Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações. (Allan Kardec - E.S.E, XVII, 4)

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

A educação de Jesus



Verificamos a importância da família observando a de Jesus; ele, que era um espírito de grande evolução, veio num meio familiar de uma moral irrepreensível. Os pais de Jesus eram pobres, mas honestos e trabalhadores; os familiares da criança eram especiais, como se o meio fosse auxiliar o ser frágil a se desenvolver, até poder se apresentar em toda a sua força moral.
O exemplo dos pais embalou o rebento e a vibração amorosa de Maria suavizou a sua caminhada na terra.
Na carpintaria do pai, Jesus aprendeu a trabalhar com as mãos, como que a exemplificar a importância do trabalho manual. Cercado pelos irmãos, trabalhando na oficina com seu pai, Jesus teve uma infância feliz.
O problema da profissão na época era facilmente resolvido, os filhos seguiam a do pai.
A educação judaica preparava o homem para servir a Deus; Jesus não nasceu entre os gregos, que educavam o cidadão ou o guerreiro, mas no meio de um povo que amava e procurava servir a um só Deus; isso mostra a importância do meio nas primeiras fases de vida do ser.
A instrução de Jesus, iniciada no lar, foi completada na Sinagoga.
O rabino dava as aulas numa sala bem iluminada e coberta de esteiras onde se sentavam os meninos. As aulas eram dadas através de cópias e decorações de textos. Aprendiam através das escrituras sagradas. Havia 23 letras no alfabeto hebraico e os alunos deviam escrevê-las e lê-las corretamente.
Jesus foi um excelente aluno, revelando conhecimento profundo dos textos sagrados.
Graças aos livros, ao Talmud e ao Mischna, Jesus integrou-se à cultura de seu tempo. O desenvolvimento foi realizado também na vertical; o povo judeu era profundamente espiritualizado.
O relacionamento dos pais com os filhos era considerado muito importante; as crianças e adolescentes acompanhavam os mais velhos em todas as ocasiões.
Jesus penetrou no espírito da Educação Judaica, rompendo os condicionamentos que amarram o ser aos vínculos da matéria, exemplificando um domínio completo sobre a carne.
Educado dentro dos moldes inflexíveis de uma educação Formalista, rompeu a casca da tradição e se abriu para o Cosmos.
Com Jesus compreendemos o homem como habitante do Universo; a solidariedade dos seres e dos mundos ganha novas cores, as dimensões da vida se abrem no infinito; não mais limitações, não mais preconceitos estéreis, não mais divisão de classes, nem barreiras de raças. O Ser Indestrutível se impõe ao mundo...
Não compreendendo o Mestre, fizemos da Educação Cristã uma repetição do modelo totalitário do judaísmo, criamos a Idade Média. O Cristianismo sufocou o espírito e repetimos os erros do passado. A religião novamente impediu a marcha do homem, que reagiu caindo no materialismo e criando uma educação leiga e pragmática preocupada em desenvolver o “ter” e não o “ser”. A Educação se converteu em simples instrução, só se exigindo dos educandos a capacidade de decorar. O homem virou servo da máquina e a luta pela sobrevivência, num mundo difícil, aumentou o seu egoísmo. O mundo se tornou cruel; o desemprego, a fome, a guerra, o materialismo, quase sufocaram as sementes plantadas pelo meigo Nazareno. Mas o trigo, apesar de sufocado pelo joio, continuou a brotar, embora com muita dificuldade. Uma nova educação se faz necessária, uma educação que proporcione estímulos para o desenvolvimento e a libertação do Ser.
A religião será a alavanca que conduzirá o indivíduo à transcendência, a integração em harmonia universal. Não a religião anestesiante, mas uma religião que caminha de mãos dadas com a ciência e a filosofia, os três caminhos do conhecimento, conduzindo o Ser para o “desenvolvimento de suas perfectibilidades”, como queria Kant.
Analisando o nascimento e a família de Jesus, pensamos nas dificuldades que o ser encontra para o seu desenvolvimento espiritual ao nascer em meios difíceis, mais primitivos, onde os indivíduos estão em suas primeiras fases de evolução. Provavelmente, foram atraídos por lei de afinidade, sintonia espiritual com os encarnados necessitados ali presentes. Vão necessitar de muita ajuda, de muito estímulo, para vencerem as dificuldades da nova encarnação; o trabalho de preparação para que saiam vencedores provavelmente continua no plano espiritual, durante as horas de sono. Todos vieram para a vitória; ninguém veio destinado ao fracasso. A importância da Escola e da Educação está exatamente aí: estimular o Ser a desenvolver as perfectibilidades, vencendo os problemas do meio; despertar no indivíduo o que há de melhor, dando-lhe as forças necessárias para superar os condicionamentos inferiores de outras encarnações. Se a família é deficiente, cabe à Escola suprir essas dificuldades.
Se Jesus, com toda a sua evolução espiritual, necessitou nas primeiras fases de um povo espiritualizado e de uma família especial, como os indivíduos menos evoluídos precisarão de estímulo, de alavancas propiciadas por uma Educação Espiritualista.
A Educação não só integrará o Ser no meio social onde vive, mas o auxiliará na superação de sua animalidade inferior. Essa é a função da Escola Espírita.
 Heloísa Pires  – Livro: Educação Espírita

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