sexta-feira, 6 de outubro de 2023
Jornada com Raul Teixeira - Teófilo Otoni
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
Auto de fé em Barcelona. Apreensão dos livros.
21 de setembro de 1861. — (Em
minha casa; médium: Sr. d’A…)
A pedido do Sr. Lachâtre, então residente em
Barcelona, eu lhe enviara certa quantidade de O Livro dos Espíritos, de O Livro
dos Médiuns, das coleções da Revista Espírita, além de diversas obras e
brochuras espíritas perfazendo um total de cerca de 300 volumes. A expedição da
encomenda fora regularmente feita pelo seu correspondente em Paris, num caixão
que continha outras mercadorias e sem a menor infração da legalidade. À chegada
dos livros, fizeram que o destinatário pagasse os direitos de entrada, mas, antes
de os entregarem, houve que ser entregue uma relação das obras ao bispo, pois,
naquele país, a polícia de livraria competia à autoridade eclesiástica. O bispo
se achava então em Madri. Ao regressar, tomando conhecimento da relação dos
livros, ordenou que eles fossem apreendidos e queimados em praça pública pela
mão do carrasco. A execução da sentença foi marcada para 9 de outubro de 1861.
Se se houvesse tentado introduzir aquelas obras como
contrabando, a autoridade espanhola teria o direito de dispor delas à sua
vontade; mas, desde que absolutamente não havia fraude, nem surpresa, como o
provava o pagamento espontâneo dos direitos, fora de rigorosa justiça que se
ordenasse a reexportação dos volumes, uma vez que não convinha se lhes
admitisse a entrada. Ficaram, porém, sem resultado as reclamações apresentadas
por intermédio do Cônsul francês em Barcelona. O Sr. Lachâtre me perguntou se
valeria a pena recorrer à autoridade superior. Opinei por que se deixasse
consumar o ato arbitrário; entendi, porém, acertado ouvir a opinião do meu guia
espiritual.
Pergunta. (à Verdade) — Não ignoras, sem dúvida, o que
acaba de passar-se em Barcelona, com algumas obras espíritas. Quererás ter a
bondade de dizer-me se convirá prosseguir na reclamação para restituição delas?
Resposta. — Por direito, podes reclamá-las e
conseguirias que te fossem restituídas, se te dirigisses ao Ministro de
Estrangeiros da França. Mas, ao meu parecer, desse auto de fé resultará maior
bem do que o que adviria da leitura de alguns volumes. A perda material nada é,
a par da repercussão que semelhante fato produzirá em favor da Doutrina. Deves
compreender quanto uma perseguição tão ridícula, quanto atrasada, poderá fazer
a bem do progresso do Espiritismo na Espanha. A queima dos livros determinará
uma grande expansão das ideias espíritas e uma procura febricitante das obras
dessa doutrina. As ideias se disseminarão lá com maior rapidez e as obras serão
procuradas com maior avidez, desde que as tenham queimado. Tudo vai bem.
Obras póstumas — 2ª Parte.
***
"Assistiram ao Auto de Fé: um sacerdote com os
hábitos sacerdotais, empunhando a cruz numa mão e uma tocha na outra; um
escrivão encarregado de redigir a ata do Auto de Fé; um ajudante do escrivão;
um empregado superior da administração das alfândegas; três serventes da
alfândega, encarregados de alimentar o fogo; um agente da alfândega
representando o proprietário das obras condenadas pelo bispo.”
"Uma multidão incalculável enchia as calçadas e
cobria a imensa esplanada onde se erguia a fogueira. Quando o fogo consumiu os
trezentos volumes ou brochuras espíritas, o sacerdote e seus ajudantes se
retiraram, cobertos pelas vaias e maldições de numerosos assistentes, que
gritavam: Abaixo a Inquisição! Em seguida, várias pessoas se aproximaram da
fogueira e recolheram as suas cinzas."
Revista Espírita -
nov. de 1861: 'Resquícios da Idade Média'
***
Na Revista Espírita daquele mesmo mês, Kardec publicou
duas comunicações espirituais, dentre tantas, recebidas na Sociedade Parisiense
de Estudos Espíritas; a primeira foi assinada pelo Espírito Dollet, que havia
sido um livreiro do século XVI:
"O amor da verdade deve sempre fazer-se ouvir:
ela rompe o véu e brilha ao mesmo tempo por toda parte. O Espiritismo tornou-se
conhecido de todos; logo será julgado e posto em prática. Quanto mais
perseguições houver, tanto mais depressa esta sublime doutrina alcançará o
apogeu. Seus mais cruéis inimigos, os inimigos do Cristo e do progresso, atuam
de maneira que ninguém possa ignorar a permissão de Deus, dada àqueles que deixaram
esta Terra de exílio, de voltarem aos que amaram. Ficai certos: as fogueiras
apagar-se-ão por si mesmas; e se os livros são lançados ao fogo, o pensamento
imortal lhes sobrevive."
Dollet
***
“Graças a esse zelo imprudente, todo o mundo na
Espanha vai ouvir falar do Espiritismo e quererá saber o que é ele; é tudo
quanto desejamos. Podem queimar-se livros, mas não se queimam ideias; as chamas
das fogueiras as superexcitam, em vez de abafar. Aliás, as ideias estão no ar,
e não há Pireneus bastante altos para as deter. Quando uma ideia é grande e
generosa encontra milhares de pulmões prestes a aspirá-la.”
Allan Kardec -
Revista Espírita, setembro de 1864 - “O novo bispo de Barcelona”
***
Referências: Obras póstumas, Revista Espírita nov/1861, cartilha Auto de fé de Barcelona (UEM)
Ricamente
“A palavra do Cristo
habite em vós, ricamente…” — Paulo. (Colossenses, 3:16)
Dizes confiar no poder do Cristo, mas, se o dia
aparece em cores contrárias à tua expectativa, demonstras deplorável indigência
de fé na inconformação.
Afirmas cultivar o amor que o Mestre nos legou,
entretanto, se o companheiro exterioriza pontos de vista diferentes dos teus,
mostras enorme pobreza de compreensão, confiando-te ao desagrado e à censura.
Declaras aceitar o Evangelho em sua simplicidade e
pureza, contudo, se o Senhor te pede algum sacrifício perfeitamente compatível
com as tuas possibilidades, exibes incontestável carência de cooperação,
lançando reptos e solicitando reparações.
Asseveras procurar a Vontade do Celeste Benfeitor, no
entanto, se os teus caprichos não se encontram satisfeitos, mostras lastimável
miséria de paciência e esperança, arrojando teus melhores pensamentos ao
lamaçal do desencanto.
Acenderemos, porém, a luz, permanecendo nas trevas?
Daremos testemunho de obediência, exaltando a revolta?
Ensinaremos a serenidade, inclinando-nos à
desesperação?
Proclamaremos a glória do amor, cultivando o ódio?
A palavra do Cristo não nos convida a marchar na
fraqueza, ou na lamentação, como se fôssemos tutelados da ignorância.
Segundo a conceituação iluminada de Paulo, a Boa Nova
deve irradiar-se de nossa vida, habitando a nossa alma, ricamente.
Emmanuel / Chico Xavier – Livro: Fonte Viva – Cap. 125
quarta-feira, 4 de outubro de 2023
Aos espíritas
Se queres viver à luz
Do Espiritismo cristão,
Guarda o Discípulo Amado
No templo do coração.
Ele foi o Mensageiro
Do Espírito da Verdade
Unindo a Ciência e a Fé
Nas lutas da Humanidade.
Imita o seu sacrifício
Nas oficinas da Luz,
Praticando o ensinamento
Do Evangelho de Jesus.
Suporta a calúnia, o apodo,
O ridículo, o tormento,
Sem fugir à tua fé,
Nos dias do sofrimento.
Lembra o Discípulo e o Mestre
Nosso Mestre e Salvador
E farás do teu caminho
Um sacerdócio de Amor.
Casimiro Cunha - Chico
Xavier
Livro: Mandato de
amor
Oração por auxílio
Senhor!…
Auxilia-nos para o bem que nos destinas, mas também
para extinguir o mal que ainda carregamos.
Auxilia-nos não só a crer, mas também a realizarmos o
melhor.
Auxilia-nos a praticar aceitação, mas também a
exercermos o discernimento.
Auxilia-nos a usar a paciência, mas também a
livrar-nos da inércia.
Auxilia-nos a trabalhar, mas também a servirmos sem
reclamação.
Auxilia-nos a estender o amor que nos ensinaste, mas
também a cultivar o amor, sem criarmos problemas para ninguém.
Emmanuel / Chico
Xavier – Livro Joia
domingo, 1 de outubro de 2023
sábado, 30 de setembro de 2023
Mais Luz - Edição 650 - 01/10/2023
Confira conosco:
https://mailchi.mp/740169a17b7e/lembrando-allan-kardec
Lembrando Allan Kardec – Irmão X
Ante o Evangelho: Consolador prometido
Mensagem da Semana: Não te canses – Fonte Viva 124
Poema: Allan Kardec – F. Xavier
Oração: Senhor Jesus – Emmanuel
quinta-feira, 28 de setembro de 2023
Lembrando Allan Kardec
Depois de se dirigir aos numerosos missionários da
Ciência e da Filosofia, destinados à renovação do pensamento do mundo no século
XIX, o Mestre aproximou-se do abnegado João Huss e falou, generosamente:
— Não serás portador de invenções novas, não te
deterás no problema de comodidade material à civilização, nem receberás a
mordomia do dinheiro ou da autoridade temporal, mas deponho-te nas mãos a
tarefa sublime de levantar corações e consciências.
A assembleia de orientadores das atividades terrestres
estava comovida. E ao passo que o antigo campeão da verdade e do bem se sentia
alarmado de santas comoções, Jesus continuava:
— Preparam-se os círculos da vida planetária a grandes
transformações nos domínios do pensamento. Imenso número de trabalhadores no
mundo, desprezando o sentido evolucionário da vida, crê na revolução e nos seus
princípios destruidores, organizando-lhe movimentos homicidas. Em breve, não
obstante nossa assistência desvelada, que neutralizará os desastres maiores, a
miséria e o morticínio se levantarão no seio de coletividades invigilantes. A
tirania campeará na Terra, em nome da liberdade, cabeças rolarão nas praças
públicas em nome da paz, como se o direito e a independência fossem frutos da
opressão e da morte. Alguns condutores do pensamento, desvairados de
personalismo destruidor, convertem a época de transição do orbe em turbilhão
revolucionário, envenenando o espírito dos povos. O sacerdócio organizado em
bases econômicas não pode impedir a catástrofe. A Filosofia e a Ciência
intoxicaram as próprias fontes de ação e conhecimento!… É indispensável
estabelecer providências que amparem a fé, preservando os tesouros religiosos
da criatura. Confio-te a sublime tarefa de reacender as lâmpadas da esperança
no coração da humanidade. O Evangelho do Amor permanece eclipsado no jogo de
ambições desmedidas dos homens viciosos!… Vai, meu amigo. Abrirás novos
caminhos à sagrada aspiração das almas, descerrando a pesada cortina de sombras
que vem absorvendo a mente humana. Na restauração da verdade, no entanto, não
esperes os louros do mundo, nem a compreensão de teus contemporâneos.
Meus enviados não nascem na Terra para serem servidos,
mas por atenderem às necessidades das criaturas. Não recebem palmas e homenagens,
facilidades e vantagens terrestres, contudo, minha paz os fortalece e
levanta-os, cada dia. Muitas vezes, não conhecem senão a dificuldade, o
obstáculo, o infortúnio, e não encontram outro refúgio além do deserto. É
preciso, porém, erigir o santuário da fé e caminhar sem repouso, apesar de
perseguições, pedradas, cruzes e lágrimas!…
Ante a emoção dos trabalhadores do progresso cultural
do orbe terrestre, o abnegado João Huss recebeu a elevada missão que lhe era
conferida, revelando a nobreza do servo fiel, entre júbilos de reconhecimento.
Daí a algum tempo, no albor do século XIX, nascia
Allan Kardec em Lyon, por trazer a divina mensagem.
Espírito devotado, jamais olvidou o compromisso
sublime. Não encontrou escolas de preparação espiritual, mas nunca menosprezou
o manancial de recursos que trazia em si mesmo. E como se quisera demonstrar
que as fontes do profetismo devem manar de todas as regiões da vida para
sustentáculo e iluminação do Espírito eterno, embora no quadro dos grandes
homens do pensamento, estimou desferir os primeiros voos de sua missão divina
na zona comum onde permanece a generalidade das criaturas. Consoante a previsão
do Cristo, a Revolução Francesa preparara com sangue o império das guerras
napoleônicas.
Enquanto os operários da cultura moderna lançavam
novas bases ao edifício do progresso mundial, o grande missionário, sem
qualquer preocupação de recompensa ou exibicionismo, dá cumprimento à tarefa
sublime. E foi assim que o século XIX, que recebeu a navegação a vapor, a
locomotiva, a eletrotipia, o telégrafo, o telefone, a fotografia, o cabo
submarino, a anestesia, a turbina a vapor, o fonógrafo, a máquina de escrever,
a luz elétrica, o sismógrafo, a linotipo, o radium, o cinematógrafo e o
automóvel, tornou-se receptor da Divina Luz da revivescência do Evangelho.
O discípulo dedicado rasgou os horizontes estreitos do
ceticismo e o Plano invisível encontrou novo canal a fim de projetar-se no
mundo, atenuando-lhe as sombras densas e renovando as bases da fé.
Alguns dos companheiros de luta espiritual, embora em
seguida às hostilidades do meio, recebiam aplausos do mundo e proteção de
governos prestigiosos, mas o emissário de Jesus, no deserto das grandes
cidades, trabalhava em silêncio, suportando calúnias e zombarias, vencendo
dificuldades e incompreensões.
Ao fim da laboriosa tarefa, o trabalhador fiel
triunfara.
Em breve, a Doutrina Consoladora dos Espíritos
iluminava corações e consciências, nos mais diversos pontos do globo.
É que Allan Kardec, se viera dos Círculos mais
elevados dos processos educativos do mundo, não esquecera a necessidade de
sabedoria espiritual. Discípulo eminente de professores consagrados, como
Pestalozzi, não esqueceu a ascendência do Cristo. Trabalhador no serviço da
redenção, compreendeu que não viera à Terra por atender a caprichos individuais
e sim aos poderes superiores da vida.
Allan Kardec não somente pregou a doutrina
consoladora; viveu-a. Não foi um simples codificador de princípios, mas um fiel
servidor de Jesus e dos homens.
Irmão X (Humberto de Campos) / Chico Xavier – Livro: Doutrina-escola








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