sábado, 31 de outubro de 2026

Existimos

 

“Vim para que tenhais vida e vida em abundância.” — Jesus (João, 10:10)

 

Existimos.

Existem todas as criaturas saídas do Hálito Criador.

A pedra existe, a planta existe, o animal existe…

Existem almas nos passos diversos da evolução.

Em sentido espiritual, no entanto, viver é algo diferente de existir.

A vida é a experiência digna da imortalidade.

Há muita gente que se esfalfa, perdendo saúde e possibilidades em movimento vazio, quando não se mergulha nas tramas do mal, entretecendo reencarnações dolorosas.

Há muita gente que destrói o próprio cérebro, escrevendo sem proveito, quando não expressa o pensamento para inspirar negação e crueldade, entrando em sofrimentos reparadores.

Há muita gente que aniquila as horas, falando a esmo, quando não se utiliza do verbo para ferir e enlouquecer os semelhantes, adquirindo débitos escabrosos.

Há muita gente que pede essa ou aquela concessão para frustrá-la em atividades sem sentido, quando não a maneja em prejuízo dos outros, criando lágrimas que empregará longo tempo para enxugar.

Todos esses agentes da inutilidade e da delinquência existem como todos nós existimos.

Observa, assim, o que fazes.

O berço confere a existência, mas a vida é obra nossa.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 104


sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Você conhece a história de Amélia Rodrigues?

 

Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues nasceu em 26 de maio de 1861, na Fazenda Campos, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia. Desde a infância demonstrava talento para a literatura, escrevendo poesias a partir dos 12 anos. Dedicou-se ao magistério, tornando-se uma professora reconhecida por sua competência e compromisso com a educação. Lecionou em diversas localidades baianas e, em 1891, foi transferida para Salvador, onde continuou sua trajetória como educadora.

 

Além de professora, destacou-se como poetisa, escritora, jornalista e teatróloga, produzindo peças teatrais, romances e obras didáticas e infantis. Defendia que a educação deveria ir além da transmissão de conhecimentos, promovendo também a formação moral do indivíduo. Esse pensamento se harmonizava com os princípios apresentados em O Evangelho Segundo o Espiritismo, especialmente com a ideia de que educar é formar homens de bem. Após a aposentadoria, voltou ao magistério e fundou o Instituto Maternal Maria Auxiliadora, posteriormente transformado na Ação dos Expostos, dedicando-se também à assistência social.

 

Sua atuação intelectual e social foi acompanhada por um profundo interesse religioso e pelo Evangelho de Jesus. Colaborou em publicações como O Mensageiro da Fé, A Paladina e A Voz, nas quais divulgava suas ideias e reflexões. Sua trajetória foi marcada pelo compromisso com a educação, pela defesa da dignidade humana e pela preocupação com os mais necessitados, valores que se tornariam centrais também em sua produção espiritual.

 

Amélia Rodrigues desencarnou em 22 de agosto de 1926, aos 65 anos, em Salvador. Segundo os relatos espíritas, prosseguiu no plano espiritual seu trabalho educativo e esclarecedor, aprofundando-se no estudo e na divulgação dos ensinamentos de Jesus. Atualmente, integra a falange espiritual de Joanna de Ângelis, mentora de Divaldo Pereira Franco, por meio de cuja mediunidade passou a transmitir mensagens e obras dedicadas à reflexão evangélica e ao consolo espiritual.

 

Entre suas obras psicografadas por Divaldo Franco destacam-se Até o Fim dos Tempos, Há Flores no Caminho, Luz do Mundo, O Semeador, Pelos Caminhos de Jesus, Primícias do Reino, Quando Voltar a Primavera e Trigo de Deus. Nessas obras, retoma os ensinamentos e episódios da vida de Jesus, extraindo lições de amor, esperança, renovação e crescimento espiritual. Assim, Amélia Rodrigues deu continuidade, na espiritualidade, à missão educativa que caracterizou sua existência terrena, mantendo o Evangelho como principal fonte de inspiração e orientação. 


Resumo elaborado com base no texto da página da União Espírita Mineira - UEM.


sábado, 24 de outubro de 2026

Produzimos

 

“Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim.” — Jesus (João, 15:4)

 

Produzimos.

Tudo o que é alguma coisa produz algo.

Elementos considerados desprezíveis estão fazendo isso ou aquilo.

Pedras produzem aspereza.

Espinhos produzem lacerações.

Lama produz sujidade.

Martelo produz golpes.

Entretanto, se produzimos para o bem, esses mesmos recursos, em nossas mãos, veem-se promovidos a instrumentos valiosos, porquanto, pedras ajudam nas construções, espinhos de natureza técnica podem colaborar no serviço cirúrgico, lama devidamente tratada é terra de sementeira, e martelo controlado é auxiliar prestimoso.

Cada criatura, desse modo, produz conforme os agentes em que se inspira.

Os seres mais lastimáveis, ainda que não queiram, estão produzindo sempre.

O delinquente produz o desequilíbrio.

O viciado produz o desregramento.

O preguiçoso produz a miséria.

O pessimista produz o desânimo.

Onde estiveres, estás produzindo, de acordo com as influências a que te afeiçoas, e atuando mecanicamente sobre todos aqueles que se afeiçoam ao teu modo de ser.

Todos produzimos, inevitavelmente.

Aprendizes do Evangelho, na escola espírita-cristã, recordemos, pois, a lição do Cristo:

“Permanecerei convosco se permanecerdes em mim.”

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 103


sábado, 17 de outubro de 2026

Nas contas

 

“De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.” — Paulo (Romanos, 14:12)

 

Benfeitores garantem.

Instrutores educam.

Pastores guiam.

Amigos amparam.

Companheiros alentam.

Adversários avisam.

Relações ajudam.

Preces iluminam.

Lições preparam.

Dificuldades adestram.

Provas definem.

Dores corrigem.

Lutas renovam.

Problemas propõem.

Soluções indicam.

Atitudes revelam.

Lágrimas purificam.

Experiências marcam.

Entretanto, segundo a palavra do Apóstolo Paulo, todas as criaturas e todas as situações, todas as circunstâncias e todas as coisas foram dispostas, nas contas da Lei, “de maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus”.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 102


sábado, 10 de outubro de 2026

De acordo

 

“O qual recompensará a cada um, segundo as suas obras.” — Paulo (Romanos, 2:6)

 

A vida, exprimindo os desígnios do Criador, assumirá para contigo atitudes adequadas às atitudes que assumes para com ela.

Honra aos títulos que procuras honrar.

Tratamento correto à conduta correta.

Dignidade ao que dignificas.

Experiência na pauta de tua escolha.

Instrução no nível em que te colocas.

Confiança no grau de tua fé.

Distinção naquilo em que te distingues.

Respeito em tudo o que te faças respeitável.

Versão disso ou daquilo, conforme os teus desejos.

Clareza ao que alimpes.

Isso significa, igualmente, que seja qual for a posição em que te situes, tens a resposta da Vida na vida que procuras.

É assim que dor ou alegria, paz ou inquietação, merecimento ou desvalia, sombra ou luz, em nosso caminho, será sempre salário moral, de acordo com as nossas próprias obras.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 101


sábado, 3 de outubro de 2026

Allan Kardec: o legado de uma missão que atravessa os séculos

 


No dia 3 de outubro, celebramos o nascimento de Hippolyte Léon Denizard Rivail, que, sob o pseudônimo de Allan Kardec, cumpriu a grandiosa missão de codificar a Doutrina Espírita. Nascido em 1804, na cidade de Lyon, na França, Kardec foi um educador dedicado, formado no ambiente pedagógico de Pestalozzi, cuja influência contribuiu para desenvolver nele o espírito de observação, o rigor metodológico e o compromisso com a educação. Essas qualidades foram fundamentais para a tarefa que lhe estava destinada: investigar, organizar e divulgar os ensinamentos transmitidos pelos Espíritos, estabelecendo as bases de uma doutrina que descortina novos horizontes para a compreensão da vida e do destino humano.

Ao entrar em contato com os fenômenos mediúnicos que despertavam a atenção da sociedade de sua época, Rivail não se deixou conduzir pelo entusiasmo superficial ou pela credulidade. Com postura investigativa, submeteu as manifestações à observação criteriosa, ao estudo comparado e à reflexão filosófica. Reconheceu naquelas comunicações os fundamentos de uma revelação espiritual e assumiu a responsabilidade de reunir, examinar e sistematizar os ensinamentos recebidos de diferentes Espíritos, submetendo-os ao controle universal do ensino dos Espíritos. Assim nasceu Allan Kardec, o codificador que, com dedicação, discernimento e perseverança, organizou os princípios da Doutrina Espírita, oferecendo à humanidade uma compreensão mais ampla sobre a existência, a imortalidade da alma e as leis divinas que regem a evolução dos seres.

O legado de Kardec está especialmente expresso nas cinco obras fundamentais da Codificação: O Livro dos Espíritos, que apresenta os princípios da Doutrina; O Livro dos Médiuns, dedicado ao estudo das manifestações espirituais e da mediunidade; O Evangelho Segundo o Espiritismo, que esclarece a dimensão moral dos ensinamentos de Jesus; O Céu e o Inferno, que examina a justiça divina à luz da imortalidade da alma; e A Gênese, que aborda a criação, os milagres e as predições sob a perspectiva espírita. Por meio dessas obras, os Espíritos Superiores, com a participação criteriosa de Kardec, nos revelam princípios fundamentais para a compreensão da existência: a reencarnação, a lei de causa e efeito, o livre-arbítrio, a imortalidade do Espírito e o progresso incessante. Esses ensinamentos ampliam nossa compreensão sobre a justiça, a misericórdia e o amor de Deus, ao mesmo tempo que nos convidam à responsabilidade por nossas escolhas e à transformação moral.

Mais de um século e meio depois, a Doutrina Espírita permanece viva e atuante, alcançando diferentes culturas e realidades, inspirando estudos, reflexões e iniciativas de acolhimento, educação e promoção do bem. Em um mundo marcado por rápidas transformações, conflitos e incertezas, o Espiritismo oferece uma visão consoladora e esclarecedora da vida, reafirmando que somos Espíritos imortais, responsáveis por nossa evolução e destinados ao aperfeiçoamento intelectual e moral. Sua mensagem nos recorda que o verdadeiro conhecimento não se limita à aquisição de informações, mas deve se traduzir em renovação interior e atitudes coerentes com os ensinamentos de Jesus.

Celebrar Allan Kardec é, portanto, muito mais do que recordar uma data ou homenagear uma personalidade histórica: é renovar o compromisso com o estudo e a vivência dos ensinamentos que ele nos legou. As obras básicas da Codificação não devem permanecer apenas nas estantes ou ser conhecidas por meio de citações isoladas; merecem ser lidas, estudadas e refletidas com atenção, humildade e disposição para o autoconhecimento. Cada página oferece uma oportunidade de ampliar a compreensão sobre nós mesmos, sobre nossas relações e sobre as leis divinas que regem a vida. Que a lembrança de seu nascimento nos inspire a seguir o caminho por ele aberto, fazendo do estudo uma fonte de esclarecimento, da fé raciocinada uma força para enfrentar os desafios e da caridade o testemunho mais sincero de nossa adesão ao Evangelho de Jesus. Afinal, honrar Allan Kardec é também estudar, compreender e vivenciar a Doutrina Espírita, permitindo que seus ensinamentos iluminem nossos pensamentos, sentimentos e ações.

 

DCSE/CEJG



Queixumes

 

“Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para que não sejais reprovados.” — (Tiago, 5:9)

 

Cada vez que nossos lábios cedem ao impulso da queixa, quase sempre estamos simplesmente julgando a vida que nos é própria.

Observa, assim, a ti mesmo e deixa que a consciência te vigie a palavra.

Se viste uma pessoa em falta contra outra, não lhe exageres a culpa, recordando quantas vezes terás faltado igualmente contra o próximo. E assim como agradeceste a quantos te desculparam os senões da conduta, confiando em que te melhorarias com o tempo, ampara também o irmão caído em erro, através de teu otimismo fraternal, para que se levante e te bendiga.

Se um companheiro te ofendeu, não te confies a reações descabidas, refletindo nas ocasiões em que terás igualmente ferido os semelhantes. E assim como te rejubilaste, diante de todos os que te esqueceram os golpes, na certeza de que saberias reconsiderar a própria atitude, auxilia também o amigo que se fez instrumento de tua dor, através do olvido de todo mal, a fim de que ele se restaure e te abençoe a grandeza de espírito.

Em toda conversação, na qual sejamos induzidos a examinar o comportamento do próximo submetido à censura alheia, vasculhemos o íntimo, concluindo se não teríamos praticado incorreções iguais ou maiores no lugar dele. E, em todas as circunstâncias, não nos esqueçamos de que, em nos queixando de alguém, estaremos intimando, automaticamente, a nós mesmos a viver em nível mais alto e a fazer coisa melhor.

 

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 100


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Você conhece a história de Leopoldo Machado?

 

Leopoldo Machado nasceu em 30 de setembro de 1891, em Jandaíra, na Bahia. Foi jornalista, professor, escritor, poeta, compositor e palestrante, destacando-se como um dos grandes divulgadores do Espiritismo no Brasil. Conheceu a Doutrina Espírita por volta de 1915, por intermédio de José Petitinga, e passou a dedicar grande parte de sua vida à divulgação dos ensinamentos de Jesus e dos princípios espíritas, conquistando o respeito até mesmo daqueles que discordavam de suas ideias.

Em 1927, casou-se com Marília Ferraz de Almeida e, em 1929, o casal mudou-se para Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Ali, integrou-se aos trabalhos do Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade, participando ativamente da construção do Albergue Noturno Allan Kardec e do Lar de Jesus. Em 1930, junto com a esposa, fundou o Colégio Leopoldo, instituição que se tornou referência na educação da cidade, conciliando sua vocação de educador com os ideais de fraternidade e serviço ao próximo.

 Leopoldo Machado teve participação fundamental na organização e realização de importantes eventos espíritas nacionais, entre eles o I Congresso Brasileiro de Jornalistas e Escritores Espíritas, em 1939, e o I Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, em 1948. Também idealizou o Congresso Brasileiro de Unificação, realizado naquele mesmo ano, e participou das iniciativas que culminaram no Pacto Áureo e na Caravana da Fraternidade, movimentos essenciais para a união das instituições espíritas brasileiras e a consolidação do Conselho Federativo Nacional, vinculado à Federação Espírita Brasileira.

 Sua atuação foi especialmente marcante na formação das novas gerações. Incentivou a criação das Mocidades Espíritas e das Escolas de Evangelização Espírita para a Infância, além de instituir o Conselho Consultivo de Mocidades Espíritas. Organizou também a primeira Festa Nacional do Livro Espírita, em homenagem ao lançamento de O Livro dos Espíritos, cuja celebração se difundiu pelo país. Em suas palestras e escritos, defendia o Espiritismo como a revivescência do Cristianismo em sua essência, valorizando a educação moral, a fraternidade e a vivência do Evangelho.

 Leopoldo Machado desencarnou em 22 de agosto de 1957, em Nova Iguaçu, deixando um expressivo legado para o movimento espírita e para a cultura brasileira. Sua extensa produção literária abordou temas doutrinários, educacionais e espiritualistas, destacando-se obras como O Espiritismo é Obra de Educação, Caravana da Fraternidade e Cientismo e Espiritismo. Foi também autor, em parceria com Oli de Castro, da Canção da Alegria Cristã, além de diversas composições destinadas à mocidade e à evangelização infantojuvenil. Sua trajetória permanece como exemplo de dedicação à educação, à união dos espíritas e à divulgação dos ideais cristãos.

 

Resumo elaborado com base no texto

da página da União Espírita Mineira - UEM.


sábado, 26 de setembro de 2026

Reclamações

 

“Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando.” — (Tiago, 4:17)

 

Censuras com grande alarde os que se oneraram, nos delitos do furto; entretanto, se acumulas, inutilmente, os recursos necessários ao sustento do próximo, não podes alegar inocência.

Acusas os que desceram à criminalidade, mas, se nada realizas pela extinção da delinquência, não te cabe o direito de reprovar.

Apontas o egoísmo dos governantes; no entanto, se te afervoras no egoísmo dos dirigidos, deitas apenas conversa vã.

Criticas todos aqueles que instruem os seus irmãos de maneira deficiente; contudo, se dispões de competência e foges ao plantio da educação, não estarás tranquilo contigo mesmo.

Clamas contra aqueles companheiros que categorizas por rebeldes e viciados, quando lhes anotas a presença no trabalho de socorro aos semelhantes; todavia, se te sentes virtuoso e não levantas sequer uma palha em favor dos que sofrem, as sentenças que te saem da boca não passarão de injustiça.

Entra no serviço de alma e coração, para que possas comentá-lo.

Ninguém pode exigir dos outros o que não dá de si mesmo.

Quem sabe o que deve fazer, e não faz, deserta dos deveres que lhe competem, caindo em omissão lamentável, e, se intenta atrapalhar quem procura fazer, certamente responderá com dobradas obrigações pelo que não fizer.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 99