Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações. (Allan Kardec - E.S.E, XVII, 4)

sábado, 4 de abril de 2020

Líderes espíritas opinam sobre Chico Xavier


FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER, um jovem de 17 anos residente na cidade de Pedro Leopoldo (MG), psicografou sua primeira mensagem na noite de 8 de julho de 1927. A partir daquele dia, iniciou um período de exercícios psicográficos.
Todavia, sua primeira obra Parnaso de além túmulo, saiu a lume nos idos de 1932, publicada pela Federação Espírita Brasileira. Desde então, sua produção mediúnica foi incessante, completando em nossos dias, cerca de 150 livros publicados¹³. Ao ensejo dos cinquenta anos de atividades psicográficas de Francisco Cândido Xavier, procuramos obter a opinião respeitável de alguns líderes espíritas.

Impacto das primeiras obras
P – Como os espíritas receberam as primeiras obras psicográficas de Chico Xavier?
R – Quando saíram as primeiras obras de Chico, eu ainda estava, a bem dizer, nos primeiros passos na seara espírita.
Justamente por isso, não posso responder bem a essa pergunta. Mas ainda me recordo de que, principalmente o Parnaso, objeto de comentários constantes, como outras obras de Chico empolgou muita gente nos primeiros tempos. Somente mais tarde, porém, depois de me haver familiarizado com Léon Denis e Gabriel Delanne, fui tomar conhecimento, diretamente, dos livros mediúnicos, a respeito dos quais ouvira apenas referências e elogios em discussões e conferências – Deolindo Amorim (presidente do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, Rio de Janeiro).
 (...)

A análise da obra
P – Seria lícito analisar-se a evolução do espiritismo no Brasil, dividindo-o nos períodos antes e depois de Chico Xavier?
R – Os ensinos dos espíritos são dosados na conformidade do progresso intelectual e moral, do amadurecimento espiritual dos homens terrenos. Três grandes revelações marcaram diferentes etapas, no curso dos milênios, na popularização do conhecimento das coisas espirituais. Na última delas – a espírita -, conforme foi recentemente abordado em editorial de Reformador (março, 1977), o próprio codificador reportou-se a três períodos distintos, balizando o desenvolvimento das ideias espiritistas: o da curiosidade (intensa e ruidosa fenomenologia); o do raciocínio e da filosofia (estudo e meditação sérios, então apenas no início); e o da aplicação e das consequências (que se seguiria, inevitavelmente, aos outros dois). A propósito da questão 160 de O Livro dos Espíritos, Emmanuel lembrou os períodos aludidos e denominou-os como de aviso, chegada e entendimento.
No Brasil, desde cedo, ainda no século XIX, foi dada ênfase ao sentido do terceiro período, da aplicação e das consequências (Allan Kardec) ou do entendimento (Emmanuel), que é o da vivência do Evangelho de Jesus Cristo, do aspecto religioso da Doutrina dos Espíritos, a que conduz a lógica das conclusões do estudo metódico e sistemático dos aspectos científico e filosófico, como muito bem elucida o próprio Espírito Emmanuel em O Consolador.
A elaboração dos trabalhos, no transcorrer de um século de vida do espiritismo no Brasil, em pleno período terceiro, como não podia deixar de ser, seguiria, como seguiu, orientação dos mesmos moldes dos outros dois: no sentido do esforço conjugado dos Planos Espiritual e Físico do planeta, da contribuição das humanidades invisível e visível que o povoam.
À luz dessa realidade, o pesquisador, o estudioso, o espírita laborioso encontrará sempre, e licitamente, pontos demarcantes da evolução do espiritismo, em nosso país e fora dele, todos importantes e necessários, como contributos da edificação comum da mentalidade cristã e das obras que decorrem das atividades dos seres desencarnados e encarnados, solidários entre si e perseguindo idênticos ideais na imensa seara do Senhor.
Nas linhas gerais do processo evolutivo da Doutrina dos Espíritos, no Brasil, se respeitadas as premissas alinhadas neste esforço, parece-nos perfeitamente justo identificar as múltiplas fases do trabalho para nelas situar esse ou aquele médium, como instrumento de equipes de espíritos a utilizarem-no com vistas ao atendimento das necessidades da programação de longo curso, a cumprir-se por partes, no tempo e no espaço.
Francisco Cândido Xavier, médium precedido por inúmeros outros, na obra do livro espírita, principalmente em Terras do Cruzeiro, contemporâneo de diversos medianeiros que também chegaram a ultrapassar a barreira de meio século de fecundas e continuadas realizações, e de outros já com alguns decênios de lutas e dedicações, é bem a expressão simples e confortadora da progressividade da revelação e do permanente cuidado e carinho de Deus para com os Seus filhos em duras experiências no mundo.
Analisar as realizações que se ligam, indissoluvelmente, ao valoroso espírita-cristão Chico Xavier, é tarefa que, a nosso ver, deveria ser mais propriamente delegada ao futuro imediato à sua desencarnação e aos decênios seguintes, porque, então, detentores do conhecimento pleno do inteiro patrimônio representado pelo seu mediunato, devidamente esquadrinhado, sem as interferências das emoções ainda próprias da condição de contemporaneidade, os espíritas melhormente – e sem preocupações de ferir a modéstia proverbial do querido médium – poderíamos compreendê-lo na verdadeira extensão e profundidade, na qualidade e na influência dos seus escritos.
A bibliografia mediúnica que foi acrescida à literatura espírita, nestes últimos cinquenta anos, nascida do lápis de Chico Xavier – e o espaço não nos permite, sequer, considerações ligeiras sobre a oriunda, em nosso plano, de suas páginas –, é vultosa, considerável. E qualitativamente admirável. Poderíamos, sem dificuldade, num exame sereno e com absoluta isenção, dividir a obra mediúnica, orientada por Emmanuel, igualmente em fases perfeitamente delineadas, dentro de duas grandes divisões: a primeira, provando a sobrevivência e a imortalidade do espírito (Parnaso de além-túmulo); a segunda, lembrando e confirmando os deveres dos espíritas, destinada a prepará-los para o trabalho no movimento (Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, seguido de uma panorâmica da História Universal, A Caminho da Luz, e de alguns manuais de maior valor: Emmanuel – Dissertações mediúnicas, O Consolador, Roteiro, etc., etc.)
Enfim, muitos estudos interessantes e instrutivos virão, a seu tempo. E a obra toda de Francisco Cândido Xavier, criteriosamente traduzida, estará, tempestivamente, à disposição dos leitores do mundo inteiro, juntamente com a de Allan Kardec e da dos autores que cuidaram dos escritos subsidiários e complementares da codificação.
Mas, enquanto isso, e para que tudo ocorra com a tranquilidade que se almeja na difusão conscienciosa e responsável da doutrina dos espíritos, seria de bom alvitre que se não perdesse de vista o fato de que Chico Xavier jamais teria obtido êxito, como instrumento do Alto, se não tivesse buscado ser fiel, autêntico, perseverante, seguindo a rígida disciplina que lhe foi sugerida por Emmanuel, testemunhando e permanecendo na exemplificação do amor ao próximo e do amor a Deus, vivendo o Evangelho – Francisco Thiesen (presidente da Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro).

¹³Atualmente, vinte anos depois que escrevemos este artigo, passam dos 400 títulos.

 Antônio César Perri de Carvalho – Livro: Chico Xavier – o homem, a obra e as repercussões

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