sábado, 5 de setembro de 2026

Nas palavras

 

“Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados…” — (Tiago, 5:9)

 

Mergulhar o divino dom da palavra no vaso lodoso da queixa é o mesmo que inflamar preciosa lâmpada no conteúdo da lata de lixo.

Não transformes a própria frase em lama sobre chagas abertas.

Podes mobilizar a maravilha do verbo, para reajustar o bem, sem necessidade de estender o mal.

Ergue a esperança, ao pé dos que desfaleceram na luta. Exalta a excelência do amor, perante aqueles que o ódio intoxica. Louva as perspectivas da fé, ao lado dos que choram no desencanto. Aponta as qualidades nobres do amigo que caiu em desvalimento. Destaca as possibilidades de auxiliar onde os outros somente encontram motivos para censura. Desdobra o trabalho restaurador onde o pessimismo condena. Procura o lado melhor das situações para que o melhor seja feito. E, quando os obstáculos morais se agigantem, como se a maldade estivesse a ponto de triunfar em definitivo, se não podes algo dizer em louvor da bondade, cala-te e ora.

Pensa no bem, quando não puderes falar nele.

A semente muda, renova a terra.

A gota silenciosa de sedativo, asserena o corpo martirizado.

Nunca te queixes dos outros, mesmo porque, em nos queixando de alguém, é preciso consultar o próprio íntimo para saber se em lugar desse alguém não estaríamos fazendo isso ou aquilo de maneira pior.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 96


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Você conhece a história de Auta de Souza?

 


Auta de Souza nasceu em Macaíba, Rio Grande do Norte, em 12 de setembro de 1876. Perdeu a mãe antes de completar três anos e o pai aos quatro, sendo criada, juntamente com os irmãos, pela avó materna, Dona Silvina Maria da Conceição de Paula Rodrigues, conhecida como Dindinha. Aos dez anos, sofreu outro grande golpe com a morte trágica do irmão Irineu. Apesar das dificuldades, recebeu excelente educação no Colégio São Vicente de Paulo, em Recife, onde estudou Literatura, Inglês, Música, Desenho e Francês, tendo contato com grandes autores da literatura francesa.

Desde muito jovem, Auta revelou profunda religiosidade e extraordinário talento poético. Lia frequentemente o Evangelho e cultivava uma fé sincera e intensa, mas sem abandonar a alegria, a convivência social e os sonhos próprios de uma jovem de sua época. Aos dezesseis anos, viveu uma experiência amorosa que terminou com a renúncia ao relacionamento, em razão do avanço da tuberculose, enfermidade que também vitimara seus pais. As experiências de orfandade, a morte do irmão, a doença e a frustração amorosa marcaram profundamente sua sensibilidade, fortalecendo nela a compaixão pelos pobres, pelos humildes e pelos sofredores.

A dor encontrou expressão em sua poesia, dando origem a uma obra marcada simultaneamente pelo sofrimento, pela esperança e pela fé cristã. Seu único livro, Horto, publicado em 20 de junho de 1900, reúne poemas de grande sensibilidade, nos quais se refletem suas experiências, sua confiança em Jesus e sua busca de consolo diante das provações. Mesmo gravemente enferma, Auta manteve uma vida social ativa e dedicou atenção aos mais necessitados, revelando uma personalidade marcada pela bondade, pela pureza de sentimentos e pela solidariedade. Faleceu em Natal, em 7 de fevereiro de 1901, aos 24 anos.

Livre do corpo, totalmente desgastado pela enfermidade, Auta de Souza, irradiando luz própria, lúcida e gloriosa alçou voo em direção à Espiritualidade Maior. Mas a compaixão que sempre sentira pelos sofredores fez com que a poetisa em companhia de outros Espíritos caridosos, visitasse, constantemente a crosta da terra. Foi através de Chico Xavier, que ela, pela primeira vez revelou sua identidade, transmitindo suas poesias enfeixadas em 1932, na primeira edição do "Parnaso de Além Túmulo", lançado pela Federação Espírita Brasileira.

Auta de Souza permanece, assim, como uma figura que une literatura, sofrimento, fé e espiritualidade. Em sua existência terrena, transformou as experiências dolorosas em poesia e buscou no Cristo a esperança e o consolo para os aflitos. Na perspectiva espírita, sua atuação após a morte representa a continuidade desse mesmo ideal de amor ao próximo, agora voltado ao amparo dos que sofrem. Sua mensagem pode ser sintetizada como um convite à fé, à caridade e à esperança, mostrando que a dor, quando vivenciada com confiança em Deus e disposição para o bem, pode transformar-se em instrumento de crescimento espiritual e de auxílio ao próximo.

 

Resumo elaborado com base no texto da página da Federação Espírita do Paraná(FEP).

 

 


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Aprendendo

 

“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” — (Tiago, 1:22)

 

Cada vez que as circunstâncias te induzam a ouvir as verdades do Evangelho, não admitas que o acaso esteja presidindo a semelhantes eventos. Forças ocultas estarão acionando a oportunidade, a fim de que te informes quanto ao teu próprio caminho.

Não te faças, pois, desatento, porquanto, a breve espaço, serás naturalmente chamado pela vida para testemunhar.

Observa a escola e as disciplinas com que se formam determinados profissionais.

Acadêmicos de Medicina ouvem lições para curar os doentes ou auxiliá-los; estudantes de Engenharia escutam ensinamentos para que os apliquem à técnica das construções no Plano terrestre; contabilistas gastam tempo, de modo a garantirem a sustentação do comércio, na arte de fazer contas; tecelões assimilam princípios, em torno de certas máquinas, para atenderem, oportunamente, à indústria do fio…

Qualquer estudo nobre é aquisição inapreciável, mas se mora estanque, na alma de quem aprende, assemelha-se a pão escondido aos que choram de fome.

Ouvir, sim, os preceitos da Espiritualidade Superior, mas agir, segundo nos orientam, porque, se sabemos e não fazemos o que o bem nos ensina, melhor fora não saber, para não sermos tributados, com taxas de maior sofrimento, nas grades da culpa.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 95


sábado, 22 de agosto de 2026

Beneficência e paciência

 

“A caridade é paciente e benigna…” — Paulo (I Coríntios, 13:4)

 

Beneficência, sim, para com todos:

Prato dividido.

Veste aos nus.

Remédio aos doentes.

Asilo aos que vagueiam sem teto.

Proteção à criança desamparada.

Auxílio ao ancião em desvalimento.

Socorro às viúvas.

Refúgio aos indigentes.

Consolo aos tristes.

Esperança aos que choram.

Entretanto, é preciso estender a bondade igualmente noutros setores:

Compreensão em família.

Trabalho sem queixa.

Cooperação sem atrito.

Pagamento sem choro.

Atenção a quem fale, ainda mesmo sem qualquer propósito edificante.

Respeito aos problemas dos outros.

Serenidade nas horas difíceis.

Silêncio às provocações.

Tolerância para com as ideias alheias.

Gentileza na rua.

A beneficência pode efetuar prodígios, levantando a generosidade e conquistando a gratidão; contudo, em nome da caridade, toda beneficência, para completar-se, não pode viver sem a paciência.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 94


sábado, 15 de agosto de 2026

Serviço e inveja

 

“… A caridade não é invejosa…” — Paulo (I Coríntios, 13:4)

 

Muitos companheiros asseveram a disposição de ajudar, em nome da caridade; entretanto, para isso, exigem os recursos que pertencem aos outros.

Querem amparar os necessitados…

Mas dizem aguardar vencimento igual ao do colega que lhes tomou a frente na organização de trabalho.

Declaram-se inclinados ao socorro de meninos desprotegidos…

Alegam, todavia, que apenas assumirão a iniciativa quando possuírem casa semelhante à do amigo mais próspero.

Afirmam-se desejosos de colaborar na construção da fé, amando e esclarecendo a quem sofre…

Interpõem, no entanto, a condição de desfrutarem a autoridade dos irmãos que se encarregam dessa ou daquela instituição, antes deles.

Expõem a intenção de escrever, na difusão da luz espiritual…

Contudo, somente entrarão em atividade quando dispuserem da competência de quantos já despenderam larga parte da vida, na estruturação da palavra escrita.

Se aspiras a servir ao bem, não te detenhas na cobiça expectante, a pedir que a possibilidade dos outros te passe às mãos.

A caridade não é invejosa.

Façamos a nossa parte.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 93


sábado, 8 de agosto de 2026

Paternidade: uma tarefa de amor.

 


O Dia dos Pais é mais do que uma data para homenagens: é um convite à reflexão sobre a sublime missão confiada por Deus àqueles que recebem a responsabilidade de conduzir Espíritos em sua jornada terrena. À luz da Doutrina Espírita, a paternidade transcende os laços biológicos e assume um profundo significado espiritual. Os filhos não pertencem aos pais; são Espíritos imortais, temporariamente confiados ao seu cuidado para que encontrem no lar as primeiras lições de amor, respeito e virtude. Em O Livro dos Espíritos (questão 582), os Espíritos Superiores ensinam que "a paternidade é uma missão" e, ao mesmo tempo, "um dever muito grande", do qual o homem deverá prestar contas.

No capítulo XIV de O Evangelho segundo o Espiritismo, Santo Agostinho afirma que Deus perguntará aos pais: "Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?". Essa indagação revela que educar não significa apenas garantir o sustento material ou proporcionar oportunidades intelectuais, mas, sobretudo, favorecer o desenvolvimento moral. O verdadeiro pai compreende que sua maior herança não será um patrimônio, mas o exemplo. É no cotidiano, por meio da coerência entre palavras e ações, que se formam consciências equilibradas e cidadãos comprometidos com o bem. A transformação da sociedade começa, silenciosamente, dentro de cada lar.

Emmanuel, em diversas obras psicografadas por Chico Xavier, recorda que os filhos são empréstimos de Deus e que o lar é uma escola de almas, constituindo a família precioso campo de aprendizado e redenção. Essa imagem expressa a confiança divina depositada nos pais, chamados não a moldar os filhos segundo seus próprios interesses, mas a ajudá-los a desenvolver as potencialidades do Espírito imortal. Em Vida e Sexo, Emmanuel ensina que a missão paterna e materna não se resume ao vínculo consanguíneo, mas constitui oportunidade de reajuste, aprendizado e crescimento para todos os envolvidos, muitas vezes reunindo, no mesmo lar, antigos companheiros de outras existências em busca de reconciliação e progresso.

Também Joanna de Ângelis ressalta que educar é, antes de tudo, evangelizar o coração. Em suas reflexões, destaca que os pais são os primeiros educadores da alma infantil, influenciando profundamente a formação do caráter por meio do afeto, do diálogo e da vivência dos valores éticos. A autoridade equilibrada, exercida com firmeza e ternura, prepara os filhos para a liberdade responsável, enquanto a omissão ou o autoritarismo tendem a gerar desequilíbrios que repercutem não apenas na família, mas em toda a sociedade. Assim, cada lar torna-se um verdadeiro núcleo de construção do futuro coletivo.

Neste Dia dos Pais, que as homenagens não se restrinjam tão só às palavras de gratidão e manifestações de carinho, mas inspirem uma renovação do compromisso de transformar a paternidade em um permanente exercício de amor, renúncia, educação e exemplo cristão. Aos pais, biológicos ou de coração, fica o convite para que vejam em cada filho um Espírito em crescimento, digno de respeito e orientação segura. Aos filhos, a oportunidade de agradecer pelos esforços e renúncias daqueles que lhes serviram de amparo na caminhada. E a todos nós, a certeza de que, quando um pai educa com amor, ilumina não apenas o destino de uma família, mas contribui para a edificação de uma humanidade mais fraterna, mais justa e mais próxima dos ensinamentos de Jesus.

DCSE/CEJG


Solidariedade

 

“Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.” — Paulo (Romanos, 12:15)

 

Realmente, na Terra, é mais fácil chorar com os que choram.

Em muitas circunstâncias, mágoas alheias servem de consolação para nossas mágoas.

Quem carrega fardos enormes como que nos estimula a suportar os estorvos leves.

Num desastre qualquer, que nos teria colhido, inclinamo-nos, comovidamente, para as vítimas, guardando, muita vez, a ilusão de que fomos agraciados por Deus, como se a responsabilidade de moratórias e empréstimos, que nos são concedidos pela Misericórdia Divina, dentro da Lei, fosse para nós regime de favoritismo e exceção.

Ajudar aos que se encontram em provações maiores que as nossas é caridade sublime; no entanto, é forçoso reconhecer que aconselhar paciência aos que choram, na posição de superiores tranquilos, é o mesmo que falar à margem de um problema, sem estar dentro dele.

Com isso, não queremos diminuir o valor da beneficência. Sem ela, nossas mãos se fariam garras de usura e o egoísmo transformaria a Terra num manicômio.

Desejamos simplesmente afirmar que é mais fácil chorar com os que choram, que alegrar-se alguém com os que se alegram; porquanto, ajudar com o pão ou com a alegria que nos sobram é ato que podemos realizar sem dificuldade, ao passo que, para regozijar-nos com o regozijo dos outros, sem qualquer ponta de inveja ou despeito, é preciso trazermos suficiente amor puro no coração.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 92


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Reuniões públicas/CEJG - Agosto/2026

 


Apreço

 

“Dando sempre graças a Deus por tudo em Nosso Senhor Jesus Cristo.” — Paulo (Efésios, 5:20)

 

O Universo é uma corrente de amor, em movimento incessante. Não lhe interrompas a fluência das vibrações.

Nesse sentido, recorda que ninguém é tão sacrificado pelo dever que não possa, de quando em quando, levantar os olhos ou dizer uma frase, em sinal de agradecimento.

Considera sagradas as tuas horas de obrigação, mas não te esqueças do minuto de apreço aos outros.

Os pais não te discutem o carinho, entretanto, multiplicarão as próprias forças com o teu gesto de entendimento; os filhos anotam-te a bondade, no entanto, experimentarão novo alento com o teu sorriso encorajador; os colegas de ação conhecem-te a solidariedade, mas serão bafejados por renovadora energia, perante a reafirmação de teu concurso espontâneo, e os companheiros reconhecem-te a amizade, contudo, entesouram estímulos santos, em te ouvindo a mensagem fraterna.

Ninguém pode avaliar a importância das pequeninas doações.

Uma prece, uma saudação afetuosa, uma flor ou um bilhete amistoso conseguem apagar longo fogaréu da discórdia ou dissipar rochedos de sombra.

Não nos reportamos aqui ao elogio que estraga ou à lisonja que envenena. Referimo-nos à amizade e à gratidão que valorizam o trabalho e alimentam o bem.

Por mais dura seja a estrada, aprende a sorrir e a abençoar, para que a alegria siga adiante, incentivando os corações e as mãos que operam a expansão da Bondade Infinita.

O próprio Deus nunca se encontra tão excessivamente ocupado que não se lembre de sustentar o Sol, para que o Sol aqueça, em seu nome, o último verme, na última reentrância abismal.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 91