sábado, 27 de junho de 2026

Não te inquietes

 

“Não estejais inquietos por coisa alguma.” — Paulo (Filipenses, 4:6)

 

A observação do apóstolo Paulo é importante para todos os dias.

Ninguém esteja inquieto por coisa alguma.

Em verdade, a inquietação é fator desencadeante de numerosas calamidades.

Na maioria das vezes, está presente no erro de cálculo que compromete a construção, na dosagem inadequada do remédio que se transforma em veneno, no acidente infeliz ou no desastre da via pública.

É quase sempre um espinho no lar, um cáustico no ponto de vista, uma brasa no caminho e uma pedra na profissão.

É por ela que, muitas vezes, pronunciamos a expressão descabida e articulamos o julgamento falso a respeito dos outros.

Com ela, geramos preocupações enfermiças e arruinamos a estrada própria.

Contudo, a pretexto de aboli-la, é indispensável não venhamos a cair na preguiça.

Muita gente, a pretexto de evitar a inquietação, asila-se em comodismo deplorável, alegando que foge de trabalhar para não se afligir.

Entendamos, porém, no verdadeiro sentido, a recomendação judiciosa de Paulo. Ele que disse “não estejais inquietos por coisa alguma” nunca esteve ocioso.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 86


sábado, 20 de junho de 2026

Se aspiras a servir

 

“Aprendi a contentar-me com o que tenho.” — Paulo (Filipenses, 4:11)

 

Afirmas-te no veemente propósito de servir; entretanto, para isso, apresentas cláusulas diversas.

Dispões de recursos próprios, conquanto humildes, para as tarefas do socorro material; contudo, esperas pelo dinheiro dos outros.

Tens contigo vastas possibilidades para alfabetizar os necessitados de instrução, mas esperas um título oficial que talvez nunca chegue.

Mostras pés e braços livres que te garantem o auxílio aos irmãos em prova; entretanto, esperas acompanhantes que provavelmente jamais se decidam ao concurso fraterno.

Relacionas talentos múltiplos, a fim de cumprires abençoada missão de amor puro entre os homens; todavia, esperas em família pelo companheiro ideal.

Se acordaste para a cooperação com Jesus, recorda a afirmativa de Paulo: “Aprendi a contentar-me com o que tenho.”

Quando o apóstolo escreveu essa confissão, estava preso em Roma.

Em torno dele, o ambiente doloroso do cárcere. Guardiães desalmados, companheiros infelizes, pragas e palavrões. Nem sempre pão à mesa, nem sempre água pura, nem sempre consolação, nem sempre voz amiga…

No entanto, ao invés de desanimar, o pioneiro do Evangelho cede vida e força, serenidade e bom ânimo de si próprio.

Se aspiras a servir aos outros, servindo a ti mesmo, no reino do Espírito, não percas tempo na expectativa inútil, pois todo aquele que sente, e age com o Cristo, vive satisfeito e procura melhorar-se, melhorando a vida com aquilo que tem.  

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 85


sábado, 13 de junho de 2026

Divinos dons

 

“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, de amor e de moderação.” — Paulo (II Timóteo, 1:7)

 

Realmente, não foi o Pai Excelso quem nos instilou o espírito do medo. Ao revés disso, conferiu-nos largamente a fortaleza, o amor e a moderação.

Todos somos, assim, dotados de recursos para desenvolver, ao infinito, os dons divinos da fortaleza que é valor moral, do amor que é serviço incessante no bem e da moderação que define equilíbrio.

Entretanto, à maneira do operário que foge à máquina, acreditando receber impunemente o salário da oficina, sem o suor do trabalho, desertamos da responsabilidade, supondo obter sem paga os benefícios da vida, sem o esforço do próprio burilamento. O operário, nessas circunstâncias, ganha vantagens materiais; contudo, na intimidade, permanece no nível da incompetência; e nós outros, em semelhante atitude, podemos desfrutar considerações do plano terrestre, mas, por dentro, estacamos na sombra da ignorância.

É por isso que geramos, em nosso prejuízo, o clima do medo, em que os monstros do egoísmo e da discórdia, do desespero e da crueldade se desenvolvem, tanto quanto a cultura de várias enfermidades prolifera na podridão.

Não te percas, desse modo, nas ideias enquistantes ou destruidoras do medo, capazes de operar a ruína dos melhores impulsos, porque, se utilizas a fortaleza, o amor e a moderação, — talentos de que o Senhor te investiu em favor do próprio aperfeiçoamento, — seguirás para diante, na Terra e além da Terra, com a luz do coração e a paz da consciência.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 84


sábado, 6 de junho de 2026

Presença divina

 

“Eis que estou convosco até o fim dos séculos…” — Jesus (Mateus, 28:20)

 

Pastores religiosos dos diversos templos cristãos declaram, todos os dias e por toda a parte, que Jesus está com os líderes mundiais, com os cientistas da Terra, com os orientadores da mente popular e com todas as linhas da Civilização; entretanto, vemos a maioria dos condutores e dos conduzidos no mundo, em franca discórdia, exibindo, aqui e ali, conflitos de sangue e ódio.

Tudo parece desmentir a boca otimista dos pregadores, tal a ventania de desavenças que sopra de todas as direções.

Os expositores do Evangelho, no entanto, conservam precisão matemática em semelhantes afirmativas.

Jesus não formulou promessas frustradas… Estará, sim, com todos os corações da Terra, sempre e sempre; contudo, a Doutrina Espírita, suplementando as anotações do Testamento do Cristo, vem explicar, sem sombra de dúvida, que o Mestre está e estará com toda a Humanidade, mas apenas conheceremos fruto visível e imediatamente aproveitável de sua presença sublime, na criatura terrestre, dessa ou daquela posição, que esteja também com Ele.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 83


sexta-feira, 5 de junho de 2026

O consumo consciente e a preservação do meio ambiente

 

Imagem: gov/ANS

“As manifestações de vida nos vários reinos da Natureza, abrangendo o homem, significam a expressão do Verbo Divino, em escala gradativa nos processos de aperfeiçoamento da Terra?

Sim, em todos os reinos da Natureza palpita a vibração de Deus, como o Verbo Divino da Criação Infinita; e, no quadro sem-fim do trabalho da experiência, todos os princípios, como todos os indivíduos, catalogam os seus valores e aquisições sagradas para a vida imortal.”

Emmanuel – Livro: O Consolador, q. 28

         No mês de junho, dentre tantas efemérides e festividades que carreiam vibrações de muita alegria para grande parte da população brasileira, temos, no dia 5, a data que nos lembra do compromisso com a casa em que vivemos. Esse compromisso nos conclama aos cuidados com o meio ambiente oferecido por Gaia, a Mãe Terra, segundo a mitologia grega.

Mais do que uma pauta social ou política, a preservação do nosso orbe deve ser considerada por nós — que já conseguimos vislumbrar o infinito além da matéria que temporariamente utilizamos para o nosso desempenho evolutivo — como uma disciplina da grade escolar que deveremos aprender e aplicar, provando, assim, o desenvolvimento do nosso potencial de fraternidade, desapego e elevação moral.

Segundo as informações trazidas na questão 28 do livro O Consolador, pelo benfeitor Emmanuel, podemos afirmar que Deus está presente em todos os reinos da natureza, onde os elementos que os compõem estão colocados em estágios graduais e encadeados numa jornada evolutiva. Nós, humanos, ocupando o topo destes estágios entre as espécies encarnadas no planeta, devemos assumir um papel de facilitadores nesse processo, como podemos ler e deduzir, ainda, em outra afirmação de Emmanuel, no livro Renúncia: “O mundo material é uma tenda de esforços infinitos, onde fomos chamados a colaborar com o Criador no aperfeiçoamento de suas obras.” Essa cooperação pode começar através de pequenos esforços, tais como o controle de nossos impulsos de consumo e o redirecionamento das nossas condutas diárias, ou seja, tomando atitudes conscientes.

Quando consumimos além do necessário, gerando desperdício e esgotamento de recursos, materializamos, através dessas atitudes, nossos malfadados vícios conhecidos como orgulho e egoísmo. Segundo o Espírito da Verdade afirma, em resposta a Kardec na questão 785 de O Livro dos Espíritos, esses vícios são o maior obstáculo ao progresso da humanidade.

Enfim, a construção do Mundo de Regeneração que aguardamos ansiosamente exige de nós mudanças drásticas para que essa obra se materialize o quanto antes. Isto requer reflexão sobre: O que estamos pondo no prato? Qual a origem destes alimentos? Quanto e o que foi destruído no caminho até o prato? O mesmo vale para tudo o que temos consumido. Como seres de consciências despertas, todo o mundo estará melhor e caminharemos a passos mais largos na construção do Reino tão bem cantado por nosso Mestre!

“A Natureza é sempre o livro divino, onde as mãos de Deus escrevem a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem, evoluindo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos.” (Emmanuel – Livro: O consolador, q. 27).

         Sejamos bons discípulos! 

DCSE/CEJG


sábado, 30 de maio de 2026

Tua obra

 

“Mas prove cada um a sua própria obra e terá glória só em si mesmo e não noutro.” — Paulo (Gálatas, 6:4)

 

Ainda mesmo que te sintas em lugar impróprio às tuas aptidões e mesmo que as tuas atividades pareçam sem qualquer importância, lembra-te de que a Lei do Senhor te coloca presentemente na condição em que podes produzir melhor e aprender com mais segurança.

Tens, assim, a tua obra particular e intransferível na execução do plano universal de Deus.

Não aspires, desse modo, a assumir, de imediato, as responsabilidades daqueles que se encontram expostos à multidão, a pretexto de desempenhares mandato especial, ante a Providência Divina.

A tarefa de que te incumbes, nos últimos degraus ou no plano mais obscuro do lar, é de suma importância nos desígnios do Senhor. A folha de papel que te sai das mãos pode ser aquela em que se grafarão palavras destinadas ao consolo de toda a comunidade, e o menino que te obriga a pesadas noites de insônia pode trazer consigo o trabalho de auxílio providencial a um povo inteiro. A fonte que proteges, em muitas ocasiões, será o alimento para milhares de criaturas, e a árvore que plantas dar-te-á, talvez amanhã, o remédio de que precises.

Tua obra de hoje é o serviço que o Senhor te deu hoje a realizar. Faze-o do melhor modo, recordando que, apesar da grandeza divina do nosso Divino Mestre, foi ele, um dia, na Terra, humilde criança, constituindo obra de abnegação e de amor para os braços de pobre mãe, recolhida temporariamente à estrebaria, sem conforto e sem lar.        

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 82



sexta-feira, 29 de maio de 2026

Você conhece a história de Cairbar Schutel?

 

Cairbar Schutel nasceu em 22 de setembro de 1868, no Rio de Janeiro, e ficou órfão ainda criança, sendo criado pelo avô, que o matriculou no Imperial Colégio Pedro II. Ainda jovem, tornou-se prático de farmácia e mudou-se para o interior de São Paulo, vivendo em cidades como Piracicaba, Araraquara e Matão. Em Matão, destacou-se não apenas como profissional, mas também como importante líder local, contribuindo para a emancipação do município e tornando-se o primeiro presidente da Câmara Municipal da cidade.

Seu contato com o Espiritismo ocorreu por meio de amigos ligados às reuniões mediúnicas. Inicialmente curioso, impressionou-se ao assistir a comunicações espirituais de elevado teor moral. Pouco tempo depois, desenvolveu suas próprias faculdades mediúnicas, especialmente a psicografia, por meio da qual recebeu mensagens do próprio pai desencarnado. A partir dessas experiências, aprofundou-se no estudo das obras de Allan Kardec, tornando-se dedicado estudioso e divulgador da Doutrina Espírita.

Em 1905, fundou o Centro Espírita Amantes da Pobreza, pioneiro na região paulista, além do jornal O Clarim, um dos mais importantes periódicos espíritas do Brasil. Posteriormente, lançou a Revista Internacional do Espiritismo, ampliando ainda mais a divulgação doutrinária. Como escritor e polemista, destacou-se pela defesa firme e respeitosa do Espiritismo diante das críticas e perseguições da época, conquistando grande respeito moral, inclusive entre adversários.

Conhecido como “Médico dos Pobres” e “Pai da Pobreza de Matão”, Cairbar Schutel dedicou grande parte da vida ao auxílio dos necessitados. Atendia gratuitamente pessoas carentes, fornecendo remédios e assistência sem cobrar nada. Sua residência tornou-se ponto de acolhimento aos pobres e sofredores, refletindo seu profundo espírito de caridade, desapego material e vivência prática dos ensinamentos cristãos defendidos pelo Espiritismo.

Cairbar Schutel desencarnou em 30 de janeiro de 1938, na cidade de Matão, cercado do respeito e admiração do movimento espírita brasileiro. Na lápide de seu túmulo foi gravada a frase: “Vivi, vivo e viverei, porque sou imortal”, síntese de sua convicção na imortalidade da alma. Conhecido como o “Apóstolo de Matão”, deixou importante legado como médium, escritor, jornalista e propagador incansável da Doutrina Espírita no Brasil. 


Resumo da biografia encontrada no site da União Espírita Mineira.

 


sábado, 23 de maio de 2026

Prosseguindo

 

“Prossigo para o alvo…” — Paulo (Filipenses, 3:14)

 

Encontras o semblante amargo da solidão no momento em que as circunstâncias te compelem a deixar o conhecido.

Supões que a construção de toda a existência desaba sobre ti mesmo, como se a ausência da moldura familiar te rasgasse o quadro da própria alma.

Corações amigos, atraídos por outras sendas, abandonaram-te os ideais; pessoas queridas deixaram-te a sós; aposentaram-te a distância do trabalho de muitos anos, ou a morte, de passagem, ceifou o sorriso dos companheiros que te eram mais caros…

Sentes, por vezes, que estás deixando para trás tudo o que te parece mais valioso, entretanto, não é verdade.

Basta jornadeies corajosamente adiante e, buscando expressar-te em novas formas, reconhecerás que o amor e o trabalho são mais belos em teu caminho.

Compreenderás, então, que podes adicionar novas parcelas de alegria à felicidade dos que mais amas e que podes servir com mais entendimento às aspirações que te inspiram a marcha.

Se a vida te apresenta a fisionomia triste da solidão, recorda a própria imortalidade e não te detenhas.

O menino deixa a infância para entrar na mocidade, o jovem deixa a mocidade para entrar na madureza, o adulto deixa a madureza para entrar na senectude e o ancião deixa a extrema velhice para entrar no mundo espiritual, não como quem perde os valores adquiridos, mas sim prosseguindo para o alvo que as Leis de Deus nos assinalam a cada um…

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 81



domingo, 17 de maio de 2026

Bendigamos

 

“Porque quem quer amar a vida e ver os dias bons, refreie a sua língua contra o mal…” — Pedro (I Pedro, 3:10)

 

Não vale condenar.

O desmentido talvez chegue hoje, de maneira imprevista, porque a misericórdia é alicerce da Lei de Deus.

Reflete quantas vezes já observaste o socorro invisível ao que era tido em conta de mal irremediável.

Viste doentes graves voltarem repentinamente à saúde, quando já se achavam sentenciados à morte.

Conheceste malfeitores que se transformaram em homens de bem, quando pareciam totalmente afundados na delinquência.

Tateaste problemas complexos que encontraram equação de improviso, quando se te afiguravam plenamente insolúveis.

Choraste sobre situações inquietantes que tomaram rumo salvador, quando tudo te fazia crer em tragédia.

Seja qual seja a provação em curso, refreia a língua para que a tua língua não amaldiçoe.

É possível estejas vendo tudo em derredor de teus passos pelo prisma do desespero…

Entretanto, asserena-te e aguarda, confiante, porque, se a misericórdia de Deus ainda não está alcançando o teu quadro de luta, permanece a caminho.

 

Emmanuel / Chico Xavier

Livro: Palavras de Vida Eterna – Lição 80