosses o séquito de loucura.
Acompanhando-os, porém, não te farás senão presa
deles, fâmulo* desditoso das ideias desequilibradas que emitem, no temerário
propósito de se anteporem ao próprio Deus.
Querem escravos para os sistemas falaciosos que
mentalizam, quando Jesus deseja te faças livre para a conquista da própria
felicidade.
Acautela-te no trato com todos os que tudo te pedem,
no campo da independência espiritual, limitando-te a capacidade de sentir e
pensar, empreender e construir, porquanto, em nos fazendo tributários da falsa
glória em que se encasulam, relegam-nos a existência a planos de subnível,
quando o Cristo de Deus, tudo nos dando em amor e sabedoria, nos ampliou a
emoção e o conhecimento, a iniciativa e o trabalho, convertendo-nos em filhos
emancipados da Criação, para que tenhamos não apenas a vida, mas Vida Santificada
e Abundante.
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 58
*sofistas: Pessoa que raciocina focando em persuadir e
vencer debates políticos e sociais, não necessariamente na verdade absoluta.
* empavesados: cheio de vaidade; orgulhoso, soberbo
(figurado).
* filauciosa: que demonstra amor desmedido de si próprio.
*fâmulo: pessoa que presta serviços domésticos;
criado, empregado.
(Definições de Oxford Languages - Google)
sábado, 6 de dezembro de 2025
Jesus e paz
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou
como o mundo a dá…” — Jesus (João, 14:27)
A paz do mundo costuma ser preguiça rançosa.
A paz do espírito é serviço renovador.
A primeira é inutilidade.
A segunda é proveito constante.
Vejamos o exemplo disso em nosso Divino Mestre.
Lares humanos negaram-lhe o berço.
Mas o Senhor revelou-se em paz na estrebaria.
Herodes perseguiu-lhe, desapiedado, a infância tenra.
Jesus, porém, transferindo-se de residência, em favor
do apostolado que trazia, sofreu, tranquilo, a imposição das circunstâncias.
Negado pela fortuna de Jerusalém, refugiou-se, feliz,
em barcas pobres da Galileia.
Amando e servindo os necessitados e doentes recebia, a
cada passo, os golpes da astúcia de letrados e casuístas de seu tempo; contudo,
jamais deixou, por isso, de exercer, imperturbável, o ministério do amor.
Abandonado pelos próprios amigos, entregou-se
serenamente à prisão injusta.
Sob o cuspo injurioso da multidão foi açoitado em
praça pública e conduzido à crucificação, mas voltou da morte, aureolado de paz
sublime, para fortalecer os companheiros acovardados e ajudar os próprios
verdugos.
Recorda, assim, o exemplo do Benfeitor Excelso e não
procures segurança íntima fora do dever corretamente cumprido, ainda mesmo que
isso te custe o sacrifício supremo.
A paz do mundo, quase sempre, é aquela que culmina com
o descanso dos cadáveres a se dissociarem na inércia, mas a paz do Cristo é o
serviço do bem eterno, em permanente ascensão.
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 57
Você conhece a história de José Herculano Pires?
José Herculano Pires nasceu em Avaré, São Paulo, em
1914, e desde cedo revelou forte vocação literária. Ainda criança, escreveu seu
primeiro soneto e, na adolescência, publicou seus primeiros livros, colaborando
ativamente em jornais e revistas. Participou de movimentos culturais do
interior paulista, ajudou a fundar a União Artística do Interior e transformou
o jornal de seu pai em um semanário literário. Em 1938, casou-se com Maria
Virgínia, evangelizadora infantil do centro onde ele realizou sua primeira
conferência espírita, e após mudanças entre cidades do interior, adquiriu e dirigiu
o Diário Paulista em Marília, onde fomentou um expressivo movimento literário.
Mudou-se para a capital paulista em 1946 e lançou seu
primeiro romance, recebendo críticas elogiosas. Ao longo de sua carreira
profissional, atuou como repórter, redator, cronista parlamentar e crítico
literário nos Diários Associados. Autor prolífico, escreveu 81 obras abordando
Filosofia, Psicologia, Parapsicologia, Ficção Científica e Espiritismo,
alegando sofrer de “grafomania”. Graduou-se em Filosofia pela USP, lecionou em
diversas instituições e participou ativamente de entidades culturais e acadêmicas,
além de atuar no Sindicato dos Jornalistas.
Herculano Pires também se destacou na área da
Parapsicologia, presidindo o Instituto Paulista de Parapsicologia, ministrando
cursos em universidades e instituições médicas, e fundando o Clube dos
Jornalistas Espíritas de São Paulo. Esteve envolvido em variados movimentos
culturais, literários e jornalísticos, ocupando cargos relevantes, como no
governo Jânio Quadros e na União Brasileira de Escritores.
Espírita desde os 22 anos, dedicou grande parte de sua
vida à divulgação da Doutrina Espírita. Manteve por 20 anos uma coluna diária
sob o pseudônimo “Irmão Saulo” e, durante quatro anos, outra em parceria com
Chico Xavier, sob o título “Chico Xavier pede Licença”. Juntos, publicaram
livros e promoveram intenso trabalho doutrinário. Herculano também escreveu
importantes obras espíritas, e fundou a Revista Educação Espírita. Além disso, apresentou
e comandou o programa semanal de rádio “No Limiar do Amanhã”, cuja proposta era
tratar do Espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a
qualquer pergunta dos ouvintes, sempre defendendo uma pedagogia fundamentada
nos princípios cristãos e espíritas.
Traduziu cuidadosamente as obras da Codificação Kardequiana,
enriquecendo-as com notas explicativas nos rodapés e distribuindo-as a diversas
editoras espíritas no Brasil e no exterior.
Faleceu em 9 de março de 1979, em São Paulo, deixando
vasto legado intelectual e doutrinário, incluindo traduções inéditas da Revista
Espírita que continuam a ser publicadas.
Resumo da biografia
encontrada no sítio da UEM.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Buscando Jesus
José Grosso
Psicografia: Déa Gazzinelli - 1975
Busquei-te
Senhor, no mundo, nos caminhos da ilusão,
Nas
lutas e desventuras, buscava o seu coração!
Na
taça triste vazia, pensava te encontrar...
Surgindo
no dia a dia, desilusão e penar!
É
que Senhor, não sabia aonde te encontrar...
Nas
ilusões me perdia, sem conseguir despertar!
Porém
na vida vazia, pude o tédio conquistar,
Em
rude caminho agreste, meu viver era um pesar!
Hoje,
Senhor, que alegria!
Já
sei a arte de orar.
Encontrei-te
com harmonia,
Na
luz de um doce olhar!
Aprendi
que a caridade,
Nos
ensina o verbo amar.
Percorri
longos caminhos,
Procurando
trabalhar...
Em
um sorriso de alegria,
Em
doce frase de amor,
Ajudei
meu irmãozinho,
Também
a te encontrar!
Ofertei
luz e carinho...
Egoísmo,
esqueci...
O
teu amor é carinho
Que
transforma corações!
Como
é bom, Jesus amado,
Sentir-te
em meu coração!
A
vida é felicidade,
Na
luz de uma oração!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
sábado, 29 de novembro de 2025
Jesus e dificuldade
“… Não se vos turbe o coração…” — Jesus (João, 14:27)
Jesus nunca prometeu aos discípulos qualquer isenção
de dificuldades, mas com frequência reclamava-lhes o coração para a confiança.
No cenáculo, descerrando, afetuoso, o coração para os
aprendizes, dentre muitas palavras de esperança e de amor, asseverou com
firmeza: — “Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” — Pacificava o
ânimo dos companheiros timoratos, entre quatro paredes, sabendo que, em
derredor, se agigantava a trama das sombras.
Lá fora, Judas era atraído aos conchavos da deserção;
sacerdotes confabulavam com escribas e fariseus sobre o melhor processo de
enganarem o povo, para que o povo pedisse a morte d’Ele; agentes do Sinédrio
penetravam pequenos agrupamentos de rua açulando contra Ele as forças da
opinião; perseguidores desencarnados excitavam o cérebro dos guardas que o
deteriam no cárcere, e, quantos Lhe seguiam a atividade, regurgitando ódio
gratuito, prelibavam-Lhe o suplício…
Jesus, percuciente, não desconhecia a conspiração das
trevas…
Entretanto, lúcido e calmo, findo o entendimento com
os irmãos de apostolado, dirige-se à oração no jardim, para, além da oração,
confiar-se aos testemunhos supremos…
Não procures, assim fugir à luta que te afere o valor.
Aceita os desafios da senda, como quem se reconhece
chamado a batalhar pela vitória do bem, com a obrigação permanente de extinguir
o mal em nós mesmos.
E não apeles para o Senhor como advogado da fuga
calculada ao dever.
Lembra-te de que o Mestre a ninguém prometeu avenidas
de sonho e horizontes azuis na Terra, mas, sim, convicto de que a tempestade
das contradições humanas não pouparia a Ele próprio, advertiu-nos,
sensatamente:
— “Não se vos turbe o coração.”
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 56
sábado, 22 de novembro de 2025
Suportemos
“Tenha a paciência a sua obra perfeita.” — (Tiago, 1:4)
Detém-te um minuto no torvelinho das preocupações
costumeiras e repara que deves o próprio equilíbrio à Paciência Divina, a
sustentar-nos em cada instante da vida, através de mil modos.
Muita gente, talvez, em te fitando na ternura do
recém-nato, duvidasse da tua capacidade de sobreviver para a existência
terrestre, mas Deus teve paciência contigo e conferiu-te o devotamento materno
que te ajudou a ativar as energias do próprio corpo.
Entendidos de psicologia, em te anotando a
intempestividade infantil, provavelmente desconfiaram da tua possibilidade de
alfabetização, mas Deus teve paciência contigo e concedeu-te a heroica ternura
de professores abnegados que te abriram novos horizontes no campo da educação.
E a paciência do Senhor, cada dia, permite, generosa,
que tales* plantas inermes, que te assenhoreis do suor e do sangue dos animais,
que te apropries das forças da Natureza e que te valhas, indiscriminadamente,
do concurso dos semelhantes para que te alimentes e mediques, restaures e
instruas.
Lembra-te dessa Paciência Perfeita que te beneficia, e
cultiva paciência para com os outros.
O companheiro cuja aspereza te ofende e o aprendiz
cuja insipiência* te irrita, são irmãos que te rogam cooperação e entendimento,
e quantos te caluniem ou apedrejem são doentes que te pedem simpatia e consolo…
Mas para que colabores e compreendas, harmonizes e
reconfortes é necessário que a tolerância construtiva te alente os passos.
À frente dos óbices de todo gênero, guarda a paciência
que ajuda, e, diante dos ataques de toda ordem, cultiva a paciência que
esquece.
Escuda-te, pois, na paciência para com todos, sem
jamais te esqueceres de que a alegria dos homens é a Paciência de Deus.
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 55
*Tales: Forma do verbo “talar” que significa causar
grave estrago em (algo); devastar, arrasar.
*Insipiência: Falta de ciência ou de sabedoria;
ignorância. Não se confunde com incipiência, que é a qualidade ou estado
do que está no início.

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