sábado, 3 de outubro de 2026

Queixumes

 

“Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para que não sejais reprovados.” — (Tiago, 5:9)

 

Cada vez que nossos lábios cedem ao impulso da queixa, quase sempre estamos simplesmente julgando a vida que nos é própria.

Observa, assim, a ti mesmo e deixa que a consciência te vigie a palavra.

Se viste uma pessoa em falta contra outra, não lhe exageres a culpa, recordando quantas vezes terás faltado igualmente contra o próximo. E assim como agradeceste a quantos te desculparam os senões da conduta, confiando em que te melhorarias com o tempo, ampara também o irmão caído em erro, através de teu otimismo fraternal, para que se levante e te bendiga.

Se um companheiro te ofendeu, não te confies a reações descabidas, refletindo nas ocasiões em que terás igualmente ferido os semelhantes. E assim como te rejubilaste, diante de todos os que te esqueceram os golpes, na certeza de que saberias reconsiderar a própria atitude, auxilia também o amigo que se fez instrumento de tua dor, através do olvido de todo mal, a fim de que ele se restaure e te abençoe a grandeza de espírito.

Em toda conversação, na qual sejamos induzidos a examinar o comportamento do próximo submetido à censura alheia, vasculhemos o íntimo, concluindo se não teríamos praticado incorreções iguais ou maiores no lugar dele. E, em todas as circunstâncias, não nos esqueçamos de que, em nos queixando de alguém, estaremos intimando, automaticamente, a nós mesmos a viver em nível mais alto e a fazer coisa melhor.

 

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 100


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Você conhece a história de Leopoldo Machado?

 

Leopoldo Machado nasceu em 30 de setembro de 1891, em Jandaíra, na Bahia. Foi jornalista, professor, escritor, poeta, compositor e palestrante, destacando-se como um dos grandes divulgadores do Espiritismo no Brasil. Conheceu a Doutrina Espírita por volta de 1915, por intermédio de José Petitinga, e passou a dedicar grande parte de sua vida à divulgação dos ensinamentos de Jesus e dos princípios espíritas, conquistando o respeito até mesmo daqueles que discordavam de suas ideias.

Em 1927, casou-se com Marília Ferraz de Almeida e, em 1929, o casal mudou-se para Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Ali, integrou-se aos trabalhos do Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade, participando ativamente da construção do Albergue Noturno Allan Kardec e do Lar de Jesus. Em 1930, junto com a esposa, fundou o Colégio Leopoldo, instituição que se tornou referência na educação da cidade, conciliando sua vocação de educador com os ideais de fraternidade e serviço ao próximo.

 Leopoldo Machado teve participação fundamental na organização e realização de importantes eventos espíritas nacionais, entre eles o I Congresso Brasileiro de Jornalistas e Escritores Espíritas, em 1939, e o I Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, em 1948. Também idealizou o Congresso Brasileiro de Unificação, realizado naquele mesmo ano, e participou das iniciativas que culminaram no Pacto Áureo e na Caravana da Fraternidade, movimentos essenciais para a união das instituições espíritas brasileiras e a consolidação do Conselho Federativo Nacional, vinculado à Federação Espírita Brasileira.

 Sua atuação foi especialmente marcante na formação das novas gerações. Incentivou a criação das Mocidades Espíritas e das Escolas de Evangelização Espírita para a Infância, além de instituir o Conselho Consultivo de Mocidades Espíritas. Organizou também a primeira Festa Nacional do Livro Espírita, em homenagem ao lançamento de O Livro dos Espíritos, cuja celebração se difundiu pelo país. Em suas palestras e escritos, defendia o Espiritismo como a revivescência do Cristianismo em sua essência, valorizando a educação moral, a fraternidade e a vivência do Evangelho.

 Leopoldo Machado desencarnou em 22 de agosto de 1957, em Nova Iguaçu, deixando um expressivo legado para o movimento espírita e para a cultura brasileira. Sua extensa produção literária abordou temas doutrinários, educacionais e espiritualistas, destacando-se obras como O Espiritismo é Obra de Educação, Caravana da Fraternidade e Cientismo e Espiritismo. Foi também autor, em parceria com Oli de Castro, da Canção da Alegria Cristã, além de diversas composições destinadas à mocidade e à evangelização infantojuvenil. Sua trajetória permanece como exemplo de dedicação à educação, à união dos espíritas e à divulgação dos ideais cristãos.

 

Resumo elaborado com base no texto

da página da União Espírita Mineira - UEM.


sábado, 26 de setembro de 2026

Reclamações

 

“Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando.” — (Tiago, 4:17)

 

Censuras com grande alarde os que se oneraram, nos delitos do furto; entretanto, se acumulas, inutilmente, os recursos necessários ao sustento do próximo, não podes alegar inocência.

Acusas os que desceram à criminalidade, mas, se nada realizas pela extinção da delinquência, não te cabe o direito de reprovar.

Apontas o egoísmo dos governantes; no entanto, se te afervoras no egoísmo dos dirigidos, deitas apenas conversa vã.

Criticas todos aqueles que instruem os seus irmãos de maneira deficiente; contudo, se dispões de competência e foges ao plantio da educação, não estarás tranquilo contigo mesmo.

Clamas contra aqueles companheiros que categorizas por rebeldes e viciados, quando lhes anotas a presença no trabalho de socorro aos semelhantes; todavia, se te sentes virtuoso e não levantas sequer uma palha em favor dos que sofrem, as sentenças que te saem da boca não passarão de injustiça.

Entra no serviço de alma e coração, para que possas comentá-lo.

Ninguém pode exigir dos outros o que não dá de si mesmo.

Quem sabe o que deve fazer, e não faz, deserta dos deveres que lhe competem, caindo em omissão lamentável, e, se intenta atrapalhar quem procura fazer, certamente responderá com dobradas obrigações pelo que não fizer.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 99


sábado, 19 de setembro de 2026

Filho e censor

 

“Mas, respondendo ele, disse ao pai: “eis que te sirvo, há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com meus amigos…” — Jesus (Lucas, 15:29)

 

Na parábola do filho pródigo, não encontramos somente o irmão que volta experiente e arrependido ao convívio do lar.

Nela, surge também o irmão correto, mas egoísta, remoendo censura e reclamação.

Ele observa a alegria paternal, abraçando o irmão recuperado; entretanto, reprova e confronta. Procede como quem lastima o dever cumprido, age à feição de um homem que desestima a própria nobreza.

É fiel aos serviços do pai; contudo, critica-lhe os gestos. Trabalha com ele; no entanto, anseia escravizá-lo aos próprios caprichos.

Atende-lhe aos interesses, vigiando-lhe o pão e a prata.

Guarda lealdade, mergulhando-se na ideia de evidência e de herança.

Se o coração paterno demonstra grandeza de sentimento, explode em ciúme e queixa.

Se perdoa e auxilia, interpõe o merecimento de que se julga detentor, tentando limitar-lhe a bondade.

Perde-se num misto de crueldade e carinho, sombra e luz.

É justo e injusto, terno e agressivo, companheiro e censor.

Deseja o pai somente para si, a fazenda e o direito, o equilíbrio e a tranquilidade somente para si.

No caminho da fé, analisa igualmente a tua atitude.

Se te sentes ligado à Esfera Superior por teus atos e diretrizes, palavras e pensamentos, não te encarceres na vaidade de ser bom. Não te esqueças, em circunstância alguma, de que Deus é Pai de todos, e, se te ajudou para estares com ele, é para que estejas com ele, ajudando aos outros.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 98


sábado, 12 de setembro de 2026

Pai e amigo

 

“E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, o pai chegou a vê-lo, moveu-se de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.” — Jesus (Lucas, 15:20)

 

É possível que essa ou aquela falta te sombreie o coração, impelindo-te ao desânimo.

Anseias respirar a fé pura, entregar-te aos misteres do bem, contudo, trazes remorso e tristeza.

Dissipaste as forças da vida, extraviaste votos santificantes, erraste, caíste na negação, qual viajor que perdesse a luz…

Entretanto, recorda a Providência Divina e reergue-te.

O amor de Deus nunca falta.

Para toda ferida haverá remédio adequado.

Para todo desequilíbrio aparecerá reajuste.

Fixa-te no ensinamento do Cristo, enunciando o retorno do filho pródigo.

O reencontro não se deu em casa, com remoques e humilhações para o moço em desvalimento.

Assinalando-o, no caminho de volta “e, quando ainda estava longe, o pai, ao vê-lo, moveu-se de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.”

O pai não esperou que o filho se penitenciasse a rojo, não exigiu escusas, não solicitou justificativas e nem impôs condições de qualquer natureza para estender-lhe os braços; apenas aguardou que o filho se levantasse e lhe desejasse o calor do coração.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 97

 

*Rojo: (advérbio) De rastos, de rojões, tocando o chão (Dicio online).


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Estou aqui. Vamos procurar ajuda juntos!

 


Falar sobre suicídio é falar, antes de tudo, sobre uma dor que, muitas vezes, tornou-se maior do que a capacidade de quem a sofre, de enxergar alternativas. O ‘Setembro Amarelo’ nos convida a romper o silêncio, acolher sem julgamentos e compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas um importante gesto de preservação da vida. A Doutrina Espírita amplia essa reflexão ao nos lembrar que somos Espíritos imortais e que a existência corporal possui finalidade e valor, mesmo quando atravessamos períodos de profunda aflição. Os Espíritos nos esclarecem que as consequências do suicídio são diversas e relacionadas às circunstâncias que o motivaram, mas apontam uma consequência comum: o desapontamento (O Livro dos Espíritos, questão 957).


Esse ensinamento, porém, não deve ser utilizado para condenar ou amedrontar quem sofre. Pelo contrário: precisa despertar em nós compaixão e responsabilidade. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo V, encontramos a reflexão de que a Terra é um mundo de provas e expiações e que todos enfrentamos dificuldades, sofrimentos e decepções. A visão espírita convida-nos, portanto, a compreender a dor como experiência transitória e a não tomar decisões definitivas diante de situações que podem se modificar. A vida continua, os problemas podem encontrar novos caminhos e, sobretudo, nenhuma criatura está abandonada pela Providência Divina.


Em Memórias de um Suicida, ditado pelo Espírito Camilo Cândido Botelho e psicografado por Yvonne A. Pereira, encontramos uma narrativa dolorosa das consequências do suicídio, mas também uma trajetória de assistência, tratamento, aprendizado e preparação para uma nova existência. A própria descrição da obra ressalta a grandeza da Misericórdia Divina e a possibilidade de reconstrução daqueles que se arrependem. André Luiz, em Nosso Lar, igualmente nos permite entrever os resultados do suicídio, ainda que indireto, bem como a realidade do amparo espiritual, que jamais está ausente. Ele próprio recebe atendimento e esclarecimentos após seu despertar para a necessidade da prece e da busca por socorro.


A mensagem que permanece não é a do desespero, mas a da esperança: nenhuma dor é eterna, nenhum erro é irreparável e, sob o amparo de Deus, sempre existem caminhos de aprendizado, reparação e novos recomeços. Essa visão nos chama também à responsabilidade enquanto encarnados: podemos ser instrumentos desse amparo. Uma palavra amiga, uma escuta paciente, a disposição para permanecer ao lado de alguém em sofrimento e o encaminhamento para ajuda especializada podem representar uma verdadeira ponte entre a dor e a esperança. O Centro Espírita pode oferecer acolhimento fraterno, prece, estudo e orientação espiritual, embora não se deva substituir o acompanhamento médico ou psicológico quando este se fizer necessário.


Neste ‘Setembro Amarelo’, que nossa homenagem à vida ultrapasse as campanhas e se transforme em atitude cotidiana. Se alguém estiver sofrendo, procuremos essa pessoa; se nós mesmos estivermos cansados de lutar, tenhamos coragem de pedir ajuda. O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento procurem familiares ou pessoas de confiança e serviços como CAPS e Unidades Básicas de Saúde; em situações de emergência, estão disponíveis UPA, pronto-socorro e SAMU 192. O CVV, pelo telefone 188, oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e 24 horas por dia. E, ao lado desses recursos, podemos buscar também o abraço fraterno em um Centro Espírita sério e acolhedor. Que ninguém atravesse sozinho uma noite de dor. Às vezes, a esperança começa simplesmente quando alguém decide ficar, escutar e dizer: “Estou aqui. Vamos procurar ajuda juntos!”

 

DCSE/CEJG


sábado, 5 de setembro de 2026

Nas palavras

 

“Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados…” — (Tiago, 5:9)

 

Mergulhar o divino dom da palavra no vaso lodoso da queixa é o mesmo que inflamar preciosa lâmpada no conteúdo da lata de lixo.

Não transformes a própria frase em lama sobre chagas abertas.

Podes mobilizar a maravilha do verbo, para reajustar o bem, sem necessidade de estender o mal.

Ergue a esperança, ao pé dos que desfaleceram na luta. Exalta a excelência do amor, perante aqueles que o ódio intoxica. Louva as perspectivas da fé, ao lado dos que choram no desencanto. Aponta as qualidades nobres do amigo que caiu em desvalimento. Destaca as possibilidades de auxiliar onde os outros somente encontram motivos para censura. Desdobra o trabalho restaurador onde o pessimismo condena. Procura o lado melhor das situações para que o melhor seja feito. E, quando os obstáculos morais se agigantem, como se a maldade estivesse a ponto de triunfar em definitivo, se não podes algo dizer em louvor da bondade, cala-te e ora.

Pensa no bem, quando não puderes falar nele.

A semente muda, renova a terra.

A gota silenciosa de sedativo, asserena o corpo martirizado.

Nunca te queixes dos outros, mesmo porque, em nos queixando de alguém, é preciso consultar o próprio íntimo para saber se em lugar desse alguém não estaríamos fazendo isso ou aquilo de maneira pior.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 96


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Você conhece a história de Auta de Souza?

 


Auta de Souza nasceu em Macaíba, Rio Grande do Norte, em 12 de setembro de 1876. Perdeu a mãe antes de completar três anos e o pai aos quatro, sendo criada, juntamente com os irmãos, pela avó materna, Dona Silvina Maria da Conceição de Paula Rodrigues, conhecida como Dindinha. Aos dez anos, sofreu outro grande golpe com a morte trágica do irmão Irineu. Apesar das dificuldades, recebeu excelente educação no Colégio São Vicente de Paulo, em Recife, onde estudou Literatura, Inglês, Música, Desenho e Francês, tendo contato com grandes autores da literatura francesa.

Desde muito jovem, Auta revelou profunda religiosidade e extraordinário talento poético. Lia frequentemente o Evangelho e cultivava uma fé sincera e intensa, mas sem abandonar a alegria, a convivência social e os sonhos próprios de uma jovem de sua época. Aos dezesseis anos, viveu uma experiência amorosa que terminou com a renúncia ao relacionamento, em razão do avanço da tuberculose, enfermidade que também vitimara seus pais. As experiências de orfandade, a morte do irmão, a doença e a frustração amorosa marcaram profundamente sua sensibilidade, fortalecendo nela a compaixão pelos pobres, pelos humildes e pelos sofredores.

A dor encontrou expressão em sua poesia, dando origem a uma obra marcada simultaneamente pelo sofrimento, pela esperança e pela fé cristã. Seu único livro, Horto, publicado em 20 de junho de 1900, reúne poemas de grande sensibilidade, nos quais se refletem suas experiências, sua confiança em Jesus e sua busca de consolo diante das provações. Mesmo gravemente enferma, Auta manteve uma vida social ativa e dedicou atenção aos mais necessitados, revelando uma personalidade marcada pela bondade, pela pureza de sentimentos e pela solidariedade. Faleceu em Natal, em 7 de fevereiro de 1901, aos 24 anos.

Livre do corpo, totalmente desgastado pela enfermidade, Auta de Souza, irradiando luz própria, lúcida e gloriosa alçou voo em direção à Espiritualidade Maior. Mas a compaixão que sempre sentira pelos sofredores fez com que a poetisa em companhia de outros Espíritos caridosos, visitasse, constantemente a crosta da terra. Foi através de Chico Xavier, que ela, pela primeira vez revelou sua identidade, transmitindo suas poesias enfeixadas em 1932, na primeira edição do "Parnaso de Além Túmulo", lançado pela Federação Espírita Brasileira.

Auta de Souza permanece, assim, como uma figura que une literatura, sofrimento, fé e espiritualidade. Em sua existência terrena, transformou as experiências dolorosas em poesia e buscou no Cristo a esperança e o consolo para os aflitos. Na perspectiva espírita, sua atuação após a morte representa a continuidade desse mesmo ideal de amor ao próximo, agora voltado ao amparo dos que sofrem. Sua mensagem pode ser sintetizada como um convite à fé, à caridade e à esperança, mostrando que a dor, quando vivenciada com confiança em Deus e disposição para o bem, pode transformar-se em instrumento de crescimento espiritual e de auxílio ao próximo.

 

Resumo elaborado com base no texto da página da Federação Espírita do Paraná(FEP).