quinta-feira, 1 de outubro de 2026
sábado, 26 de setembro de 2026
Reclamações
“Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não
o faz, nisso está pecando.” — (Tiago, 4:17)
Censuras com grande alarde os que se oneraram, nos
delitos do furto; entretanto, se acumulas, inutilmente, os recursos necessários
ao sustento do próximo, não podes alegar inocência.
Acusas os que desceram à criminalidade, mas, se nada
realizas pela extinção da delinquência, não te cabe o direito de reprovar.
Apontas o egoísmo dos governantes; no entanto, se te
afervoras no egoísmo dos dirigidos, deitas apenas conversa vã.
Criticas todos aqueles que instruem os seus irmãos de
maneira deficiente; contudo, se dispões de competência e foges ao plantio da
educação, não estarás tranquilo contigo mesmo.
Clamas contra aqueles companheiros que categorizas por
rebeldes e viciados, quando lhes anotas a presença no trabalho de socorro aos
semelhantes; todavia, se te sentes virtuoso e não levantas sequer uma palha em
favor dos que sofrem, as sentenças que te saem da boca não passarão de
injustiça.
Entra no serviço de alma e coração, para que possas
comentá-lo.
Ninguém pode exigir dos outros o que não dá de si
mesmo.
Quem sabe o que deve fazer, e não faz, deserta dos
deveres que lhe competem, caindo em omissão lamentável, e, se intenta
atrapalhar quem procura fazer, certamente responderá com dobradas obrigações
pelo que não fizer.
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 99
sábado, 19 de setembro de 2026
Filho e censor
“Mas, respondendo ele, disse ao pai: “eis que te
sirvo, há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste
um cabrito para alegrar-me com meus amigos…” — Jesus (Lucas, 15:29)
Na parábola do filho pródigo, não encontramos somente
o irmão que volta experiente e arrependido ao convívio do lar.
Nela, surge também o irmão correto, mas egoísta,
remoendo censura e reclamação.
Ele observa a alegria paternal, abraçando o irmão
recuperado; entretanto, reprova e confronta. Procede como quem lastima o dever
cumprido, age à feição de um homem que desestima a própria nobreza.
É fiel aos serviços do pai; contudo, critica-lhe os
gestos. Trabalha com ele; no entanto, anseia escravizá-lo aos próprios
caprichos.
Atende-lhe aos interesses, vigiando-lhe o pão e a
prata.
Guarda lealdade, mergulhando-se na ideia de evidência
e de herança.
Se o coração paterno demonstra grandeza de sentimento,
explode em ciúme e queixa.
Se perdoa e auxilia, interpõe o merecimento de que se
julga detentor, tentando limitar-lhe a bondade.
Perde-se num misto de crueldade e carinho, sombra e
luz.
É justo e injusto, terno e agressivo, companheiro e
censor.
Deseja o pai somente para si, a fazenda e o direito, o
equilíbrio e a tranquilidade somente para si.
No caminho da fé, analisa igualmente a tua atitude.
Se te sentes ligado à Esfera Superior por teus atos e
diretrizes, palavras e pensamentos, não te encarceres na vaidade de ser bom.
Não te esqueças, em circunstância alguma, de que Deus é Pai de todos, e, se te
ajudou para estares com ele, é para que estejas com ele, ajudando aos outros.
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 98
sábado, 12 de setembro de 2026
Pai e amigo
“E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda
estava longe, o pai chegou a vê-lo, moveu-se de íntima compaixão e, correndo,
lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.” — Jesus (Lucas, 15:20)
É possível que essa ou aquela falta te sombreie o
coração, impelindo-te ao desânimo.
Anseias respirar a fé pura, entregar-te aos misteres
do bem, contudo, trazes remorso e tristeza.
Dissipaste as forças da vida, extraviaste votos
santificantes, erraste, caíste na negação, qual viajor que perdesse a luz…
Entretanto, recorda a Providência Divina e reergue-te.
O amor de Deus nunca falta.
Para toda ferida haverá remédio adequado.
Para todo desequilíbrio aparecerá reajuste.
Fixa-te no ensinamento do Cristo, enunciando o retorno
do filho pródigo.
O reencontro não se deu em casa, com remoques e
humilhações para o moço em desvalimento.
Assinalando-o, no caminho de volta “e, quando ainda
estava longe, o pai, ao vê-lo, moveu-se de íntima compaixão e, correndo,
lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.”
O pai não esperou que o filho se penitenciasse a rojo,
não exigiu escusas, não solicitou justificativas e nem impôs condições de
qualquer natureza para estender-lhe os braços; apenas aguardou que o filho se
levantasse e lhe desejasse o calor do coração.
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 97
*Rojo: (advérbio) De rastos, de rojões, tocando o chão
(Dicio online).
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Estou aqui. Vamos procurar ajuda juntos!
Falar
sobre suicídio é falar, antes de tudo, sobre uma dor que, muitas vezes,
tornou-se maior do que a capacidade de quem a sofre, de enxergar alternativas.
O ‘Setembro Amarelo’ nos convida a romper o silêncio, acolher sem julgamentos e
compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas um importante gesto de
preservação da vida. A Doutrina Espírita amplia essa reflexão ao nos lembrar
que somos Espíritos imortais e que a existência corporal possui finalidade e
valor, mesmo quando atravessamos períodos de profunda aflição. Os Espíritos nos
esclarecem que as consequências do suicídio são diversas e relacionadas às
circunstâncias que o motivaram, mas apontam uma consequência comum: o
desapontamento (O Livro dos Espíritos, questão 957).
Esse
ensinamento, porém, não deve ser utilizado para condenar ou amedrontar quem
sofre. Pelo contrário: precisa despertar em nós compaixão e responsabilidade.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo V, encontramos a reflexão de
que a Terra é um mundo de provas e expiações e que todos enfrentamos
dificuldades, sofrimentos e decepções. A visão espírita convida-nos, portanto,
a compreender a dor como experiência transitória e a não tomar decisões
definitivas diante de situações que podem se modificar. A vida continua, os
problemas podem encontrar novos caminhos e, sobretudo, nenhuma criatura está
abandonada pela Providência Divina.
Em
Memórias de um Suicida, ditado pelo Espírito Camilo Cândido Botelho e
psicografado por Yvonne A. Pereira, encontramos uma narrativa dolorosa das
consequências do suicídio, mas também uma trajetória de assistência,
tratamento, aprendizado e preparação para uma nova existência. A própria
descrição da obra ressalta a grandeza da Misericórdia Divina e a possibilidade
de reconstrução daqueles que se arrependem. André Luiz, em Nosso Lar,
igualmente nos permite entrever os resultados do suicídio, ainda que indireto,
bem como a realidade do amparo espiritual, que jamais está ausente. Ele próprio
recebe atendimento e esclarecimentos após seu despertar para a necessidade da
prece e da busca por socorro.
A
mensagem que permanece não é a do desespero, mas a da esperança: nenhuma dor é
eterna, nenhum erro é irreparável e, sob o amparo de Deus, sempre existem
caminhos de aprendizado, reparação e novos recomeços. Essa visão nos chama
também à responsabilidade enquanto encarnados: podemos ser instrumentos desse
amparo. Uma palavra amiga, uma escuta paciente, a disposição para permanecer ao
lado de alguém em sofrimento e o encaminhamento para ajuda especializada podem
representar uma verdadeira ponte entre a dor e a esperança. O Centro Espírita
pode oferecer acolhimento fraterno, prece, estudo e orientação espiritual, embora
não se deva substituir o acompanhamento médico ou psicológico quando este se
fizer necessário.
Neste
‘Setembro Amarelo’, que nossa homenagem à vida ultrapasse as campanhas e se
transforme em atitude cotidiana. Se alguém estiver sofrendo, procuremos essa
pessoa; se nós mesmos estivermos cansados de lutar, tenhamos coragem de pedir
ajuda. O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento procurem
familiares ou pessoas de confiança e serviços como CAPS e Unidades Básicas de
Saúde; em situações de emergência, estão disponíveis UPA, pronto-socorro e SAMU
192. O CVV, pelo telefone 188, oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e 24
horas por dia. E, ao lado desses recursos, podemos buscar também o abraço
fraterno em um Centro Espírita sério e acolhedor. Que ninguém atravesse sozinho
uma noite de dor. Às vezes, a esperança começa simplesmente quando alguém
decide ficar, escutar e dizer: “Estou aqui. Vamos procurar ajuda juntos!”
DCSE/CEJG
sábado, 5 de setembro de 2026
Nas palavras
“Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não
serdes julgados…” — (Tiago, 5:9)
Mergulhar o divino dom da palavra no vaso lodoso da
queixa é o mesmo que inflamar preciosa lâmpada no conteúdo da lata de lixo.
Não transformes a própria frase em lama sobre chagas
abertas.
Podes mobilizar a maravilha do verbo, para reajustar o
bem, sem necessidade de estender o mal.
Ergue a esperança, ao pé dos que desfaleceram na luta.
Exalta a excelência do amor, perante aqueles que o ódio intoxica. Louva as
perspectivas da fé, ao lado dos que choram no desencanto. Aponta as qualidades
nobres do amigo que caiu em desvalimento. Destaca as possibilidades de auxiliar
onde os outros somente encontram motivos para censura. Desdobra o trabalho
restaurador onde o pessimismo condena. Procura o lado melhor das situações para
que o melhor seja feito. E, quando os obstáculos morais se agigantem, como se a
maldade estivesse a ponto de triunfar em definitivo, se não podes algo dizer em
louvor da bondade, cala-te e ora.
Pensa no bem, quando não puderes falar nele.
A semente muda, renova a terra.
A gota silenciosa de sedativo, asserena o corpo
martirizado.
Nunca te queixes dos outros, mesmo porque, em nos
queixando de alguém, é preciso consultar o próprio íntimo para saber se em
lugar desse alguém não estaríamos fazendo isso ou aquilo de maneira pior.
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 96
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Você conhece a história de Auta de Souza?
Auta
de Souza nasceu em Macaíba, Rio Grande do Norte, em 12 de setembro de 1876.
Perdeu a mãe antes de completar três anos e o pai aos quatro, sendo criada,
juntamente com os irmãos, pela avó materna, Dona Silvina Maria da Conceição de
Paula Rodrigues, conhecida como Dindinha. Aos dez anos, sofreu outro grande
golpe com a morte trágica do irmão Irineu. Apesar das dificuldades, recebeu
excelente educação no Colégio São Vicente de Paulo, em Recife, onde estudou
Literatura, Inglês, Música, Desenho e Francês, tendo contato com grandes
autores da literatura francesa.
Desde
muito jovem, Auta revelou profunda religiosidade e extraordinário talento
poético. Lia frequentemente o Evangelho e cultivava uma fé sincera e intensa,
mas sem abandonar a alegria, a convivência social e os sonhos próprios de uma
jovem de sua época. Aos dezesseis anos, viveu uma experiência amorosa que
terminou com a renúncia ao relacionamento, em razão do avanço da tuberculose,
enfermidade que também vitimara seus pais. As experiências de orfandade, a
morte do irmão, a doença e a frustração amorosa marcaram profundamente sua
sensibilidade, fortalecendo nela a compaixão pelos pobres, pelos humildes e
pelos sofredores.
A
dor encontrou expressão em sua poesia, dando origem a uma obra marcada
simultaneamente pelo sofrimento, pela esperança e pela fé cristã. Seu único
livro, Horto, publicado em 20 de junho de 1900, reúne poemas de grande
sensibilidade, nos quais se refletem suas experiências, sua confiança em Jesus
e sua busca de consolo diante das provações. Mesmo gravemente enferma, Auta
manteve uma vida social ativa e dedicou atenção aos mais necessitados,
revelando uma personalidade marcada pela bondade, pela pureza de sentimentos e
pela solidariedade. Faleceu em Natal, em 7 de fevereiro de 1901, aos 24 anos.
Livre
do corpo, totalmente desgastado pela enfermidade, Auta de Souza, irradiando luz
própria, lúcida e gloriosa alçou voo em direção à Espiritualidade Maior. Mas a
compaixão que sempre sentira pelos sofredores fez com que a poetisa em
companhia de outros Espíritos caridosos, visitasse, constantemente a crosta da
terra. Foi através de Chico Xavier, que ela, pela primeira vez revelou sua
identidade, transmitindo suas poesias enfeixadas em 1932, na primeira edição do
"Parnaso de Além Túmulo", lançado pela Federação Espírita Brasileira.
Auta
de Souza permanece, assim, como uma figura que une literatura, sofrimento, fé e
espiritualidade. Em sua existência terrena, transformou as experiências
dolorosas em poesia e buscou no Cristo a esperança e o consolo para os aflitos.
Na perspectiva espírita, sua atuação após a morte representa a continuidade
desse mesmo ideal de amor ao próximo, agora voltado ao amparo dos que sofrem.
Sua mensagem pode ser sintetizada como um convite à fé, à caridade e à
esperança, mostrando que a dor, quando vivenciada com confiança em Deus e
disposição para o bem, pode transformar-se em instrumento de crescimento
espiritual e de auxílio ao próximo.
Resumo
elaborado com base no texto da página da Federação Espírita do Paraná(FEP).
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Aprendendo
“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não
somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” — (Tiago, 1:22)
Cada vez que as circunstâncias te induzam a ouvir as
verdades do Evangelho, não admitas que o acaso esteja presidindo a semelhantes
eventos. Forças ocultas estarão acionando a oportunidade, a fim de que te
informes quanto ao teu próprio caminho.
Não te faças, pois, desatento, porquanto, a breve
espaço, serás naturalmente chamado pela vida para testemunhar.
Observa a escola e as disciplinas com que se formam
determinados profissionais.
Acadêmicos de Medicina ouvem lições para curar os
doentes ou auxiliá-los; estudantes de Engenharia escutam ensinamentos para que
os apliquem à técnica das construções no Plano terrestre; contabilistas gastam
tempo, de modo a garantirem a sustentação do comércio, na arte de fazer contas;
tecelões assimilam princípios, em torno de certas máquinas, para atenderem,
oportunamente, à indústria do fio…
Qualquer estudo nobre é aquisição inapreciável, mas se
mora estanque, na alma de quem aprende, assemelha-se a pão escondido aos que
choram de fome.
Ouvir, sim, os preceitos da Espiritualidade Superior,
mas agir, segundo nos orientam, porque, se sabemos e não fazemos o que o bem
nos ensina, melhor fora não saber, para não sermos tributados, com taxas de
maior sofrimento, nas grades da culpa.
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 95
sábado, 22 de agosto de 2026
Beneficência e paciência
“A caridade é paciente e benigna…” — Paulo (I
Coríntios, 13:4)
Beneficência, sim, para com todos:
Prato dividido.
Veste aos nus.
Remédio aos doentes.
Asilo aos que vagueiam sem teto.
Proteção à criança desamparada.
Auxílio ao ancião em desvalimento.
Socorro às viúvas.
Refúgio aos indigentes.
Consolo aos tristes.
Esperança aos que choram.
Entretanto, é preciso estender a bondade igualmente
noutros setores:
Compreensão em família.
Trabalho sem queixa.
Cooperação sem atrito.
Pagamento sem choro.
Atenção a quem fale, ainda mesmo sem qualquer
propósito edificante.
Respeito aos problemas dos outros.
Serenidade nas horas difíceis.
Silêncio às provocações.
Tolerância para com as ideias alheias.
Gentileza na rua.
A beneficência pode efetuar prodígios, levantando a
generosidade e conquistando a gratidão; contudo, em nome da caridade, toda
beneficência, para completar-se, não pode viver sem a paciência.
Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 94

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